Para não entender os ataques em Paris em nome de um Deus meu

Spacca

O ataque em Paris ao Charlie Hebdo pode significar o momento em que a França e o ocidente se abrem, em sua “esfera”, para usar uma noção de Peter Sloterdijk, para o que há de estranho e tão próximo, aparentemente vindo do mundo muçulmano: a violência. Mais: para o ocidental padrão não há sentido nas práticas “terroristas”, especialmente as que implicam em ataques suicidas. O que pretendo enunciar, com Zizek e Steiner, vai marcado por esta hipótese, talvez confirmada pela explosão de vendas, mas não só delas, bem sabe Mauro Mendes Dias, dos livros que reproduzem o estilo de vida muçulmano.

O mundo ocidental aceita, de bom grado, certo “monoteísmo de conteúdo variado”, a saber, embora “Um Deus” seja eleito, convive, em boa vizinhança, com diversos outros ocupantes do mesmo lugar. O viver na fé de “Cristo”, para a grande maioria, passou a ser uma responsabilidade pessoal, sem que a conversão dos demais seja o leitmotiv de suas ações. Entretanto, remanesce nesse mesmo caldo religioso os que entendem não bastar uma conduta individual, pois mesmo assim, os que não se alinham ao mesmos dogmas estão fadados a arder no inferno. De alguma forma, enquanto os ocidentais aceitam a convivência plural, apontando para uma certa indiferença, os radicais não a toleram e partem, de pronto, para o ato. Essa passagem ao ato, pois, guarda, em si, uma preocupação com o outro, como demonstra Amos Oz. É, pois, inclusiva! Um ato de amor, arrisco dizer. E o amor pode matar. Sempre.

O declínio dos sistemas religiosos no ocidente parece ser o marco das análises realizadas sobre o papel da religião nas escolhas e posturas dos sujeitos em suas atividades diárias. A laicização do Estado, na aparência, trouxe consigo o desfazimento propagandístico das autoridades eclesiásticas. A moral religiosa perdeu o seu caráter de protagonismo nas escolhas sociais, muito em face da prevalência do paradigma científico. Ainda que parte dos juristas mantenha a crença religiosa, opera-se uma cisão entre suas escolhas pessoais (religiosas) e suas práticas, fundamentadas, em grande medida, pelo discurso cientificista, o qual é aparentemente guiado pela prevalência da razão. A moral religiosa deixa de ocupar a função de guia das questões cotidianas. A religião passa a ter uma função acessória, supletiva. Embora se mantenha a culpa do sujeito, entretanto, o valor de sua quitação deixou de ser religioso. As “obrigações religiosas” de certa forma perderam o glamour. O cristão vai à igreja aos domingos, nos dias festivos, por assim dizer, porque já faz parte do seu estilo de vida, de seu modo de ser no mundo, de sua cultura. Não acredita, verdadeiramente, no que faz, a saber, a postura não é fundamentalista. É um agir inautêntico, frouxo, na “maré”, quem sabe a moda de um “carismático” da estação. Enfim, não leva muito a sério as crenças religiosas, porque, do contrário, seria preciso certa dose de intolerância. Uma preocupação pela salvação, de resto, inexistente no ocidente.

O lugar de ancoragem simbólica, contudo, não pode ficar vazio, motivo pelo qual o discurso convocou novos significantes, mantida, todavia, a estrutura. E as crenças substitutivas não se restringem ao fundamento religioso (Legendre). Podem variar desde que apresentem um Sistema com pretensão de totalidade, ou seja, articular de tal ordem o discurso que possa responder às grandes questões humanas. Devem apontar um modelo de sujeito e responder, satisfatoriamente, às perguntas possíveis. Como é impossível, por definição, demonstrar a origem, cabe apontar um mito fundador. Bertrand Russel, em Por qué no soy cristiano, indica os becos sem saídas racionais da teoria cristã e indaga: “Quem fez Deus?”. A pergunta não possui sentido, justamente porque no mundo é impossível apontar a sua existência, salvo pela transcendência “necessária”, fundada na pressuposição de um raciocínio causal ingênuo. Não há Lei Natural, um plano pré-determinado, argumentos morais, salvação pós-morte que justifiquem os mandatos divinos. O que há é o registro da crença. Por isso Santo Agostinho dizia Para entender é preciso primeiro crer. Sem crença mostra-se impossível pensar-se o sistema, por básico.

