O ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio afirmou, na quinta-feira (24/11), que o reconhecimento de acordos e convenções coletivas pelo artigo 7º da Constituição não contempla a possibilidade de afastar direitos e garantias já integrados ao patrimônio do trabalhador.

"Não se pode, empolgando o instrumento coletivo, que foi previsto para trazer aportes aos direitos da categoria profissional, partir para redução de interesses já reconhecidos, quer contratualmente, quer pela legislação, quer pela Carta da República, a categoria profissional", disse o ministro no Seminário Comemorativo dos 75 Anos da Justiça do Trabalho e dos 70 Anos do Tribunal Superior do Trabalho, ocorrido na sede deste tribunal, em Brasília.
Marco Aurélio reconhece a possibilidade de uma certa flexibilização no campo dos direitos trabalhistas, através de acordos, com a participação dos sindicatos da categoria profissional e empresarial, "até mesmo em detrimento de certas garantias". No entanto, ele alerta que "o legislador constituinte de 1988 foi cuidadoso ao prever direitos afastáveis mediante o instrumento coletivo".
Isso, segundo o ministro, estaria contemplado no próprio artigo 7º — entre eles a "redução salarial em composição para assegurar a fonte do próprio sustento do trabalhador" e a redução da jornada de trabalho. "Podemos afirmar sem desassombros, que, fora essas possibilidades, contempladas expressamente, não há como dar-se ao acordo coletivo e a convenção coletiva um sentido maior de afastamento de direito e garantias já integradas ao patrimônio do trabalhador", destacou.
Ele citou cláusulas pétreas para afirmar que nem mesmo uma emenda constitucional pode afastar direitos e garantias individuais. Para o ministro, que integrou o TST de 1981 a 1990, agora, mais do que ontem, há a necessidade de que as normas trabalhistas sejam imperativas. "Não podemos retroagir à fase que foi ultrapassada em 1943, quando se deslocou a regência da relação do trabalho do Código Civil para a Consolidação das Leis do Trabalho."
O integrante do STF alertou, ainda que "pese a existência de críticas desavisadas", para a necessidade "também imperiosa" de se ter esse ramo especializado da Justiça, que é o da Justiça do Trabalho. "E viva, mas viva mesmo, a Justiça do Trabalho", concluiu.
Outro lado
Companheiro de Marco Aurélio no STF, o ministro Gilmar Mendes disse há pouco que o TST “desfavorece as empresas em suas decisões” e que há um aparelhamento da Justiça do Trabalho por “segmentos do modelo sindical" não foram bem recebidas na corte trabalhista.
A opinião externada por Gilmar encontra eco no próprio Judiciário, no Legislativo e no Executivo. Recente reportagem da ConJur mostra que existe uma disputa para definir se cabe a esse ramo da Justiça proteger o trabalhador que a ele recorre ou as relações de emprego e a segurança jurídica.
O presidente do TST, Ives Gandra Martins Filho, assim como Gilmar Mendes, defende que é preciso proteger o emprego e o equilíbrio nas relações de trabalho. Esse ponto de vista, apoiado por largos setores do empresariado e do Congresso, enfrenta a resistência de juízes, do Ministério Público e de suas associações.
A temperatura sobe cada vez mais. Há quem defenda a extinção da Justiça do Trabalho, com as suas atribuições repassadas à Justiça comum. Na ponta do lápis, aponta-se que o custo de processamento de uma ação é 40% mais alto do que o valor médio das indenizações. Nas contas do deputado Nelson Marchezan Jr. (PSBD-RS), o montante das indenizações trabalhistas, no ano passado, foi de R$ 8,5 bilhões, enquanto o custo do sistema Judiciário trabalhista, neste ano, é de R$ 17 bilhões. Com informações da Assessoria de Imprensa do TST.

Os neoliberais ansiosos para ampliar os lucros de grupos internos da sociedade, não estão saciados com os juros elevados pagos pelo Tesouro Público aos banqueiros; necessitam espoliar o trabalhador, precarizando as condições de trabalho, transformando-o em "escravo moderno".
Uma pesquisa revelou que o "precariado" (trabalhador terceirizado) é aquele que enfrenta maiores problemas com a família, e é, com maior intensidade, frequentador de Delegacias pelo desrespeito da Lei Maria da Penha.
Shalom!!!
Os neoliberais ansiosos para ampliar os lucros de grupos internos da sociedade, não estão saciados com os juros elevados pagos pelo Tesouro Público aos banqueiros; necessitam espoliar o trabalhador, precarizando as condições de trabalho, transformando-o em "escravo moderno".
Uma pesquisa revelou que o "precariado" (trabalhador terceirizado) é aquele que enfrenta maiores problemas com a família, e é, com maior intensidade, frequentador de Delegacias pelo desrespeito da Lei Maria da Penha.
Shalom!!!
O empresário tem mesmo que andar com cueca de ferro, simbolicamente falando, claro.
Vida longa a Justiça do Trabalho...com 12 milhões de desempregados e 9 estados não tendo dinheiro para pagar a folha...É mais um agente público, o dono do Brasil, cuidando do seu rico, luxuoso e glamoroso clube.
Enfim alguém com grande conhecimento e bom senso. O mInistro Celso de Melo está corretíssimo. Além de não pode ser alterada a legislação a bel prazer de alguns, deve continuar existindo a justiça trabalhista sim, que é uma justiça especializada, que defende o direito dos trabalhadores que em muitos lugares ainda é ignorada. Eu sou advogada, não atuo na trabalhista e sou profissional liberal e, portanto, meu interesse é no intuito de que os trabalhadores continuem a ser protegidos por esta lei. Quanto ao Ministro Gilmar Mendes, ele ultimamente diz cada absurdo que não dá para acreditar. Foi-se o tempo dos acordinhos na justiça trabalhista; isso não existe mais e faz tempo. Nos meus três primeiros anos de advocacia cheguei a trabalhar um pouco nesta área (por volta de 2000) e já não era assim. Hoje só leva quem tem direito. Ainda que saia caro um processo trabalhista, ainda é mais barato que a dignidade de um trabalhador, a vida de um trabalhador e de seus familiares. Assim como o dano moral, muitos dizem que os processos trabalhista são uma fábrica de dinheiro, só que os direitos das pessoas, assim como os direitos trabalhistas continuam sendo desrespeitados porque é mais barato para as empresas, pois entre 100, se 10 ingressar com uma demanda judicial é muito. Eu sugiro que tire não só do STF, mas de todos os tribunais, barbeiros, engraxates, carrões, os motoristas para dirigirem esses carrões, os garçons que servem seus cafezinhos e coloquem simples copeiras, enfim, que tirem seus privilégios que são tão caros e que trarão uma economia enorme para o país.
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