Entrevista: Ricardo Anafe, presidente do TJ de São Paulo

Apesar de todo o gigantismo, o Tribunal de Justiça de São Paulo é eficiente, operante e econômico. A declaração é do presidente da corte, desembargador Ricardo Anafe, eleito para conduzir o maior tribunal do país no biênio 2022-2023.

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Com orçamento de R$ 13,5 bilhões para este ano e sem déficit, Anafe planeja investimentos em novas tecnologias, como inteligência artificial, e um reajuste salarial aos mais de 38 mil servidores. Além disso, o presidente pretende enviar à Assembleia Legislativa, ainda no primeiro semestre, um projeto de lei de implantação do quinto assistente nos gabinetes dos desembargadores.

Em entrevista exclusiva à ConJur, Anafe falou sobre os projetos para os próximos dois anos e as dificuldades da pandemia da Covid-19. "O home office deu muito certo, com uma produtividade muito grande", afirmou o presidente, que pretende manter o regime híbrido após a pandemia, conforme regulamentado na gestão anterior.

Na entrevista, o presidente também fez questão de destacar os números elevados do tribunal: são mais de 21 milhões de processos em andamento, o que representa 32% do total de ações na Justiça estadual e 25% dos processos de todo o Judiciário brasileiro. E, segundo Anafe, o TJ-SP gasta 30% menos do que a média dos demais tribunais do país.

A despesa total da corte corresponde a 0,56% do PIB de São Paulo, sendo que a média da Justiça estadual é de 0,80%. É nesse cenário que Anafe mandou um recado aos magistrados do estado: "Todo juiz do estado de São Paulo tem motivos de sobra de ter orgulho de ser um juiz paulista".

Leia a seguir a entrevista:

ConJur O senhor integrou o Conselho Superior da Magistratura na última gestão, como corregedor-geral de Justiça, e sabe das dificuldades dos últimos dois anos, com a pandemia da Covid-19. Agora, o senhor assumiu o tribunal ainda em uma situação de pandemia. Quais os principais desafios deste início de gestão?
Ricardo Anafe Na realidade, hoje a situação de crise sanitária é muito mais suave do que foi no início. O Conselho de 2020-2021 teve uma situação muitíssimo mais difícil. Até porque éramos noviços em termos de crise sanitária. Nenhum de nós tinha passado por uma crise sanitária antes. Quer dizer, o estado não tinha passado por essa crise sanitária. Foi uma situação muito mais difícil para o Conselho à época, para o presidente à época (Geraldo Pinheiro Franco). No dia 16 de março de 2020, fechamos o tribunal e começou um home office pleno. Depois, houve uma mitigação do home office. A ideia, no final do ano passado, era voltar 100% ao presencial já em janeiro, e aplicar a Resolução 850 (que regulamentou o teletrabalho no Judiciário paulista), porque o home office deu muito certo, com uma produtividade muito grande.

Só que aí fomos surpreendidos pela nova variante, ainda que mais suave, o que causou uma preocupação muito grande. O tribunal teve de reduzir o número de servidores em trabalho presencial, já estávamos a 50%, passamos a 25%, tomando todas as cautelas necessárias. O provimento vai até o dia 18 e, antes disso, vamos reavaliar a questão. A expectativa do governo do estado é que no final de março, início de abril, a crise sanitária esteja totalmente controlada. Temos de tomar conta e zelar por todos aqueles que têm atividade na família forense. Essa é a maior preocupação.

ConJur O senhor também já assumiu com um modelo de teletrabalho consolidado e regulamentado…
Ricardo Anafe Já está regulamentado, inclusive para o futuro, que é a Resolução 850, que foi feita com base na experiência do período mais gravoso. Estávamos todos em home office e a produtividade se manteve em grau absolutamente elevado. É uma coisa interessante, porque tanto eu como o ex-presidente Pinheiro Franco éramos visceralmente contrários ao home office e mudamos de opinião. Nós vimos, tivemos a experiência e os resultados foram inquestionáveis. A imprensa do tribunal sempre trazia aqueles números enormes, milhões de decisões, o que encantava a todos. Isso motivou a Resolução 850 e o preconceito em relação ao home office caiu diante dos fatos, da própria evidência da sua eficiência.

