Com 798 advogados, o JBM é o maior escritório do Brasil em quantidade de profissionais do Direito. Até o fim de 2012, eram 737, mas o crescimento da banca, que lida apenas com advocacia de massa, exigiu mais. No entanto, não foi a quantidade de trabalhadores que a fez atingir o faturamento de R$ 110 milhões ao ano. Foi a tecnologia.
Os sistemas e métodos são tão importantes para a atuação do JBM no mercado que, no meio deste ano, o escritório se dividiu, colocando advogados de um lado e a turma da tecnologia de outro. Nascia a empresa Finch Soluções. O novo negócio começou com 550 colaboradores em 27 filiais, e levou consigo a expertise em dados que o JBM coletou nos seus cinco anos de vida e nos 18 mil processos que recebe mensalmente — ao todo, hoje são conduzidos cerca de 320 mil.
A Finch presta serviços para o próprio JBM, para clientes do escritório e para outras bancas de advocacia. Seu faturamento anual chega a R$ 45 milhões, para alegria do advogado José Edgard Bueno. Maestro a reger essas duas orquestras ao lado do sócio Reinaldo Mandaliti — na Finch, entram outros dois sócios —, Bueno não gosta de gravatas, prefere jeans a ternos e usa constantemente o termo “indústria do Direito”. De propósito. Ele quer quebrar o tabu em torno da chamada “mercantilização da advocacia”, expressão que provoca arrepios aos advogados por causa de restrições da OAB.
O medo de a profissão mercantilizada levar ao aviltamento de honorários só serviu para que não houvesse regras adequadas ao mercado, e os honorários caíram ainda assim, diz Bueno. Para ele, é hora de a profissão se livrar de preconceitos e interesses e se reinventar — ou se rediscutir. Regras rígidas demais levaram ao engessamento, opina.
Entre os clientes do escritório estão Itaú, Bradesco, CPFL, Elektro, Unilever, Electrolux, Vivo e CSN, com demandas de Direito do Consumidor e, em alguns casos, do Trabalho. Na carteira da Finch também estão alguns dos grandes, como Itaú, Rodobens e Banco Safra.
A empresa de tecnologia também oferece soluções como jurimetria, ou seja, projetar possibilidades jurídicas para seus clientes a partir dos dados já coletados de suas contendas na Justiça, ou de outros concorrentes. A partir das medições, vem o trabalho jurídico — aí pelo JBM —, de propor que em uma comarca sejam forçados mais acordos, ou que em outra as brigas sejam levadas adiante.
José Edgard Bueno bate na tecla de que a Ordem dos Advogados do Brasil deveria repensar os moldes da regulamentação da advocacia. Pensar em regras especificamente para escritórios grandes, outras para médios, para pequenos e para os advogados que atuam sozinhos.
As normas para contratação de advogados também o incomodam. Para ele, advogado que não é sócio só poderia ser celetista. “Quem não contrata por CLT faz concorrência desleal”, reclama. O regime de associado, diz ele, é uma aberração. “Como pode a OAB recomendar uma forma de contratação que a Justiça não aceita?”
Bueno recebeu a revista Consultor Jurídico na última segunda-feira (30/9) em seu escritório na Avenida Faria Lima, na capital paulista — uma das 26 filiais do JBM. Sem gravata.
Leia a entrevista:
ConJur — Tem havido muitas cisões em escritórios. A Ordem dos Advogados do Brasil está preocupada em fortalecer sua câmara arbitral, para que os rachas sejam resolvidos entre advogados. O JBM tem experimentado essas situações?
José Edgard Bueno — Cisão de sócio é praticamente inexistente para a gente, porque o nosso mercado é sui generis. Para entrar, precisa ter uma estrutura muito grande ou ir para outro lugar que já tenha uma estrutura razoável, para levar clientes e ter o investimento necessário para isso. Uma parte do serviço da advocacia aqui não depende só do know how do advogado, como no mercado tradicional. Aqui, a estrutura é um fator decisivo. O cliente compra também a tecnologia envolvida por trás do negócio. E isso não sai do dia para noite.
ConJur — O JBM nasceu com seis sócios, agora são só dois. O que motivou a saída dos outros quatro?
José Edgard Bueno — Eles montaram um escritório em Ribeirão Preto (SP). Queriam advogar, fazer um escritório menor. E estão indo super bem. Acho que eles sentiram que era o momento de montar a butique deles. Porque aqui, a sociedade é quase como que uma estrutura de empresa.
ConJur — O escritório se dividiu em duas organizações, uma ficando com a advocacia e outra com a tecnologia. Como foi isso?
José Edgard Bueno — Essa é uma história de tentativas e erros. Tínhamos advogados e sistema, e achávamos que o sistema resolveria todos os problemas do advogado e que com ambos conseguiríamos fazer a prestação do serviço final. Isso funcionou durante um período, mas, no fundo, a gente começou a perceber que não é só isso. Não adianta nada ter um sistema de prateleira, nem mesmo desenvolver um próprio, como é o nosso caso. Ele, em si, não resolve. O que vai resolver é conhecer o negócio, a estrutura do mercado jurídico, o seu cliente e aplicar esse conhecimento ao seu sistema. Aí é onde você começa a desenvolver alguns aplicativos, é o que eu chamo da tecnologia. Identificamos que tínhamos essa tecnologia e notamos que ela tem um valor no mercado. Vimos que não era um serviço de advogado, não fazia sentido ficar dentro do escritório. Então criamos uma empresa específica para isso, a Finch Soluções, que faz essa gestão da minha tecnologia. No fundo é o que a literatura chama de BPO – Business Process Outsourcing.
ConJur — E passaram a prestar serviços para si mesmos?
José Edgard Bueno — Toda tecnologia que eu aplicava para mim mesmo tinha um valor. Começamos a prestar serviços para os clientes do escritório e, depois, para outros escritórios de advocacia.
ConJur — Que tipos de produtos vocês oferecem?
José Edgard Bueno — Para clientes, por exemplo, um produto muito interessante é o que a gente chama de jurimetria. O JBM é um grande laboratório, com informações de processos tramitando no Brasil inteiro. O volume de informações que circulam no nosso sistema interno é brutal. São 15 mil audiências por mês, 160 mil diligências. Entram, por mês, uma média de 18 mil processos. Isso me dá uma base de dados incrível a respeito do sistema judiciário. A gente começou a ligar os pontos, descobrir que uma empresa teria mais problemas com um tipo de ação em um local específico. Conectando várias informações de fontes diferentes, formamos uma informação final para o cliente. Criamos um negócio e alguns produtos em cima disso. Um deles é informar ao cliente que há um processo contra ele em D+2, ou seja, dois dias depois de entrarem com a ação, muito antes de ele ser citado. Isso tem um valor para ele que é incomensurável, porque ele vai ser citado, em média, só cinquenta e poucos dias depois. Então, ele tem quase dois meses de informação antecipada para tomar uma série de atitudes.
