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Opinião

Educação, regulação e cooperação no combate ao antissemitismo

Em um mundo cada vez mais interligado, a luta contra o antissemitismo não pode ser abordada isoladamente. O ataque do Hamas em Israel, em 7 de outubro de 2023, marcou um ponto de viragem, causando um aumento alarmante de atos antissemitas em todo o mundo.

Governo da Argentina

Em 18.jul.1994, sede de Amia, organização social judaica de Buenos Aires, foi atacada, matando 85 pessoas e ferindo 300

Mas esses atos de violência não ocorrem apenas no Oriente Médio. Em 18 de julho de 1994, a comunidade judaica de Buenos Aires sofreu o pior ataque terrorista da história da região. Há 30 anos, a sede de Amia, uma organização social da comunidade judaica de Buenos Aires, foi brutalmente atacada, deixando cicatrizes que ainda não fecharam. Foram assassinadas 85 pessoas, mais de 300 ficaram feridas e a Justiça ainda não prendeu os culpados.

Como comissário da Organização dos Estados Americanos (OEA) para o Monitoramento e Combate ao Antissemitismo, participei do evento oficial comemorativo, um doloroso lembrete da destruição que o ódio pode causar.

Os familiares e sobreviventes desse trágico acontecimento continuam a exigir justiça. Hoje, essa tragédia leva-nos a redobrar os nossos esforços para prevenir futuros atos de terrorismo e antissemitismo. A memória das vítimas da Amia deve ser um farol que oriente nossas ações e decisões, na busca de um futuro mais seguro e justo.

Roteiro para avançar

Esses fatos realçam a urgência de reforçar alianças entre países, organizações internacionais e comunidades locais para enfrentar esta ameaça. O antissemitismo e o ódio não respeitam fronteiras, e a nossa resposta também não deveria respeitar. Somente por meio de uma colaboração estreita e eficaz poderemos combater a intolerância que procura nos dividir. Estes fatos realçam a importância de uma abordagem coordenada e global na luta contra este flagelo.

Spacca

Spacca

Em meio aos eventos de recordação, participei do “Construindo um Futuro Mais Seguro”, um evento histórico organizado pelo Congresso Judaico Mundial e pelo Congresso Judaico Latino-Americano, que reuniu 800 pessoas de 47 países, incluindo três presidentes e 17 ministros de todo o mundo, juntamente com dezenas de representantes e especialistas em estratégias para combater o antissemitismo e o terrorismo. Os testemunhos e debates que surgiram neste quadro fornecem-nos um roteiro para avançar. É uma oportunidade para reafirmar o nosso compromisso com a paz e a segurança globais.

Um dos maiores desafios que enfrentamos é a propagação do discurso de ódio online. A tecnologia, embora ofereça inúmeros benefícios, também se tornou uma ferramenta para a propagação de preconceitos e da desinformação. É imperativo que desenvolvamos uma legislação robusta, que regule o conteúdo nas plataformas digitais e responsabilize aqueles que espalham discursos de ódio. A criação de um quadro jurídico claro e eficaz é essencial para garantir que a internet não se torne um refúgio para a intolerância.

Contudo, a legislação por si só não é suficiente. A moderação de conteúdo pelas próprias plataformas e a educação são ferramentas fundamentais. Devemos trabalhar para formar novas gerações que compreendam a importância do respeito e da convivência pacífica. Programas educacionais que promovam a diversidade e os direitos humanos são essenciais para erradicar o preconceito desde a raiz. A história do Holocausto e de outros episódios de ódio deve ser ensinada nas escolas, para que as lições do passado nunca sejam esquecidas.

Temos ciência de que a tarefa que temos pela frente é imensa, mas não impossível. Cada esforço conta, cada aliança fortalece a nossa causa. Devemos permanecer unidos, vigilantes e firmes na nossa determinação de construir um mundo onde o antissemitismo não tenha lugar.

Luta incansável

A memória das vítimas da Amia e de todos aqueles que sofreram nas mãos do ódio obriga-nos a não baixar a guarda e a continuar a trabalhar incansavelmente por um futuro melhor. A luta contra o antissemitismo é uma responsabilidade compartilhada, que requer a cooperação de todas as nações. O que começa com os judeus não termina com os judeus. Lembremo-nos sempre que, ao proteger uma comunidade, estamos protegendo toda a humanidade.

Avancemos com determinação e esperança, sabendo que juntos podemos construir um futuro mais seguro e justo para todos.

Fernando Lottenberg

é advogado, mestre e doutor pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e presidente da Confederação Israelita do Brasil.

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