A agenda política neoliberal realiza uma ruptura entre Estado e cidadão. Uma indiferença recíproca matiza as relações entre indivíduo e poder, circunstância de fácil percepção e constatada com os eventuais baixíssimos níveis de interesse popular no voto e na participação no debate político. Tem-se a impressão de que o Estado teria deixado de preocupar-se com as pessoas e de que os indivíduos evitariam qualquer contato não obrigatório com as fontes de poder.
O neoliberalismo é o substrato conceitual que caracteriza o modelo econômico da globalização. De acordo com Perry Anderson,
O neoliberalismo nasceu logo depois da II Guerra Mundial, na região da Europa e da América do Norte onde imperava o capitalismo. Foi uma reação teórica e política veemente contra o Estado intervencionista e de bem estar[1].
Com o término do conflito mundial em 1945 o modelo capitalista vitorioso suscitou a presença de Estado ainda intervencionista, marcado por ampla extensão de atividades na vida econômica. No entanto, a guerra demonstrou o perigo dos regimes totalitários, que haviam exagerado na intervenção econômica e no dirigismo estatal.
O núcleo do pensamento neoliberal radicava então na sistemática denúncia dos males causados pelos países de altíssimo nível de intervenção. Consequentemente, a par dos elogios feitos ao capitalismo e ao regime de livre concorrência, a vertente teórica do neoliberalismo criticou e hostilizou qualquer ordem de pensamento comprometida com as aventuras ditatoriais.
A virulência do pensamento neoliberal dirige-se especificamente a todo modelo de superplanificação econômica e nesse sentido Friedrich Hayek é o mais importante teórico e articulador do movimento. Brilhante representante da segunda geração da Escola Austríaca, Hayek criticou implacavelmente o Estado de bem-estar social e o modelo de Keynes, economista inglês nascido em 1883 que concebera alternativas para o Estado de laissez-faire, durante os anos de depressão econômica, mais dramaticamente sofrida pelos Estados Unidos da América.
O texto seminal de Hayek, vertido em português para O Caminho da Servidão, ainda de acordo com Perry Anderson,
Trata-se de um ataque apaixonado contra qualquer limitação dos mecanismos de mercado por parte do Estado, denunciadas como uma ameaça letal à liberdade, não somente econômica, mas também política. O alvo imediato de Hayek, naquele momento, era o Partido Trabalhista inglês, às vésperas da eleição geral de 1945 na Inglaterra, que este partido efetivamente venceria[2].
Hayek afirmou que o fato de que grande parte de pensadores progressistas terem aderido ao ideário socialista, não significava que tivessem esquecido o que os pensadores liberais disseram a respeito das consequências do coletivismo. Com base no significado mais profundo e representativo da ideia de liberdade, Hayek obtemperou que a adesão dos progressistas ao socialismo decorria tão somente de uma falsa ideia e expectativa de liberdade, de uma grande utopia (the great utopia).
A ânsia pelo planejamento estatal suscitaria inusitado desejo por um ditador, o que de fato ocorrera na Alemanha. A presença do Estado no modelo econômico promove a criação de regimes de monopólio, determinante de privilégios, que devem ser combatidos, uma vez que determinam disfunções que resultam no empobrecimento e na ruína econômica dos Estados que admitem a proliferação desses odiosos esquemas.
A liberdade negocial é ponto principal no pensamento de Hayek, que defendia Estado-mínimo como condição para o desenvolvimento. Ao homem, ao ser humano, deve ser garantido o direito de escolha, de optar pela profissão, pela atividade econômica, elegendo dentre as várias formas de vida, a que melhor lhe parece.
Esta liberdade, fomentada por um Estado garantidor do exercício de atividades econômicas, formata os exatos contornos de uma organização política desejável. Do Estado, exigir-se-ia apenas que não interrompesse, não incomodasse e não limitasse: é a tese neoliberal, no limite. O Estado, na perspectiva de Hayek, apenas assistiria ao livre jogo do mercado, olimpicamente, promovendo a livre concorrência e garantindo aos mais aptos a vitória no jogo do capitalismo.