Esse mito pode ser até ingênuo, mas não pode aceitar uma parcialidade, a saber, deixar pontas sem resposta. Para tanto a mitologia precisa ser, no centro, vazia e inacessível. O vazio iluminado é constitutivo e o acesso à Verdade somente é possível aos iniciados, autorizados pelos Pontífices (os que podem fazer a ponte). E uma mitologia, aponta Steiner, possui um momento de revelação (a palavra revelada), nascedouro da cadeia de significantes que irá colmatar o estatuto teórico dos fundamentos. Além do portador da palavra revelada, os discípulos formarão o primeiro escalão, sendo que alguns deles irão se desgarrar. Criarão diversificações de fundamentos, perseguirão os infiéis desgarrados e constituirão uma semiótica própria (imagens, símbolos, rituais, linguagem específica, metáforas etc.). Dito de outra forma, a pretensão é a de totalidade, com explicação de tudo, textos fundadores, ortodoxia, metáforas, símbolos e práticas, capazes de dar uma sustentação orgânica ao discurso. Assim é que as “teologias substitutas”, religiosas ou não, precisam ocupar o vazio deixado pela religião, preenchendo, todavia, os requisitos indicados, sob pena de deixarem brechas no lugar total da crença. A maneira operacional das teorias, portanto, precisa guardar pertinência estrutural com a religião (com ou sem Deus), apresentando “a” e não “uma” visão de sujeito e da realidade.

De todas as passagens do livro Caçador de Pipas, cujo enredo é banal (ou seja, queda e salvação), cabe destacar algumas pistas, quem sabe, a partir do momento em que Amir encontra a multidão alvoroçada no estádio Ghazi e, logo na entrada, um menino vela e vende “fotos eróticas”, seguida de uma demonstração real de poder. Dois condenados, uma mulher que resistia com suas forças, lancinando gritos de horror e um homem que aceitava, resignado, sua situação: ambos colocados em buracos até a altura do peito. Com uma oração o espetáculo de fazer justiça começa.

Em nome da vontade de Allah e do profeta (que a paz esteja com ele), o clérigo se declara impotente diante de Sua grandeza, assumindo a posição de porta-voz autorizado, declara: todo pecador deve receber punição condizente com o pecado que cometeu. Palavra de Deus, apontando para os céus. (poderia ser uma audiência criminal qualquer, mas não!). E qual a punição, irmãos e irmãs, é condizente com o adultério? Como devemos punir aqueles que desonraram a santidade do casamento? Como devemos tratar aqueles que cuspiram na face de Deus? Que resposta devemos dar àqueles que atiraram pedras nas janelas da casa de Deus? Devemos devolver as pedras que foram atiradas por Eles! A execução respeita um ritual de compartilhamento simbólico mediante o olhar siderado dos presentes, o jogar ritmado das pedras, a certeza da morte por apedrejamento, a retirada dos corpos disformes, ensanguentados, o fechamento dos buracos, e a retomada do jogo de futebol… Pois “o exercício público da justiça é o maior de todos os espetáculos, meu irmão. Tem drama. Suspense. E, o que é melhor ainda, educação em massa.” 

O executor da tarefa divina de punição, ao depois, descobre-se, como curial, violador, em todos os sentidos, especialmente de crianças, por definição, um aparente objeto ingênuo e perdido. Até porque “ninguém pode conhecer o verdadeiro sentido da palavra ‘Liberação’ até ter feito uma coisa como essa: ficar parado em uma sala repleta de alvos, deixar as balas voarem, sem qualquer culpa ou remorso. Tendo plena consciência de ser uma pessoa virtuosa, boa e decente. Sabendo que está realizando o trabalho de Deus. É de tirar o fôlego.” Por isso Assef precisa beijar o rosário e inclinar a cabeça em sinal de reverência. É instrumento de uma verdade, que salva!