O Poder Judiciário de São Paulo não parou um único dia, verdade seja dita. Aliás, sua produtividade inicial foi muito além da normal. A produtividade foi extremamente alta e foi um período muito conturbado, muito difícil para toda a sociedade. Tínhamos reuniões do Conselho no sábado, no  domingo, no feriado, provimentos foram discutidos e votados em sábado, domingo e feriado. O Conselho, por inteiro, trabalhou muito nesses dois anos que passaram e o atual Conselho trilha mais ou menos o mesmo caminho, mas com mais tranquilidade. O que posso dizer é que todo juiz do estado de São Paulo tem motivos de sobra de ter orgulho de ser um juiz paulista. Apesar de todo o gigantismo da corte paulista, o tribunal é eficiente, operante e econômico.

ConJur Antes daquele 16 de março de 2020, o senhor achou que seria possível colocar o tribunal inteiro em home office em tão pouco tempo, como foi feito?
Ricardo Anafe O que fizemos de imediato foi em relação à primeira instância, que era a primazia da preocupação. A segunda instância deixamos um pouco de lado, porque o mais importante era a primeira instância, que trata dos problemas em primeiro lugar, aprecia os pedidos urgentes em primeiro lugar, que julga os conflitos de interesse em primeiríssimo lugar. Houve uma preocupação muito grande com a primeira instância para que pudesse desenvolver o seu trabalho normalmente, na medida do possível, nos processos eletrônicos, e, ao mesmo tempo, manter o fluxo de serviço dentro dos cartórios, e a possibilidade de advogados, promotores, defensores terem integral participação sem rompimento do devido processo legal. Isso se sucedeu o tempo todo, regulamentamos as audiências virtuais, o departamento de tecnologia e informação trabalhou incessantemente.

Houve um trabalho em conjunto muito grande da Corregedoria com a presidência para pôr tudo em ordem. Em seguida, nos preocupamos com o segundo grau. A primeira seção que o tribunal teve preocupação foi com o Órgão Especial. Fizemos uma sessão preparatória do órgão, para ver se todo mundo se habituava, e foi um momento de muita alegria porque funcionou muito bem, ou seja, nós, os velhinhos, estávamos sabendo mexer com o computador direitinho, todos participaram sem grandes dificuldades.

ConJur O presidente Pinheiro Franco, quando assumiu, tinha um déficit de R$ 300 milhões e mais R$ 300 milhões previstos para 2020. Esse déficit foi devidamente sanado? Como o senhor recebe o tribunal em termos orçamentários?
Ricardo Anafe Recebi o tribunal sem nenhum déficit orçamentário. Tanto em relação à fonte um, não se devia e nem havia crédito a receber, e em relação a fonte três, eu recebi bem também. Não tenho o que reclamar de como recebi. Só tenho a agradecer ao presidente Geraldo Francisco Pinheiro Franco.

ConJur No dia da posse, o senhor falou sobre R$ 1,2 bilhão vinculados à insuficiência previdenciária e que tentaria negociar a liberação desses recursos. Como ficou essa questão?  
Ricardo Anafe Os valores reservados à insuficiência previdenciária foram destacados como tal no orçamento, e permanecem como tal no orçamento, destacados à insuficiência previdenciária. Conto com esse recurso exclusivamente para a insuficiência previdenciária.

ConJur Mas o senhor tinha planos de usar de outra forma?
Ricardo Anafe Então, eu diria o seguinte: quem lida com orçamento, quanto mais, melhor, quanto menos, pior.