Logo no fim da 2ª Guerra Mundial, F. Hayek convocou e realizou uma reunião em Mont Pèlerin, na Suíça, da qual participaram Miltom Friedman e Karl Popper, entre outros, fundando uma “espécie de franco-maçonaria neoliberal, altamente dedicada e organizada, com reuniões internacionais a cada dois anos”[3]. Segundo Perry Anderson, ao referir-se sobre a sociedade de Mont Pèlerin,
Seu propósito era combater o keynesianismo e o solidarismo reinantes e preparar as bases de um outro tipo de capitalismo, duro e livre de regras para o futuro. As condições para esse trabalho não eram de todo favoráveis, uma vez que o capitalismo avançado estava entrando numa longa fase de auge sem precedentes- sua idade de ouro- apresentando o crescimento mais rápido da história (…)[4].
Segundo um autor de direito, comentando a obra de Hayek e o papel do grupo intelectual da sociedade de Mont Pèlerin,
(…) Friedrich August von Hayek (…) tinha como objetivo o combate ao totalitarismo ínsito ao socialismo, ao nazismo e ao fascismo(…) Sob o fundamento de que a igualdade proporcionada pelo Estado de bem-estar social minava a liberdade e a concorrência, os integrantes da sociedade [ de Mont Pèlerin ] passaram a destacar a desigualdade como valor positivo ao Ocidente[5].
Milton Friedman também representa significativamente o núcleo do pensamento neoliberal do pós-guerra. Um dos mais importantes expoentes da Escola de Chicago, seu texto mais conhecido é Capitalism and Freedom. Friedman defende insistentemente as relações entre liberdade econômica e política. Segundo ele, a liberdade econômica é um fim em si, assim como meio indispensável para a obtenção e a realização da liberdade política. Sua profissão de fé concentra-se na clássica passagem
O homem livre não perguntará o que seu país pode fazer por ele nem o que ele pode fazer por seu país. Ele perguntará ‘ o que eu e meus compatriotas podemos fazer por meio de nosso governo’ para nos ajudar diminuir nossas responsabilidades pessoais, para conquistarmos nossos objetivos e propósitos, e acima de tudo, para proteger nossa liberdade?[6]
Liberdade é expressão que mais caracteriza o movimento neoliberal em seu início, em detrimento da própria igualdade, pelo que a desigualdade passaria a ser um valor positivo. Combatem-se as ideias intervencionistas de Keynes, o Estado do bem-estar social, acusado de destruir a liberdade dos cidadãos e a força viva da concorrência, colocando em perigo a prosperidade geral[7]. Posteriormente, o neoliberalismo pôde renunciar a liberdade política em prol da liberdade econômica, que passou a ser valor máximo, de modo mesmo a justificar a aproximação do neoliberalismo com modelos ditatoriais.
Durante duas décadas o pensamento neoliberal hibernou enquanto as condições de desenvolvimento do capitalismo durante a Guerra Fria se otimizaram. Foram 20 anos de progresso espetacular para os Estados Unidos e para os países capitalistas da Europa Ocidental.
Eventuais avanços do modelo soviético (a exemplo do que ocorria nas corridas nuclear e espacial) eram menoscabados pelas denúncias do que ocorria no lado oriental da cortina de ferro, e os acontecimentos de Praga, em 1968, são muito sugestivos, nesse aspecto.
A crise do petróleo, em 1973, abalou o que se acreditava como o sólido alicerce do modelo capitalista. A recessão advinda, o desemprego e o desaquecimento das atividades negociais acenaram para uma presunção que vislumbrava a incompetência do Estado do bem-estar social. O aumento dos gastos sociais por parte do Estado passou a ser uma quimera. O engessamento desses mesmos gastos, subordinados a orçamentos comprometidos com estratégias de combate à crise energética, abriram espaço para uma retomada do ideário neoliberal, que parecia apresentar opções concretas para que se fizesse frente à violenta crise.
Reformas fiscais subordinadas a disciplinas orçamentárias passaram a ser cogitadas nos termos das propostas de Hayek e de Friedman, defensores de um processo de enxugamento do Estado. O proselitismo em torno da onda neoliberal da época ganhou o republicanismo conservador norte-americano, cristalizado na revolução de Reagan e epitomizado numa nova direita que exigia menos impostos para os mais ricos. O direito de ser quadrado (hip to be square) passou a configurar um novo modo de ação, que qualificava um conservadorismo que traduzia certo desconforto com os avanços de setores mais progressistas da sociedade norte-americana. E o avanço do conservadorismo consolidou-se,
(…) em 1979, surgiu a oportunidade. Na Inglaterra, foi eleito o governo Thatcher, o primeiro regime de um país de capitalismo avançado publicamente empenhado em pôr em prática o programa neoliberal. Um ano depois, em 1980, Reagan chegou à presidência dos Estados Unidos. Em 1982, Khol derrotou o regime social liberal de Helmut Schimidt, na Alemanha. Em 1983, a Dinamarca, Estado modelo do bem-estar escandinavo, caiu sob o controle de uma coalizão clara de direita(…)[8].
