Negros querem compensação, não privilégios eternos

"MarcoSpacca” data-guid=”marco_antonio_zito_alvarenga.jpeg” />Os negros merecem ser recompensados pelo esquecimento do qual foram vítimas desde a abolição da escravatura. De lá para cá, nada foi feito para que haja igualdade de oportunidades entre negros e o restante da população brasileira. É com base nesse argumento que o presidente da Comissão do Negro da OAB-SP, Marco Antonio Zito Alvarenga, defende políticas públicas específicas para negros, como cotas em universidades sem que sejam vinculadas a aspectos econômicos.

“Não queremos privilégios eternos, mas políticas de compensação”, declarou em entrevista à revista Consultor Jurídico. O advogado ressalta que os pobres e os outros grupos excluídos como os negros também devem ser beneficiados com políticas públicas.

Questionado sobre a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que declarou que qualquer política pública baseada em fator racial é racismo, o advogado diz que ela não pode se aplicar à realidade do Brasil. Segundo ele, hoje, os negros norte-americanos chegaram a um patamar em que podem concorrer em condições de igualdade com os brancos. Ou seja, a decisão pode até ter certa coerência lá, mas não aqui. Para o advogado, adotar esse critério aqui no Brasil serve para que algumas pessoas tenham a mesma oportunidade que todos os outros têm.

Vindo de família de classe média baixa, Zito Alvarenga é negro e conseguiu ultrapassar a barreira da exclusão, como ele mesmo gosta de dizer. Conta que a mãe era cozinheira do dono de uma boa escola, onde teve a oportunidade de estudar. Saiu de lá e logo foi aprovado no curso de Direito da PUC-SP. Especializou-se em Direito Previdenciário e hoje atua também na área de Direito Esportivo. Há dois anos, é auditor do Tribunal de Justiça Desportivo da Federação Paulista de Futebol.

Na Comissão do Negro e Assuntos Anti-discriminatórios da OAB-SP, que presidente pelo segundo mandato consecutivo, Zito Alvarenga costuma promover debates sobre a diversidade. Levar as questões raciais para as universidades e aos policiais, por exemplo. “As pessoas imaginam que ao trabalhar isso você está mostrando uma ferida. Na verdade, você está fazendo um tratamento para melhorar.” Também participaram da entrevista os jornalistas Gláucia Milício, Maurício Cardoso e Rodrigo Haidar.

Leia a entrevista

ConJur — Qual a diferença entre preconceito e discriminação?

Marco Antonio Zito Alvarenga — O preconceito é um sentimento íntimo de rejeição a uma determinada situação, pessoa ou fato. A discriminação é o ato de exteriorizar esse preconceito. Passa do campo de um mero convencimento para um ato de violação de direitos de terceiros.

ConJur — Por que eu posso escolher a cor da minha mulher e não posso escolher a cor do meu funcionário?

Zito Alvarenga — A escolha da cor ou da raça da sua mulher envolve amor. Isso é questão de foro íntimo. É diferente quando se trata de uma contratação. A competência e qualificação da pessoa é o que deve influenciar na escolha. Há algum tempo, empresas adotavam nas seleções o chamado Código 4, que era usado para identificar a cor da pele da pessoa. As anotações traziam informações sobre os requisitos da pessoa para o cargo e também sobre a cor. Essas situações fazem parte do cotidiano, de forma velada.

ConJur — Hoje, o Código 4 ainda é usado pelas empresas?

Zito Alvarenga — Não tenho dados para dizer isso. Mas a minha impressão é que continua existindo a discriminação, não na forma do Código 4. O número de profissionais negros de sucesso em grandes empresas é pequeno, mesmo dentro do poder público. O fato é tão arraigado na nossa cultura, que grandes bancos criaram núcleos de afro-descendentes. É um trabalho de inclusão, válido. Não podemos trabalhar com o conceito de falsa democracia racial. Existe a diversidade, existem as diferenças e elas devem ser vistas e respeitadas.

ConJur — Em entrevista à ConJur, a procuradora Roberta Fragoso Kaufmann explica esse fato como uma conseqüência de os negros serem mais pobres no país e, por isso, não têm acesso a bons colégios para chegar à universidade e alcançar altos cargos.

Zito Alvarenga — Esse é o reconhecimento expresso de que o pobre não tem oportunidade. Além do que, os negros que se destacam não têm a visibilidade necessária para servir de paradigma para a juventude. Eles precisam de um exemplo para mirar e falar: “Mesmo com as minhas dificuldades, eu posso chegar até lá”.

ConJur — Mas não é a mesma coisa ser um pobre branco ou negro? As políticas afirmativas não deveriam ser direcionadas para os pobres, independentemente da cor da pele?

Zito Alvarenga — Concordo que deve haver cotas vinculadas à questão da pobreza e para estudantes da escola pública. Reforço que é preciso haver definição clara do percentual necessário para incluir. O Estado tem que estar preparado para proteger todos no seu arcabouço jurídico e administrativo. Há a tese de que o fato de o negro entrar por cota na faculdade vai fazer a qualidade cair. Isso não é verdade.


ConJur — Qual é o critério de cotas ideal para as universidades?

Zito Alvarenga — A questão racial é indiscutível. Em segundo lugar, é preciso ter cotas para estudantes vindos de escola pública. É preciso estabelecer percentuais, inclusive para os brancos pobres.