ConJur O orçamento total para 2022 é de R$ 13,5 bilhões. Sem esse R$ 1,2 bilhão, fica quase igual ao orçamento de 2021. Pode faltar dinheiro ao final do ano? Como o senhor pensa em gerir o orçamento?
Ricardo Anafe A gestão há de ser feita de forma que não haja nenhum déficit de um ano para o outro. Isso é uma coisa muito importante. Todo o exercício que foi feito nos anos de 2020 e 2021 é absolutamente válido. A situação é um pouco melhor esse ano, mesmo diante da verba vinculada de R$ 1,2 bilhão da insuficiência previdenciária. Não se pode olvidar que, no ano passado, não houve aumento vegetativo da folha, por força da Lei Complementar 173, que estava em vigência até o dia 31 de dezembro. Hoje não está mais, não temos aumento vegetativo da folha, mas temos a data-base, agora em março. Não é possível, com certeza, a concessão daquilo que o sindicato dos servidores espera, são percentuais extremamente elevados, e nem de tudo aquilo que eu gostaria de conceder. Mas acho que é possível a concessão, ainda que de forma tímida, de um reajuste, que é justo em relação aos servidores. Ainda que seja um percentual aquém do que eu gostaria, mas tem de ser um percentual que seja possível, compatível com o orçamento do Judiciário, até porque ficamos alguns anos sem ter a admissão de servidores.

Temos uma defasagem de sete mil escreventes no estado de São Paulo. Também temos um concurso para Capital e 4ª RAJ que finaliza em junho deste ano. Temos o projeto referente ao quinto assistente, o quarto assistente dos juízes substitutos de segundo grau, para que possam dar vazão, sempre com melhor qualidade e produtividade, dos processos que recebem. Isso é bom para todo mundo. Em especial, para a sociedade, que terá maior eficiência na prestação jurisdicional. Temos de nomear os assistentes de primeiro grau, que, em razão de contingências orçamentárias, também não foram nomeados, ou seja, o orçamento diz respeito à estrutura de todo o Poder Judiciário. Ele não diz respeito a uma única finalidade, mas atende a todas as finalidades do Poder Judiciário para que ele possa, em verdade, atingir o seu objetivo, que é uma prestação jurisdicional melhor e com mais celeridade. Ou seja, todo o investimento, esses R$ 13,5 bilhões, fitam apenas isso.

ConJur O senhor falou sobre o quinto assistente, que foi uma das suas promessas de campanha. Já tem já alguma previsão de envio de projeto de lei à Assembleia Legislativa?
Ricardo Anafe A ideia é que isso se suceda no primeiro semestre. Estamos trabalhando para enviar o projeto à Assembleia ainda no primeiro semestre.

ConJur O vice-presidente, desembargador Guilherme Gonçalves Strenger, tem falado sobre a regulamentação da compensação por assunção de acervo, já autorizada pelo CNJ. Como o senhor vê o pagamento desse auxílio? É possível regulamentar a curto prazo?
Ricardo Anafe Em relação a esse auxílio específico, só posso tratar disso depois que a matéria passar pelo Órgão Especial, depois que houver o impacto financeiro desse auxílio. Por enquanto, não há nenhum ato do tribunal. Houve o requerimento firmado pelo vice-presidente ainda enquanto presidente da seção de Direito Criminal, que será processado perante a presidência, e quando estiver munido, devidamente instruído, vai ao Órgão Especial. É o Órgão Especial que definirá se pode, se não pode, o quanto pode. Essa é uma matéria de competência do Órgão Especial, e cumpre à presidência instruir esse processo com o aspecto orçamentário.

ConJur Há alguma previsão de acelerar o pagamento dos precatórios?
Ricardo Anafe Isso começou na gestão passada. Eu, como corregedor, o Geraldo, como presidente, trabalhamos nisso os dois anos, tanto que no ano passado a Upefaz (Unidade de Processamento das Execuções Contra a Fazenda Pública) pagou mais de R$ 4 bilhões em precatórios, foi um número recorde de pagamentos. Agora, a Upefaz continua com um trabalho de excelência. A expectativa é ter outro recorde de pagamento este ano, e simultâneo a isso, estou instrumentalizando o Depre (Diretoria de Execuções de Precatórios e Cálculos) para começar a fazer os pagamentos diretos. Tudo o que o Depre precisa está sendo concedido para que os pagamentos sejam feitos diretamente.

