O presidente da Comissão Executiva do Conselho dos Tribunais de Justiça, desembargador Milton Nobre, prevê “enormes dificuldades” para os dirigentes dos TJs no ano que vem. Ao abrir o 105º Encontro dos Presidentes de Tribunais, na noite desta quarta-feira (21/10), na sede do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, ele disse que o cenário econômico exigirá dos administradores uma gestão pautada “na rígida contenção de custos”.

“Nos dois últimos anos, as adversidades que os tribunais estaduais enfrentam para cumprir sua missão constitucional foi muito agravada pela crise econômica e de desastrosa consequência para a vida nacional. Ao final de 2014, já tivemos um sinal de alerta que este 2015 seria da maior dificuldade. E se, ao término do exercício passado, alguns tribunais tiveram que se socorrer nas vias judiciais para defender a sua autonomia financeira, no decorrer deste ano quase todos têm enfrentando enormes dificuldades para manter a integridade dessa autonomia. E não são diferentes as perspectivas do próximo exercício”, afirmou.
Nobre disse que o recrudescimento da inflação, a estagnação da economia e a incerteza do mundo político sinalizam que “a gestão no Judiciário terá de se pautar pela contenção dos custos, pelo repensar de investimentos e pela extrema prudência nas decisões que envolvam compromissos financeiros”.
“Como confrontar as crescentes necessidades de aparelhar os nossos tribunais com recursos humanos e tecnológicos para responder às expectativas e demandas da população, que está ávida por uma prestação jurisdicional célere e eficaz, com a luz vermelha acesa a condenar quase todas as unidades federativas a operarem com déficit? Essa é uma questão grave, que representa um grande desafio a ser vencido no próximo ano e nos que se seguirão”, afirmou.
E emendou: “De cada presidente de tribunal e sua equipe será exigido mais do que talento, mas também consciência de um pensar coletivo, de modo a superar esse delicado momento brasileiro sem abdicarmos dos nossos propósitos de realizar um melhor atendimento aos jurisdicionados”.
O presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho, também ressaltou os efeitos da crise econômica sob o Poder Judiciário. Ele disse que os tribunais não podem ignorar o momento conturbado na economia e na política, pois devem estar prontos a “contribuir para o eixo do equilíbrio institucional da nação” ao fiscalizar a apuração dos casos de corrupção e julgar os criminosos.
“Em uma época de tanta perplexidade, inicialmente provocado pelo rumoroso processo do mensalão, quase sem intervalo veio a operação 'lava jato', incumbido o Poder Judiciário a assegurar a cidadania e as instituições republicanas. As policias investigam; o Ministério Público apura e denuncia; e o Judiciário, atuando com desenvoltura e seriedade exigida pela gravidade da hora, revela ao país que a Justiça pode atingir as altas patentes dos meios empresariais e políticos, afastando a descrença que até então permeava nosso imaginário social quanto à possibilidade de que as malhas da lei não alcançavam os poderosos”, destacou.
Participam do Encontro do Conselho de Tribunais de Justiça os presidentes dos TJ dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal. O evento segue até sexta-feira (23/10).

Quanto cinismo e hipocrisia por parte desses agentes públicos sem legitimidade popular, querendo imputar à crise econômica a falta de dinheiro nos Tribunal quando o motivo real do cofre vazio é a farta distribuição de dinheiro aos magistrados. Neste ano de 2015 calcula-se que o gasto total do sistema de Justiça será da ordem de 80 bilhões de reais. É muito dinheiro, e boa parte é empregada para pagar os vencimentos fabulosos dos juízes e vantagens não previstas em lei como o famigerado "auxílio-moradia", fazendo com que a gastança gere falta de recursos em outras áreas. Essa a causa real da falta de recursos.
É só cortar o auxílio-moradia que sobra dinheiro.
É só cortar o auxílio-moradia que sobra dinheiro.
Prezado Marcos: Você está absolutamente correto. O auxilio moradia é uma imoralidade, uma vez que foi concedido de forma genérica abrangendo inclusive aqueles que moram em luxuosas mansões e ainda tem outros imóveis residenciais de aluguel (renda extra). Além disso, é claramente inconstitucional (CF, art. 39, § 4º). Ainda, vergonhosamente, foram instituídos auxílios educação, creche, etc.
Extraído de matéria jornalística e veiculado na grande imprensa...
"Os supersalários de uma parcela dos servidores públicos brasileiros ganharam destaque na edição de segunda-feira do jornal americano “The New York Times”. Sob o título “Brasil, onde um juiz ganhou US$ 361,5 mil num mês, revolta-se com os salários”, a reportagem diz que os altos vencimentos de alguns servidores deixam o funcionalismo brasileiro nos Estados Unidos e na Europa em situação humilhante.
A matéria menciona casos no Judiciário, no Executivo e no Legislativo em nível federal, estadual e municipal, mas sem citar nomes. No caso do juiz cuja remuneração dá título ao texto, trata-se de um magistrado de São Paulo que teria recebido o equivalente a R$ 712 mil num mês.
Como forma de comparação, a reportagem informou que os salários mais altos de juízes no estado de Nova York giram em torno de US$ 198.600 por ano, aproximadamente R$ 391 mil, ou R$ 33 mil mensais".
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