Diz o Alcorão: “Combatei-os até que não haja mais idolatria e que prevaleça a religião de Deus. Se detiverem sua hostilidade, detende-vos, exceto contra os iníquos.” (Sura 2, 193). A guerra pela salvação reserva aos que morrerem no seu cumprimento, um lugar ao lado de Deus. Este único Deus que precisa ser louvado e convoca os muçulmanos ao ato, inclusive o que se denomina “terrorismo”. O terrorismo é, para o ocidente, uma contradição de dupla face. De um lado ocupa um lugar de mártir, de soldado de uma salvação que, todavia, ao mesmo tempo o inclui e exclui, situado, pois, numa zona de exceção. Isto porque ao mesmo momento em que realiza o ato, deixa de participar da cruzada pela salvação. Embora se construa uma realidade em que ele, com o ato, estará salvo, a continuidade do projeto terreno deixa de contar com sua atuação. Talvez aí resida o sintoma de uma impossibilidade de conviver com a contradição, com a diferença, bem aponta Mauro Mendes Dias. O discurso é o da Salvação! 

De certo modo, neste momento, os terroristas são universalistas, pois querem a salvação de todos. A pergunta ingênua que se deve fazer aos multiculturalistas extremados é se a mirada ocidental não acaba por ofuscar as motivações de um lado e, portanto, de uma visão legítima. Com efeito, o que não se tolera no fundamentalismo é a total e irrestrita indiferença para com a sua fé, a saber, o ocidente convive com crenças religiosas diversas num caldeirão econômico que serve de sustentação. O econômico ocupa o terreno compartilhado no espaço público, dito laico, enquanto o sujeito na esfera privada pode professar a fé que quiser. O paraíso do relativismo gera intolerância. Há, portanto, uma profunda indiferença pelas escolhas religiosas do sujeito, dando a ele um lugar singular e indiferente. Na lógica religiosa fundamentalista, ao contrário, a religião ocupa este lugar compartilhado sem que a economia tenha a prevalência e, portanto, querem salvar os pecadores do ocidente, e de todo o mundo. O projeto de salvação é coletivo, enquanto para os ocidentais, trata-se de questão individual. Assim é que assumem as consequências de seus atos em nome da Verdade e não em face de uma das Verdades.

Todos já tiveram desilusões amorosas, nos quais o amor e o ódio são sentimentos que causam dor. Profunda. Todavia, a maior dor é a da indiferença. Que a mulher ou o homem amado ame ou odeie um sujeito implica em o colocar num lugar de objeto pulsional. A indiferença, pelo contrário, diminui o investimento pulsional e este lugar, para muitos, é insuportável. Então, que se ame ou se odeie, mas jamais se ignore, seja indiferente. Esta chave pode ser importante para entender, como acontece de regra com os ocidentais, os acessos de violência dita irracional que assolam o cotidiano. Pode ser que a leitura liberal ocidental da postura para com os fundamentalistas religiosos ao mesmo tempo que os diz respeitar, apresenta, no seu inverso, uma profunda indiferença. O debate que pretendem é o de qual é o melhor Deus, ao qual os ocidentais respondem: ame o Deus que quiser…, mas consuma… Zizek aponta que a religião, ao conseguir se autonomizar e conviver com culturas diferentes, ou seja, globalizar-se, pois há cristãos, muçulmanos, budistas etc., em todos os países, cobra, todavia, um preço: “a religião é reduzida a um mero epifenômeno secundário em relação ao funcionamento profano da totalidade social.” A religião passa a ter, basicamente, dois papéis: o primeiro terapêutico e o segundo crítico, isto é, ou ajuda os sujeitos a viverem ou aponta o que está errado na ordem social, mas isto sem o caráter de totalidade de sentido, que cobra um preço.

No caso de Amir do livro Caçador de Pipas, ocupando o discurso do mestre, próprio do lugar, paranoico por definição, Scherber bem sabia, assenta-se na “Falácia Libertadora”, cuja expressão é: 1) Eu sou iluminado e você não é; 2) Como sou enviado Divino, então, superior, minha função é salvar os cordeiros perdidos; 3) o padrão moral é o meu; 4) se o desviado resiste, estou legitimado para o excluir, porque sua ação é a cura; 5) eventuais vítimas são necessárias à cura dos demais, num verdadeiro ritual de sacrifício; 6) o que resiste tem culpa por resistir e a intervenção firme pode o salvar; 7) todos os sacrifícios são necessários à redenção, até sair da cadeia de significantes. Isto porque a Salvação não consiste em superar os pecados, mas sim a ignorância do verdadeiro conhecimento: da Verdade, a saber: fora da Minha Verdade não há Salvação.