A busca da estabilidade monetária passou a ser o objetivo mais perseguido por essas forças conservadoras, agora no poder. Simultaneamente, desmontava-se o modelo de proteção trabalhista de alguns Estados, propiciando-se a restauração de uma saudável taxa de desemprego (sic), vista como natural, fomentadora de um exército laboral de reserva, responsável pela diminuição de salários e consequente ampliação de margens de lucro. Procedimentos de assepsia fiscal fulminavam germes patogênicos limitadores do avanço dos agentes econômicos, sufocados pelo Estado de bem-estar social.
Evidentemente, as condições internas nos Estados Unidos da América eram diferentes do ambiente que a Europa Ocidental vivia. A tradição socialista norte-americana era anêmica e inofensiva. O espectro da guerra fria ainda rondava o país, que elegeu o conflito com o mundo socialista como uma cruzada que deveria ser vencida a qualquer preço. Circunstancialmente dois republicanos, Nixon e Reagan, protagonizaram importantes cartadas naquele jogo. O primeiro, aproximando-se da China, e este último, liquidando as esperanças soviéticas, que se abalavam desde a invasão do Afeganistão, em 1978.
Preparava-se o cenário que presenciaria o ocaso da Guerra Fria, potencializando-se inevitáveis tensões a serem desdobradas no Báltico, na Sérvia, na Croácia, na reunificação da Alemanha, no papel do Japão e dos tigres asiáticos, na primeira Guerra do Golfo, no Líbano, na perene tentativa de fragmentação da África, entregue à sorte da manipulação norte-americana na gestão de conflitos milenares. Alguns lugares da América Latina perderiam a importância geopolítica e agora implorariam para o americano não deixá-la, remodelando o mote, que passa a ser o bizarro Yankee, don’t go home…[9]
Em 2000 a realidade já era muito diferente e os Estados Unidos não haviam consolidado o papel que imaginavam ter a história lhes reservado. A extrema direita representada pelos falcões (hawks) pulveriza-se entre neoconservadores, a direita cristã e os militaristas clássicos de Dick Cheney e Don Rumsfeld, festejados por Ann Coulter e ridicularizados por Michael Moore. Os ataques terroristas que os norte-americanos sofreram em setembro de 2001 os instrumentalizaram ideologicamente, fortalecendo-os para a cruzada que seguiu, no Afeganistão e no Iraque, com cooptação de certos espaços políticos na Europa (especificamente na Inglaterra e na Espanha), confirmando a incorporação da Europa Ocidental nas redes de poder do Estado norte-americano após a 2ª Guerra Mundial.
A direita republicana norte-americana consagrou o neoliberalismo, realizando internamente programas que M. Thatcher levara adiante na Inglaterra, a exemplo do controle de fluxos financeiros, de uma legislação antissocialista, de uma drástica diminuição de gastos com programas sociais, da diminuição de impostos sobre os altos rendimentos. A justificativa para o implemento de tais programas passa por uma política externa agressiva, de tom insuspeitadamente intolerante, centrado na lógica apocalíptica de que há perigo a ser enfrentado a qualquer custo. O terrorismo é refém da propaganda norte-americana.
De qualquer forma, e agora a década de 70 oferece panorama para análise, o projeto neoliberal mostrara-se vitorioso naquela época, logrando êxito, reanimando o capitalismo mundial avançado, restaurando taxas altas de crescimento estáveis, como existiam antes da crise dos anos 70. E ainda em termos midiáticos e ideológicos, a derrota do socialismo real alimentou a crença nos valores neoliberais. Como se a queda do muro de Berlim, a glasnost e a perestroika confirmassem os supremos ideais da liberdade de mercado, aquele efeito de demonstração apontado por Perry Anderson, como segue
O dinamismo continuado do neoliberalismo como força ideológica em escala mundial está sustentado em grande parte, hoje, por esse efeito de demonstração do mundo pós-soviético. Os neoliberais podem gabar-se de estar à frente de uma transformação sócio-econômica gigantesca, que vai perdurar por décadas[10].
