Apesar dos muitos escândalos envolvendo a condução da finada “lava jato”, o grupo de procuradores que atuou na autoapelidada força-tarefa continua mostrando força no Ministério Público Federal. Prova disso é que, dos seis mais votados para uma vaga de desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, quatro são alinhados com os “ideais” lavajatistas.
Dos 11 procuradores inscritos, quatro atuaram na “lava jato”: Eduardo El Hage, Felipe Bogado, Stanley Valeriano e Paulo Sérgio Ferreira Filho.

Eduardo El Hage é um dos procuradores da ‘lava jato’ que se candidataram na eleição para desembargador do TRF-2
Entre os quatro, três estão entre os seis mais votados. E a procuradora Neide Cardoso, que oficiou em processos da “lava jato” em segundo grau e é considerada alinhada ao grupo, também está entre os mais votados.
Confira os seis integrantes mais votados:
1 — Júlio César de Castilhos Oliveira Costa (603 votos)
2 — Eduardo Ribeiro Gomes El Hage (585 votos)
3 — Neide Mara Cavalcanti Cardoso de Oliveira (484 votos)
4 — Stanley Valeriano da Silva (381 votos)
5 — Luciana Fernandes Portal Lima Gadelha (366 votos)
6 — Paulo Sérgio Ferreira Filho (346 votos)
Uma vez formada a lista sêxtupla, são os desembargadores do TRF-2 que escolhem os três nomes que vão compor uma lista a ser enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que dará a palavra final sobre o indicado. É dado como certo no Planalto que Lula não aceitará qualquer nome vinculado à “lava jato”.
Caso a lista seja composta majoritariamente por nomes que serão rejeitados pelo Executivo, o TRF-2 poderá devolvê-la ao MPF. A medida serviria para preservar a institucionalidade do processo e evitar a formalização de um confronto com o Planalto.
Por essa razão, a presença conjunta de nomes ligados à autodenominada força-tarefa é interpretada por membros da instituição como um movimento coordenado para recuperar influência institucional, dificultar a escolha presidencial e neutralizar candidaturas tidas como mais técnicas ou moderadas.
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