Para Freud, a religião era um mecanismo de defesa do eu para preservação da integridade narcísica, apontando-se, para depois da morte, um ambiente de regozijo, aos merecedores. Esse registro da religião encontra-se, no mundo contemporâneo, premido por dois movimentos. O primeiro é o da tolerância religiosa plural do ocidente e, por segundo, da cruzada pela Verdade do Profeta. O terreno em que a disputa é travada, por assim dizer, paradoxalmente, é compartilhada, a saber, o capitalismo. Neste espaço de trocas, onde vale porque possui valor de troca, as questões não encontram, ao mesmo tempo, solo compartilhado para o diálogo. Enfim, o diálogo aí, para uns é sem sentido, enquanto para outros aponta para uma conversão. Freud em Uma experiência Religiosa aponta o mecanismo da conversão em geral, no qual não há uma justificação racional de Deus, mas apenas uma total e irrestrita crença, no caso, diz Freud: “uma psicose alucinatória: escutaram-se vozes interiores que enunciaram advertências contra a resistência a Deus.” Eis o momento da conversão…

A pergunta que deve ser feita, em tempos de relativismo absoluto, é: Você é ou não verdadeiramente crente? Acredita ou não em Deus, Jesus, ou qualquer coisa do gênero? Desta resposta, depende, e muito, todo o arsenal de significantes que comporão a cadeia de significantes, por exemplo, de uma decisão judicial. Talvez esta seja a questão fundamental para se iniciar um diálogo sério. Claro, diz Zizek, o teórico não irá responder a este questionamento de frente, fugindo para questões de outro campo, justamente porque para ele isto não pode ser dito. É um segredo pessoal, e obsceno.

Não se pretendeu responder as razões do ataque de 7 de janeiro de 2015, até porque a versão oficial não pode dizer todas as causas, nem sabe. O que se pode dizer é que a indiferença permeia uma visão de mundo que fomenta a violência. Assim como a islamofobia. Sempre. Tenhamos sorte.

Alexandre Morais da Rosa

é juiz de Direito de 2º grau do TJ-SC, doutor em Direito e professor da Univali (Universidade do Vale do Itajaí).

Fab.E.Falcão disse:
09 de janeiro de 2015 às 15:02

Quer dizer então, Professor, que os ocidentais devem se converter ao islamismo? É isso que devemos fazer? Se o meu sistema religioso, permeado pelo judaísmo cristão, porém com temperos de Direitos Humanos e Democracia Capitalista, é totalmente equivocado e merece a morte por parte dos muçulmanos, então o que devo fazer?

A questão, para mim, é clara: a religião é um pretexto para promover matança de pessoas. A religião muçulmana merece respeito, assim como o Alcorão é um texto religioso tal qual a Bíblia. Nem todos os islâmicos querem a morte completa dos ocidentais.

O que acontece é que estamos deixando com que o discurso religioso domine um tema de SOBREVIVÊNCIA DA HUMANIDADE. Estamos EM GUERRA com grupos terroristas que utilizam a religião para matar e estuprar pessoas.

O que faremos? Vamos esperar os Estados Unidos da América nos defender a todos? Ou vamos assumir que estamos EM GUERRA com grupos terroristas e participar do embate?

A ONU precisa entender que estamos em guerra franca. Se não aniquilarmos esses grupos terroristas, em breve o Brasil, que não é, nem de longe, um país padrão para o comportamento islâmico, também será alvo de ataques.

Observador.. disse:
09 de janeiro de 2015 às 15:12

Com todo respeito que merece o articulista, tais misturas mais confundem do que explicam.Fica ótimo para - com as devidas vênias - não se chegar a lugar algum (como está na moda hoje em dia; relativizar e confundir à exautão).
O capitalismo não pode ser responsável por tudo.O excesso de tolerância, mesmo quando esta tolerância põe em risco toda a cultura de uma sociedade, talvez explique mais.
Quando se permite que estrangeiros cheguem em seu país querendo impor a cultura deles, sendo que em seus países de origem você tem que se adaptar à cultura do anfitrião, isto faz lembrar aquela máxima do "Se você não se respeita, como vou te respeitar?"
Vivemos a era do politicamente correto, da apatia e do hedonismo. Nada tem a ver com religião alguma.
Religiões ou ideologias, muitas vezes são usadas como pano de fundo e abrigo para psicopatas e psicóticos.
A religião não é o foco.É apenas o mecanismo utilizado por alguns psicopatas para dar vazão a seus devaneios e suas deformações morais e de caráter.
Quanto a Freud e Deus....Freud foi um homem especial mas era apenas um homem. Deus não é para ser explicado por homens.Quem tem fé (que nada tem a ver com narcisismo) acredita em algo além do que os olhos conseguem ver.Quem não tem vai procurar explicar de todas as formas o porque da não existência de Deus.Também não deixa de ser uma forma de querer acreditar piamente em algo....mesmo que este algo seja a crença no nada.
O que houve na França foi um ato criminoso; criminosos de todas as espécies se amparam no "bom mocismo" , de algumas sociedades, para cometer seus atos e depois contar com a boa vontade de uma compreensão que eles não oferecem às suas vítimas. Eles se alimentam da nossa anomia e pusilanimidade.

