Buscas em escritórios são tentativas de intimidar advogados, diz Zanin

O advogado Cristiano Zanin Martins, alvo de busca e apreensão em seu escritório e residência, afirmou nesta quarta-feira (9/9), em entrevista exclusiva à TV ConJur, que a investida teve como objetivo intimidar e acovardar a advocacia. 

ConJur

Zanin concede entrevista à TV ConJur

"O principal alvo [da operação] foi o estado democrático de direito. O que aconteceu hoje foi um dos maiores ataques à advocacia que tivemos notícia em nosso país. Não é a primeira vez que a "lava jato" tenta nos intimidar e fazer com que deixemos a defesa do ex-presidente Lula. A "lava jato" não gosta do exercício da garantia constitucional do direito de defesa", afirmou. 

Os mandados foram cumpridos por ordem do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Em outra ação penal, Zanin e mais 25 pessoas se tornaram réus por supostos desvios da Fecomercio do Rio de Janeiro.

A investigação tem como base a delação de Orlando Diniz, ex-presidente da entidade, que foi preso duas vezes e tenta negociar acordo de delação premiada com o Ministério Público desde 2018. 

Na denúncia aceita por Bretas, o MPF listava 77 endereços de escritórios, empresas e casas de advogados. O parquet tentou justificar a investida contra profissionais da advocacia afirmando que os pagamentos feitos pela Fecomercio aos escritórios coincidiram com "aquisições de carros e imóveis de luxo no país". Os fatos narrados pelo MPF teriam ocorrido entre 2012 e 2018.

Para Zanin, não há materialidade nas acusações de Diniz. "O uso de delatores como instrumento para alcançar alvos pré-determinados é uma metodologia que a "lava jato" se utiliza desde o começo da operação. Já denunciei isso inúmeras vezes e provei que essa metodologia é espúria, mas é a receita da 'lava jato'". 

Ainda segundo ele, "tudo aquilo que está dito na denúncia é absolutamente inverídico, é uma falácia, é uma inverdade". "O fato é que nós fizemos um contrato com uma entidade privada, prestamos todos os serviços, que podem ser vistos no sistema do nosso escritório. Diante dessa situação, eu penso que a única justificativa para isso que aconteceu é realmente uma tentativa de fazer com que os advogados desistam de utilizar suas prerrogativas e desistam da própria advocacia."

Clique aqui ou veja a entrevista na íntegra abaixo:

Tiago Angelo

é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Luiza Calegari

é editora da revista Consultor Jurídico.

Glaucio Manoel de Lima Barbosa disse:
10 de setembro de 2020 às 06:02

CONJUR AMIGO DOS PETRALHAS. "Diga-me com quem andas e te direi quem tu és”

carlos.msj disse:
10 de setembro de 2020 às 10:31

Se essa máxima do "diga-me com quem andas que te direi quem tu és" servir para os filhos do presidente, então não teremos pedra sobre pedras.

Samuel Pavan disse:
10 de setembro de 2020 às 12:20

Será que não há no Rio de Janeiro bancas qualificadas?
Pergunta retórica, óbvio. Mas que gostaria de fazer ao réu Cristiano Zanin.

Antonio Carlos Kersting Roque disse:
10 de setembro de 2020 às 13:15

Esse senhor que se diz advogado, mas que, na realidade - pelas ações conjuntas com outros de igual quilate - é apenas um desqualificado, pois, desviar dinheiro do Sistema S, não lhe outorga qualquer qualidade, ao contrário.
Não estranho que o Conjur dê espaço a pessoas desse nível moral, pois, ao dar visibilidade ao condenado em 3 instâncias e seus seguidores, mostrou claramente de que lado está.
Uma pena, pois, deveria dar iguais oportunidades aos que pensam diferente, conduta derivada de uma regra democrática que parece ter sido abandonada.

Nelson Cooper disse:
10 de setembro de 2020 às 13:39

O fato de ser uma entidade privada não justifica "carta branca" para qualquer prestador de serviço cobrar o que quiser. Nem se o presidente for dono de 100% da empresa, pois mesmo neste caso, envolveria o outro "sócio": o fisco. No caso da FECOMERCIO, nem de longe o presidente é dono. Assim , o advogado não pode dar uma de inocente dizendo que pode cobrar valores acima do mercado ou então cobrar sem contra partida de serviços.

Ramiro. disse:
10 de setembro de 2020 às 14:03

Ver leigo zurrando sobre o que não conhece, faz parte. Desde tempos imemoriais... Desconhecendo profundamente que as prerrogativas não são exclusivas da Advocacia, são prerrogativas da Sociedade.
Agora ver advoGADO... advogaGADOS mugindo refrões batidos, surrados, começando por "a OAB não me representa".

Ruy Barbosa deveria ser mais lembrado: "A lei que não protege nossos adversários tampouco serve para nos proteger".

Enfim, é velho, é bem antigo, todo sistema ditatorial autocrático primeiro traça seus projetos e depois chama seus "juristas" ou jurilas para darem justificativas.

Então somos obrigados a conviver com manifestações do calibre de que o art. 142 da Constituição dá aos militares papel de poder moderador... Essa ficou atravessada na garganta, art. 60,§4º, inc. IV, da CF/88, temos o art. 5º, XLIV, a varrer qualquer sombra de dúvida da ilicitude de qualquer intervenção militar ou civil de ruptura constitucional...

Ramiro. disse:
10 de setembro de 2020 às 14:08

O Juiz Marcelo Bretas tem um imenso número de decisões anuladas no TRF-2, no STJ, e no STF... E anuladas com justa razão. Há algo chamado Constituição Federal que determina freios e contrapesos e contenções a determinados arroubos, embora nosso CPP seja obra de um notório devoto de sistemas ditatoriais... despiciendo dizer que baixado por decreto em tempo de congresso nacional dissolvido.

Essa promessa de indicação de um "terrivelmente evangélico" para Ministro do STF... Particularmente não tenho o mínimo apreço pelo atual mandatário da presidência, nem mesmo respeito, mas como deputado de vários lustos, três décadas de baixo clero, é só ver com que facilidade arrebanhou o baixo clero do Centrão para seu lado, difícil acreditar que quando chegar a indicação ao STF irá dar uma de "joquei de jibóia", colocar uma piton birmanesa para cuidar dos interesses deus seus coelhinhos...

AC-RJ disse:
10 de setembro de 2020 às 16:24

É óbvio que este site publica o que quiser. Também é notória a sua imensa admiração pelo PT. Entretanto, está havendo uma veneração demasiada a esse partido. O referido advogado, conhecido por defender causas ligadas ao PT, está recebendo um destaque exacerbado. Somente hoje foram duas reportagens exclusivas sobre ele, com direito até a entrevista, sem sequer dar qualquer direito de resposta a quem ele ataca. Por que este exagero todo?

Eugênio Advogado disse:
11 de setembro de 2020 às 13:09

o sumo: Se disser que o juiz tá certo é por ser a favor do governo, do contrário, comunista. Raso demais, penso.
Lamentável é ver que ataques a advocacia tornou-se uma constante em nosso país.
Delação não homologada é base de que mesmo?

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