ConJur — Ele já prepara a defesa?
José Edgard Bueno — Aí entra o conhecimento do negócio. Eu falo que tem essa ação no interior do Maranhão, por exemplo. Ele vai chegar no SAC dele, vai ter essa informação antecipada, terá um prazo razoável para preparar uma boa defesa, pegar as informações e tudo o mais.
ConJur — E a parte de jurimetria?
José Edgard Bueno — É um tipo de informação de serviço que damos ao cliente com base nesses dados todos que temos na nossa base, podendo desenhar tendências. Hoje eu tenho condições de verificar na comarca “x” ou na comarca “y” qual vai ser a decisão do juiz em determinada matéria, daquele juiz, daquela comarca especifica, com aquela empresa ou com aquele tipo de problema. Conseguimos até identificar diferenciações entre empresas. Porque o juiz também reage conforme a postura que a empresa adota perante o Judiciário.
ConJur — É possível identificar o tratamento diferente para uma ou outra empresa?
José Edgard Bueno — Tem cliente nosso, do qual obviamente não vou citar o nome, que adotou uma política agressiva de acordos perante o Judiciário. Ele comprava esse produto nosso para saber a informação antes, para ter tempo de ver o que era caso de acordo e o que não era. Ele chegou a uma postura tão sofisticada que não contestava a ação. Ele chegava no Judiciário com a postura de falar: “Olha, eu errei, juiz. Mas não devo essa quantia toda que este senhor está pedindo, mas sim o que está aqui, conforme esse laudo. Em vez dos 10 pedidos, estou disposto a pagar 5”.
ConJur — E os juízes passaram a aceitar as propostas?
José Edgard Bueno — A reação natural do juiz em uma situação como essa é forçar, obviamente, a parte contrária a fazer um acordo. Quando não há acordo, o juiz começou a condenar a empresa naquele valor que ela reconhecia como correto, e não no valor pedido. Diminuiu, então, brutalmente o índice de condenação daquele cliente. O subproduto disso foi que, naqueles casos em que o cliente não reconhecia o pedido, não chegava com essa postura agressiva de fazer acordo, o juiz começou a ler a argumentação da empresa. Não entrou mais no automático. Porque a gente sabe como é que funciona. O Judiciário, quando tem milhares de ações, vai mais ou menos automático. É muito difícil parar para ler, até pelo volume. Em um segundo momento, passou a diminuir o número de condenações. Isso começou lá atrás, quando ele passou a saber dos processos com antecedência e soube tratar essa informação.
ConJur — A Finch já nasceu grande, com R$ 45 milhões em faturamento anualizado. Como isso foi possível?
José Edgard Bueno — É porque eu transferi todos os ativos, transferi contratos e deixei no JBM só os advogados. A Finch me presta serviço de tudo. Toda contabilidade, faturamento, tudo aquilo que exige a expertise de escritório de advocacia a gente faz na Finch também. O JBM é um cliente da Finch.
ConJur — Tem havido uma grita de advogados contra os leilões reversos, onde clientes chamam diversos escritórios para um serviço e ficam com aquele que oferece o menor preço. Vocês são contrários a essa prática?
José Edgard Bueno — É impossível interferir em regras de mercado. Ou temos um mercado livre ou temos um mercado regulado. O que nós queremos ser? Nós queremos ter uma reserva de mercado onde o advogado estabelece o preço do produto tabelado? Esse não é o espírito da nossa lei. A nossa Constituição não é assim. Estamos em uma sociedade capitalista e isso faz parte. Precisamos rever nossas regras regulatórias, o que permitiria enfrentar uma situação como essa. Hoje só acontece isso porque o mercado está absolutamente pulverizado na oferta de serviços. Tem uma oferta brutal de escritórios e serviços, e uma demanda que não é suficiente. A regra aplicada é a de Adam Smith. Só acontece isso porque tem uma oferta muito grande. Como se enfrenta isso? Revendo-se algumas regras que engessam a nossa profissão e, especificamente, facilitando a fusão e os possíveis formatos de um escritório, de uma sociedade de advogados, em formato de empresa. Se houvesse essa possibilidade, o mercado se autorregularia para chegar a um nível de consolidação do mercado de prestação de serviço para se ter grandes players.
ConJur — A OAB bloqueia as fusões entre escritórios?
José Edgard Bueno — Não é que ela bloqueia. As regras são tão rígidas para viabilizar uma fusão que, na prática, elas inviabilizam. Eu não posso ser sócio de um outro escritório na mesma subseção em que eu tenho inscrição. É um absurdo. Na prática, eu não posso fazer uma fusão com o escritório aqui do lado, na Avenida Faria Lima. Porque a OAB diz que só pode sociedade entre advogados pessoas físicas, a minha sociedade não pode ser sócia de uma outra sociedade, como duas pessoas jurídicas. Isso facilitaria e muito as fusões entre escritórios e, de repente, oxigenaria um pouco nosso mercado de advocacia. O Estatuto da Advocacia cumpriu o seu papel, só que agora está na hora de começar a rever isso.
ConJur — Existe abertura para mudar?
José Edgard Bueno — É preciso acabar com alguns mitos no Brasil. Primeiro, em lugar nenhum do mundo acabaram com o que lá fora se chama sole practitioners, os advogados que atuam sozinhos. Isso não acaba. Vai sempre existir mercado para eles. Também não acho que exista uma tendência única predeterminada em que se vai ter só escritório grande ou só escritório médio. O que é preciso é ter regra para cada um desses mercados, como na Inglaterra. Você não pode ter uma regra única que abarque todos os tipos de advocacia que existem. É preciso entender como funciona o mercado para escritórios pequenos, médios e grandes e montar estratégias para regular cada um desses mercados. Só tem que tomar cuidado para não fazer uma quantidade de regras que engesse a profissão.
ConJur — Por que não se discute isso?
José Edgard Bueno — Primeiro, o advogado não é treinado para discutir isso. Na faculdade, o sujeito é treinado para dizer o que pode e o que não pode fazer, para consultar em cima de um arcabouço legal e dizer. Em nenhum momento se fala de cliente. Na OAB, outro problema, são dezenas de comissões, mas nenhuma fala da essência do mercado, que se chama "cliente". Ele é o driver do processo de mudança da nossa indústria. O que ele quer determina para onde você vai. A estratégia que vai ser adotada daqui a cinco ou dez anos na nossa profissão depende daquilo que o cliente necessita.
