Todos conhecem o famoso livro Papillon, que retrata a fuga espetacular da pior prisão do mundo, a Ilha do Diabo, na Guiana Francesa. Há também o livro escrito pelo verdadeiro prisioneiro que fugiu, René Belbenoit, A Ilha do Diabo (Dry Guillotine — nome original), publicado em 1938. Depois desse livro, a França desativou o presídio. O livro retrata o inferno. O filme, com Steve McQueen, provoca fortes emoções, raiva, indignação.
Pois bem. Desafio a qualquer pessoa a assistir ao filme sem se emocionar. Embora o livro retrate um acontecimento real, trata-se de uma ficcionalização. Quanto mais ficcionalizado, mais nos emocionamos. Choramos. Fungamos pelos cantos do cinema. Ficções da realidade…realidade das ficções, como dicotomizava Warat, deixando cair as cinzas do cigarro que não tragava sobre os papéis em cima da mesa, rodeada de xícaras vazias de café de vários dias.
Emocionamo-nos com as ficções e damos uma banana para a realidade. Qualquer folhetim, com boa trilha sonora, arranca-nos algo que, sem sonoplastia, não verteria. Por isso, tenho uma proposta, sobre a qual já escrevi em outro(s) lugar(es): colocar-sonoplastia-no-cotidiano. Flambar a realidade. Assim, quando a gente vai dar um esporro no mendigo, antes disso toca o alto falante do cotidiano… E a gente se torna terno. Imagine a música do filme Ghost… Minha mão começaria a tremer e uma lágrima desceria em slow motion, fazendo tobogã nas rugas que o tempo já me deu. Bingo. E eu abraçaria o meu semelhante… Isso. Tudo pode ser como…no Natal. Tudo pode ser… Como nas propagandas. O mundo estaria salvo. Alvíssaras. Até que levo jeito para a coisa, pois não? E a verdade… bem, a verdade deve estar lá fora.
A verdade está lá fora… em Pedrinhas e por aí
A verdade está lá fora… em Pedrinhas, no Maranhão, no Presidio Central de Porto Alegre, em tantos lugares. A Ilha do Diabo é aqui. Não só o Haiti é aqui. Papillon é aqui. Imaginem os leitores se, na hora em que o ministro da Justiça estivesse concedendo uma coletiva, alguém mostrasse em um telão as cenas de Pedrinhas… com sonoplastia feita pela Rede Globo. As cabeças decepadas dos presos rolando pelo chão, com trilha sonora dessas holiudianas. O corpo com mais de 150 facadas mostrado com a música do filme Papillon. Os presos gritando em slow motion e um Vangelis de fundo musical. E quando o ministro ou alguma autoridade dissesse “as prisões brasileiras são masmorras medievais”, um música potente da trilha do filme Laranja Mecânica irrompesse no estúdio em que a entrevista estivesse ocorrendo. E aquela gargalhada do personagem do filme de Kubrick, o Alex (A-Lex) entrondamente constrangesse a todos…
Talvez assim pudéssemos levar a sério a discussão sobre essa vergonha nacional que são essas masmorras medievais. Só com sonoplastia no cotidiano. Só com um grande alto-falante. Só com uma espécie de alto-falante fundamental, se me entendem a ironia. Como é possível que o Brasil não se levante face à ignominiosa situação do presídio de Pedrinhas? Perdemos totalmente a capacidade de indignação. Nosso cotidiano nos esfalfelou.
De tanto vermos o vilipêndio dos presos, “normalizamos o nosso olhar”. Não por menos, durante o mutirão carcerário do CNJ em todo país, descobriu-se que 10,4% dos detentos estavam presos ilegalmente. Quer dizer, quase 50 mil pessoas (aqui)! Isso revela que em boa medida o Judiciário e o Ministério Público também são parte do problema, afinal, como é que não se enxerga um contingente de gente que lotaria qualquer estádio da Copa? E olha que o mutirão ainda não terminou… Uma explicação, talvez, esteja no fato de que as responsabilidades legais e éticas individuais terminam por se diluir no conglomerado, em que cada ser humano — ator jurídico — se funcionaliza, transforma-se em uma espécie engrenagem dentro da grande máquina do sistema punitivo. Assim como Arendt aponta em Eichmann in Jerusalem, é o espaço da burocracia que desumaniza o homem e dessignifica a barbárie.[1] Criamos capas de sentidos que nos imunizam contra o dar-se-conta-da-barbárie. Puzilanimizamos o nosso cotidiano. Sim: pu-si-la-ni-mi-za-mo-NOS!
