AGU não descarta novas ações no STF contra impeachment de Dilma

Após a aprovação na Câmara dos Deputados da continuidade do processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff, o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, disse que o governo poderá questionar novamente o processo de impeachment no Supremo Tribunal Federal. De acordo com ele, a partir de agora, com a análise da denúncia pelo Senado, os parlamentares devem respeitar todos os rigores formais de um julgamento.

O ministro da Advocacia-Geral da União disse que, nesta fase, o direito de defesa deve ser cumprido com mais afinco, conforme decisão do próprio STF. Entretanto, de acordo com o rito que vem sendo discutido no Senado, só depois de dez dias é que a defesa de Dilma Rousseff terá espaço para se manifestar sobre o impeachment, que na prática já terá sido admitido. 

Segundo Cardozo, uma das questões que podem ser discutidas no Supremo é que não há, segundo ele, justa causa para o impeachment. Ao afirmar que o governo pode levar ao Judiciário mais uma vez a questão, ele não disse se realmente levará, nem quando essa decisão será tomada.

“É lá [no Senado] que o direito de defesa, segundo o STF, se coloca de forma amplíssima. Daqui para frente é indiscutível. Todos os rigores formais devem ser cumpridos”, disse. O advogado-geral da União foi perguntado diversas vezes sobre em que momento o governo acionaria novamente a Suprema Corte, e em todas as vezes respondeu que será “oportunamente, e se formos”.

Cardozo repetiu o argumento de que, apesar de o STF ter negado todas as liminares apresentadas pela defesa que contestavam a votação do relatório do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), a corte reforçou que os objetos da denúncia estão limitados aos seis decretos suplementares e aos pagamentos relativos ao Plano Safra, que foram classificados como pedaladas fiscais.

Julgamento político
Para com o advogado-geral da União, os deputados fizeram um julgamento político a partir de pressupostos jurídicos ao analisar o relatório de Jovair e os argumentos do governo também serão jurídicos e políticos. “Quem desrespeita a Constituição age politicamente”, disse.

O ministro disse também que a decisão “não abaterá” a presidente Dilma Rousseff, que, segundo ele, está aberta ao diálogo para soluções que “jamais passarão por um golpe de Estado”. Ela irá se pronunciar nesta segunda-feira (18/4) sobre a decisão da Câmara.

Informando não ter participado de nenhuma discussão sobre a possibilidade de o governo convocar eleições gerais como forma de sair da crise política, Cardozo evitou discutir o assunto. Ele disse também que o governo foi traído por diversos deputados. “Várias pessoas que diriam que iam votar [contra o impeachment] não votaram”.

Golpe à democracia
Durante entrevista ao final da votação, Cardozo insistiu nos argumentos apresentados no Plenário da Câmara para classificar o processo como um golpe e para atacar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Segundo o advogado-geral da União, a abertura do processo de impeachment foi política e as denúncias contra a presidenta Dilma Rousseff não têm procedência e “nunca foram discutidas em profundidade”.

“Não há como se afirmar que houve má-fé, dolo”, disse, em referência ao mérito do pedido de impeachment em apreciação no Congresso Nacional, que agora será apreciado pelos senadores. O advogado disse que a defesa de Dilma já demonstrou “claramente” que não há ilegalidade nos decretos de crédito suplementar e nem no atraso do repasse de recursos do Tesouro aos bancos públicos, conhecido como “pedaladas fiscais”. Segundo o pedido de impeachment, essas práticas configuram crime de responsabilidade fiscal. 

“Em nenhum momento isso pode ser visto como operação de crédito, portanto não há ofensa à Lei de Responsabilidade Fiscal”, disse. Cardozo. “Estamos indignados. [A decisão é uma] ruptura à Constituição Federal, configura a nosso ver um golpe à democracia e aos 54 milhões de brasileiros que elegeram a presidenta, um golpe à Constituição. Temos hoje mais um ato na linha da configuração de um golpe, o golpe de abril de 2016, que ficará na história como um ato vergonhoso”, disse. Com informações da Agência Brasil.

