Promotores acusam Moro e juíza de acordo ilícito em caso de Lula

A juíza estadual de São Paulo Maria Priscilla Veiga de Oliveira e o juiz federal Sergio Moro teriam feito um acordo ilícito para dividir as investigações sobre a suposta posse pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de apartamento construído pela OAS em Guarujá (SP). A acusação não vem da defesa do petista, mas dos promotores Cássio Conserino e Fernando Henrique de Moraes Araújo. Os membros do MP de São Paulo enviaram um documento com tom agressivo, levando-se em conta o linguajar normalmente usado em requerimentos, petições e decisões.

Reprodução

Promotor de São Paulo, Conserino acusou na primeira linha de seu documento a juíza estadual de ato doloso contra a Justiça. Reprodução 

Começa com uma acusação direta de que Maria cometeu ato ilícito com consciência: “Vossa excelência dolosamente desrespeita decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que determinou a aplicação da súmula 122 do STJ e encaminhamento integral dos autos à 13ª Vara Federal de Curitiba”. Para os promotores, ela deveria ou julgar integralmente o caso ou repassar na totalidade para Moro, sem possibilidade de dividir o caso. Logo depois, afirmam que estão preparando reclamação junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo.

A juíza transformou em réu o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro e outras dez pessoas, em ação penal sobre supostas irregularidades envolvendo a Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop). A denúncia original também acusava o ex-presidente Lula, seu filho Fábio Luís e a ex-primeira-dama Marisa Letícia, mas esse trecho ficou nas mãos do juiz federal Sergio Fernando Moro.

“Não adianta agora passar por cima da lei e dar margem lá na frente a NULIDADES ABSOLUTAS [letras maiúsculas e negrito estavam no original]. Se não for o Ministério Público o porta-voz do óbvio, serão as defesas”, escreveram Conserino e Araújo. Os promotores estão convictos de que as denúncias serão consideradas nulas por terem sido recebidas pelo que entendem ser juízo incompetente — no caso, Moro.

Os promotores também afirmam que “aqui tem Ministério Público! Aqui tem Promotores de Justiça que fizeram uma denúncia com convicção. Não denunciamos com base em achismo”. Recentemente, a força-tarefa da "lava jato" foi envolvida na polêmica "não temos provas, mas temos convicções", frase atribuída a eles em denúncia contra Lula, mas na verdade não dita em nenhum momento.

O ressentimento dos promotores é grande e eles deixam claro que sentem que o trabalho feito foi desprezado. “Um trabalho investigativo tão árduo, complexo e cansativo não pode ser lançado ralo abaixo, tanto na esfera da Justiça estadual, quanto na Justiça Federal. Não pode o Poder Judiciário de 1º grau fazer um 'acordo de cavalheiros' e cada juízo assumir uma parte da acusação. Não há previsão legal para isso!”, reclamaram.

No final, avisam que vão recorrer da decisão de fatiamento do caso, por entenderem que várias acusações foram descartadas sem argumentos juridicamente plausíveis. 

Leia abaixo a reclamação dos promotores. 

Fernando Martines

é repórter da revista Consultor Jurídico.

O IDEÓLOGO disse:
21 de outubro de 2016 às 20:30

O descontrole entre o Ministério Público, integrante do Poder Executivo, porém com autonomia constitucional (qual?) e o Poder Judiciário vai descambar no Segundo Período de Ditadura dos Militares.

O IDEÓLOGO disse:
21 de outubro de 2016 às 20:30

O descontrole entre o Ministério Público, integrante do Poder Executivo, porém com autonomia constitucional (qual?) e o Poder Judiciário vai descambar no Segundo Período de Ditadura dos Militares.

Gabriel da Silva Merlin disse:
21 de outubro de 2016 às 21:06

Qual o interesse de agir do MP-SP nesse caso? Visto que, ainda que seja considerado procedente o pedido, o processo continuara no Paraná.

Ou seja, isso é algo que não afeta em absolutamente nada o MP-SP, quem deveria levantar questionamentos contra essa situação, se fosse o caso, é a defesa do próprio acusado.

Patricia Ribeiro Imóveis disse:
21 de outubro de 2016 às 21:39

nossa, sempre ouvi dizer que o MP pede e juiz decide...
é a primeira vez que ouço que o juiz não tem poder para contrariar tese do Ministério Público...
Bom, se esses são os acusadores do Lula, acho que ele tem boas chances de sair candidato em 2018!

LauroCesar Advocacia disse:
21 de outubro de 2016 às 22:57

José R, de quais infratores o Sr Fala? Os (três Patetas) promotores ou os juízes?
Quais deles estão infringindo a ordem pública para receberem uma preventiva?

Professor Edson disse:
22 de outubro de 2016 às 01:43

Mais uma balela inventada pra desmoralizar o Moro.

Rogério Aro. disse:
22 de outubro de 2016 às 09:44

Gostaria de ver essa gana, essa determinação, essa vontade também nos casos do "Zé da esquina".
Pura vaidade e vontade de aparecer.

Luis Feitosa disse:
24 de outubro de 2016 às 10:20

Tanta gente interessada em prender Lula, rsrsrs.
Será que o objetivo é realmente acabar com a corrupção? Sinceramente tenho lá minhas duvidas...

Yan Jeferson Gomes Nascimento disse:
24 de outubro de 2016 às 17:00

Todo o interesse. Você acha mesmo que depois de tanto esforço e trabalho vão deixar um "acordo" ilícito anular tudo? Agora, há sim, um intenso ressentimento e atuação midiática de ambos membros ministeriais.

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