ConJur — No critério racial, deve se tomar por base a auto-declaração ou formar uma comissão para avaliar?

Zito Alvarenga — A auto-declaração. Sempre teremos os oportunistas, aqueles que dizem: “minha bisavó era negra”. É cultural. Muitos acham que nós, negros, queremos tirar proveito da situação em nosso favor. Durante muitos anos, o negro esteve quieto. No momento que busca seu espaço, vem a reação da sociedade. Não pode ser diferente. Nos shoppings, por exemplo, só há vagas para os negros exóticos. É um fato. Se eu entro no shopping de terno escuro, acham que sou segurança.

ConJur — Isso é preconceito?

Zito Alvarenga — Não. É a imagem que a sociedade tem do negro. É a ausência de paradigmas que mostrem que o negro pode ser mais que segurança. Pode ser médico, advogado. Não estamos em busca de privilégios, mas de reconhecimento do nosso valor histórico na construção do país. Essa parte da história ainda não foi contada nas escolas. A sociedade brasileira tem que ter a visão clara e transparente do que acontece nesse país. O Estado tem de adotar e implantar políticas públicas nesse sentido. Se é impossível acabar com o preconceito, temos de impedir violação do direito de terceiros.

ConJur — A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que qualquer política pública baseada em fator racial é racismo. O senhor concorda com isso?

Zito Alvarenga — Não para o Brasil. Nos Estados Unidos, as políticas afirmativas e de cotas existem há mais de 50 anos. Hoje, o negro nos Estados Unidos chegou a um patamar em que pode concorrer em condição de igualdade com os brancos. Por isso, essa decisão foi tomada agora. A Suprema Corte levou em consideração todo o momento histórico dos Estados Unidos. No Brasil, esse entendimento não pode ser aplicado. Aqui, adotar critério racial para políticas públicas serve para que algumas pessoas tenham a mesma oportunidade que outros já têm. É uma política de caráter temporário. Na medida em que os negros forem atingindo patamares de igualdade, não serão mais necessárias. Não queremos privilégios eternos, mas sim políticas de compensação.

ConJur — Há quem defenda que o movimento negro rejeita o critério de cotas baseado na renda porque isso beneficiaria apenas os negros pobres. Em geral, líderes do movimento são de classe média e eles não seriam atingidos pelo benefício. O que o senhor acha disso?

Zito Alvarenga — O Brasil nunca implementou de forma correta as políticas universais, para igualar as oportunidades. O negro foi libertado há quatro séculos. Não houve políticas que conseguissem integrá-lo à sociedade. Não há respostas contundentes às pretensões dos negros como há, por exemplo, em relação aos presos políticos. Eles recebem, inclusive, indenizações.

ConJur — O senhor acha que os negros deveriam receber indenização?

Zito Alvarenga — Não sou a favor de indenização pecuniária, mas de políticas públicas. Como conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo e presidente da Comissão Negro e Assuntos Anti-discriminatórios é possível ver algumas dificuldades que os advogados negros passam. Há de se ter muito equilíbrio para não fazer patrulhamento. Não se pode usar o preconceito para obter vantagem.

ConJur — O trabalho da comissão visa o advogado negro. Existem problemas específicos do advogado negro?

Zito Alvarenga — A problemática do advogado é a mesma do cidadão negro. Temos um bom número de profissionais. Mas temos mais bacharéis. Até um determinado momento, os negros escolhiam o funcionalismo público para romper a barreira da exclusão social. Galgando cargos até ficar mais próximo de um patamar de reconhecimento. Hoje, o Direito é outra forma de ultrapassar a barreira.

ConJur — O Brasil tem um alto grau de miscigenação. O senhor não concorda que as maiores vítimas do racismo talvez não sejam os negros, mas os pardos, que formam a maioria da população brasileira?

Zito Alvarenga — Discordo. Mesmo se fossem as maiores vítimas do racismo, estariam incluídos nas cotas. A sociedade, ou um grupo dela, se incomoda com as políticas sociais voltadas para os negros. Ninguém gritou quando foram implementadas políticas afirmativas para os imigrantes, que na região Sul, ganharam terras. Hoje, critica-se a doação de terras para a comunidade quilombola. A Folha de S. Paulo publicou uma notícia dizendo que a área destinada a essa comunidade equivale ao estado de São Paulo. Sobre a área doada aos índios ninguém fala. Por que a questão do negro é tão dura e tão difícil? Parece que há resistência entranhada na história do povo brasileiro.


ConJur — Houve uma política deliberada de escravidão por quatrocentos anos. Mas, paralelamente, havia convivência entre todas as raças desde a colonização. As mulheres que procriaram neste país desde o começo foram as negras e as índias, porque não havia brancas. Essa é a teoria do Darcy Ribeiro sobre o povo brasileiro, que inclui brancos, negros e índios.

Zito Alvarenga — Só que todos tiveram oportunidades. Os negros não. Houve a convivência, mas sempre nos esqueceram. Esse é o chamado falso mito da democracia racial.

ConJur — Mas é o fenômeno real da miscigenação biológica. Não se pode desprezar que as raças confluíram também.

Zito Alvarenga — Não nego isso. O fato é: se os negros tivessem as mesmas oportunidades, eu não estaria discutindo esse assunto. Se tivéssemos no mesmo patamar de igualdade, de reconhecimento, de espaço, isso não seria pauta.

ConJur — O Estatuto da Igualdade Racial é necessário?

