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Liberdade criativa levou desembargador a virar autor de peça teatral

O Direito tem a norma como limite. A literatura, por sua vez, não possui nenhuma amarra, o que permite ao autor explorar um universo basicamente infindável de possibilidades. Essa é a resposta de Régis de Oliveira, desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e professor de Direito Financeiro da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, para explicar seu fascínio pela literatura. 

Foto: Ronaldo Gutierrez

Desembargador aposentado flerta com a literatura desde que era escrevente
Fotos: Ronaldo Gutierrez

O interesse pelas letras além dos limites jurídicos começou quando ele ainda era escrevente de cartório. "A literatura me permite não ter freios. Em um dos meus livros, por exemplo, eu criei um conflito entre o narrador e um dos personagens." 

Um dos frutos do trabalho literário de Régis de Oliveira pode ser conferido pelo público paulistano na peça O Deus de Spinoza, que estreou no dia 1º deste mês. Ele assina o texto da obra, que faz um recorte da vida do filósofo Spinoza desde sua condenação — o Herem, em 1656 — até a sua morte, em 1677.

Baruch Spinoza é um dos pensadores preferidos de Oliveira, para quem a descoberta dos escritos do filósofo foi um verdadeiro acontecimento. "Muito do modo como eu enxergo a vida já havia sido explorado de forma brilhante por ele. Pensei até em escrever um livro sobre o seu trabalho, mas descobri que a (filósofa e escritora) Marilena Chaui já havia escrito uma obra excelente. Então decidi escrever uma peça."

Foto: Ronaldo Gutierrez

O Deus de Spinosa fica em cartaz até o próximo dia 27 de agosto em São Paulo
 

Além da peça, Oliveira publicou alguns livros, como O desterro é o destino, As águas não são impetuosas, Mistério em Marrakesh e Somos todos órfãos. Um dos seus lançamentos mais ruidosos foi O assassinato do presidente. A obra, lançada no ano passado, logo foi usada por militantes políticos para alimentar teorias das conspiração.

"As pessoas que usaram a obra para alimentar a polarização sequer leram o livro. Foi uma confusão típica dos nossos tempos."

O Deus de Spinoza fica em cartaz até o dia 27 de agosto no Teatro Itália Bandeirantes. O espetáculo conta com direção de Luiz Amorim e assessoria do professor de Filosofia Maurício Marsola, da Universidade Federal de São Paulo.

Serviço:
O Deus de Spinoza
Texto: Régis de Oliveira

Direção e Adaptação: Luiz Amorim
Direção Musical: Marcus Veríssimo
Elenco: Bruno Perillo, Juliano Dip, David Kullock, Luiz Amorim e Roberto Borenstein
Musicistas: Marcus Veríssimo, Margot Lohn, Lucas Bisparo e Lisi Andrade (stand-in)
Desenho de Luz: Cesar Pivetti
Cenografia: Evas Carretero
Figurinos: João Pimenta
Temporada: de 1º de julho a 27 de agosto. Sextas e Sábados às 21h, e domingos às 20h.
Duração: 80 minutos 
Classificação: 12 anos

Local: Teatro Itália Bandeirantes (Avenida Ipiranga, 344, Centro, São Paulo) 
Clique aqui para mais informações

Rafa Santos

é repórter da revista Consultor Jurídico.

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