Não há nada pior do que propor uma ação contra o estado, ou município, ou suas autarquias, ganhar a ação, e são ações naturalmente demoradas em razão dos inúmeros recursos, e haver retardo no pagamento. Não pode haver retardo. Isso macula a imagem do Poder Judiciário e o que o Judiciário mais quer é que a prestação jurisdicional atinja o seu fim, que é o pagamento devido aos exequentes. Então, no que for necessário, a presidência está dispondo de todos os meios para instrumentalizar também a Upefaz e o Depre, para que todos os pagamentos se realizem sem atrasos.

ConJur O presidente da Seção de Direito Privado, desembargador Beretta da Silveira, falou da necessidade de mais juízes substitutos em segundo grau na seção. O senhor pensa em alterar a divisão dos juízes substitutos entre as seções do tribunal?
Ricardo Anafe Tivemos uma reunião no final do ano passado, antes da posse. Convidei os membros do futuro Conselho para participar de uma reunião na minha sala e disse que a divisão dos juízes substitutos em segundo grau seria absolutamente proporcional ao número de câmaras de cada seção. Isso vai se suceder agora. Tivemos uma remoção de quatro juízes substitutos (no último dia 9), o que já estabeleceu um equilíbrio entre as seções. A ideia é, sim, manter a proporcionalidade entre as seções. Não temos nenhuma seção do tribunal que esteja absolutamente tranquila em número de processos. Mas, sem sombra de dúvida, a Subseção de Direito Privado I, em razão da matéria que lhe é própria, em especial, a matéria de família, tem um número de agravos muito grande, maior que todas as outras subseções. Realmente tem um número muito maior, mas diz respeito à matéria própria daquela subseção.

ConJur Que investimentos em tecnologia o senhor projeta para os próximos dois anos? Há previsão de investir em inteligência artificial? Também estão no radar da presidência melhorias na comunicação do sistema do TJ-SP com os sistemas dos tribunais superiores (Athos e Sócrates) para agilizar a admissibilidade dos recursos especiais e extraordinários?
Ricardo Anafe Na realidade, nem o sistema do STF e o do STJ conversam entre si, são inteiramente distintos. Existe uma dificuldade. O que se determinou foi, em termos de TI, uma interoperabilidade entre os sistemas, porque eles são muito importantes, funcionam com inteligência artificial. É possível desenvolver os programas para tal. Agora, o tempo eu não sei. No que diz respeito à informática, qualquer coisa que dure mais que 15 dias está durando muito. Com a inteligência artificial tudo fica mais fácil. Estamos desenvolvendo um sistema de inteligência artificial, em contato com o Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que criou um sistema de inteligência artificial próprio, algo fantástico. Já conversei com a presidência do TRF-3 e acertei essa troca de informações. Eles se colocaram inteiramente à disposição. Além disso, também vamos firmar a interoperabilidade do SAJ em relação ao PJe, para que todos consigam ter acesso. A interoperabilidade é só de acesso.

Tábata Viapiana

é repórter da revista Consultor Jurídico.

Eduardo1981 disse:
13 de fevereiro de 2022 às 21:03

Na qualidade de serventuário do TJSP, que cumpre a jornada diária no Fórum e continua trabalhando em casa para tentar fazer o trabalho de dois ou três, diminuir atrasos e entregar ao cidadão uma resposta rápida às suas necessidades, a sensação ao ler a reportagem é de absoluta desolação. O presidente do TJ não devia falar em percentual que ele "gostaria de dar" porque reposição de perda inflacionária não é presente, é obrigação. Se não há dinheiro para repor o que a inflação corrói dos salários de quem movimenta o TJ, o mínimo que se esperava era uma rejeição peremptória da discussão do absurdo que é o adicional de acervo (serventuários trabalham há tempos por dois ou três, e o salário é o mesmo). Na prática o que se vê são dois mundos no TJ. Seria muito interessante se o Conjur desse voz aos serventuários do TJSP, que cada dia mais são esquecidos pela cúpula do tribunal. Processos não existem apenas com computadores: são as mãos dedicadas de milhares de serventuários que fazem o processo ser movimentado.

