Nos diálogos da apelidada turma da "lava jato" interceptados pelo hacker Walter Delgatti tem de tudo. Jornalistas instigando procuradores a denunciar pessoas, procuradores combinando como manipular a opinião pública — em geral para emparedar ministros do Supremo — e até articulações para garantir a eleição de aliados, quando Jair Bolsonaro chegou ao poder.

Divulgação
Mostram também que o grupo de Curitiba, estribado na imensa popularidade que alcançou, passou a comportar-se como um poder autônomo. Mais que isso: um Estado paralelo que passou a lidar com governos estrangeiros como uma República independente.
O grampo ilegal é condenável quando flagra a intimidade das conversas pessoais. Mas é válido e repleto de interesse público quando revela a desonestidade e a covardia de agentes do Estado que se valem do cargo e da função para perseguir pessoas e não a Justiça.
Este site foi objeto de 24.639 menções desses interlocutores. Em geral, diatribes. Sérgio Moro e seus parceiros atribuem as notícias e reportagens sobre eles a pretensos interesses escusos da empresa de comunicação que produz o conteúdo ConJur.
Os supostamente diligentes servidores públicos se mostram especialmente irritados quando o site desmascara mentiras levadas a público para fabricar condenações artificiais. Um caso típico foi quando procuradores inventaram a farsa de uma acusação que não existiu. No caso, que a OAS teria dado de presente ao ministro do STF, Dias Toffoli uma reforma em sua casa.

Para quem quisesse ver, Toffoli ofereceu as notas fiscais mostrando que ele pagou a empresa que se desincumbiu da obra. Mas não foi essa a notícia que estrelou a capa da revista Veja daqueles dias. O que se dizia era que um anexo do acordo de delação trazia essa "revelação". Descoberta a mentira (não existiu o presente nem o anexo), o que fez Rodrigo Janot? Desistiu da delação imputando à empresa o que ele e seus asseclas haviam feito: vazar o que não existia.
Em uma conversa, o próprio Moro alertou Deltan Dallagnol sobre um rastro que os procuradores deixaram ao tentar comprometer Toffoli: a irritação do MP com uma decisão do ministro que favoreceu o ex-ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, dias antes. Foi um truque recorrente: para evitar anulação de ilegalidades, atacava-se os ministros ou seus familiares para colocar o STJ ou STF no seu devido lugar.
Um blog quase marrom
Veja o momento em que Moro adverte Deltan de que estava dando bandeira e quando o procurador tenta despistar dizendo que não sabia do anexo. O fato de que Curitiba sequer poderia investigar um ministro do Supremo, no caso, parece um mero detalhe:
23 AUG 16
07:21:55 É bom ficarem espertos por aí
07:36:37 Sem artigos
07:49:31 Deltan: Não entendi
07:54:20 Aquela artigo do hc do Paulo Bernardo por exemplo colocou vcs na linha de suspeitas desse vazamento
16:57:42 Cuidado para não reagirem mal
17:13:10 Deltan: Falamos muito sobre isso hoje. PGR está falando no CNMP sobre isso
24 AUG 16
11:10:42 Sabemos. Mas nesse caso nós não tínhamos nem a informação em anexo. Não há dúvidas de que foi a defesa. Conjur hoje é quase um blog marrom, só tenta nos prejudicar. Por isso encerramos as negociações com a OAS. Existe um risco oposto também que discutimos bastante, que é dizerem que estamos protegendo o Toffoli
A autoapelidada "força tarefa" tem méritos periféricos que nem seus piores inimigos podem negar. Eles foram eficientes no ofício. Trabalhavam bastante e jamais serão acusados pela morosidade da Justiça. Fora o fato de dispensar o detalhe da prova para buscar condenações, eles trabalharam de verdade. Outra atenuante é que, verdadeiramente, é injusto que respondam sozinhos por um surto coletivo que envolveu a imprensa, seus leitores e tribunais.
Mas ao enveredar pelo reino da fantasia, eles acabaram por se deixar dominar pela paranoia. Foi o que aconteceu diante de um texto técnico e correto veiculado pela ConJur e de um pedido de entrevista feito a candidatos ao cargo de PGR. Mario Bonsaglia, craque em armações de bastidor, mobilizou os colegas para tentar neutralizar um inexistente movimento para atrapalhar seus planos. Sabe-se lá por que razões secretas o grupo quis enxergar na notícia uma conspiração.