Marcos Alves Pintar disse:
18 de abril de 2016 às 12:54

"Advocacia de Estado, não de Governo"

Ricardo ATonin Fronczak disse:
18 de abril de 2016 às 13:53

O que ele pretende, a meu ver, é discutir mérito no STF. Não creio que o STF vá se prestar a essa discussão, pois o mérito ainda não foi discutido, e somente foi dada a autorização para a que o Senado possa, se for o caso, abrir o processo efetivamente. Mesmo que o Senado continue e afaste a presidente do cargo, penso ser inimaginável o STF julgar o mérito do processo, pois estaria, a meu ver, usurpando competência do Congresso.

LunaLuchetta disse:
18 de abril de 2016 às 16:50

Caríssimo Doutor Marcos Alves Pintar:
Se o PT não sabe a diferença entre público e privado, é querer muito que saiba a diferença entre "advogado do Estado e advogado da governante". Para eles o que é do Estado é para o PT usar e gozar, sem limites. Mas isso, graças a Deus, está acabando.
Outro absurdo do Advogado da União, travestido em advogado da governante, é dizer que "não aceita o resultado da Câmara". Tem que aceitar, gosto ou não.

Professor Edson disse:
18 de abril de 2016 às 17:11

Senhor recurso vencido do governo.

Professor Edson disse:
18 de abril de 2016 às 17:11

Senhor recurso vencido do governo.

Professor Edson disse:
18 de abril de 2016 às 17:13

Ele vai recorrer aos tribunais internacionais.

Professor Edson disse:
18 de abril de 2016 às 17:13

Ele vai recorrer aos tribunais internacionais.

João B. G. dos Santos disse:
19 de abril de 2016 às 04:20

As declarações do AGU demonstram que atua como defensor da senhora Dilma e não como AGU. Aliás, os seus pronunciamentos onde reitera a obtusa versão de golpe e manifesta inconformismo contra o regular funcionamento das instituições são inadequados por desestabilizar o sistema político-jurídico nacional. Não será questionado por ninguém?

Zé Machado disse:
19 de abril de 2016 às 08:38

A excrecência jogada ao mundo na tarde de 17/04/16 no plenário da câmara dos deputados dispensa comentários. Tudo se falou, menos dos fundamentos jurídicos para o indiciamento da presidente, sendo prova cabal que o julgamento foi 100% político, o que é inadmissível, a não ser que todos concordem com a ruptura constitucional e da ordem democrática.É a forma temerária do trâmite do processo indubitavelmente demonstrada. Foi um espetáculo patético e reprovável.

Citoyen disse:
19 de abril de 2016 às 18:40

Sim, a oab, pelo seu conselho federal, não vai agir contra o conflito de interesses manifesto entre a atuação do advogado chefe da agu e o advogado do governo, da presidente dilma e do ex- presidente lula?
Sim, porque o conflito de interesses ficou manifesto na semana retrasada, quando o advogado da união atuando como advogado de lula, perante o eg. Stf, pediu, excepcionalmente, que lula fosse julgado naquele tribunal!
Sim, porque o conflito de interesses se tipifica, quando a agu opina em um litígio de terras, no pará, parado ha vários anos na agu, exatamente às vésperas do início da votação no senado, para assessorar a presidente na obtenção da solução do litígio, a fim de obter a simpatia do governador, e de políticos do amapá, visando os votos de deputados.
E os casos se discriminam, conforme publicação no diário oficial da semana passada.
Portanto, por que a oab não atua, para evitar que siga impunemente essa promiscuidade?
Afinal, não caberia ao titular da agu, como consultor e assessor da presidente, alertá-la para as ilegalidades das pedaladas?
Por que não o fez ? Prevaleceram as razões do advogado do governo, que tenta justificar as pedaladas com a tese mirabolante dos contratos de prestação de serviços?
O absurdo da tese inicial é de tal natureza, que o advogado do governo, se esquecendo da própria defesa que fizera, sobre prestação de serviços, acaba por declarar que, agora, "resolvemos" ( como agu ou como adv. Da presidente? ) o problema, incluindo na ldo dispositivo que autoriza o governo a fazer as operações de crédito - não mais de serviços! - sem que tenha, previamente de agir com transparência, pedindo autorizações específicas e recomendadas!

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