Em 2009, em face de vários processos nos quais oficiei como procurador de Justiça, pelos quais constatei a barbárie no sistema prisional gaúcho, representei ao procurador-geral da República pela intervenção federal no estado. Mostrei filmes, documentos, depoimentos. Números e mais números. Desgraças e mais desgraças. Mostrei que o presídio central está(va) loteado pelas facções criminosas. Parte do presídio foi “vendida” por uma facção a outra. Quando o preso ingressa no sistema, deve optar por umas das facções… Pois bem. O então procurador-geral pediu informações à governadora. Que disse estar tomando providências-que-nunca-foram-implementadas. Como está hoje? Perguntem à Associação dos Juízes do RS que representou à ONU e à Corte Interamericana de Direitos Humanos.
E Pedrinhas? Muito pior. Dezenas de mortos no ano passado, três só este ano. Cabeças cortadas, corpos picados à faca. Os presídios brasileiros deixam as celas abertas, exatamente para que as facções dominem as galerias. As pedras sabem disso. Pedrinhas sabem disso. Todos sabemos. Mas, sem sonoplastia, sem fundo musical, não nos indigna(re)mos. Os dominadores-chefes dos presídios cobram pela droga distribuída, pelos celulares, pelo “seguro-de-bunda”, pelo lugar para dormir… E furam a mão (ou o pé) do inadimplente. Muitos presos não querem sair no Natal e em datas festivas porque têm de executar tarefas fora do “sistema”. Os familiares dos presos têm que comprovar os depósitos por recibo bancário. Tudo profissionalizado. Pelos menos a ordem é que se use o banco estatal. Parece que não confiam nos bancos privados…
Beccaria morreu e nasceu o canibalismo
Quando pensávamos que o sistema carcerário tinha atingido o fundo do poço em Pedrinhas… esta semana a revista Época narrou canibalismo em um presídio do Rio Grande do Norte (aqui). Então? Escrevi esta coluna sem fundo musical. Ainda consigo me indignar. Mas o grosso da comunidade jurídica e parcela considerável da população acha que, se os presos estão lá e sofrem, é “porque alguma coisa devem ter feito para merecer isso”. Como se isso fosse um carma que cada preso tivesse que carregar. Beccaria teria arrepios se visse os castigos corpóreos pelos quais passam os presos de terrae brasilis. Mas, não foi para isso — o fim das penas corporais — que surgiu o iluminismo penal? Beccaria morreu. Nem seu legado teórico é respeitado.
E sabem o que vem pela frente? Em vez de construirmos presídios dignos, como os países civilizados fazem, vamos criar um atalho. Pindorama é pródigo nisso. Vamos atirar a água suja fora…com a criança dentro. Ou seja, em vez de construirmos presídios, já começam a surgir propostas de acabar com tudo. Sim. Para que prender? Se a prisão é tão ruim, acabemos com as penas e as prisões, dizem alguns setores.
Eis o busílis da questão. Criamos o caos, incentivamos o inferno prisional, não fazemos nada para evitá-lo e, depois, apresentamos a solução: prisão só para quem “precisa”. Só que não se sabe o sentido da tal “precisão”. Ah, dizem alguns, prisão é só para crimes violentos. OK. E o que é um crime violento? Sinto um cheiro “estamental” no ar… Voltarei a esse assunto em outra coluna.
De todo modo, ao escrever esta coluna, lembrei-me de Anatole France, poeta e escritor que viveu no século XIX. Com sua ácida crítica, cunhou um “aforisma” genial: “A Lei, em sua magnifica ‘igualdade’, proíbe ao rico e ao pobre dormir debaixo de pontes, assim como mendigar pelas ruas e furtar pão”. A diferença é que, desde logo, sabemos quem não será jamais “pego pelas malhas dessa lei”. Por mais igualdade que exista na lei, alguns não serão apanhados… pela simples razão que a eles não se destina. Há outro dito castellano que ajuda a entender o problema: Las leyes son como las telarañas: los insectos pequeños quedan atrapados en ellas, los grandes las rompen.
