O juiz Eduardo Appio, antigo responsável pelos casos da “lava jato” na 13ª Vara Federal de Curitiba, pediu à Polícia Federal que abra inquérito para apurar a prática do crime de coação no curso do processo contra o senador Sergio Moro (União-PR).

Sergio Moro disse que Appio atuou contra a ‘lava jato’ e beneficiou corruptos
Após Appio ter sido acusado de furtar garrafas de champanhe em um supermercado de Blumenau (SC), Moro — antecessor dele na 13ª Vara de Curitiba — afirmou que o juiz atuou contra a “lava jato” e para “beneficiar corruptos”.
“Esse ladrão aloprado foi o juiz escolhido pelo sistema para atuar na 13ª Vara Federal de Curitiba, prejudicar a Lava Jato, mentir sobre colegas e beneficiar corruptos. Era o herói do Prerrogativas. Estranhamente, ainda correm inquéritos no STF instaurados a partir de suas fantasias caluniosas”, disse o senador em suas redes sociais, no último dia 12.
No requerimento à PF, Appio destacou que Moro já havia empregado o mesmo modus operandi contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Em vídeo gravado em 2022, o senador ironizou Gilmar durante uma festa junina, dizendo, de forma jocosa, que iria “comprar um Habeas Corpus” do ministro. A 1ª Turma do STF recebeu denúncia por calúnia contra o senador.
Inquéritos sobre a ‘lava jato’
Eduardo Appio ressalta que é “testemunha-chave” em três inquéritos sigilosos sobre a “lava jato” que tramitam no gabinete do ministro do STF Dias Toffoli. Segundo o juiz, Moro usa suas redes sociais e influência para obter a absolvição dele e de seus cúmplices, como o ex-procurador Deltan Dallagnol.
“Sempre importante registrar que todas as investigações contra Sergio Moro e seus cumplices na 13ª Vara Federal de Curitiba somente tiveram início após a posse do ora requerente (Appio) na 13ª Vara Federal de Curitiba (em fevereiro de 2023). Desvios bilionários de fundos públicos da União e acordos de leniência fraudulentos tiveram seus sigilos retirados e comunicados os fatos a PGR, STF e CNJ (maio de 2023)”, aponta o juiz.
“Após 31 anos de serviço público honesto e imaculado, agora sofro, na condição de testemunha-chave, agressão digital orquestrada com a finalidade de me coagir e interferir nos trâmites dos inquéritos sigilosos (um dos quais teve recente busca e apreensão da sempre diligente PF na 13ª Vara Federal de Curitiba — Vara da ‘lava jato’)”, diz Appio.
A mando de Toffoli, a PF promoveu, no dia 3 deste mês, busca e apreensão na 13ª Vara Federal de Curitiba. O objetivo foi apreender documentos reiteradamente solicitados pelo Supremo, mas nunca enviados pela Justiça Federal paranaense.
As diligências envolveram diversos casos, como os do empresário e ex-deputado estadual paranaense Tony Garcia e dos doleiros Dario Messer e Juca Bala.
Toffoli determinou que a 13ª Vara desse acesso a todos os seus computadores e que a PF coletasse todos os anexos, itens e mídias relacionados a inquéritos policiais e acordos de delação premiada.
Clique aqui para ler o requerimento
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