SARAIVA disse:
09 de janeiro de 2015 às 15:22

Poucas vezes vi um texto tão fingido, dissimulado. O cidadão não esconde, em sua sintaxe truncada, o ódio que tem para com a democracia capitalista.
Não passa de um "esquerdista/petista" nacional, que usa a palavra "Cristo" entre aspas; e iguala as ações do fundamentalismo islâmico que mata com a "intolerância" judaico-cristã.
E apenas ao final fala em "Islamofobia", neologismo rasteiro, que esconde a matança cristã que acontece no mundo.

Observador.. disse:
09 de janeiro de 2015 às 15:34

"Eu combaterei todo aquele que pretende impor um costume particular aos outros costumes, um povo particular aos outros povos, uma raça particular às outras raças, um pensamento particular aos outros pensamentos"
Antoine Saint-Exupéry , Escritor, ilustrador e Piloto de Caça (P-38 Lightning) Francês, desaparecido na Segunda Guerra Mundial.

Marcelo Dawalibi disse:
09 de janeiro de 2015 às 16:02

Seria muito bom acreditar na sua opinião ingênua, dr. Alexandre. Contudo, os motivos dos ataques terroristas islâmicos contra alvos ocidentais não têm nada de altruístas ou inclusivos. A base do terrorismo é o ressentimento. Os radicais islâmicos creem que o ocidente é o responsável pelo seu atraso e pelas condições precárias em que vivem a maioria dos países mulçumanos. As razões pelas quais creem nisso são variadas, e vão desde a traição cometida por Inglaterra e França ao final da Primeira Guerra (quando as potências ocidentais usaram e depois jogaram fora os árabes para derrotar o Império Otomano) até a criação do Estado de Israel (que tentaram destruir pelo menos 2 vezes). Não cabe aqui dizer se esses motivos procedem ou não, mas é certo que os ressentidos radicais se voltam contra o modo de vida ocidental, querendo provocar uma guerra entre as duas civilizações. A palavra certa é ressentimento. Pura vingança.

Zé Machado disse:
09 de janeiro de 2015 às 19:36

Religião é apenas a faixa
da para os mais nefastos objetivos por trás desses conflitos, até mesmo porque Deus deve permanecer bem distante de tudo isso!

Zé Machado disse:
09 de janeiro de 2015 às 19:36

Religião é apenas a faixa
da para os mais nefastos objetivos por trás desses conflitos, até mesmo porque Deus deve permanecer bem distante de tudo isso!

EZEQUIEL BERTOLAZO disse:
09 de janeiro de 2015 às 22:22

Somos culpados porque somos tolerantes religiosos? Temos que entender os terroristas porque para eles existe somente uma verdade, a deles próprios? O Entender no campo religioso/filosófico impõe algo à decisão judicial em relação ao ato praticado? Algo de muito errado e falho acontece nos Órgãos administrativos do Judiciário Brasileiro!

AlexandrePontieri disse:
09 de janeiro de 2015 às 23:55

O maior bem de todos é a vida. Nenhuma sociedade ou religião pode aceitar algum tipo de agressão contra esse bem maior, sob qualquer argumento.

Richard Smith disse:
10 de janeiro de 2015 às 00:27

Nunca havia visto tanta sandice partir da boca de um Juiz de Direito, desde a velha história do "Direito-Achado-na-Rua" (certamente pelas progenitoras de eus propugnadores, quando "em serviço"!) parido na tristemente famosa UnB!
.
Para mim, um magistrado que se ampare em "raciossímios" de pessoas com slavoj zizek e do tristemente famoso fundador da pretensiosa "religião" Humanística da Antorposofia como steiner, deveria ser aposentado a bem do serviço público. Isto porque, certamente, da variegada "salada" mental e do seu posicionamento ante aos desafios do mundo contemporâneo, certamente haverá de sair verdadeiras "pérolas" jurídicas, pois as "intelequituais" ele já cuidou de mostrar!...
.
Que barbaridade!...