Numa palavra final
O que me impressiona, entre tantas coisas — e peço para os meus estagiários ligarem a trilha sonora — é que a OAB e outras entidades precisem fazer queixas para organismos internacionais. Inacreditável. Isso é a confissão de que fracassamos. Cá para nós. Um rotundo fracasso. Se não temos mecanismos internos para preservar os direitos humanos da população carcerária, vamos entregar os pontos. Arriar a bandeira. Não confiamos em nossas instituições para resolver isso? Não, por favor, não respondam…

Artigo, mais uma vez, genial, mas discordo em um ponto.
Infelizmente, construir mais presídios não é mesmo a solução...
É necessário acabar com o penalismo midiático, com os jornais policiais, com a cultura do medo e do ódio.
É necessário que os nossos magistrados não ajam conforme o senso-comum acrítico e insensível. Que parem de exercer “manobras” hermenêuticas para, ora cumprir, ora descumprir a lei, como no caso dos artigos 212 e 282 do CPP.
É necessário que os nossos promotores sejam fiscais da lei, e não mero reprodutores de flagrantes.
É necessário dar fim à guerra inútil às drogas, que é como enxugar gelo e traz muito mais malefícios que benefícios.
Muitas medidas são necessárias...
Mas, parafraseando o senhor, a quem interessa que o Ministério Público não investigue crimes? A quem interessa o discurso de insegurança e a guerra às drogas?
Artigo, mais uma vez, genial, mas discordo em um ponto.
Infelizmente, construir mais presídios não é mesmo a solução...
É necessário acabar com o penalismo midiático, com os jornais policiais, com a cultura do medo e do ódio.
É necessário que os nossos magistrados não ajam conforme o senso-comum acrítico e insensível. Que parem de exercer “manobras” hermenêuticas para, ora cumprir, ora descumprir a lei, como no caso dos artigos 212 e 282 do CPP.
É necessário que os nossos promotores sejam fiscais da lei, e não mero reprodutores de flagrantes.
É necessário dar fim à guerra inútil às drogas, que é como enxugar gelo e traz muito mais malefícios que benefícios.
Muitas medidas são necessárias...
Mas, parafraseando o senhor, a quem interessa que o Ministério Público não investigue crimes? A quem interessa o discurso de insegurança e a guerra às drogas?
Lembro quando o Ministro Dias Toffoli, no julgamento do mensalão, afirmou que as penas aplicadas aos réus haviam sido muito "duras". Disse ele: “ trata-se de pessoas que não são violentas, que não agridem o ser humano do ponto de vista real”.
Ué, mas o que seriam uma agressão do ponto de vista real?
Enfim, ele defendeu na ocasião a aplicação de medidas alternativas.
Lembro também que pouco antes disso o Prof. Lenio Streck já fazia a seguinte advertência: “vai-que-o-Brasil-mude-mesmo depois do mensalão e, de fato, os crimes do colarinho branco passem a “dar” cadeia”.
Pois é. O que parece estar acontecendo é que nossa elite está percebendo que é mesmo possível que no Brasil os crimes de colarinho branco passem a "dar cadeia".
Como se sabe, isso nunca havia sido uma preocupação das elites, mas agora parece que algo mudou.
Logo em seguida, vem essa "surpreendente constatação" daquilo que todos já sabiam mas faziam de conta que não sabiam, enfim, isto é, do fato de que as prisões brasileiras são "masmorras medievais".
Esse contexto nos leva a um ponto inevitável: está-se criando no Brasil um conceito de crime violento, para salvar da "barbárie" (e da cadeia) os criminosos de colarinho branco, os delinquentes "supostamente não-violentos".
Eis um importante ponto de encontro entre pedrinhas e o mensalão.
Nada mais previsível.
Professor, sempre acompanho sua coluna. Quase sempre concordo com seus apontamentos, e desta vez minha concordância é unanime. Nunca comentei antes, porém desta vez, como maranhense, me sinto motivado falar também.
Duríssima é a realidade no Estado do MA. (atualmente curso Direito em Curitiba pelo PROUNI). Sou da cidade de Santa Inês, a 400km de Sao Luis, e ontem mesmo na minha cidade de 80 mil habitantes um preso foi executado. E sobre isso conversava eu por telefone, o tom da conversa era o mesmo da coluna de hoje. As pessoas não estão nem aí pra quem está preso, o Estado, muito menos, misturam-se presos por furto com presos por estrupo, etc. Sem falar das condiçoes desumanas, e ainda ouvimos muitos falarem que "ainda é pouco". Outra coisa que me incomoda, é quando ouço, ah mais isso é lá no Nordeste, lá é assim mesmo, a selvageria reina...etc.