Adherbal Moreira disse:
14 de fevereiro de 2022 às 08:43

Qual “empresa” pode ser considerada eficiente com custo médio de R$ 30 mil por mês por funcionário? Quantas “empresas” com este custo médio sobreviveriam? 24 x o salário mínimo! Mais de 15 x a média da iniciativa privada!

José Roberto Vitor disse:
14 de fevereiro de 2022 às 11:04

Bom dia. Que tal trocar o reajuste tímido pelo reajuste justo.

Renatoflame disse:
14 de fevereiro de 2022 às 14:35

Sou servidor do TJSP a 10 anos e se o Tribunal está tão eficiente, na maior parte é graças aos Escreventes Técnicos Judiciários que faz a diferença no TJSP. Estamos sem aumento a vários anos e quando tivemos aumento foi bem abaixo da inflação do período. O senhor Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo deveria olhar com mais carinho não só para a Classe dos Escreventes mas para todos so servidores do TJSP.

Marinheiro disse:
14 de fevereiro de 2022 às 15:15

Se o órgão que você preside é eficiente ou não; serão os utentes, e não você, que podem fazer tal avaliação.

Pinguim Forense disse:
14 de fevereiro de 2022 às 18:20

30 mil por mês? Uau! Então o jeito é parar de fazer laudo de obra (RRt) por 100 reais e prestar esse concurso não é mesmo?

Pedro DT disse:
14 de fevereiro de 2022 às 19:24

Servidores estão há anos sem sequer a reposição da inflação, perdendo um direito atrás do outro, enquanto tudo, absolutamente tudo aumenta de preço e corrói o poder de compra e consequentemente a qualidade de vida dos servidores, que estão a cada dia mais endividados. Agora o presidente vem falar em reajuste tímido, quando seu primeiro ato como presidente foi reajustar absurdamente o auxílio saúde de magistrados e já fala em auxílio acervo. É desolador o cenário.

Thiago Anderson da F. Andrade disse:
15 de fevereiro de 2022 às 06:11

Quais funcionários ganham R$ 30.000 mil por mês a não ser os juízes? Eu como Escrevente há 8 anos ganho R$5.400,00, estamos pedindo o reajuste inflacionário que não nos é concedido perfazendo 36,6%. Muitos de nós somos arrimo de família e a grande maioria esta passando dificuldades financeiras, até mesmo em relação a alimentação, moradia etc.

Leide Cristina Pereira disse:
15 de fevereiro de 2022 às 11:12

Bom dia! Com todo o respeito, o Sr. precisa se atualizar urgentemente sobre esse valor... Ao invés de ficar comentando ou até propagando informações falsas por aí... Porque nós, funcionários, acabamos sempre como o pior da história, e nossa imagem, cada vez mais denigrida... Então, por favor, se atualize de nosso salário e condições antes de comentar qualquer coisa onde quer que seja!!! E, TJ, #pagueoquenosdeve, pague logo o que nos é de DIREITO, o que é JUSTO, apenas isso... Tantas delongas pra restituir aquilo que é nosso... :(

Claudia Anaf disse:
15 de fevereiro de 2022 às 11:24

Concordo com você. O Tribunal de Justiça tem obrigação de fazer justiça

Marlene Grassato disse:
15 de fevereiro de 2022 às 11:25

Como todos os trabalhadores, necessitamos de recomposição das perdas salariais, ninguém está pedindo reajuste, isso é reposição de perdas, estamos a anos sem recomposição. Tudo subindo, nós aposentados voltamos a pagar previdência por determinação do governador, contribui 34 anos para me aposentar e estou pagando novamente. Sr Presidente, olhe por seus funcionários.