Rosinei Coutinho/STF
A notícia que saiu, neutra e burocrática, apenas divulgava as ideias de cada "candidato". Mas os poderosos do dia pareciam querer controlar mais que as estações do ano. Queriam também controlar as horas do dia. E resolveram, do alto de sua onipotência, identificar uma conspiração que envolvia o ministro Gilmar Mendes, do STF. Acompanhe a conversa descabelada e hilária dos procuradores. E, claro, a astúcia do grupo ao urdir um plano para anular os pretensos efeitos de uma notícia produzida com o único objetivo de informar o leitor de um fato de interesse público.
Divirta-se:
11/05/2015
15:07:56 Poder ser que exista algum movimento “por aí” para fortalecer e estimular a ação penal privada subsidiária. Não me surpreenderia se a ADPF começasse a dar at (…)
15:13:12 Mario: A repórter chegou a indagar sobre o risco de ação penal privada subsidiária, caso o arquivamento não fosse feito em juízo.
15:20:00 Helio: Mário, tendo em vista o tom hostil da reporter e o histórico do Conjur, será que não seria interessante a SECOM soltar uma entrevista com você, exatamen (…) Conjur soltar a dele?
15:20:32 Helio: Fale com a SECOM, veja a opinião deles.
15:21:00 Monique: Mencionando que a entrevista foi dada a Conjur nos termos tais e tais
15:21:32 Luiz Lessa: verdade, antecipa a notícia, bota eles para correrem atrás
15:21:32 Helio: Acho que não deverá fazer qualquer referência ao conjur
15:22:12 Helio: Na verdade, o propósito seria a SECOM furar o conjur, porém sem o tom hostil que eles empregarão.
15:23:32 Robalinho: A ideia tem um lado bom. Mas pode gerar ainda mais hostilidade da conjur. Ninguém gosta de levar furo. E da proxima vez opodem nem ouvir o Már (…)
15:23:52 Luiz Lessa: Aviso Sua delegação para o gênero Procedimento Extrajudicial/Adm não permite a visualização de documentos com grau de sigilo Reservado
15:24:36 Luiz Lessa: Esse o ÚNICO facilitando a vida de regional idiota
15:24:40 Robalinho: Há um meio termo que é avisar ao CONJUR que sairá repiortagem a ser distribuída pela secom imediatamente depois que divulgada a da conjur (…) furo e saberão que estarão sendo marcados em cima.
15:24:44 Helio: O Conjur é hostil porque ganha dinheiro das bancas criminais para assim sê-lo.
15:24:52 Luiz Lessa: sim
15:25:04 Robalinho: Há contudo diversos graus de hostilidade. Rs
15:26:00 Luiz Lessa: nós deveríamos fazer um negócio desses jurmesmo ou semsacanagemjur ou jursemjabá (esse é o trademark e o copyright)
15:28:12 Mario: Temos a gravação da revista, caso haja alguma distorção das declarações dadas.
15:28:40 Mario: “da entrevista”
15:29:28 Robalinho: (imagem)
15:29:32 Robalinho: Off topic: João cAROLS, é você dando dois beijinhos em Dilma? Rs
15:29:44 Robalinho: João Carlos
15:30:48 Robalinho: Cuidado exemplar Marios. Mas dada a relevância do tema acho que uma reportagem da secom cairia bem. Nisso concordo com os colegas. Apenas acho (…) conjur e avisada a conjur. Já procedi desta forma na PRDF.
15:30:56 Helio: é o Bigonha
15:32:44 Robalinho: (imagem)
15:32:48 Robalinho: Sei não, para mim é o joão no jetset paulista rs
15:34:12 Helio: O João é o de frente ou o de perfil?
15:34:46 Robalinho: (emojis de risada)
15:46:12 Silvio: Assinatura da devolução de 157 milhões à prtrobras em razão da colaboração premiada de Barusco…
Nota da Redação: este site reconhece o direito dos procuradores de falar mal de quem não gostam. Não há, portanto, motivo para deblaterar sobre as maledicências dessas conversas pessoais. O mesmo não se pode dizer do uso da máquina pública em horário de expediente, para conspirar e cuidar de iniciativas sem nexo algum com o interesse público.