Se acordassem do sono de beleza se dariam conta que este cenário cobre o país inteiro, só pra citar, este ano que mal começou já contabiliza duas rebeliões com agentes reféns em Curitiba.
Enfim, indigñação é pouco, mas indignação apenas, de nada nos serve.
Abraços!
Além da falência e da incompetência, a situação das cadeias do Maranhão demonstra a ineficácia do projeto técnico corretivo da prisão. Prisão não ressocializa, não corrige. Prisão danifica, degenera o sujeito. A cadeia é, por si só, criminogênica.
è luis alberto, não sei quando veremos todos os criminosos independentemente do crime cometido na cadeia. leio que o delúbio esta trabalhando, o genoino em casa, o dirceu em vias de sair também. fico a me perguntar a qualificação destes indivíduos, afinal cometeram crimes enquanto exerciam suas profissões, bem diferente de um homicida, que via de regra não tem esta profissão. delúbio, tesoureiro, que cometeu crime enquanto tesoureiro, você contrataria ele para ser seu contador? eu não! os acontecimentos do mensalão e esta fala do toffoli me lembram a frase classica do livro a revolução dos bichos: todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros. traduzindo em máxima do toffoli: todos os criminosos são iguais mas alguns criminosos são mais iguais que os outros.
Pois é professor, para onde olharmos a conclusão é aterradora! No Estado onde moro(Santa Catarina) o serviço Constitucional de Defensoria Dativa não existe, isso mesmo, não existe! Enquanto o MPSC abre inquérito para apurar o porque do término desse dever Estatal, milhares de pessoas hipossuficientes esperam a margem do poder judiciário. É por essas ingerências que o velho ditado marcado a ferro na mente dos carentes permanece sempre vivo, ou seja, a prisão no Brasil é primordialmente reservada para os pobres!
A considerar o excesso de prisões processuais ilegais, incluindo os casos envolvendo gente inocente, nem mesmo os bons estão livres do infortúnio de um cárcere público.
Se até Jonh Coffey foi preso e executado, por que pensarmos que estamos imunes a esse inferno? A arte não imita a vida, ora, pois?
Propugnar um sistema penitenciário mais digno é, pois, proceder na defesa de um direito difuso, de uma garantia fundamental reconhecida a todos indistintamente, seja você "Jonh Coffey" ou não, não se podendo falar em Constituição do inimigo, muito menos um Direito penal assim.
Afinal, ninguém quer caminhar na “milha verde”...
Homenagem a Michael Clarke Duncan.
A sociedade está totalmente entregue à incompetência, ao descaso e a sensação de impunidade domina a todos, inclusive os agentes públicos. mas-noticias/assaltantes-usam-fuzil-para -roubar-carro-em-s%C3%A3o-paulo-veja-v%C 3%ADdeo
Todos aprendem que as consequências pelos seus atos são infinitamente menores do que suas ações.Os presídios refletem esta incompetência e desídia.
Estamos criando um país com campo fértil para oportunistas, ladrões, corruptos, assassinos e toda espécie de desvio é "acolhida" por nossa bovina sociedade.Uma sociedade que acha normal a não reação, o não agir, o não fazer, o não querer saber.Como nossos presídios poderiam ser diferentes?
Fica uma ilustração - triste - sobre como os absurdos já fazem parte da paisagem brasileira.Falta indignação e ação.
http://estadao.br.msn.com/ulti
A coluna apresenta nosso estado de apatia diante da realidade que não mais salta aos nossos olhos. É triste, mas o ensino jurídico, em parte, contribui com este estado ao reproduzir uma cultura detergente, no dizer de Warat. Assim, os futuros atores do direito saem dos bancos universitários ainda sem se dar conta que existe uma pedra no meio do caminho, tampouco "Pedrinhas". Pensemos...
Só mesmo o prof. Lenio, com seu apego à ciência e à dignidade, para admitir publicamente que a culpa pelo caos prisional reside em boa parte no Ministério Público e na magistartura. Para todos os demais juízes e promotores, ou quase todos eles, a culpa é sempre "dos outros". Que essa coluna seja lida, e o povo aprenda a buscar a fonte dos problemas que nos acometem, ao invés de cair no "conto da sereia".