Zito Alvarenga — Uma das grandes dificuldades do Estatuto da Igualdade Racial foi o dispositivo que previa a criação de um fundo específico destinado para políticas públicas. Mas ele já foi retirado da proposta. O Estatuto trata da questão racial, mas com viés social. Estabelece políticas no sentido a atingir aqueles negros que estão na base da pirâmide, os pobres.

ConJur — Mas tomando a raça como critério.

Zito Alvarenga — As raças existem. Criadas pela própria sociedade. Ninguém pode dizer que eu não sou negro.

ConJur — E o Ministério da Igualdade Racial?

Zito Alvarenga — O atual governo deu a competência a esse ministério para implementar políticas públicas de inclusão social. A dificuldade é que todas as políticas são entrelaçadas. Então, tem que discutir com o Ministério da Saúde, da Educação, da Cultura. Não existe no país a cultura de fazer políticas de Estado conjuntas. O ministério é necessário, na medida em que surge como um paradigma no sentido de reconhecer o racismo, que não é institucional, mas que existe.

ConJur — Qual é a diferença técnica entre injúria e racismo? Numa partida de futebol, um jogador argentino chamou o jogador do São Paulo, Grafite, de macaco. Qual o limite entre ofensa e racismo?

Zito Alvarenga — O dono de um restaurante não deixar uma pessoa entrar em seu estabelecimento porque é negra, é racismo. A injúria, agravada pelo componente racial, se caracteriza quando a pessoa atinge a moral do indivíduo em si, o coloca numa posição subumana. A linha entre um e outro é tênue. No caso do Grafite, foi racismo, crime inafiançável e imprescritível. O caso desse jogador acabou atingindo toda a comunidade, na medida em que foi divulgado de forma expressiva pela imprensa. Quando se atinge a comunidade como um todo, trata-se de preconceito. Quando se atinge a moral, a sua questão última, personalíssima, aí se trata de crime de injúria.

ConJur — Não há dúvida de que alguém que comete crime de racismo tem que sofrer alguma sanção. Mas não há exagero? Por exemplo, o crime de racismo é inafiançável e imprescritível. No homicídio, que é um crime contra a vida, o réu pode responder em liberdade e há prescrição.

Zito Alvarenga — A imprescritibilidade do delito é um instrumento para que a pessoa de menor potencial financeiro e menor conhecimento técnico possa reclamar depois. Mas essa é a chamada letra morta da lei. A legislação brasileira é uma das mais rigorosas. Há uma grande distância entre ser rigorosa e ser aplicada. Muitas vezes, quem sofre injúria não tem condição de contratar um advogado. Nos crimes de racismo funciona, porque o dono da ação penal é o Ministério Público. Ele tem os meios de fazer isso.

ConJur — De que forma o negro sofre preconceito hoje?

Zito Alvarenga — Minha mulher também é negra. Dependendo do ambiente em que você está, do lugar onde você mora, as pessoas ficam surpresas. No dia-a-dia, as pessoas mostram isso, como se fossemos seres diferentes. Houve um caso de um anúncio de jornal para a contratação de uma empregada doméstica que não fosse negra. Uma negra ligou e a pessoa que atendeu pediu para que ela descrevesse os seus traços. “Eu sou negra”, disse. Daí, a pessoa disse que ela não estava habilitada para exercer a função.

ConJur — O caso foi parar no Judiciário?

Zito Alvarenga — A autoridade policial entendeu que não havia crime e o Ministério Público não ofereceu denúncia. Mas foi levado à Corte Internacional da Organização dos Estados e dos Países e houve uma reprimenda administrativa ao Brasil. A Corte sugeriu que políticas públicas fossem aplicadas nesse sentido.

ConJur — A procuradora Roberta Kauffmann defende que nunca houve uma política de Estado de discriminação racial ou de segregação. Por isso, as políticas compensatórias baseadas na raça não se justificariam.

Zito Alvarenga — Houve sim. Em uma palestra, o professor Aziz Ab’Saber disse que para saber quem é negro, é só chamar a polícia. Outro dia fui buscar minha filha na faculdade. Parei para tomar um guaraná e comer um lanche. Um policial me parou. Essas coisas acontecem. Mas algumas políticas têm sido implantadas. Fui convidado para fazer uma palestra para 1.700 policiais militares. Depois fui abordado por dois que assistiram para dizer que gostaram. As pessoas imaginam que ao trabalhar isso você está mostrando uma ferida. Na verdade, você está fazendo um tratamento para melhorar.

ConJur — Quais as políticas públicas que defende para tentar resolver essa situação?

Zito Alvarenga — Ações afirmativas, de forma geral. Oportunidade de empregos, escolas melhores, políticas de saúde voltadas para negros. É cientificamente provado que algumas doenças atingem mais os negros, como a anemia falciforme, pressão alta. É preciso dirigir um segmento científico para desenvolver um trabalho para atender essa parte da população.

ConJur — No lugar de estabelecer percentuais de cotas, não seria mais justo oferecer incentivos fiscais que atinja toda essa população, independente de um número pré-estabelecido?

Zito Alvarenga — Por exemplo, em um concurso para um cargo de limpeza dar um ponto para os negros que estiverem concorrendo. É pontuação, não está tirando de ninguém. Mesmo porque quem concorre a esse tipo de cargo, são todos os pobres.

ConJur — O pobre, não o negro.