ConJur — Como é que o JBM, com cinco anos, cresceu tanto?
José Edgard Bueno — É um bebê que já nasceu com uns quilinhos a mais, pois quando deixamos o Demarest e Almeida, foi uma saída acordada, não uma cisão. Eles não queriam mais operação de massa e nós assumimos as ações. Mas nós somos jovens, então tem muito mar para remar ainda, queremos crescer, mudar, andar para frente…
ConJur — O medo de mercantilizar a advocacia impede o crescimento do mercado no Brasil?
José Edgard Bueno — Impede. É uma discussão que não vai levar a nada. Só leva a essa situação em que nós estamos, em que um diz que é mercantilizar e outro que não é. É um termo um pouco genérico. Se você somar o faturamento dos 6 ou 7 maiores escritórios do Brasil, você chega a uma cifra de R$ 1 bilhão por ano. Isso não é uma profissão mercantilizada? O termo é inapropriado, pois tem uma origem histórica, uma razão de ser. Nós aprendemos lá na faculdade que tinha que separar entre o comerciante e o advogado. O advogado não tem preço, ele recebe honorários, pois é uma honra para o cliente ele prestar o serviço. Isso não funciona mais nos dias de hoje. Basta ver as grandes bancas do mundo. A OAB está começando a se preparar para isso. Ela é uma organização conservadora, é normal que seja. Mas já consigo ver alguns movimentos. Acho que está se amadurecendo a discussão para uma linha de que a mercantilização da profissão não pode ser mais o termo que define para onde a indústria deve ir ou não. Eu uso muito o termo indústria, porque, de fato, isso tem que ser encarado como segmento do mercado.
ConJur — Dizem que a mercantilização levará à queda do valor dos honorários, mas eles já vêm caindo, não?
José Edgard Bueno — Já caiu, da pior forma que poderia acontecer: nós não temos uma regra adequada para o mercado. O mercado força uma determinada situação e você se vê quase que na obrigação de aceitar, porque não tem opção a não ser trabalhar naquela linha estabelecida. Não foi a regra que conseguiu impedir que isso acontecesse.
ConJur — No JBM, os advogados são contratados por CLT?
José Edgard Bueno — Sim. Aliás, essa é uma situação que precisa ser urgentemente revista pela OAB, pelo órgãos de classe e pelas autoridades: são pouquíssimos escritórios que têm os advogados registrados em CLT. A OAB estabelece o regime de associado ou de sócio por cota de serviço. O sócio por cota de serviço tem sido aceito pela jurisprudência e não tem muito problema. Já o regime de associado, que a grande maioria dos escritórios pratica, a jurisprudência não tem aceito. Quando o advogado entra com ação trabalhista, o vinculo é reconhecido. A maior parte do mercado trabalha com associados, muitos não têm nem qualquer tipo de regime. Isso precisa ser revisto, porque, de um lado, não dá proteção para o advogado e, por outro, estabelece uma concorrência desleal.
ConJur — Concorrência desleal entre escritórios?
José Edgard Bueno — Em uma tomada de preço, uma banca que não tem todo mundo registrado tem naturalmente uma vantagem competitiva sobre um escritório com os encargos que a CLT impõe. A consequência prática disso é que o preço daquela vai ser melhor para aquele potencial cliente. Na nossa profissão, grande parte da estrutura de custos é mão de obra, isso é uma grande desvantagem. Isso não pode ficar assim. Chegamos ao absurdo de ter uma regra estabelecida pela OAB — o advogado associado —, que não é aceita pelo Judiciário.
ConJur — Como é a remuneração no JBM?
José Edgard Bueno — Os advogados são celetistas, eu tenho um acordo com o sindicato e estabeleço alguns benefícios como vale-transporte, vale-refeição, PLR, que é um plano de distribuição dos lucros também registrado junto ao sindicato, com regras específicas e critérios de apuração em cima de metas.
ConJur — Quais são essas metas?
José Edgard Bueno — Quem estabelece as metas são os clientes, que falam, por exemplo: “A minha meta é encerrar x processos”. Nós transmitimos essas metas aos advogados daquela carteira. Hoje, os escritórios são medidos. Nós não colocamos punições, por exemplo, para quem não cumprir a meta, mas oferecemos bônus para quem cumpre. Muitos clientes estabelecem um bônus financeiro na gestão do seu contrato.
ConJur — Quanto é o salário do advogado que chega?
José Edgard Bueno — A gente estabelece o piso com o sindicato de cada local em que temos filiais. Aí entra um plano de cargos e salários que vai aumentando em cima daquela regra pré estabelecida com o sindicato.
ConJur — O CNJ está cumprindo seu papel de melhorar o sistema judiciário?
José Edgard Bueno — Eu acho que sim, mas deveria ser mais enfático nessa função de harmonizar o sistema em termos de prestação jurisdicional. No fundo, o Judiciário é um prestador de serviço. Um dos problemas que enfrentamos é o "captcha" [código de letras e números exigido por alguns tribunais para acessar os processos eletronicamente]. É uma restrição de acesso a informação que os tribunais colocam quando se tem grandes volumes de acesso. Isso inviabiliza a consulta em grande volume de processo, como nós fazemos. Quem mais acessa a informação do Judiciário não é o cidadão, não é o seu cliente. O seu cliente nem sabe como fazer isso. A gente pensa em, no momento oportuno, no ano que vem, levar algumas contribuições para o CNJ no sentido de pensar o Judiciário de uma forma de prestação de serviço e pensar a estratégia de como chegar lá. A OAB deveria estar bastante mais preocupada em olhar qual é o Judiciário que nós vamos ter daqui a três ou cinco anos.
ConJur — Que barreiras tecnológicas a Justiça precisa superar?
José Edgard Bueno — O sonho da minha vida é ter um sistema único do Judiciário nacional. Cada estado tem um sistema na Justiça comum. Na Justiça Federal tem outro sistema, mas que também varia de acordo com a Região. Quem está mais avançado nessa organização de dados é a Justiça do Trabalho. Tem também uma experiência extremamente positiva, que é o sistema Projud, que está tentando se implementar para pequenas causas, que é o sistema de processo eletrônico judicial. Todos os atos são praticados eletronicamente, o advogado é intimado a cada acesso ao sistema. É uma evolução brutal, excelente. Mas tem muita resistência ainda em se elevar a isso a um nível nacional. Esse sistema deveria ser um grande banco de dados, uma grande plataforma.
