Ex-ministros do STF estão em planos de Michel Temer para a Justiça

Os planos do vice-presidente Michel Temer para as áreas ligadas à Justiça terão duas etapas. A primeira será posta em prática durante os 180 dias em que a presidente Dilma Rousseff fica afastada enquanto o Senado julga o mérito do pedido de impeachment. A outra será posta em prática caso o mandato da presidente seja cassado e Temer passe de presidente em exercício para presidente de fato.

Na primeira etapa, o vice-presidente pretende chamar para o Ministério da Justiça alguém mais ligado à área jurídica que à política, ao contrário do que fizeram os governos petistas e de Fernando Henrique Cardoso. São cogitados os nomes dos ministros aposentados do Supremo Tribunal Federal Ayres Britto e Carlos Velloso.

Felipe Lampe

Ideia de Temer é trazer para o Ministério da Justiça nomes que passem tranquilidade ao Congresso e ao mercado.
Felipe Lampe

Ambos foram presidentes do STF, são conhecidos e não tiveram seus nomes envolvidos em escândalos midiáticos que tomaram o noticiário político nos últimos anos. Velloso inclusive é o autor o voto vencedor na discussão no STF que definiu o rito aplicado ao impeachment de Fernando Collor.

Segundo pessoas próximas do vice-presidente, a ideia é trazer para a Justiça nomes que passem tranquilidade ao Congresso e ao mercado, enquanto Temer se concentra nas pastas ligadas às áreas econômicas e sociais.

Ao mesmo tempo, Temer pretende dar munição para que, nos bastidores, o ministro aposentado do STF Nelson Jobim enfrente a operação “lava jato”. Ele não faz parte do mesmo grupo político que o vice-presidente — eles já disputaram a presidência do PMDB —, mas é tido como nome forte, capaz de segurar os ânimos dos delegados da Polícia Federal, cuja atuação tem sido considerada política demais.

Michel 2016
A Polícia Federal é fator de insegurança para a classe política. Num Congresso em que há 300 deputados investigados ou réus em ações penais no Supremo, só terá apoio no Legislativo o governo que conseguir sinalizar controle do aparato de investigação. Por isso, no segundo momento, já depois que Michel Temer assumir a Presidência, a ideia é ter um nome forte para a Justiça, o mais antigo dos ministérios, para segurar a PF.

Quem acompanha a movimentação de perto afirma que não foi discutido a sério quem será o titular da pasta, mas que o ministro Gilmar Mendes tem sido apontado como um perfil “ideal”,  até por conta de seus anos à frente do Conselho Nacional de Justiça — quando deu pistas do que é capaz de fazer à frente de um órgão administrativo com certo poder. Mas o ministro estará em plena Presidência do Tribunal Superior Eleitoral e dificilmente deixará o STF para participar de um governo.

O nome de Nelson Jobim agrada os correligionários de Temer, mas como advogado de empresas na “lava jato” traria consigo o perigo da antipatia da opinião pública. Mas é, sem dúvida, alguém que teria força política para comandar a PF.

Cabeças
A operação “lava jato” é peça chave nessa conta. As investigações, conduzidas pela Justiça Federal em Curitiba e pela Procuradoria-Geral da República, já deu todos os sinais de que seus próximos passos serão na área política, não mais na empresarial. Portanto, a operação jamais será “abafada”, como querem os parlamentares, sem que alguns trunfos anunciados no nascedouro sejam entregues à opinião pública. 

Nesse quadro, Michel Temer teria de se comprometer a não se movimentar para salvar nenhum dos principais peixes pescados pelos investigadores até agora: o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula seria o troféu político. A “prova”, para os investigadores, de que o PT é uma organização criminosa que tinha como chefe o presidente da República e presidente do partido. Hoje as acusações contra o ele estão paradas por decisão do Supremo, que ainda não decidiu se ele pode ou não assumir a chefia da Casa Civil e, portanto, se tem ou não prerrogativa de foro por função.

Já Eduardo Cunha é réu numa ação penal no Supremo e investigado em pelo menos mais um inquérito. Já foi citado, até agora, em dez delações premiadas ligadas à “lava jato”. Se ele for condenado, o discurso de combate à corrupção passa a fazer mais sentido do que agora, em que 300 deputados investigados ou réus em ações penais votaram para derrubar a presidente.

Temer e Cunha são amigos de longa data e participam ativamente da vida política um do outro há muitos anos. Mas na montagem do governo, só um poderá sobreviver. Se Cunha for “anistiado”, o impeachment corre o risco de perder a legitimidade.

Pedro Canário

é jornalista.

Willson disse:
19 de abril de 2016 às 12:59

O sistema se movimenta para dar uma banana aos trouxas, inocentes inúteis, que apoiaram o teatrinho do golpe.

O IDEÓLOGO disse:
19 de abril de 2016 às 14:01

Na prática o Governo Temer afundará a operação Lava Jato. Com 513 deputados federais no Congresso Nacional, e 310 sendo investigados, incluídos aqueles que estão em processos sem repercussão, a maioria é investigada em graves crimes.
Infelizmente, o vice-presidente deverá atuar para criar um anteparo fático e jurídico para que as as masmorras públicas fiquem com elevado número de deputados em seu interior. Enfrentará a fúria popular, lembrando que aqueles que censuraram a presidenta Dilma, não aceitam o apoio de Aécio Neves, também sujeito de investigação criminal.
Enfim, não temos solução. Mesmo aquele político, que a primeira vista tenha ficha limpa, possivelmente na adolescência fumou maconha, bateu na namorada ou emitiu cheque sem fundo.
É imprescindível que o próximo presidente seja um Padre ou Bispo.

José Chagas Alves disse:
19 de abril de 2016 às 17:20

Corretíssimo vice-presidente Michel Temer. A única forma de você conseguir tentar moralizar esse país é colocando em seu governo homens acima de qualquer suspeita. Joaquim Barbosa, por exemplo, é um nome extraordinário. No mais temos José Serra, Sérgio Moro, Fernando Henrique Cardoso e tantos outros nomes de peso e prestigiados perante a sociedade civil em condição de contribuir com a balburdia que vive esse país. Se vc não levar a sério isso meu carro, entrará por uma porta e sairá por outra. É isso. Sugerir não ofende não é?!...

Contrariado disse:
20 de abril de 2016 às 10:49

Alguém postou "homens acima de qualquer suspeita. Joaquim Barbosa, por exemplo, ... No mais temos José Serra, Sérgio Moro, Fernando Henrique Cardoso".
Joaquim Barbosa ainda não explicou sua offshore para a compra do apartamento em Miami.
José Serra tem um livro inteiro de denúncias documentadas sobre suas falcatruas.
Sergio Moro usa e abusa de arbitrariedades, ilegalidades e parcialidade.
Fernando Henrique Cardoso, além da compra de votos pela reeleição, deve muitas explicações em áreas variadas como apartamentos em Paris e Nova Iorque, pistas de pouso em fazenda mineira, privatizações suspeitas etc.

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