Zito Alvarenga — A maioria é de negros. A média são três anos de dedicação efetiva aos estudos para se passar em um concurso público hoje. Se não houver um critério objetivo, qual a oportunidade que essas pessoas terão de concorrer nesses grupos? Estabelecendo critérios, os melhores negros serão escolhidos. Nas cotas para as universidades, também.

ConJur — Falando de discriminação de forma geral, temos o recente caso do jogador Richarlyson. O juiz que cuidou do processo foi acusado de homofobia, ao dizer que futebol é coisa para macho e gay não tem que jogar bola. O fato de o jogador ter entrado com uma queixa-crime contra o diretor do Palmeiras por ter insinuado que ele é gay, também não é uma espécie de homofobia?

Zito Alvarenga — O problema é subjugar alguém a uma situação inferior. O diretor do time, ao comparar a conduta de Richarlyson com a de um gay, com certeza quis ofendê-lo, subjugá-lo. É uma questão subjetiva. Diferente de quando se fala em crimes de roubo, homicídio. Está lá o corpo, o objeto furtado. Estamos falando de comportamento de pessoas. No caso, a decisão do juiz foi preconceituosa, quando ele fala: “daqui a pouco vai virar bagunça, cota para negros, para gays”. O juiz tem que ficar restrito aos termos do processo. Não ir além, nem aquém.

Lilian Matsuura

é repórter da revista Consultor Jurídico.

Robespierre disse:
02 de setembro de 2007 às 00:51

Expulso por um bom motivo!

Eu cresci como filho de gente abastada.
Meus pais puseram-me a usar colarinho branco,
e educaram-me no hábito de ser servido.
Ensinaram-me a dar ordens.
Mas quando já crescido, olhei à minha volta
Não me agradaram as pessoas da minha classe
e juntei-me à gente mais humilde.

Assim eles criaram um traidor,
ensinaram-lhe a sua arte,
e ele denunciou-os ao inimigo.
Sim, eu conto-lhes os seus segredos.
Fico entre o povo e explico
Como eles trapaceiam, e digo o que virá,
pois estou a par dos seus planos.
E o latim dos seus clérigos corruptos
Traduzo palavra por palavra em linguagem comum,

Então Deus revela-se uma farsa.
Tomo a balança da sua justiça
e mostro os pesos falsos.
Os seus informadores relatam
que me encontro entre os despossuídos,
quando tramam a revolta.
Eles me advertiram e apropriaram-se do
Que ganhei com meu trabalho.
E quando me corrigi eles tentaram caçar-me, mas
Em minha casa encontraram apenas escritos
que expunham as suas tramóias contra o povo.
Então enviaram-me uma ordem de prisão
Acusando-me de ter idéias baixas, isto é
As idéias da gente baixa.
Aonde vou sou marcado
Aos olhos dos proprietários.
Mas os espoliados lêem a ordem de prisão
E me oferecem abrigo. Você, dizem
Foi expulso por um bom motivo

Bertolt Brecht

Roland Freisler disse:
02 de setembro de 2007 às 10:40

Sugiro que leiam este artigo:

http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=833

Dijalma Lacerda disse:
02 de setembro de 2007 às 11:08

Gostaria de saber que mágica o Ministro Barbosa, do STF, negro , fez para chegar onde chegou?
Será que lhe deram alguma quota para ingresso na Faculdade de Direito? Lógico que não. O homem é de uma competência, seriedade, honestidade, de causar inveja a qualquer um, e, acima de tudo, demonstrou ter um enso de Justiça elogiável !.
Bem, enfim, eu concordo com quase tudo o que o Dr. Zito falou em suja entrevista, inclusive no que diz respeito à injustiça com o negro que advém desde a abolição da escravatura, e na minha modesta opinião, tem que ser compensada sim. Do dia para a noite jogaram o negro fora de onde vivia, sem um tostão na mão e disseram-lhe: - Agora você é livre, se vira.
Isso sim, na minha opinião, tem que ser compensado e o negro tem sim que ser reconhecido como um grande elemento, igual a qualquer outro, na construição histórica desse país.
Agora, a questão das quotas é meio complicada: qual a qualidadede aprendizado que o negro apresentará depois de formado,se geralmente a base de ensino lhe foi insuiciente?
Enfim, uma coisa é certa, o assunto tem que ser bem debatido, e, com vistas, sempre, à injustiça social da qual o negro foi vítima durante todos esses anos.
Uma vez um professor, líder do movimento negro, me deu a honra de almoçar em minha casa. Já velhinho, porém não cansado, deu-me uma lição.
Disse-me que no caso do negro há que se aplicar o princípio da "plus valia", com compensações. Deu um exemplo: já pensou você ter que lutar com o Mike Tison, e você de mãos limpas? Para equilibrar, terão que lhe dar pelo menos um canivete !
Bem gente, meus parabéns ao Zito, e com a consciência de que TODOS NÓS TEMOS QUE ENCARAR DE FRENTE A QUESTAO.
JUNTOS !

Dijalma Lacerda disse:
02 de setembro de 2007 às 11:09

Corrijo: senso, sua ....

Neli disse:
02 de setembro de 2007 às 13:09

Parabéns pela entrevista!
Penso que o sistema de cotas deveria ser para os pobres ;aqueles oriundos de escolas públicas.
Os pobres são também discriminados,tal qual os negros.
O pobre,seja branco, negro, índio,tem todas as chances de não vencer na vida!
Estuda em colégios estaduais(qualquer estado da federação!) de uma ruindade imensa(os políticos jamais colocariam seus pequerruchos lá),então a cota para negros( que não necessariamente são pobres),é injustiça ,para os demais.