Daniel da Silva Paiva disse:
15 de fevereiro de 2022 às 11:35

Hoje esse órgão público que fala tanto em gigantismo, tem outra coisa gigante inserido nele. A insatisfação e sentimento de desvalorização dos funcionários. Um órgão que dá diversas regalias em auxílios, e vantagens eventuais pra juízes e quando se trata de servidores a desculpa é sempre que haverá um reajuste tímido. Não é reajuste só pra lembrar. É reposição de inflação, cuja capacidade de compra dos servidores despencou nos últimos anos com o aumento da inflação e zero reposição desse percentual de inflação. Os salários estão defasados, e os funcionários tristes, desmotivados, e se sentindo desumanizados. O TJ fala de investimento na tecnologia, mas quem é a mão que movimenta a tecnologia? Investir mais dinheiro em máquina é inverter valores. É investir mais em coisas do que em pessoas. É isso? Coisas valem mais do que pessoas? Os servidores querem se sentir motivados, valorizados porque um reajuste tímido (que não é reajuste, é reposição), parece mais um "cala a boca". Os funcionários estão cansados dessa conversa. E pra quem disse que o TJ tem gasto de 30 mil com "cada funcionário", vamos desmistificar isso. Quando fala-se em juízes, os 30 mil é pouco, porque o vencimento básico é muito maior do que isso, fora a montanha de vantagens eventuais. Mas quando fala-se em servidores? O gasto é 1/6 desses tais 30 mil. Convido quem disse que os servidores ganham 30 mil a trocar de lugar com um servidor e viva essa realidade por um mês e depois volte aqui pra contar como foi a experiência. Servidores do TJ estão cansados disso tudo. Estão por um fio. E parece que a Elite vai pagar pra ver a força motriz do TJ parar, caso não haja uma real valorização. Menos máquinas, menos dinheiro com tecnologia, e mais valorização a quem faz essa tecnologia andar.

Adriana Felipov disse:
15 de fevereiro de 2022 às 11:55

A realidade de 99% dos servidores não é essa. Estamos sem reposição salarial há anos. Vejo muitas postagens de pessoas que desconhecem totalmente sobre o que estão comentando. Os salários e benefícios de magistrados são muitíssimo superiores a dos servidores comuns. Faça pelo menos uma distinção explicando a população que você está se referindo aos juízes. Acho injusto receber comentários quando recebo 5 salários mínimos. Eu sou a regra não a exceção. A realidade dos trabalhador dos TJs é de baixos salários e muito trabalho. Agora na pandemia não houve ajuda de custo, pagamos do próprio bolso todas as despesas, por isso os tribunais estão com dinheiro em caixa. Simples assim....

Ritacbp disse:
15 de fevereiro de 2022 às 14:56

Trabalhamos a exaustão na pandemia...batemos recordes produtivos só queremos ser respeitados e que a data base seja cumprida, acumulamos perdas que ultrapassam os 37%...agora solicitamos justiça do maior Tribunal do Brasil para com os seus....

Jacques Villeneuve disse:
15 de fevereiro de 2022 às 16:24

É sempre assim. Alguns destes grandes do Judiciário vêm e contrariam o senso popular, que nesto caso está correcto, sobre como operam com o aparato do Estado.

Nunes Leonardo disse:
15 de fevereiro de 2022 às 18:18

O TJ-SP é administrado por Desembargadores que concedem benefícios para si mesmos e para os Juízes.
Enquanto isso prejudicam propositalmente os funcionários que fazem parte importante do trabalho e não tem representatividade na cúpula.