ConJur — Seria bom para os advogados?
José Edgard Bueno — Essa plataforma deveria servir não só aos advogados, mas sobretudo ao cidadão. Ele precisa ter acesso sem ter nenhum intermediário. Já temos tecnologia para isso. A Receita Federal hoje está em um nível de sofisticação que, em dois anos, será ela quem fará sua declaração de Imposto de Renda, você só vai homologar. Precisaria menos do que isso para você controlar os processos judiciais que tramitam no país inteiro.
ConJur — Vocês usam seguro de responsabilidade civil?
José Edgard Bueno — Usamos. Clientes têm exigido. Alguns clientes exigem para eles individualmente, independentemente da apólice que a gente tem para o escritório como um todo. Tem que ter, mesmo para escritório de massa, onde o tíquete médio é pequeno. A possibilidade de perder um processo e ter falha não vai afetar tanto. Mas serve muito mais para se proteger de uma grande falha, que às vezes acontece. Já usamos uma vez o seguro, em uma questão trabalhista, que cometemos um erro no recolhimento.
ConJur — Você acha que o escritório de massa tem espaço na mediação ou na arbitragem?
José Edgard Bueno — Na arbitragem eu precisaria pensar, mas tem. O problema é que os árbitros vão querer cuidar de grandes questões, eles não vão querer cuidar do "varejão". Na mediação eu vejo uma avenida enorme, uma grande possibilidade e uma enorme oportunidade. Porque, ao contrário do que pensam, para o escritório que faz contencioso de massa ter processo em carteira não é lucrativo nem interessante. É a mesma coisa que ter estoque, é preciso tratar aquele estoque e tem um custo para tratar esse negócio. Quanto mais rápido se processar uma determinada demanda judicial, mais interessante e mais lucrativo. Aí é onde se insere a mediação. Numa situação em que o processo entra, a gente dá essas informações para o cliente, presta o serviço rápido, chega em uma câmara mediadora e faz o acordo. Rapidamente o conflito se resolve. Isso é o melhor dos mundos. A rapidez do processo é muito mais interessante.
ConJur — Trabalhando em advocacia de massa, seus processos se resolvem mais em primeira instância ou sobem aos tribunais?
José Edgard Bueno — Depende da política do cliente. Hoje em dia, existe uma tendência muito grande de fazer acordos e não ficar levando os processos para segunda instância ou para o STJ, ou para o STF. Não faz sentido, primeiro, por uma questão de imagem institucional. Tem também um custo de gestão interna dos processos.
ConJur — Tem havido um grande crescimento do número de butiques. Advogados decidiram ter escritórios para atender a uma pequena quantidade de clientes “porque a quantidade não está valendo a pena”. Como vale para vocês?
José Edgard Bueno — Tecnologia. A tecnologia aplicada ao nosso sistema faz com que o custo seja interessante, competitivo. A minha competição já começa com uma desvantagem, porque eu registro todos os advogados. Segundo, nós temos controle de tudo. Chegamos a um nível de sofisticação de prever o que vamos ter daqui a dois ou três meses em termos de alteração em determinada linha de custo. Terceiro, o mercado de massa é um mercado cujas margens de lucro são mais apertadas, mas nós convivemos bem com isso. Eu não me incomodo em ter uma margem pequena, é o nosso business.
ConJur — Você concorda que as teses do Direito estão no fim ou estão se esgotando, que hoje em dia o trabalho do advogado é mais uma pesquisa do que já foi feito do que uma busca por uma nova resposta?
José Edgard Bueno — Concordo totalmente. A época das teses acabou. Seja na área trabalhista, seja no Direito Tributário, seja na área do consumidor. Hoje em dia estamos caminhando para a discussão de fatos. O que não deixa de ser uma evolução na lida da advocacia com o sistema, pois nos sistemas mais evoluídos não se discute grandes teses, mas fatos. Como é a aplicação daquela situação concreta dentro daquele remédio que se procura dar. E a grande discussão hoje vai ser qual a escala em que aquilo se aplica. Estamos passando da fase das teses para a recorrência de fatos e, então, uma aplicação do remédio comum àquela recorrência de fatos. É para isso que o Judiciário vai ter que se aparelhar.
ConJur — O mercado mostra certa resistência em relação ao tamanho e ao crescimento rápido do JBM?
José Edgard Bueno — Eu sinto uma resistência, uma parte por ser novo, uma parte por falar coisas que incomodam. A gente tem que fomentar um pouco o debate. Há um tempo fiz um artigo sobre oxigenação na advocacia. O discurso na nossa comunidade é o mesmo. Eu vejo as mesmas coisas sendo ditas desde a época que eu era estagiário. Se bobear, são as mesmas pessoas falando. Mas o que mais me incomoda são as pessoas novas falando o mesmo discurso do século XX. Não tem antagonismo, e precisa ter a discussão, o debate. Os que têm voz aqui nunca foram na Índia ver o que está sendo feito em matéria de prestação de serviço jurídico para os Estados Unidos e para a Inglaterra. Não viram quanto dos serviços dos escritórios de advocacia são feitos offshore. Ninguém discute isso. E já estamos em um segundo momento, num movimento de internalizar de volta para os Estados Unidos.
ConJur — Isso na advocacia?
José Edgard Bueno — Na advocacia. Olha como nós estamos atrasados: já houve o movimento de off shore, em que vários serviços que eram prestados pelos grandes escritórios do mundo, serviços que não exigiam uma expertise grande, que eram rotinas e procedimentos, faziam discovery dos processos, que é a verificação dos processos judiciais no modelo anglo-saxão. Que era você verificar as provas, fazer a gestão das provas, estágio e documentos, o que você tem que levar para parte contrária, preparar os depoimentos. Isso tudo era feito a "custo hora" nos escritórios de advocacia e os clientes começaram a falar: “Não. Isso aqui eu não pago. Não faz sentido eu pagar hora para isso.” O que os caras quiseram fazer? Mandaram isso para a Índia fazer. Na Índia, os advogados fazem isso. Então todo esse processo, uma parte do serviço, que não é aquele serviço que realmente exige uma expertise grande, foram colocados para empresas BPO jurídico na Índia. Eu estou falando de 10 anos atrás. Nunca se falou disso no Brasil. Agora, já há uma rediscussão sobre a volta dessas tarefas para dentro dos EUA.