Em minha tese de 1976 (cujo título é o deste comentário), defendi incisivamente que não há solução para a sociedade humana, seja qual for o marco histórico ou temporal referencial que se queira utilizar - se os que compõem o passado ou aqueles que ainda virão, indefinidamente.
O "erro de projeto" nesta natureza de mais de 100 milhões de espécies, reside no ser humano, única e exclusivamente, compondo o maior paradoxo da teologia: o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus. Bela propaganda para os cristãos que, se associada aos horrores perpetrados pela "Santa" Inquisição, ratificam uma equação infernal.
Streck, como de costume, desnuda suas aflições, mesmo sabendo que somos poucos (ínfimos) os que comungamos com elas. Fácil é falar, difícil e compor (como solução) dita equação. Ao mestre Streck, apenas aplausos coroados das lágrimas que ele mencionou. Aos alienados e alheados, que anseiam os festerês que esse governo do "pão-e-circo" pós-moderno se deleita em atirar aos leões, todo o meu desprezo, que é histórico.
Não sou um depressivo nem tampouco um visionário. Sou um simples mortal que, do alto dos seus quase 70 anos, já deixou de acreditar na espécie que o acolhe (a contragosto, diga-se, do acolhido), em sua função de um horrendo e infernal purgatório, antessala do nada.
Perdoem-me os dignos e doutos comentaristas, mas o ser humano nunca teve, em momento algum da sua existência, e nunca terá um futuro, mas o eterno presente marcado pelas iniquidades, pelo desprezo ao outro e ao seu meio (com todos os seus inocentes habitantes), pela tendência ao autofagismo. Diria mais: a figura que melhor representa o ser humano, impecavelmente gerada na ficção, é Hannibal Lecter e a representação do anti-homem pelo incomparável Anthony Hopkins.
E Ludwig Van, eheh.
Em defesa do Maranhão, Rio Grande do Sul e do país, parece-me que falhamos enquanto raça ao universalizar as conquistas da revolução iluminista. Não é nada muito diferente do que acontece diariamente ao redor do globo, salvo poucas exceções. Apenas seguimos repetindo a História. Avalio que esse tipo de crueldade esteja longe de acabar. Nossa capacidade de "desumanizar" os outros, os diferentes, é um traço evolutivo que garantiu a sobrevivência de grupos humanos por milhões de anos, onde havia competição por recursos. Inclusive há teorias que apontam ter sido o "homo sapiens" responsável pelo genocídio de outras raças humanas (como o "neanderthalensis") já na aurora de sua existência. Não acho que nos tornaremos racionais em poucos milhares de anos, nem com ciência, iluminismo, declarações universais, constitucionalismo ou guerras mundiais. Nem com trilha sonora (o apelo à emoção, já que razão não há). Até hoje me espanta termos evitado o holocausto nuclear no século passado.
Rodrigo Beleza (Outro). Interessantes e, de certa forma, complementares os seus comentários.
Também acho que o ser humano evolui nunca pensando em melhorar a vida dos seus pares mas (tirando as exceções)como um ato de puro egoísmo ou hedonismo(depende da época).
H.G. Wells escreveu "The Time Machine", no final do século retrasado, mostrando que o homem iria evoluir mas nunca como espécie.Evoluiria em tecnologia e tempo para aproveitar os prazeres da vida mas sempre à custa do seu semelhante.Seria o mais do mesmo com outra roupagem.
Tomara que todos estejam errados! Ainda, como tenho filho pequeno, me sinto na obrigação de acreditar na espécie humana.Faço minha parte dando educação, ensinando a respeitar o próximo mas sabendo (e orientando) que a vida é uma luta eterna.
Talvez Prof.Koffler, exista algo após este "purgatório", como o senhor se referiu.Vamos lutar sempre (como o senhor bem o faz), fazer o que nos cabe e mudarmos para melhor esta existência.Se para o nada voltarmos (triste não?) que tenhamos feito nossa parte e não apenas "existido".
Saudações.