Ponho meu exemplo(não sou branca,nem negra,nem índia...minha bisavó era: tenho a tez brasileira),não pude estudar o ginásio, por falta de registro de nascimento,prestei o exame de admissão e foi barrada a minha matrícula,1965(era migrante:de Minas para o Paraná:Cornélio Procópio),aos 14 a família veio para SP...comecei a trabalhar aos 15,aos 19 anos descobri o supletivo:fi-lo, esperei aos 21 o do colégio...Pois bem,jamais iria entrar em faculdade pública pela precariedade do ensino...

E,naquele tempo não tinha bolsa-voto!
Não devo nenhuma obrigação pelo que sou hoje a nenhum político...pude vencer na vida contando com a ajuda de Deus e de minha família(apoio moral!)
Há uns tempos, prestei concurso para a magistratura estadual, fui bem,estava bem preparada,e no oral não passei...Deus me reservou algo melhor!
Em resumo, venci na vida pelo estudo,por ter a cada dia de minha infância,adolescência e juventude,ter lutado com unhas e dentes,por isso,vendo a dificuldade do que é ser pobre neste país é que proponho:não à quota para negros,mas sim para os pobres!

Jobson Mauro disse:
02 de setembro de 2007 às 13:25

Quer saber o que é discriminação no Brasil? Basta ser, ao mesmo tempo, branco e favelado.

Émerson Fernandes de Carvalho disse:
02 de setembro de 2007 às 13:26

Excelente entrevista. O Brasil e outros tantos países que tiraram proveito da escravatura devem reparar os danos que causaram aos negros, em anos de exploração e discriminação. E uma das formas mais justa é abrindo mão de suas vagas, por intermédio das cotas, em favor dos negros.
Se hoje temos o que temos, foi com grande contribuição do trabalho, sangue e suor desses estrangeiros e brasileiros, que, ao final, foram excluídos da riqueza.
Nossa dívida social com o povo é grande, e a cota é um grande passo para saldá-la.

Jobson Mauro disse:
02 de setembro de 2007 às 14:06

Será que não descolam uma quota pra mim numa bateria de escola de samba ou no Yle Aiê da Bahia?

Mas, por favor, sem aquelas piadinhas racistas de que "tem branco no samba"!

Lucas Janusckiewicz Coletta disse:
02 de setembro de 2007 às 14:34

Uma das justificativas da republica era que a monarquia defendia a escravidao. vindo a republica, a primeira coisa que o jurista Rui barbosa fez foi queimar o arquivo da escravidao, um registro historico detalhado de todos os negros que entraram no Brasil, deixando o chamado povo negro a ver navios. Um dos arduos defensores da monarquia no Brasil foi um negro (Veiga dos santos), pertenceu a Frente Negra Brasileira, sendo um dos seus fundadores. Fidelissimo a Princesa Isabel, nunca aceitou qualquer formula magica, somente queria o rstabelecimento da Monarquia e a volta da Familia Real ao Brasil, uma vez que nos principios catolicos-monarquicos a aristrocacia tem responsabilidades perante a Deus pelo bom trato dado as pessoas que dependem do Senhor, substituido hoje pelo termo patrao. A Monarquia, sempre deu terras que pertencentes ao Estado (devolutas), para pessoas capazes de geri-la. Dava-a, nao ficava neste estatismo da terra socialista, onde o sem terra fica uma pessoa dependente do partido do governo a vida inteira, pois a terra fica para o Estado, mas logo apos a Lei aurea, implantou-se a Republica e esqueceram-se dos negros desde entao. Mas agora, numa medida mentirosa, se quer dar uma suposta igualdade a todos, como se fossemos iguais. Querer dar vagas a pessoas negras de baixa renda é justo e merecidora de aplauso. sempre existira novos ricos, sejam brancos, sejam negros, como tambem existira novos pobres, sejam brancos, sejam negros. Agora o que nao da, e fazer uma sociedade justa com uma carga tributaria que impede que o pobre vire classe media e suba o degral para virar um rico pelo merito proprio mas utilisar o termo discriminaçao em uma sociedade cuja a caracteristica principal e a miscigenaçao nao leva a lugar algum.

Jobson Mauro disse:
02 de setembro de 2007 às 14:51

Já que querem cobrar indenização de quem tirou proveito com a escravidão, bem que poderiam instituir quotas de negros brasileiros nas faculdades de Portugal, Espanha, Inglaterra, França e Holanda.

veritas disse:
02 de setembro de 2007 às 17:33

Podem espernear , gritar e uivar as cotas chegaram para ficar. Por um tempo é claro.
O bom disso tudo é que a democracia morena, o país que "não tem racismo" mostrou a sua verdadeira face.

A.G. Moreira disse:
02 de setembro de 2007 às 18:32

O Estado pode e deve ajudar a todos os cidadãos desfavorecidos, mas, não pode subtrair a nenhum cidadão, de qualquer raça, aquilo que ele conquistou honestamente !!!

