Sem impedimento

STF rejeita pedido de Bolsonaro para afastar Alexandre de ação sobre golpe

O Supremo Tribunal Federal rejeitou um pedido feito feito pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para afastar o ministro Alexandre de Moraes da relatoria da Pet 12.100, aberta no âmbito da investigação sobre uma tentativa de golpe após as eleições de 2022.

Tânia Rêgo/Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro desembarca no aeroporto Santos Dumont

Bolsonaro pediu para Alexandre ser afastado da relatoria de caso sobre golpe

O julgamento virtual começou na manhã de sexta-feira passada (6/12) e se encerrou às 23h59 desta sexta-feira (13/12). Venceu o voto do ministro Luís Roberto Barroso, presidente do STF. Ele foi acompanhado por Edson Fachin, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Nunes Marques.

Só André Mendonça divergiu. O ministro votou para declarar Alexandre impedido para conduzir o caso. Alexandre não vota no caso.

O argumento usado pela defesa de Bolsonaro é o de que Alexandre seria uma das vítimas do golpe de Estado e, por isso, não poderia ser o relator do caso.

Rol taxativo

Para Barroso, golpes não têm vítimas individualizadas. “Os crimes de abolição violenta do Estado democrático de Direito e de tentativa de golpe de estado têm como sujeito passivo toda a coletividade, e não uma vítima individualizada. Logo, se fosse acolhida a tese suscitada pela defesa, todos os órgãos do Poder Judiciário estariam impedidos de apurar esse tipo de criminalidade contra o Estado democrático de Direito e contra as instituições públicas.”

O ministro também afirmou que o rol de causas de impedimento do artigo 252 do Código de Processo Penal é taxativo, de modo que a defesa deveria ter apontado objetivamente a causa de impedimento, o que não foi feito.

“Os fatos narrados na petição inicial não caracterizam, minimamente, as situações legais que comprometeriam a parcialidade do julgador para o legítimo exercício da jurisdição.”

O pedido de impedimento foi apresentado por Bolsonaro na segunda-feira (6/12) e leva em conta o relatório da Polícia Federal que aponta que Alexandre seria uma das vítimas de militares ligados ao ex-presidente que pretendiam mantê-lo no poder.

Segundo conclusões da PF, os militares queriam matar Alexandre, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB). Bolsonaro foi indiciado no caso.

Já Mendonça concordou com a tese da defesa de Bolsonaro. Para ele, está caracterizada a situação de impedimento porque Alexandre seria uma das vítimas da tentativa de golpe de 2022.

“Ao constatar que o eminente ministro arguido sofreria, direta e imediatamente, consequências graves e tangíveis, como prisão — ou até mesmo morte —, se os relatados intentos dos investigados fossem levados a cabo, parece-me presente a condição de ‘diretamente interessado’”, afirmou.

Aimp 165

Tiago Angelo

é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

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