ConJur — Nos Estados Unidos se discute a criação do profissional técnico da advocacia, que não teria formação universitária. Parte dos serviços de advocacia poderia ser feita por um profissional que não é advogado?
José Edgard Bueno — Totalmente. Claro que depende do tipo de serviço e do tipo de escritório que você é. Se a banca é contratada por uma expertise específica, uma butique, não faz sentido. Agora, a grande parte do serviço que é feita nos grandes escritórios de advocacia e em escritórios de massa como o nosso pode ser processada por uma outra empresa ou por pessoas que não são advogados. Tanto que a gente criou a Finch em cima disso. Nos Estados Unidos, percebeu-se isso e criou-se esse tipo de função, que é o técnico da advocacia, mas é um técnico que não precisa ter formação em Direito para exercer a profissão. Aqui, a OAB de São Paulo tentou falar disso uma época, mas levou muita bordoada. Eu achei uma boa iniciativa. Faz a economia girar. Tem um monte de gente que não faz o serviço propriamente jurídico, serviria até para alocar um bacharel em Direito que está começando a vida, pode ser uma fase no desenvolvimento da carreira.
muito boa mesmo, mas infelizmente o problema da advocacia são os dinossauros que insistem em manter um modelo arcaico para que reinem livremente e inventam regras "éticas" absurdas para impedir a livre concorrência.
Se houve o aviltamento dos honorários, em grande parte a culpa é deste senhor, que já mercantilizou a advocacia há anos.
Em resumo, o que ele quer dizer é: deveria ser permitido que os escritórios fizessem como o dele, cada advogado recebe mensalmente de R$1.200,00 à R$2.000,00 e eu fico com dezenas de milhões sem produzir nada.
Que lindo!!!!
E aí acontecem aberrações no escritório deste Sr., como estou em mãos aqui, de defesas que parecem ter sido feitas para outros processos, falando de revisional de juros, quando não se fala em juros no feito.
Essa é a advocacia do futuro!!!!
Parabéns e continuem apoiando.
Entrevista interessante.
Sobre a contratação como associado, é bom que se diga que a OAB não recomenda essa forma de "emprego". Ela diz qual o fim da associação e permite o associativismo. No entanto, em silencio malicioso (sabendo qual será o conteúdo dos contratos de associação)a mesma OAB diz que não controlará os termos contratuais, mas somente as formalidades do registro. Pior: ainda institui uma espécie de Comissão de Conciliação Prévia a fim de evitar as demandas trabalhistas.
Sobre a indústria do Direito, as reflexões são bem pertinentes. Todavia, qual o propósito? Quem tem condição de competir em preço, no mercado? A quitandinha/empório de bairro ou os hipermercados com sua gôndolas disputadas em $$ pelos fornecedores, que pagam para ofertar, pagam para terem maior visibilidade, pagam para ser expostos na "área de abate" (o corredorzinho da fila do caixa)?
A flexibilização preconizada atende somente aos interesses dos grandes. Em todo o centro de grande circulação, as "portinhas" serão substituídas por "pontos jurídicos". Todavia, o engessamento atual também somente beneficia os dinossauros que ainda mandam na OAB e aqueles novos dirigentes da instituição, que usando a sua estrutura acabam se promovendo às custas dela e, por meio dela, realizando o controle da concorrência.
Eu não conheço a atuação da banca do Entrevistado em específico, mas o que eu posso dizer sobre “indústria do Direito” é que isso não é direito. Bancas que lidam com advocacia de massa mais não fazem do que imprimir modelos, mudando só o nome das partes e o número do processo, o que é algo altamente nefasto para o direito e advocacia. É comum se ver uma petição de bancos que possui 50 ou 60 páginas, mas duas ou três linhas sobre o caso em específico tratado nos autos. Nada é acrescentado, na função que o advogado tem de colaborar com o Judiciário na solução das lides. E nem pensem que isso é bom para a advocacia. Como eu disse não conheço a banca do Entrevistado em específico, mas o que nós vemos efetivamente nessa espécie de advocacia é um modelo quase que escravocata. O dono da banca contrata dezenas ou até centenas de "advogados" pagando salários ínfimos, e simplesmente nem põe a mão no serviço, fazendo apenas as contratações com as empresas. O advogado empregado não precisa ser bom tecnicamente, porque simplesmente vai recortar e colar, sem nenhum progresso profissional já que não lida propriamente com argumentos. Quem ganha efetivamente é só o novo "senhor de engenho da advocacia", explorador da dificuldade alheia (muitos se sujeitam a tal tipo de função porque não possui condições de montar a própria banca ou ingressar em um escritório sério) e violador das regras éticas da advocacia.
Nos últimos anos a advocacia nas médias e grandes empresas passou por uma profunda reestruturação. No passado, ou se contratava um escritório ou se construía um departamento jurídico, o que de toda forma saia caro tendo em vista o grande número de ações devido à permanente violação ao direito. Foi quando descobriram que era mais fácil remunerar os magistrados do que remunerar advogados. Desde então as empresas passaram a pagar viagens para juízes, fazer sorteios, enfim, diversos mecanismos para pagar proprina (de forma um pouco disfarçada), ao passo que reestruturaram completamente os departamentos jurídicos e contrataram outros escritórios externos. Onde havia 1 advogado tecnicamente preparado ganhando 20 mil, colocaram 20 paganhando 1 mil por mês, e passaram a contratar bancas de "adocacia de massa" a preço de banana. Tanto faz o que o advogado escreve ou deixar de escrever, porque o juiz vai decidir de qualquer forma em favor da grande empresa. Para verificar isso basta analisar um certo número de ações consumeristas. O juiz, na média (óbvio que há ainda os que se mantém independentes e imparciais), apenas faz o que a grande empresa quer, pelo que ninguém mais tem medo de uma ação em juízo. O resultado é terrível para o País e para os cidadãos, pois o alicerce básico de qualquer nação democrática, que é a independência dos magistrados, está sendo cada dia corroído. Foi nessa linha que os escritórios de "advocacia de massa" estão conseguindo tanto espaço no mercado.
OAB proibe cooperativas que é previsto em lei, mas permite advogados associados que não existe na lei. A verdade, é que a OAB quer impedir que os jovens advogados atuem em cooperativa para concorrer com os grandes escritórios, mas querem que sejam associados, pois mão de obra mais barata do que se fossem empregados e nem interessa a OAB em apoiar que os sindicatos que fixem piso salarial, pois os Conselheiros da OAB são patrões de outros advogados e também têm advogados associados, logo a OAB age para atender os interesses dos grandes escritórios e dos Conselheiros da própria OAB.