Jose Antonio Schitini disse:
02 de setembro de 2007 às 21:20

A se colocar lógica nesse pressuposto, todos os seres humanos devem ser recompensados pelo pecado original, já que impossível obter ressarcimento de Adão e Eva. No Brasil todo mundo quer benesses, desde o índio, quilombolas, prejudicados pelo regime militar, os sem terra, os sem teto, os sem bolsas familias, etc, etc. Será que o País vai ter recurso para tanto. Excluídos é que não faltam, inclusive o enorme contigente de trabalho escravo nos confins do Brasil, já que não existe mais cafundós.

A.G. Moreira disse:
02 de setembro de 2007 às 21:37

O grande problema dos povos de origem africana, é que , com todas as queixas apresentadas, de que eles não se desenvolveram, por falta de oportunidades, eles estão no Brasil, EE.UU., etc., , infinitamente, melhor, do que aqueles que nunca saíram de seus países !!!

Se duvidarem, visitem as origens !!!

Armando do Prado disse:
03 de setembro de 2007 às 01:07

Ode ao burguês

Eu insulto o burguês! O burguês-níquel
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! O homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!

Eu insulto as aristocracias cautelosas!
Os barões lampiões! Os condes Joões! Os duques zurros!
Que vivem dentro de muros sem pulos,
e gemem sangue de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
e tocam os "Printemps" com as unhas!

Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!
Fora os que algarismam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o êxtase fará sempre Sol!

Morte à gordura!
Morte às adiposidades cerebrais!
Morte ao burguês-mensal!
Ao burguês-cinema! Ao burguês-tiburi!
Padaria Suíssa! Morte viva ao Adriano!
"- Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
- Um colar... - Conto e quinhentos!!!
Más nós morremos de fome!"

Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! Oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,
sempiternamente as mesmices convencionais!

De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor inebriante!
Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!
Fora! Fu! Fora o bom burguês!...

Mário de Andrade
(Em Paulicéia Desvairada, 1922)

Luiz Augusto Mendes disse:
03 de setembro de 2007 às 01:21

Joaquim Barbosa. Um dos oito filhos de um pedreiro com uma dona de casa. Chegou a sustentar a família aos 16 anos de idade, quando os pais se separaram. Hoje é ministro do Supremo. Precisa dizer mais?

Orlando Maluf disse:
03 de setembro de 2007 às 08:32

Todo movimento e ação pela igualdade completa do ser humano é legítimo.
Nós, brasileiros, devemos reconhecer sempre os crimes praticados na escravidão, que muito tardiamente foi abolida em 1888.
Assim como os negros merecem o respeito e admiração da sociedade brasileira em geral, os imigrantes que aqui chegaram no final do sec. XIX e início do sec. XX também foram impiedosamente discriminados até (como os negros) se imporem por suas próprias qualidades e atributos.
Machado de Assis, símbolo de nossa melhor literatura e cadeira nº 1 da Academia Brasileira de Letras, não precisou de cotas, assim como Ademar Ferreira da Silva, Pelé, Cesarino Júnior, Joaquim Barbosa etc. etc. etc.
As cotas é que discriminam as etnias aparentemente beneficiadas, pois sua existência pressupõe privilégios outorgados a seres de notória inferioridade cultural, social e econômica.

Roland Freisler disse:
03 de setembro de 2007 às 09:31

Como disse o A.G. Moreira, os negros brasileiros estão bem melhor que seus parentes que ficaram na África. À quem interessa toda essa discórdia depois de tanto tempo?

A.G. Moreira disse:
03 de setembro de 2007 às 10:09

O Professor Robert Davis, da Universidade de Ohio, escreveu que mais de um milhão de europeus foram levados à força para a África. O Mediterrâneo veio a se tornar um “mar de medo” para os europeus que viviam perto dos litorais, principalmente camponeses, trabalhadores de fazendas e pescadores. Até mesmo grandes cidades como Barcelona, Genova e Nápoles não estavam a salvo de invasões e ataques de corsários muçulmanos. Esses piratas caçadores de escravos chegaram até mesmo a atingir regiões litorâneas do oceano Atlântico: Em 1627, quatrocentos habitantes da Islândia (país europeu com população evangélica branca de cabelo loiro e olhos azuis) foram aprisionados e transportados como escravos para a África, para nunca mais voltarem. Em 1631, os habitantes de uma vila inteira na Irlanda foram atacados de surpresa e capturados pelos africanos. De acordo com o jornal inglês Guardian Unlimited: “Milhares de cristãos brancos eram seqüestrados anualmente para trabalhar como escravos remadores de galeras, trabalhadores braçais e amantes dos senhores muçulmanos no que é hoje o Marrocos, Tunísia, Argélia e Líbia”.

A vida dos escravos brancos na África não era melhor do que a vida dos negros africanos no continente americano: eles eram obrigados a trabalhar em casas, fazendas, pedreiras, minas de sal e construção de estradas, ficando reservado às jovens brancas o “trabalho” de servir sexualmente os africanos. Todos sofriam torturas para se converter ao islamismo e estima-se que metade deles morria no cativeiro devido a rações de péssima qualidade, trabalhos pesados, surras e pragas. No século XVIII algumas nações européias começaram a pagar resgate para libertar alguns europeus escravizados na África. Os países europeus que não queriam ser alvo de ataques de piratas muçulmanos africanos eram obrigados a pagar uma pesada taxa anual. Até mesmo o Império Britânico, com sua grande marinha, não se aventurava a enfrentá-los militarmente, talvez também por causa de suas amargas experiências do passado.