Professor, esse estado de coisas só mudará no dia em que Pedrinhas deixar de ser a casa apenas dos pobres coitados, como nós e as pedras, sabemos que acontece hoje. Um condenado do alto escalão por desvio de dinheiro público nessa masmorra e "plim", alguma providência seria adotada prontamente. Eu, particularmente, com recém completados 30 anos de idade e ótima saúde, não tenho esperanças de ver esse dia, infelizmente! Espero que ao menos os meus "zazaranetos" o vejam. Sou do RN e absolutamente revoltada com a forma como a maioria das pessoas enxerga a corrupção - um "crime de menor gravidade" - como se não fosse ele o desencadeador de quase todas as outras mazelas que afetam nosso país (na minha visão). Há muito vemos barbáries acontecendo no presídio localizado em Nísia Floresta/RN e nada muda.
Professor, esse estado de coisas só mudará no dia em que Pedrinhas deixar de ser a casa apenas dos pobres coitados, como nós e as pedras, sabemos que acontece hoje. Um condenado do alto escalão por desvio de dinheiro público nessa masmorra e "plim", alguma providência seria adotada prontamente. Eu, particularmente, com recém completados 30 anos de idade e ótima saúde, não tenho esperanças de ver esse dia, infelizmente! Espero que ao menos os meus "zazaranetos" o vejam. Sou do RN e absolutamente revoltada com a forma como a maioria das pessoas enxerga a corrupção - um "crime de menor gravidade" - como se não fosse ele o desencadeador de quase todas as outras mazelas que afetam nosso país (na minha visão). Há muito vemos barbáries acontecendo no presídio localizado em Nísia Floresta/RN e nada muda.
Como se faz para rebobinar a terra?
Enquanto isso nas cúpulas da sociedade, os donos do poder dão risadas e discutem sobre o próximo grande evento: copa do mundo de futebol.
Que falácia o artigo - a pessoa vai falar que o mais importante são os direitos humanos dos presos só até o dia em que a vida de um familiar dela for ceifada por um criminoso.
Os direitos humanos dos presos São importantes, mas Não Mais do que os direitos de segurança e de vida dos Cidadãos Honestos.
Os valores estão invertidos no Brasil, e o caos instalado.
Cadê a "Ordem e o Progresso" ?
Cadê a Justiça e os Ministérios Públicos ?
Chegamos à falência da Justiça brasileira - a falência da "Ordem e Progresso" de nossa bandeira. No momento, os direitos humanos dos criminosos e arruaceiros (rolezinhos de shopping) são mais preservados do que os direitos de ir e vir com segurança dos cidadãos e o direito de vida dos cidadãos
Que falácia o artigo - a pessoa vai falar que o mais importante são os direitos humanos dos presos só até o dia em que a vida de um familiar dela for ceifada por um criminoso.
Os direitos humanos dos presos São importantes, mas Não Mais do que os direitos de segurança e de vida dos Cidadãos Honestos.
Os valores estão invertidos no Brasil, e o caos instalado.
Cadê a "Ordem e o Progresso" ?
Cadê a Justiça e os Ministérios Públicos ?
Chegamos à falência da Justiça brasileira - a falência da "Ordem e Progresso" de nossa bandeira. No momento, os direitos humanos dos criminosos e arruaceiros (rolezinhos de shopping) são mais preservados do que os direitos de ir e vir com segurança dos cidadãos e o direito de vida dos cidadãos
Professor, veja que interessante esta passagem de Cantor, e note como não está sozinho em sua luta: ciencia/2014/01/1402700-livro-conta-como -crenca-em-divindades-afeta-comportament o-etico.shtml
"A essência da matemática reside precisamente em sua liberdade (...) A matemática é plenamente livre em seu desenvolvimento e está submetida apenas a esta obrigação: seus conceitos devem ser, em si mesmos, 'não contraditórios'; por outro lado, com os conceitos formados anteriormente, já presentes e consolidados, eles devem manter 'relações fixas', reguladas por definições."
CANTOR, Georg, Gesammelte Abhandlungen mathematischen und philosophichen Inhalts, ed. Zermelo, Berlim, Springer, 1932, p. 182, apud BELNA, Jean-Pierre, Cantor, trad. Guilherme João de Freitas Teixeira, ed. Estação Liberdade, São Paulo, 2001, p. 22. As expressões destacadas estavam em latim no original.
Em outro assunto, se o sr. ainda não leu, talvez ache interessante esta matéria da Folha de S. Paulo:
http://www1.folha.uol.com.br/
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