OAB proibe cooperativas que é previsto em lei, mas permite advogados associados que não existe na lei. A verdade, é que a OAB quer impedir que os jovens advogados atuem em cooperativa para concorrer com os grandes escritórios, mas querem que sejam associados, pois mão de obra mais barata do que se fossem empregados e nem interessa a OAB em apoiar que os sindicatos que fixem piso salarial, pois os Conselheiros da OAB são patrões de outros advogados e também têm advogados associados, logo a OAB age para atender os interesses dos grandes escritórios e dos Conselheiros da própria OAB.
Com o devido respeito ao advogado e empresário, mas esse tipo de empresa não é de advocacia. É qualquer outra coisa, menos advocacia. Me deparei algumas vezes com peças processuais do escritório e, mais uma vez, com todo o respeito, são péssimas. De tão genéricas parece que servem para qualquer processo. Do alto da minha ignorância não consigo entender onde está a vantagem dos clientes que contratam este tipo de escritório para lhes defender.
Endosso o comentário do colega Joao Eugenio Fernandes de Oliveira.
Tive a oportunidade de enfrentar várias contestações manejadas pelo escritório da entrevista, e em geral consegui algumas das melhores condenações por lesões em relações de consumo, considerando a muquiranice dos nossos tribunais.
Uma dessas, ou duas, em Juizados, a jurisprudência estava que nenhuma execução em juizado poderia ultrapassar quarenta salários mínimos, as condenações não foram totalmente cumpridas... Acabou em penhora on line, aí surgem embargos à execução...
Este estilo de Advocacia, que parece agradar setores da OAB ao ponto de descerem a pecha nos colegas que trabalham sozinhos ou em pequenos escritórios como Don Quixotes do Direito, fadados a desaparecer... este estilo de Advocacia parece só sobreviver do fato de equívocos dos Tribunais, de concederem danos morais baixíssimos para empresas reincidentes.
Certo comentarista, que parece ser, ou pretende se fazer representar como magistrado, vez ou outra sugere que os Advogados ganham muito...
Pode ser visto onde está hoje o grande fluxo de dinheiro no Direito, entupindo os tribunais com causas idênticas.
Independentemente de eventuais discordâncias pontuais, é impossível ignorar o que representa o escritório JBM. Número elevado de advogados e faturamento igualmente marcante. Quando da última campanha eleitoral da OAB/SP, visitei a sede do escritório em Bauru. Fiquei impressionado. Modernismo tecnológico aliado a um eficiente controle de qualidade do trabalho e profissionanis motivados. Não dá para ignorar que a organização do escritório apresenta traços altamente positivos e com eficiência funcional. Portanto, a experiência deve ser alvo de profunda, séria e respeitosa reflexão. O tempo dos chavões já passou e o engessamento associativo pode conduzir a mascaramentos inaceitáveis.
Toron
Apesar das diversas aparições na mídia, eu já havia lido alguma coisa a respeito do JBM que me marcou bastante. Segue o link de uma matéria da Exame: http://exame.abril.com.br/revista-exame/ edicoes/0990/noticias/a-salsicharia-do-d ireito?page=1. Mais interessante é o comentário de um leitor...
Vejamos que na época (testando os limites da regulação, como a mesma reportagem sugere) tentaram a criação de um "plano jurídico"... Se aberta a porteira, não serão poucos (sem formação, mas com capital) os que se tornarão sócios majoritários de firmas de advocacia, não obstante não tenham sequer o ensino médio. Aliás, alguém sabe REALMENTE quem são/representam aqueles "paqueiros" que ficam pescando causas nas portas de DRTs, Poupatempos??
Para as empresas que estão acostumadas a desrespeitar o CDC e as agências reguladoras, contam com um Estado (Executivo e Judiciário) omisso e com "consumidores" à caça de indenizações milionárias (e que por isso mesmo sucumbirão diante da "ambição judicial"), o contencioso de massa atende bem à finalidade.
Contudo, respeitando a intervenção do admirável colega Toron (que terá sempre o meu voto), tenho certeza de que ele jamais abraçaria esse "nicho". Primeiro, porque seu atual ramo de atuação não admite "peça pronta"; segundo, porque parece que não combina com a sua tradição de Grande Advogado.
Mesmo com o atual Código de Ética, que poucos respeitam ou conhecem, a situação é amplamente predatória; imagine sem regras, no que vai se tornar a advocacia! Vai ser leão comendo leão!
Sério.... Gosto muito quando uma banca destas faz a contestacao.... Acho até que sou desleal. Fico com pena do cliente... Deles, é claro.
Que Lenio escreva sobre isto proxima sexta.
é a livre concorrência e está na Constituição, mas alguns leram apenas parte da mesma. Ora, se o trabalho é bom ou não, isto é o mercado que vai decidir, mas alguns querem impedir o avanço e querem ficar na idade média. Ora, podem ficar na idade média, o que não pode é impedir o avanço dos outros.
Parabéns ao JBM pela iniciativa, a qual merece ser copiada, inclusive com atendimento jurídico aos sábados, só falta impedirem isto por ser antiético trabalhar aos sábados.... aqui trabalhamos oficialmente aos sábados.
A visão empresarial demonstrada na entrevista é realmente de primeiro mundo. Mas, na minha humilde opinião. Isso não é Direito. É essa visão do Direito como um negócio que está levando o Judiciário e a própria advocacia como um todo ao fracasso. Percebe-se que o escritório desenvolveu uma ferramente de controle e gerenciamento da estatística que se tornou o Poder Judiciário. Isso não é Direito, isso não é Justiça. Com esse pensamento, seria mais fácil criar ferramentas de julgamento automático, em que se preencheria um formulário com a situação do caso concreto e a análise estatística "julgaria" o feito. Absurdo isso. É essa mesma atuação estatística que a cada dia enterra mais na lama o pensamento jurídico. Não se debate mais tese porque o Judiciário não se dá ao trabalho de lê-las. O contencioso de massa existe porque o Judiciário falhou em contê-lo.
O mais lamentável nisso tudo é que para 99,99% dos advogados paulistas uma banca com essa estrutura seria considerada pelo Tribunal de Ética da OAB/SP como violadora do Estatuto Ético. Se a regra fosse clara no sentido de que todos poderiam também instituir esse mecanismo tipicamente comercial, na qual tudo funciona como em uma linha de produção, por certo que surgiriam diversos outros escritórios. A banca do Entrevistado cresceu e ganhou espaço porque atuou quase que sozinha, vez que à esmagadora maioria dos advogados tal tipo de empreitada é proibida.