Tem-se a impressão de que o neoliberalismo sobrevive hegemônico, sacralizado nos Estados Unidos, na Europa Ocidental, permitindo episódicos surtos mais animados ainda, a exemplo do triunfo de Berlusconi, o Reagan italiano. O neoliberalismo assentou-se no Chile de Pinochet, no México de Salinas, na Argentina de Menen, na Venezuela de Perez, no Peru de Fujimori.
O surgimento destas figuras insere-se num amplo quadro histórico e geopolítico que se desenvolveu ao longo do século XX, especialmente a partir do término da 2ª Guerra Mundial em 1945, mas que remonta a 1776, data em que Adam Smith publicou seu The Wealth of Nations, mesmo ano em que os norte-americanos separaram-se dos ingleses, num amplo quadro de revoluções atlânticas, também sentido em 1789, quando do início da saga revolucionária francesa.

Repudiavam a intervenção estatal ditatorial, porém, nas "colônias" patrocinavam ditadores corruptos que facilitavam os interesses das corporações americanas e europeias.
Neoliberalismo é abuso novilinguístico instrumentalizado pelas esquerdas para desqualificar os que não professam a ideologia socialista, vulgarmente conhecida como comunismo, ou seja, o pensamento único, que não admite dissidência.
O liberalismo é a antítese contra regimes de viés totalitário e pode ser resumido na sua gênese:
“Além disso, pouco se requer, para levar um Estado da barbárie mais baixa para o mais alto grau de opulência, além da paz, impostos baixos, e uma administração aceitável da justiça; todo o resto é feito pelo curso natural das coisas. Todos os governos que interferem nesse curso natural, que forçam as coisas para outra direção, ou que se empenham em sustar o progresso da sociedade em um ponto específico, não são naturais e para subsistirem têm de ser opressivos e tirânicos”. Introdução de EDWIN CANNAN, p. 20 – in SMITH, Adam. A Riqueza das Nações – Investigação Sobre sua Natureza e suas Causas (Inqury into the Nature and Causes of the Welth of Nations. Edited by Cannan. Dois volumes em um. Chicago the University of Chicago Press, 1976). São Paulo: Abril Cultura, 1983 (coleção Os Economistas – v. I).
Criticam o liberalismo (neoliberalismo não existe, é uma palavra inventada pela esquerda para desqualificar políticas liberais), mas não apontam um só modelo que seja melhor. O motivo é um só: não existe! Qual modelo econômico é melhor que o liberal? O socialismo? O comunismo? O clientelismo? O capitalismo de Estado? Não existe modelo melhor.
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O esquerdismo não se sustenta, pois basta ver os dez primeiros IDH no mundo para constatar que todos esses países adotam ou já adotaram modelos preponderantemente liberais. Até a Suécia, exemplo que gostam muito de citar, apenas atingiu tal desenvolvimento em sua fase fortemente liberal, antes de ser retomada pelas esquerdas.
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No plano econômico, a economia idealizada pela esquerda há muito já foi descartada, restando apenas alguns saudosos, pois todas as evidências apontam no sentido do mercado ser o único produtor de riquezas. O que se discute hoje é se o capitalismo será clientelista, de Estado ou de livre mercado, dependendo da vontade da Administração Pública de favorecer apenas os amigos do governo (como no Brasil, por meio do BNDES) ou favorecer o bem comum. O esquerdismo hoje tem, sim, uma força descomunal, mas no plano moral e social; na economia, apenas uns poucos loucos como Maduro e Kim Jong-un insistem no repúdio ao capital.
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Tanto é verdade que a presidente Dilma recentemente andou nomeando um notável liberal para chefiar um ministério, embora a economia de livre mercado não seja interessante à administração atual, pois gostam mesmo de praticar o clientelismo e proteger os amigos do governo mediante a criação de obstáculos para os menos favorecidos.
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A propósito, um erro que o artigo comete é confundir liberalismo com neoconservadorismo. Um pouco tem a ver com o outro.
Aliás, liberais clássicos estão em falta nos EUA. Naquele país, atualmente, todos acreditam em um governo grande, tanto a esquerda (liberals) quanto a "direita" neoconservadora (neocons). O Estado americano, desde o governo Bush, expandiu seu tamanho exponencialmente, portanto não existe mais liberalismo por lá. O resultado disto é a dívida absurda que apenas cresce a cada dia e assombra o país, provocando um aumento no desemprego e na pobreza. Sim, há mais pobres nos EUA desde que o governo cresceu em tamanho! O número de pessoas que recebem "food stamps" (o Bolsa-Família de lá) elevou consideravelmente desde 2002, atingindo nível recorde no governo Obama.