A.G. Moreira disse:
03 de setembro de 2007 às 10:16

Hoje nem todos conhecem e entendem essa realidade, ou o papel que muçulmanos e negros de tribos guerreiras desempenharam na venda e compra de escravos. A maioria dos grupos muçulmanos e grupos negros de pressão política que utilizam certas situações do passado para reivindicar certos direitos demonstram desconhecimento da história da escravidão. O fato é que os cristãos brancos compravam escravos negros vendidos por mercadores muçulmanos africanos, que os adquiriam de tribos africanas que travavam guerras contra outras tribos, matando, estuprando, saqueando e capturando os sobreviventes para vendê-los como escravos.

Gilberto Aparecido Americo disse:
03 de setembro de 2007 às 11:15

É blá-blá-blá prá lá e pra cá e quem se dá bem é sempre a minoria das minorias. A maioria, como sempre, somente se rala. O advogado Zito Alvarenga é parente do Pitta ou o caricaturista está de sacanagem?

veritas disse:
03 de setembro de 2007 às 13:50

Imparciais no presente, ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha !!!!!!
Me divirto navegando neste Conjur. Quanto as cotas !!! Chegaram para ficar, participamos apenas pelo amor ao debate.
Essa democracia morena é divertida.
Duas coisas interessantes aprendemos; que o Brasil é extremamente racista , e utiliza o pior tipo deles o racismo velado.
E que a união faz a força ,avante com as cotas ,agora no serviço público.
O valor da fatura é bem grande o preço que estão cobrando bem pequeno,( cotas ) salvo para os escravocratas que querem o calote total, mas isso não vai acontecer.

Francisco Lobo da Costa Ruiz - advocacia criminal disse:
03 de setembro de 2007 às 20:33

Olá, Zito, estou aqui com o De Franco dando boas gargalhadas, e ele lembrou que foi amamentado por uma pessoa muito querida sua.
No mais, deixa alguma loira (ou loura) para nós, a nossa "cota" minguou.

allmirante disse:
03 de setembro de 2007 às 21:54

O simples fato de requerer "compensação" é preconceito racial, ainda que invertido!

Richard Smith disse:
03 de setembro de 2007 às 23:58

Que "trouxice" medonha!

Quotas para os "negros"?

Hum! Primeiramente: quem decide quem é negro?! Vamos passar a ter aqueles testezinhos típicos do "apartheid" sul-africano, como colocar um lápis no cabelo do caboclo para ver se prende?!

Mas e se o camarada usar Henê Marú, ou o alisante Alisabel?!

Depois, quotas para "negros"?!

E para mulatos escuros? Para cafuzos? Para índios? Para seringueiros, retirantes, jangadeiros, catadores de papel, bolivianos, orientais...?

E dos lourinhos ramelentos moradores das favelas da periferia de Curitiba ou de Florianópolis, nada?

Então aonde a igualdade preceituada pela Magna Carta?

Os próceres do petismo e do PeTralhismo querem se aproveitar dos "negros" (na realidade, POBRES) para instilar uma artificial divisão e antagonismo com os "brancos" (quem é BRANCO, afinal?!) nos moldes da LUTA DE CLASSES hoje francamente superada.

E os trouxas debatendo as safadezas e mistificações PeTralhas, como se algo muito digno e de valor o fossem!

E em se falando de "negros", suscito novamente o "paradoxo japonês":

Os japonese aqui pricipiaram a chegar, há menos de cem anos, com a família e umas poucas tralhas numa malinha. Vieram para um páis do qual conheciam nada, iludidos por agências de colonização - que chegavam a dizer que haviam pepitas de ouro nas calçadas ! -
e presos a contratos que os tornavam pouco menos do que escravos.

Em menos de 10 anos já cultivavam as suas próprias terras, constituiam revolucionárias comunidades em regime de cooperativa, inclusive com auxílios mútuos (o Tanomoshi, por exemplo).

Em 20 anos já tinham a primeira geração de nisseis cursando univerisdades e ocupando cargos públicos.

Ou seja, chegaram "com uma mão na frente e outra atrás" e hoje são

identificados com os conceitos de afinco, de dedicação ao trabalho e de inovação tecnológica.

Me lembro que nos meus tempos de colegial no Colégio Objetivo havia um gracejo que dizia: "mate um japonês e garanta a sua vaga na faculdade!"

E a comunidade negra em comparação?

Considerando-se que, por ocasião da proclamação da Abolição, a grande maioria dos negros no País era composta por LIBERTOS (manumissos, alforriados, fugitivos etc.) e que nos grandes centros, principalmente no Rio de Janeiro, haviam os chamados "escravos de ganho" - que saíam pelas ruas ofertando mercadorias, quitutes ou serviços, com a possibilidade de reservar parte dos ganhos para si e com isso, comprar a liberdade - pergunto: por que não houve maior ascensão social nestes quase 150 anos?

Digo e repito: o problema no Brasil nunca foi RACIAL, mas sim SOCIAL. Negros ou pardos são identificados como POBRES e como tais, marginalizados.

No Brasil, e ao contrário da maioria dos outros países, negros famosos (artistas, intelectuais, atletas) recebem a mais ampla aceitação social.

Em que pese a existência de alguns indivíduos com mesquinhas atitudes racistas, o racismo e a discriminação nunca foram características do brasileiro.

Dessa forma, não podemos correr o risco de trazer para o nosso País, chagas sociais que não nos pertencem, pela graça de Deus! E as quotas e outros comportamentos de "coitadismo", vitimização e antagonismo em nada contribuem para a elevação do nível sócio-economico das classes desfavorecidas.