Rafael Calegari disse:
15 de fevereiro de 2022 às 19:31

Antes de ingressar na Justiça do Trabalho, trabalhei na Justiça Estadual de São Paulo, e foi uma dura época da minha vida. A própria maneira como a Corregedoria determinava por normas que os autos dos processos devem ser armazenados nos escaninhos favorecia perdas de autos, o que é uma situação gravíssima, de grande impacto para as partes e de terrível tensão para os servidores, impotentes diante das incessantes reclamações legítimas. Mas a vida dos desembargadores é bem mais fácil. Como se vê na reportagem, agora querem um quinto assistente nos seus gabinetes para fazer o serviço pelo qual os desembargadores são pagos, e pagos com dinheiro público.

Daniela Moro Martin disse:
15 de fevereiro de 2022 às 21:05

É sempre dois pesos e duas medidas, aos juízes tudo e a nós que carregamos o Tribunal nas costas nunca tem verba, é só acúmulo de serviço e zero reconhecimento. Queremos apenas o que nos é de direito já que nosso salário está há anos defasado.

Pedro DT disse:
16 de fevereiro de 2022 às 10:34

Conjur, importante ter entrevistado o presidente do TJ-SP. Agora, façam uma entrevista com representantes dos servidores do Tribunal. Há várias associações, entre elas, a ASSOJURIS. Que tal dar espaço e voz aos servidores também?

olhovivo disse:
16 de fevereiro de 2022 às 11:37

Despachos de mero expediente que demoram meses, julgamentos que demoram anos e na base do recorta e cola. Eficiência?

Beatriz Silva Souza disse:
16 de fevereiro de 2022 às 15:43

Gostaria de saber quais são estes "funcionários" que recebem 30 mil por mês.

Beatriz Silva Souza disse:
16 de fevereiro de 2022 às 15:57

Mandar todos os funcionários com cargo de chefia das secretarias voltarem a trabalhar presencialmente todos os dias da 11:00-19:00 é uma forma de economizar, tomar conta e zelar por todos aqueles que têm atividade na família forense?
Isto sendo repassado de forma verbal, de um dia para o outro, sem tempo para as pessoas (que tem família, filhos, vida particular fora do horário de serviço) poderem se organizar.
Antes mesmo disto já houveram secretaria com altas porcentagens de funcionários afastados devido a covid, e mesmo assim o presidente insiste na volta 100% presencial dos chefes.
Isto poque já foram anunciados várias vezes a quantidade de economia trazido com o home office.
Outra questão é o horário único das 11:00-19:00 que os chefes foram obrigados a trabalhar. Quem trabalha na região central da capital sabe que com a pandemia, esta região está muito mais perigosa do que antes da pandemia. As lojas estão fechando antes devido a violência. Mas o TJ faz questão de obrigar os funcionários a trabalharem este horários. Inclusive com funcionários tendo sido assaltados, ameaçados com faca, esfaqueado. Mesmo assim não há flexibilização deste horário. Mandar os outros trabalharem nestas condições é fácil.

Rafante UFBA disse:
18 de fevereiro de 2022 às 10:16

Anarquista institucional

Felipe Nascimento disse:
20 de fevereiro de 2022 às 00:40

Fiquei chocado com essa entrevista! Com exceção dos benefícios proporcionados pelo teletrabalho, as respostas do Anafe destoam completamente do que ocorre no dia a dia do TJSP, pois ele é visceralmente contra o home office. O comentário da colega Beatriz relata o que ocorre de verdade. De um dia para o outro o Anafe determinou que todos os funcionários com cargo de chefia deveriam retornar imediatamente ao trabalho presencial; não há nada formalizado, tudo é por determinação verbal dele. Alguns servidores estava trabalhando em outra cidade e não houve qualquer empatia com isso. Agora todos estão aglomerados e muitos se contaminaram.
Os números que o TJSP alcançou durante período de teletrabalho foi impressionante, superando a produtividade do período pré-pandemia. O teletrabalho também reduziu consideravelmente as despesas do tribunal. Portanto, o Anafe sequer se preocupa com dinheiro público.
O Conjur lamentavelmente só está vendo um lado da história e os bravos servidores do TJSP vão sofrer com essa gestão predatória.

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