O grande culpado do descontrole total dessa turma de "fiscais da lei" (rs.) chegarem ao ponto que chegaram é dos juízes, desembargadores e ministros que se deixam emparedar com o conchavo entre MPF e jornalistas desonestos ávidos por produzir cadáveres morais. Procurador é como advogado, cabe-lhe somente pedir. Mas, como há membros do Judiciário covardes, que se deixam emparedar, aí eles passam a se achar os reis da cocada preta. Então, vira isso que só existe em países atrasados. Se essas coisas ocorressem em países do primeiro mundo, muitos desses atores já estariam na rua, senão atrás das grades.
Devemos acreditar no que os procuradores falaram sobre o site Conjur? Se não, por que devemos dar crédito a outras mensagens?
Cumprimentos jornalista Márcio CHAER! Uma peça de resistência à tirania dos que se imaginam donos do Estado...
O pior não é a relação espúria entre o Poder Judiciário Federal de Curitiba e o Ministério Público Federal. É a impunidade daqueles que a condenavam a corrupção, o crime, a desfeita e a ilicitude, que fizeram a mesma coisa que os acusados.
Os procuradores da República de Curitiba estão aí, IMPUNES, e o Doutor Sérgio Moro em viagens e mais viagens.
Queriam investigar, prospectivamente, os ministros do STF Gilmar Mendes e Toffoli, motivo: não se deixavam emparedar. Se fosse nos EUA, procuradores investigando ministros da mais alta corte ilegalmente, daria pra imaginar o destino dos bisbilhoteiros. Aqui, é vergonhoso, impossível se ufanar.
No futuro será objeto de estudo nas faculdades de direito esse caso. Como uma ótima ideia de um governo, com fortalecimento da PF e MP tornou-se uma fábrica de destruição de reputações, destruição da economia de um país e de ativismo político para solapar um governo eleito democraticamente e colocar em seu lugar o favorito do grupo de Curitiba, Bolsonaro, tendo como bônus extra o Ministério da Justiça para o malfadado Sérgio Moro.
Ora, ora, a "obsessão" é de vocês, e com Moro, Deltan e a Lava Jato.
Rodam, rodam, procuram, procuram, mas não conseguem nada que caracterize conluio entre as partes, muito menos que comprometa o conjunto probatório no qual se baseou o juiz para condenar o réu. Aliás, condenações confirmadas, por unanimidade, nas instâncias superiores.
É assim que arma uma grande armadilha por quem não está satisfeito com a devassa porque tem telhado de vidro. Através de um crime cometido pelo jornalista americano, arma-se um circo de lona altamente inflamável para um ganho político. Para manter o statu quo das investigações que não chegam à conclusão nenhuma, formam-se forças tarefas, como aconteceu nos EUA para prenderem o gangster e assassino Al Capone sem o que não há capacidade instalada de um time contra o crime organizado. Bom era como estava. Esta publicação tem um viés ideológico, incompatível com o combate ao crime organizado.
E se o Estado legítimo é completamente corrupto e não cumpre a função de "Estado" buscando o melhor para o povo. E se o Estado legítimo edita leis que impedem o fim da corrupção sistêmica. E se todas as leis editadas pelo Estado legítimo favoreçam única e exclusivamente os seus atores.
Nessa hipótese, é ilegítimo a criação de um Estado paralelo para o combate aos detratores do estado legítimo?
Sempre os mesmos defensores da velha bandidagem. Às vezes, parece que são membros dos partidos sumariamente citados pelas cachorradas e falcatruas.
O sr. Ministro Gilmar Mendes, deveria ter se decretado impedido no caso daquele acusado que era defendido pelo escritório de sua ex-esposa. Mas apenas disse que era normal, e fica bem questionável sua conduta também à frente da Satiagraha, quando três instância mantiveram as prisões, e ele num único despacho disse que eram incabíveis.
Observo que só no Brasil, esse falso garantismo parece tão evidente. E só para bandidos do colarinho branco, porque se fosse para um pobre condenado por roubar um real para matar a fome, o HC dele estaria numa fila para apreciação de no mínimo seis meses.