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Assim, é possível dizer que não, não há hegemonia "neoliberal", pois o tamanho do Estado está crescendo mundo afora (o que inclui os EUA), não diminuindo.
É clássica a estratégia de desqualificar os adversários...
Reclamou que o Estado brasileiro toma à força quase 40% das riquezas produzidas no país e não dá quase nada em troca? É neoliberal.
Reclamou das tentativas de controlar a mídia para calar os opositores? É neoliberal.
Reclamou das mordomias e hiper salários do alto escalão dos servidores públicos? É neoliberal.
Reclamou do Estado intervencionista que "escolhe os campeões" fazendo chover dinheiro nas mãos de empresários que financiam as campanhas de certos políticos? É neoliberal.
Muito triste que nossa intelectualidade ainda defenda essa besteira de combate ao "neoliberalismo". Deviam é combater as arbitrariedades e abusos do Estado, e o dirigismo que coloca o destino dos indivíduos na mão dos governantes "clarividentes", como se Dilma, Renan Calheiros e Sarney soubessem o que é melhor para nós mais do que nós mesmos...
As grandes contradições que alavancam o progresso ou regresso da humanidade. O povão nem sabe o que é isso e é manipulado pela Pluto e Kleptocarcia.
A famosa chamada é um plágio do slogam de Kalil Gibram, sempre citada por Kennedy: "Não pergunte o que seu pais pode fazer por você, mas sim, o que você pode fazer por seu país". Mas, no fundo, todos os homens descobrem que são todos iguaizinhos, na hora do exame de fezes.
As grandes contradições que alavancam o progresso ou regresso da humanidade. O povão nem sabe o que é isso e é manipulado pela Pluto e Kleptocarcia.
A famosa chamada é um plágio do slogam de Kalil Gibram, sempre citada por Kennedy: "Não pergunte o que seu pais pode fazer por você, mas sim, o que você pode fazer por seu país". Mas, no fundo, todos os homens descobrem que são todos iguaizinhos, na hora do exame de fezes.
Interessantissimo esse tema abordado pelo ilustre professor Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy. Fica evidente na observação dos resultados práticos que os exageros dos defensores dessas teses liberais produziram nas maiores economias ocidentais em 2008 e 2010 que os argumentos são falaciosos. O discurso é sempre o mesmo e repete-se sempre. Cria-se uma ameaça como comunismo, terrorismo ou qualquer outra que deve ser combatida com incentivos para a acumulação de capitais e redução da presença do Estado. Prega-se a redução de impostos sobre movimentação e acumulação de capitais, redução de gastos públicos (principalmente os sociais) e a falácia do “estado mínimo”. Gera-se uma farra financeira com a redução do controle da movimentação de capitais, operações irresponsáveis como os papeis derivativos e tantos outras formas de alavancagem sem lastros que produzem gigantescas fortunas em paraísos fiscais mundo afora. Quando as “bolhas “ estouram todos correm a pressionar o Estado para cobrir os rombos decorrentes da farra financeira.
Esse é o paroxismo do capitalismo selvagem controlado por fortunas sem pátrias ou fronteiras.
Tudo isso sustenta-se sobre outra falácia quando nas eleições esses políticos vão em busca dos eleitores dizendo-se defensores do POVO. O povo convenientemente alijado desse debate submetido à falta de informações da grande imprensa controlada pelo capital sente os efeitos danosos dessas políticas mas não consegue entender que ela é a causa dos seus infortúnios. Estado mínimo é na realidade sinônimo de liberdade máxima para o domínio absoluto do poder pelo capital selvagem que precisa ser controlado justamente por um Estado Forte que os liberais sempre associam ao estado totalitário. FALÁCIAS!!!
O homem é ruim enquanto detém o poder econômico mas é bom enquanto detém o poder estatal e o monopólio da força. Não entendo a lógica, mas tudo bem.
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Um erro fatal cometido pela esquerda é o de insistir em confundir liberalismo com clientelismo. No liberalismo, ninguém se enriquece em função de políticas estatais, justamente porque não há relação entre empresa e Estado. Quem produz riqueza sem lastro é justamente o Estado, não a empresa, pois empresas não controlam um banco central. Quem o faz é o Estado, legislando e administrando em prol de si mesmo e de uns poucos favorecidos.