JBM quase 800 advogados, 2 sócios, 798 empregados celetistas. Diz ele que outras (maioria) das sociedades de advogados pegam seus advogados empregados e os "pejotizam"ou "socialilizam". O JBM acertou em cheio: concorrência desleal e prejuízo aos empregados. Mas não é só isso não. Hoje sou advogado sozinho e vou acabar quando eu morrer, não porque a OAB quer; quero uma OAB paralela só para advogados autônomos, sem sociedade, e uma outra OAB para pequenas sociedades: basta de uma OABzona onde só os grandes atuam e ditam que os autônomos devem se associar para não morrer.
“Com 798 advogados, o JBM é o maior escritório do Brasil em quantidade de profissionais ... que a fez atingir o faturamento de R$ 110 milhões ao ano...”. – Usando a matemática elementar de feira exsurge o seguinte cálculo: R$ 110.000.000,00 dividido por 798 advogados resulta em R$ 137.844,61, valor este dividido por 13 meses (incluindo o 13º salário) dá em torno de R$ 10.603,43. Conclusão, se todos ganhassem o mesmo valor pela sua atuação caberia mensalmente o valor de R$ 10.603,43 a cada uma dos integrantes do JBM, sem ainda o desconto previdenciário e a parte do “Leão” do IR, um valor muito aquém do que ganhou um advogado ex-ministro da Justiça aqui em Belém/PA para defender um acusado de pedofilia – R$ 5 milhões e outros milhões para defender o “Carlinhos Cachoeira”. Para encerrar, se alguns desses 798 advogados tiverem que ganhar mais, outros terão que ganhar menos. É por isso que uns querem trabalhar só ou com mais 5 colegas no máximo, apenas para dividir as despesas de manutenção do escritório e substituir o colega em uma audiência que coincidir com outra em data e horário.
No cálculo que faz, prezado Roberto Pimentel (Funcionário público), não está sendo levado em consideração a despesa. Nosso escritório possui apenas 2 advogados e 2 auxiliares, e consome mais de 7 mil mensais só de despesa. Um escritório com quase 800 advogados deve gastar muitos milhões por mês apenas para se manter a estrutura.
O entrevistado é revestido das qualidades jurídicas e empresarial: Raridade entre servidores e burocratas.
Apenas opino para o Poder Judiciário: Coloque a disposição dos juízes, num sistema consolidado, um banco de dados tecnológico como o daquele escritório.
Quando não somos auto suficientes nada melhor que copiarmos o dinamismo alheio, principalmente quando sem nenhum ônus ou restrição de autoria.
Nós brasileiros agradecemos com referência e submissão.
Essas entrevistas da Conjur são como o paquete da Europa, trazendo para nosso mundo da advocacia artesanal as notícias e realidades da advocacia grande. Em várias outras instâncias impressionei-me muito com os depoimentos, porém esse sistema da jurimetria é tão revolucionário que me suplantou a inércia para comentar.
O Dr. Bueno naturalmente fala em interesse próprio, mas há muita verdade no que ele diz. É preciso rediscutir o código de ética da advocacia, porque a lei em descompasso com o tempo perde a autoridade.
Sem qualquer conotação de crítica, apenas por ter lembrado. 011-abr-19/maior-escritorio-pais-537-adv ogados-faturamento-110-milhoes
http://www.conjur.com.br/2
Não é a primeira entrevista sobre o escritório, mas a questão salarial...
" A ideia é mesmo economizar com o aluguel e a mão de obra. O aluguel do prédio-galpão custa10 reais o metro quadrado, um quarto do que o próprio JBM paga em suas diminutas instalações na avenida Brigadeiro Faria Lima, a mais disputada área comercial da capital paulista. Existem nos arredores de Bauru oito faculdades de direito, e os advogados que saem delas aos borbotões se dispõem a trabalhar por 1500 reais mensais. Um iniciante em São Paulo custaria quase o dobro. Longe dos grandes centros urbanos, os funcionários costumam almoçar em casa - o que, segundo os sócios, melhora a produtividade. "Nosso negócio não tem gordura para queimar", diz Bueno."
Mas, mesmo com esse vultuoso valor de R$ 110 milhes, vejo que é uma módica arrecadação de um escritório com centenas de advogados, provavelmente especialistas, mestres e doutores nas mais diversas áreas de atuação do Direito. É relativamente pouco comparado ao que ganham os profissionais em Direito Tributário por exemplo. E também aqueles que atualmente atuam no Direito Criminal que até a década de 80, salvo algum ricaço que era processado por homicídio, a clientela era composta de gente da periferia. Hodiernamente com a profusão dos crimes de improbidade administrativa quando agentes públicos são acusados de desvios (não é roubo e nem furto eh eh eh) de milhões do erário, a exemplo de políticos como MALUF e JOAQUIM RORIZ e contraventores e gente do crime organizado como “CARLINHOS CACHOEIRA” esse valor está muito aquém dos honorários milionários que os respectivos causídicos-patronos recebem.
A entrevista projeta o que eu chamo, desde há muitos anos, de ADVOCACIA INTELIGENTE.
A era do ADVOGADO como um SER FORENSE, que apenas atua para representar ou patrocinar o CLIENTE na demanda, ACABOU, FINDOU-SE.
Na Europa, alguns Advogados, que ainda entendem que devem ATUAR SOZINHOS, se conduzem como VÍTIMAS de um sistema. Mas NÃO É MAIS ISTO. Não há mais espaço para se dizerem vítimas.
O conhecimento jurídico demanda, hoje, pela especialização a que se levou a atividade jurídica, ALGUÉM de COORDENE as IDÉIAS; também demanda alguém que FAÇA o PAPEL de COMPATIBILIZADOR das COORDENADAS e dos VETORES da JURISPRUDÊNCIA, porque os PRINCÍPIOS, desde a CONSTITUIÇÃO de 1988, fazem parte do SISTEMA BRASILEIRO de DIREITO.
Além disto, a ARBITRAGEM trouxe para o DIREITO uma NOVA REALIDADE. Sem falarmos da MEDIAÇÃO que é uma realidade e que PODE permitir que um CLIENTE não exponha tanto a sua MARCA à antipatia popular, com o volume de demandas judiciais ou a INTRANSIGÊNCIA nas relações com os CLIENTES.
