Advogados de Ribeirão Preto denunciaram na manhã desta quinta-feira (3/3) violações de prerrogativas cometidos por policiais militares na cidade. Em duas representações endereçadas à subseção da Ordem dos Advogados do Brasil e ao Comando da Polícia Militar no município, os profissionais relatam abusos como ofensas verbais e ameaças.
Entre as prerrogativas violadas, eles apontam dificuldade para conversar com clientes sob custódia da PM: para evitar que o acusado fale com seu representante, contam, a PM mantém as pessoas por horas na rua ou fechadas dentro das viaturas. Também dizem ouvir que: "o lugar de vocês é no Fórum, não em delegacia"; que são "urubus" e estão "atrapalhando"; ou ainda que "corriam com a criminalidade".
A Associação dos Advogados de Ribeirão Preto (AARP) afirma que a prática ilegal já se tornou corriqueira. O argumento da PM para impedir o contato entre defensor e acusado, relatam, é que a custódia da pessoa é a da polícia até que ela seja entregue ao delegado. Para os advogados, a conduta é justamente para evitar que o delegado autorize o contato com o cliente.
“Sempre que se questiona a um policial militar sobre a ilegalidade de qualquer procedimento que afrontem os mais básicos direitos constitucionais, que em um Estado Democrático de Direito garantem a observação ao devido processo legal, a presunção de inocência, ao contraditório, ampla defesa, a integridade física, dentre outros sistematicamente ignorados, estes partem para o afrontamento, ameaças, uso de força e de voz de prisão por desacato”, diz a representação.
Estopim
O caso que fez a associação formalizar a reclamação aconteceu na terça-feira (1º/3). A entidade afirma que a Polícia Militar demonstrou que mais uma vez não apresentaria os detidos. Então, os advogados João Francisco Soares, Hugo Amorim Cortes e Diego Alvim Cardoso, que assinam os pedidos, foram à delegacia pedir ao escrivão que entrasse em contato com o delegado para que ele solicitasse a entrega dos acusados.
Um vídeo feito na central de flagrantes mostra uma discussão em que os policias tentam impedir que os advogados fiquem em determinado local. Um cabo fala a um deles: “Você quer pagar pra ver?”. Os PMs percebem que a ação está sendo gravada e inicialmente dizem que a gravação pode continuar. Logo depois passam a dizer que o celular seria confiscado como prova e que a gravar a cena não tem sentido já que estariam “conversando na boa”.
Na representação endereçada à subseção da OAB de Ribeirão Preto, os advogados e a associação pedem um desagravo público aos profissionais envolvidos. Já ao comando da PM, a entidade pede a instauração de processo disciplinar contra os policiais.
Prerrogativas
Para a AARP, a conduta dos policiais constitui crime militar. A entidade também aponta uma série de violações ao direito do acusado se reunir com seu advogado: o Pacto de San José, assinado pelo Brasil, o Estatuto da OAB, a Lei de Execuções Penais, a Constituição do estado de São Paulo e a Lei 13.245, que alterou o estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil.
“As denúncias se tornaram frequentes e nossa atitude busca restabelecer o respeito às prerrogativas profissionais do advogado. O exercício da advocacia tem previsão constitucional e visa a garantir a realização da Justiça. Temos que mostrar que não teremos uma sociedade livre, justa, igualitária e democrática se as prerrogativas dos advogados não forem respeitadas. O advogado tem a missão constitucional de assegurar a ordem jurídica do país. Assim, cabe a ele defender as pessoas das arbitrariedades, sejam elas quais forem, mas sobretudo as do Estado”, afirma o presidente da AARP, Daniel Rondi.
Veja abaixo o vídeo feito pelos advogados:

É e ainda querem unificação das Polícias...
Nenhuma novidade. Com a omissão reiterada da OAB/SP na defesa das prerrogativas da classe acabou se sedimentando a cultura de violação das prerrogativas. Veja-se que enquanto os colegas advogados estão sendo impedidos de trabalhar Marcos da Costa e seu grupo neste momento torra o dinheiro de nossas anuidades no chamado Palácio das Conveções do Anhembi em uma festa faraônica visando apenas e tão ostentação, tudo isso em uma época de extrema crise. De se esperar que os advogados que efetuaram a denúncia sejam agora processador criminalmente pelo fato de terem relatado os abusos, também com omissão da OAB/SP. E a situação tende a se agravar, cada vez mais, até a advocacia chegar ao fim.
O comportamento dos policiais militares é o mesmo em qualquer Estado. Também já sofri com esse tipo de comportamento, a mesma conduta "ipsis litteris", conhecida como síndrome da pequena autoridade.
A OAB tem que lutar urgentemente contra esse tipo de conduta, bem como os advogados que sofreram a agressão devem registar um Boletim de Ocorrência relatando o crime de abuso de autoridade.
Já passei por experiências similares, infelizmente, na Capital da República.
Entende a polícia haver uma suposta 'incomunicabilidade' do preso dentro de viatura e em qualquer deslocamento, seja, ou não, de carro.
Conclamo a classe, e mesmo a Ordem, a envidar esforços para rechaçar qualquer conduta tendente a diminuir prerrogativas ou direitos individuais.
Sem mérito os policiais e devem ser punidos. Há uma Lei Federal, diga-se, de conhecimento público e notório, é Lei 8.906/94. Nesta está minha vida e minha casa. Minha profissão é inviolável. Mas, resumo, culpa da OAB que não está fazendo nada pela Advocacia e nada pelo Brasil.
Isso é que dá pregar o dogma do militarismo para um polícia que se relaciona diretamente com a população CIVIL! Logo, levam todo o condicionamento (entenda-se viseira!) típico da concepção militar para o trato interpessoal com o cidadão. Em outras palavras: pensam que os cidadãos também são militares (de baixa patente), razão pela qual não podem questionar, não podem se indignar, não podem nem mesmo fazer "cara-feia". Coitada da tropa auxiliar, serão isso, nada mais: tropa auxiliar!
Com as investigações devem ser apontado os advogados se estiverem envolvidos com o crime ou não, se houver algum que some indícios suficiente para se investigar que o faça....mas a polícia não pode se valer de acusações evasivas ou cárcere privado para sustentar suas conduções, cabe a PM como aliados o silêncio e a honra. Acho que policia e advogados tem que andar juntos para um bem comum, o matimento da ORDEM e da JUSTIÇA!!!!
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