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A crise econômica americana não ocorreu devido ao liberalismo coisa nenhuma, ocorreu devido aos esquemas Fannie Mae e Freddie Mac, que favoreceu exatamente aqueles que o governo pretendeu favorecer (bancos e gigantes), à revelia de todo o resto da economia. Simplesmente não existe liberalismo nos Estados Unidos hoje, como não existe há muito tempo. É clientelismo e intervencionismo do mais puro.
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Redução do controle da movimentação de capitais? Onde? Os EUA há muito possuem uma Administração gigantesca, com leis federais e estaduais por toda parte (leigos costumam pensar que o Brasil tem muitas leis, mas não perde em muito para os EUA...), dezenas de agências federais e estaduais e um arcabouço regulatório de fazer arrepiar qualquer um que ouse tentar fazer negócios. Exceto para os amigos do governo, é difícil realizar operações interestaduais sem correr sérios riscos de violar uma lei federal obscura qualquer e ir para a cadeia (não é exagero!). Que raio de liberalismo é esse que não consigo vislumbrar? A economia americana está indo para o ralo devido ao crescimento do governo, não devido à sua diminuição, porque diminuição não existe por lá, oras.
A economia americana ainda é a maior do mundo porque já foi o expoente máximo do liberalismo. Não é mais. O resultado é a dívida trilhonária, uma classe média em decadência, aumento da pobreza e do subemprego (quando não o desemprego mesmo) e o favorecimento dos amigos do Obama (não, não olvido de que antes os favorecidos eram os amigos do Bush. São ambos estatistas, farinha do mesmo saco).
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Só falta agora a China executar a dívida para se tornar a maior potência mundial. Neste ponto, não, a China não é liberal, mas com bilhões de pessoas trabalhando para o capitalismo de Estado, é fácil virar potência. Entretanto, veja lá se a população chinesa comum vive bem...enquanto isso, o Japão em mais ou menos cem anos, mesmo sofrendo os impactos de uma guerra mundial, gerou riquezas pelo capitalismo sem ceder à cartilha do marxismo e é hoje uma potência econômica. A Alemanha, por sua vez, é um dos únicos países que estão seguindo bem em plena crise europeia. Hong Kong dá um pito na China em termos de IDH. E por aí vai.
Por fim, gostaria de ressaltar que mesmo a China apenas conseguiu seu grande desenvolvimento econômico após largar o marxismo econômico, descobrir as virtudes do capital e implantar o capitalismo de Estado. Enquanto persistiu o marxismo econômico por lá, não eram relevantes em nada além de ditadura e "grandes saltos" mesmo com uma população bilionária. Pelo outro lado, mesmo hoje a população vive na miséria e sob uma ditadura. Produzindo riquezas, sim, mas apenas para o Partido Comunista e para as empresas que de suas normas se usufruem, como a Apple.
Geralmente, o articulista dos Embargos Culturais apresenta boas matérias de cunho histórico e legal, sempre calcada no direito comparado e na literatura de modo a engrandecer o tema estudado. Embora quase nunca eu faça comentário nas colunas do Conjur – talvez por ter pouco a acrescentar – não pude deixar manifestar meu repúdio pelas distorções que observei no texto e o claro viés esquerdista, que anda contaminando todos os redutos independentes de comunicação e cultura, v. g., a intervenção do ex-presidente na próxima eleição da CBF.
Quando a liberdade e a propriedade são fortemente atacadas por um Estado intervencionista como o nosso, espera-se que colunistas de tamanha envergadura jurídica não façam coro com aqueles setores que pregam uma política demagógica e corrupta, sob as vestes de um suposto ideário esquerdista.
Esperava uma coluna mais realista e menos tendenciosa ao ler o título dessa semana. Espero que o colunista acerte a mão na semana que vem.
A economia norte americana só deixou de ser neoliberal por algum tempo quando teve que abrir os cofres públicos para tentar tapar os rombos deixados pela irresponsabilidade do Greenspan que assistiu a "bolha" dos derivativos inflar até explodir em 2008. Os agentes econômicos PRIVADOS capitalizaram os lucros, engordaram os depósitos nos paraísos fiscais e então socializaram os prejuízos. Ou não foi a farra financeira beneficiada pela teologia do Deus Mercado pregada pelo Milton Friedman desde os anos setenta que levou aos solavancos de 2008 nos EUA e 2010 na Europa?
ou paralelo para ler
sobre o tubo de ensaio brasileiro
Êh! Leitura boa!
Obrigado!
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