Quem é "negro" que não tenha a sua parcela de sangue europeu e qual "branco" não tem o seu pé "na senzala"?!

Sejamos atentos e rechacemos os "idiotismo" que separa!

Murassawa disse:
04 de setembro de 2007 às 10:47

Tenho respeito muito grande pelos negros e sou fã da sua cultura, porém, tudo que é exigido e ou requerido passa a ser discriminatório, pois, entendo que o ditado de todos são iguais perante a lei é correto e deveria ser observado por todos sem qualquer diferença, porém, o que se vê na prática não é bem assim, quer seja, contra ou a favor dos negros, brancos, mulatos, índios ou amarelos, razão porque, somente com o tempo essa ferida vai cicatrizar.

Giovannetti disse:
04 de setembro de 2007 às 10:53

O que eu tenho visto é o negro se tornar famoso e se casar com mulher loira. Não seria ele o maior preconceituoso com a sua raça? E nas peneiras das escolinhas de futebol? Vão ser reservadas 30% das vagas para o branco?

Marcos disse:
04 de setembro de 2007 às 10:54

Claro está que os brancos ricos brasileiros não estão dispostos a concorrer em situação de igualdade.

Essas pessoas que falam absurdos como "negro que não tenha a sua parcela de sangue europeu e qual branco não tem o seu pé na senzala", não sabem o que é ser negro, o que é uma senzala.

Não fazem idéia que para conhecer o interior de um camburão, vc não precisa cometer crime algum. Basta ser negro vc vai conhecer.

Falam absurdos sobre idiotismo que separa, pois tremem de medo de concorrer com os negros em condição de igualdade.

Com um sobrenome como Schoedl, Smith... fica realmente muito difícil acreditar que preconceito existe, pois nunca serão vítimas de preconceitos.

Quando estou esperando meu carro no estacionamento, é comum alguém chegar e me entregar a chave para que eu manobre seu carro.

Sugiro leitura do livro "A cabeça do brasileiro", de Alberto Carlos Almeida. Lá está provado empíricamente que o brasileiro é preconceituoso, conservador e racista.

Embora os "Smiths" da vida ainda acreditem que eles e um jovem negro oriundo de uma favela têm as mesmas chances....

A.G. Moreira disse:
04 de setembro de 2007 às 12:15

Tem gente que acha que ser negro é culpa do branco !!!
Tem gente que acha que ser pobre é culpa do rico !!!
Tem gente que acha quer ser fracassado na sua atividade é culpa de quem vence na vida !!!
Tem gente que acha que ser ignorante é culpa do esclarecido !!!
E tem gente que acha que ser doente é culpa do são !!!

Entretanto, quando um negro se esforça, se empenha, trabalha, estuda, luta e vence na vida , chegando aos mais elevados e gloriosos níveis sociais ou profissionais, não vejo nenhum negro dizer, que foi culpa ou mérito de, algum , branco !!!!

Saulo Henrique S Caldas disse:
05 de setembro de 2007 às 10:05

“Não queremos privilégios eternos, mas políticas de COMPENSAÇÃO...” - Sic.

"Data vênia" ao ilustre advogado, o advento da Constituição Federal de 1988 liquidou essas questões - "desigualdade" - do ponto de vista jurídico, ao dizer da igualdade dos cidadãos diante da Lei (art. 5º, caput).

Compensar, mediante o sacrifício vitorioso da atual Carta Política em tornar iguais os cidadãos, seria uma mitigação da atual regulamentação de isonomia que a Carta Política trouxe.

A compensação "histórica", que se postula no artigo, a uma igualdade, pressupõe a volta á discussão histórica - e não factual concreta - que vai desde a origem dos preconceitos até suas funestas consequências. Não é bom tocar nessas feridas, mas superá-las!

Para ser prático, a Constituição atual, desde 1988, possibilitou o DIREITO de "qualquer pessoa" - negra, índia, etc - a qualquer direito nela tutelado. Inclusive à educação, à livre concorrência a cargos públicos etc.

Essa compensação postulada afronta a Constituição. Não é o tom da epiderme quem diz se a pessoa teve ou não acesso a uma educação digna. No Brasil, de há muito a pobreza e a discriminação não escolhe nem cor e nem sexo! Um albino, um índio, um anão, um homossexual - qualquer pessoa que fuja a padrões tidos por normais, na praxe social - sofre algum tipo de discriminação. Que fez a Constituição? Possibilitou ao deficiente físico, ao índio, ao branco pobre (eles existem também, e aos montes!), a negro, ao amarelo, ao estrangeiro etc - amplos instrumentos pelos quais podem fazer valer seus direitos, incluindo o de estudar e chegar a alcançar um cargo na vida pública.

O caos no ensino público não atinge só os negros. Atinge qualque pessoa que dele necessite. E a consequência é o despreparo técnico for all

Bira disse:
06 de setembro de 2007 às 08:27

Absurdo e delirio coletivo.
O grupo politico que o defende recebe votos por isso.
Percebemos que diante das dificuldades da vida, um grupo tenta entrar pela porta dos fundos.
A sociedade deve ficar atenta a este movimento de oportunistas e votos.
Estudar e cobrar educação parece dar trabalho a alguns.
Somos, para todo efeito, a raça humana, quem pensa diferente, algum interesse possui.

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