extinções em lote

Acervo de execuções fiscais cai 40 % em três anos com política de eficiência do Conselho Nacional de Justiça

Em três anos, a política de eficiência nas execuções fiscais do Conselho Nacional de Justiça impulsionou a conclusão de 16,2 milhões de processos, com redução do acervo em 39,9% no principal gargalo do Poder Judiciário brasileiro.

Agência Brasil

CNJ fachada

Política de eficiência do CNJ levou a redução de 40% do estoque em três anos e a menos novos processos

O balanço pôde ser feito a partir dos dados do relatório Justiça em Números 2026, com estatísticas de 2025, lançado este mês pelo CNJ.

Só no ano passado, foram encerradas 5,8 milhões de execuções fiscais. O número é composto por aquelas que seguiram o trâmite normal até a baixa e as que foram extintas com base na Resolução 547/2024 do CNJ.

A norma autoriza a extinção desses processos, desde que tenham valor inferior a R$ 10 mil e estejam há pelo menos um ano sem movimentação útil, como citação, ou sem apreensão de bens, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal.

Essa política foi iniciada em outubro de 2023, com a assinatura de uma portaria conjunta entre CNJ, os Tribunais Regionais Federais, o Conselho da Justiça Federal, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e a Advocacia-Geral da União para facilitar a extinção em lote de execuções fiscais.

Até então, a Justiça só conseguia baixar entre 3 e 4 milhões desses processos por ano, o que mal cobria o número de novas cobranças que ingressavam. Com isso, o acervo se mantinha estagnado ou em crescimento.

O estoque passou a regredir com mais intensidade justamente a partir de 2023:

Número de execuções fiscais baixadas
Ano Número
2023 3,6 milhões
2024 6,8 milhões
2025 5,8 milhões
Total 16,2 milhões

Com isso, o Judiciário passou a se livrar de mais execuções fiscais do que recebia.

Redução do acervo processual
Ano Número
2023 900 mil
2024 5,1 milhões
2025 4,9 milhões
Total 10,9 milhões

Ao final de 2022, o Judiciário tinha 27,3 milhões de execuções fiscais para resolver, número que foi baixado para 16,4 milhões ao final de 2025, em redução de 39,9% do acervo nesses três anos.

Menos execuções entrando

Os números condizem com o dado celebrado no ano passado pelo então presidente do Conselho Nacional de Justiça, o hoje ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso.

A política de eficiência para as execuções fiscais foi implantada em sua gestão e celebrada por ele por levar à redução de 37% em novos casos, conforme análise a partir dos dados disponíveis na época.

A Resolução 547/2024 determina que novos processos só são possíveis depois de tentativas de conciliação, solução administrativa e prévio protesto do título — quando a cobrança é formalizada em cartório, antes de sua judicialização.

Os dados consolidados mostram que essa tendência se mantém.

Execuções fiscais ajuizadas
Ano  Número
2022 3,8 milhões
2023 2,9 milhões
2024 1,7 milhão
2025 1,3 milhão

Ainda assim, há um ponto de inflexão. Em 2025, a Justiça Federal recebeu 373 mil novas ações, sendo 178 mil a mais do que em 2024, um aumento de 90,9% no ajuizamento, conforme o Justiça em Números 2026 explica.

Os relatórios, ano a ano, ainda trazem uma ressalva metodológica para explicar eventuais inconsistências matemáticas nos dados. Elas decorrem do fato de a base ser o sistema DataJud, que tem comportamento dinâmico e está sujeita a alterações de dados dos tribunais.

Melhorou mas está ruim

O cenário no início de 2026, portanto, era de 16,4 milhões de execuções fiscais pendentes, a imensa maioria em dois ramos da Justiça: Estadual (13,1 milhões de processos ou 80,1% do total) e Federal (3,2 milhões de processos ou 19,8% do total).

Duas de cada três execuções fiscais na Justiça Estadual estão concentradas em dois estados: 7 milhões no Tribunal de Justiça de São Paulo (53% do total) e 1,7 milhão no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (13% do total).

Já na Justiça Federal, representam 67% do estoque em execução e 30% do estoque total. O Tribunal Regional Federal da 3ª Região tem o maior percentual de execuções fiscais pendentes, apesar de registrar a maior redução de acervo em 2025 (54,8 mil a menos).

As execuções fiscais representam aproximadamente 22% do total de casos pendentes no Judiciário e 45% das execuções pendentes.

A taxa de congestionamento é de 72,4% — de cada cem processos que tramitavam em 2025, 28 foram baixados. Em 2022, esse índice era de 88,4%, o que mostra a evolução causada pelas medidas do CNJ (redução relativa de 18,1%).

No período, o tempo médio de tramitação das execuções baixadas saltou de 6 anos e 7 meses para 8 anos e 2 meses, o que é natural, já que a extinção de processos em massa afetou justamente os casos mais antigos que seguiam paralisados.

Como mostrou a revista eletrônica Consultor Jurídico, apesar do sucesso as medidas do CNJ geraram um novo contencioso nos tribunais, composto por recursos contra a extinção desses processos em lote de forma indevida.

Uma das discussões mais relevantes ocorre nos casos em que as execuções fiscais de até R$ 10 mil são extintas em casos municipais, de valores mais módicos e em municípios com lei prevendo limites mais baixos para justificar as cobranças.

Clique aqui para ler o relatório

Danilo Vital

é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

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