Depois da TERCEIRIZAÇÃO, em que um OPERÁRIO está tão longe de uma MARCA, a PRESERVAR, como a TERRA está longe da LUA, e até do SOL, o fato é que AQUELE QUE PRODUZ o PRODUTO que será VENDIDO ou OFERECIDO ao MERCADO, NÃO TEM MAIS com a EMPRESA, para a qual trabalha, aquele sentimento de PROPRIEDADE ou de ORGULHO, que tinham os antigos operários. O PREÇO da TERCEIRIZAÇÃO é o SENTIMENTO de DISTANCIAMENTO do OPERÁRIO com os PROPÓSITOS ou IDEAIS da MARCA.
Assim, TUDO ISTO há que ser considerado, ao se envolver uma empresa num litígio. E é o ADVOGADO, pela ANÁLISE das DECISÕES que são desfavoráveis à EMPRESA que PODE AVALIAR até que PONTO a OGERIZA contra A EMPRESA, como PATRÃO, está chegando internamente!
A ADVOCACIA EMPRESARIAL há que EVOLUIR.
Neste quadro, o ADVOGADO tem que entender que, ao se encontrar frente a um IMPASSE, o CLIENTE não quer DISCUTIR JUDICIALMENTE, isto é, POR ANOS, o PROBLEMA. O MUNDO de HOJE é ágil e demanda envolvimento na SOLUÇÃO de um LITÍGIO e NÃO a VITÓRIA de uma TESE que, finalmente, possa fazer a GLÓRIA do ESCRITÓRIO do ADVOGADO, mas NADA CONSTRUIRÁ para a EMPRESA.
É óbvio que a EMPRESA QUE GANHA uma GRANDE E INOVADORA TESE pode se proteger bastante, mas TERÁ CONTRA SI toda uma gama de VETORES de DESCONFIANÇA, porque o mercado a vê como uma ameaça à sua própria DINÂMICA de IMPROVISAÇÕES.
Porque os Advogados terão que entender que o MERCADO, para SOBREVIVER à velocidade de informações e OPERAÇÕES que são divulgadas ao mesmo tempo em que são praticadas, precisa IMPROVISAR.
Assim, muitas vezes da improvisação ocorrem PEQUENOS INCIDENTES, PEQUENAS INCOMPREENSÕES. E tais temas não devem ser objeto de demandas que avançarão no tempo, com o ANDAR PAQUIDÉRMICO do JUDICIÁRIO e, ACIMA de TUDO, SEM a DEVIDA INTERFERÊNCIA da MAGISTRATURA, que pouco se debruça sobre o estudo dos TEMAS do MERCADO, "coisas menores", que SÃO POSTAS NA MÃO DE ASSESSORES ou CONSULTORES 1/2, ou JÚNIOR e SENIOR, que NÃO TRABALHAM para CONTRIBUIR para APERFEIÇOAMENTOS do FATO ECONÔMICO ou JURÍDICO, mas para que o JUIZ POSSA OBJETIVAMENTE prestar a sua JURISDIÇÃO.
Tenho praticado esta ADVOCACIA mais MODERNA há muitos anos, por isto sei que não é fácil atuar com convicção nesta área, porque a maioria dos Advogados ainda não se conforma com estas modificações.
Vejam que os Advogados que têm seus nomes nas manchetes da mídia são aqueles chamados FORENSES, pelas firulas e esgrima que praticam ou os chamados ADVOGADOS CRIMINAIS, cuja área de atuação, HUMANA, demanda muita criatividade.
Regime escravocrata, os salários são os menores em relação aos outros escritórios do mesmo porte, excesso de trabalho! Os unicos que lucram são os sócios!
Você tem razão, desde que a lógica se aplique às empresas ou às questões que envolvem chances efetivas de perdas para ambas as partes, havendo aí como melhor solução a composição/acordo...
O cenário apresentado pela entrevista, ouso dizer, nada tem de inovador na criação/concepção, mas talvez na implementação...
Sobre questões afins à jurimetria eu já ouvia falar de observações de Tércio Sampaio Ferraz Jr ou de José Eduardo Faria, para os quais, naquela época (meados da década de 90) o futuro do Direito, em resumo, é este que nos é apresentado pela reportagem... Um Direito (formatado pelas grandes corporações) de formulários...
De outro lado, o consumidor profundamente lesado terá qual resposta se recorrer ao Judiciário? Nada mais que a devolução (sem dobra, pois não houve má-fé!) dos reais pagos, digo, cobrados indevidamente e sem qualquer menção a transtornos sofridos. E para este consumidor - e é isso que tentam emplacar - não compensará "brigar" pelo seu direito. Há de se contentar com a "restituição" e com o acordo imposto.
Este é o cenário que esse tipo de Direito apresenta. Uma solução futura para quem detém o capital.
Isso nem precisa de bacharel em direito, porque deveria ser chamado de advocacia?
Eu também não chamaria de "inteligente" e sim de "esperta", pois há uma diferença enorme entre ambos.
Mediação e Arbitragem como solução? Será? Podemos delegar a leigos a solução de todos os conflitos? Impressão minha ou estamos tentando matar o Poder Judiciário? Que mesmo com todas as mazelas é extremamente importante para a tripartição de poderes, e consequentemente para o Estado Democrático de Direito. Ah lembrei!!!! o judiciário só seria necessário em processos importantes, ou seja, aquele que não houver interesse dos cidadãos comuns, somente o que a malta chamar de importante. E eu que imaginei viver numa democracia. Engraçado: acho que alguns valores estão invertidos!
Mas também não podemos deixar de comentar, afinal esse é o capitalismo, a livre iniciativa. Ou será que o capitalismos não se mostrou fracassado nos últimos tempos? E nós estamos dando corda há um novo capitalismo? Aquele encabeçado pela China, "estarrecido", sim a economia que se deu melhor no Capitalismo é a China, que vejam só: É socialista!!!
Então estamos trazendo a china para a Advocacia, com a diferença de que lá quem explora a mão de obra é o Estado, aqui os "gigantes advogados", sem precisar se preocupar com saúde, educação, etc.
Cansei, sou muito impaciente, ler algumas coisas me causa ânsia de vômito.
ninguém é obrigado a trabalhar como o JBM, mas os invejosos querem viver na idade média e que os outros assim também trabalhem. Ora, deixa o mercado escolher, se for ruim, o mercado não contrata. MAs, se for Bom.... então a velha guarda vai ficar desesperada, como já está
ninguém é obrigado a trabalhar como o JBM, mas os invejosos querem viver na idade média e que os outros assim também trabalhem. Ora, deixa o mercado escolher, se for ruim, o mercado não contrata. MAs, se for Bom.... então a velha guarda vai ficar desesperada, como já está
Ótimo, vamos deixar o mercado escolher, é a livre iniciativa!!
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