Às vezes, realmente, é difícil ser brasileiro.
O Hélio das conversas é ávido procurador que comenta por aqui com frequência?
Não podemos falar sobre interesses espúrios sem falarmos do cargo de Ministro da Justiça que ganhou o principal articulador, como prêmio pelos valiosos esforços. Mal sabiam que no tabuleiro eram apenas peões sacrificados para garantir a sobrevivência da decrépita rainha, que só pretende fazer o roque com um dos seus descendentes (nº 01, 02 ou 03), ainda que tenha que sacrificar suas melhores peças nesse obscuro jogo.
Lava Jato do Paraná é dissolvida com saldo de 278 condenações e 4,3 bilhões recuperados.
Graças às suas ações, mais de R$ 4,3 bilhões foram devolvidos aos cofres públicos por meio de 209 acordos de colaboração e 17 acordos de leniência, nos quais se ajustou a devolução de quase R$ 15 bilhões.
As provas obtidas e compartilhadas com outros órgãos, como TCU, AGU, Receita, entre outros, possibilitaram o desenvolvimento de trabalhos em diversas outras frentes, contribuindo para a descoberta de outros crimes ou ações ilícitas. A Receita Federal, por exemplo, realizou lançamentos tributários de mais de R$ 22 bilhões.
Um divisor de águas no combate à corrupção no Brasil!
P.S. De acordo com a portaria assinada pelo PGR em 7 de dezembro, quatro procuradores do Paraná ex-integrantes da força-tarefa integrarão o Gaeco com mandatos até agosto de 2022.
Totalmente ilegítimo! Aliás, raciocínio que demonstra espírito totalitário. Se a democracia e o Estado de Direito são imperfeitos, há mecanismos intrínsecos para aprimorá-los. Jamais os fins, quaisquer que sejam, justificarão os meios. Flertar com esse pensamento é o primeiro passo para justificar o despotismo, ainda que eventualmente "esclarecido".
Sim, devemos acreditar na autenticidade das mensagens. Todas elas são autênticas, inclusive essas que expressam opiniões desabonadas do site Conjur. O que não significa que tais opiniões sejam fatos. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Sempre pensei comigo que em algum momento, alguma acusação lunática, baseada em ilações de membros do MP, seria facilmente rechaçada em juízo, acreditando em magistrado de maior grandeza, mas, temos assistido exatamente o contrário!
Assusta que magistrados se deixem enfiar em convívio de paredes geminadas em seus gabinetes, numa intimidade obscura.
Nos prédios do Poder Judiciário não cabem puxadinhos a órgãos de uma Instituição qualquer.
E se assim o for, que tal termos também, conjuntamente, gabinetes de defensores públicos, procuradores de Estado, delegados de polícia e advogados representantes da OAB ?
E se legitimamente cada descontente buscar nas urnas mudar os atores que produzem o arcabouço legislativo, promovendo diálogos amplamente democráticos entre todos nós cidadãos, exigindo aí sim uma campanha eleitoral aberta, sem debates engessados, manipulados, restritivos.
Quem sabe então tenhamos eleitos com a lucidez de informações levadas ao povo de modo transparente, onde todas as correntes ideológicas tenham oportunidade de proferir suas ideias e ao mesmo tempo salutar contradita.
Hoje e sempre, é fato, no Brasil, não temos eleições abertas, longe de vícios de manipulações midiáticas promovidas por interesses poderosos.
Basta como exemplo as reformas ditas imprescindíveis, repetidas a exaustão pelos jornalões e redes de televisão nas mãos dos poderosos, onde argumentos consistentes, contrários aos interesses, não tem a menor chance de serem expostos.
Agora, ilegítimo é meia dúzia de mauricinhos se colocarem como salvadores da Pátria sem que para isto tenham aferido um único voto nas urnas.
Este periódico é um balsamo àqueles que teimam em ter opinião própria, sem as manipulações televisivas e jornalísticas ou mesmo de blogs criadores de fake news...
Recebam o meu efetivo apoio em forma de agradecimento.
Que piada...
Pois "interesses espúrios" tinham (ainda têm) aqueles políticos condenados por corrupção, e também aqueles que os defendem fora dos processos jurídicos.
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