SARAIVA disse:
10 de janeiro de 2015 às 10:23

Refiro-me à mal disfarçada ideologia que está por trás do texto.
O autor também escreveu "terrorismos" entre aspas.
O que demonstra, como tantos outros veículos deploráveis da imprensa, que ações desse tipo possam ter alguma justificativa, legitimidade.

Augusto Correa disse:
10 de janeiro de 2015 às 11:35

O texto tem pouco ou nada a ver com o título do artigo. Sobre os ataques em Paris, nada. Sobre ridicularizar a fé alheia, muito. Foi um sacrifício chegar ao final do texto; ao tempo em que lia, desejava que o artigo melhorasse, mas em vão. Lamentavelmente, Alexandre Rosa foi pernóstico, pois a pretexto de homenagear a erudição (citou uns 10 filósofos/escritores), vitimou a clareza.

Willson disse:
10 de janeiro de 2015 às 14:17

O atacador, digo, defensor público parece ter sido abduzido pela tríade de 'colonistas', e utiliza o termo esquerdista petista como xingamento, num reducionismo para lá de contraproducente. Tal como no fundamentalismo religioso, o mundo lhe é binário: bons e maus; petitas e antipetistas, e ninguém poderá se livrar dessa dicotomia: quem não concorda comigo é mau e arderá no mármore do inferno, após o apedrejamento e as cuspidelas, claro. Isto sim é fundamentalismo! Já o artigo, embora pudesse ser menos empolado, projeta mais uma luz sobre a questão da convivência entre as diversas orientações filosófico-religiosas: se por um lado é a indiferença capitalista que torna essa convivência possível, por outro, ela pode doer mais que o ódio. Desafortunadamente, há muitos que pensam igual aos jihadistas, embora poucos expressem. A impotência em submeter a indiferente e "infiel" cultura ocidental fomenta o desespero dos radicais, para quem a violência é um recurso plenamente válido. As caricaturas, por si só, são meros estopins. A fúria homicida se assemelha, como pontuado pelo articulista, às reações desesperadas, do homem ignorado, que intenta destruir o objeto de sua ignorada paixão. Todos perdem, mas a ilusão oferece, como recompensa, um paraíso isento de qualquer modalidade de conflito.

alumni disse:
10 de janeiro de 2015 às 22:27

Utilizando da minha liberdade de expressão, e espero que o autor do texto não se aborreça comigo e venha tentar matar-me a mim e aos meus familiares, não consegui ler o texto todo, parei pela metade, se calhar o meu IC (índice de compreensão) hoje esteja limitado.

Voltando à liberdade de expressão, há quem entenda que "liberdade de expressão" seja isso mesmo: liberdade de me expressar da maneira que bem entendo. Será?

Qualquer um que procure nas imagens do Google pelo nome "Charlie Hebdo" encontrará muitos desenhos ofensivos às diversas religiões, e não só!

Poderíamos recorrer aos tribunais numa tentativa de retirar as imagens e fazer cessar as ofensas, este seria o modo mais racional de resolver a questão. Aí começamos a imaginar um católico a abrir um processo devido a uma certa imagem com o Pai de quatro, o filho vindo por trás do pai e o espírito santo, em forma de triângulo com um olho no meio, a ser colocado (todos sabemos onde), sem contar os gasto com tal processo, o mesmo demoraria cerca de 7 anos até ser julgado e corria-se o sério risco do juiz entender que há mero aborrecimento e não ofensa.

Infelizmente demonstraram da pior forma que a liberdade de expressão não é livre, ela é limitada.

Bom, como a justiça do "olho por olho, dente por dente" foi quase feita, sim, pois já mataram 4 "terroristas", mas, como disse uma emissora daqui (Europa), ainda falta uma senhora que não foi apanhada, por isso digo "quase", devemos aproveitar para refletir de forma positiva sobre o ocorrido.

Se houve ofensas gravíssimas contra a vida humana, também houve ofensa deliberada a crença alheia. Uma coisa não justifica a outra, mas o uso do bom senso na expressão poderia ter evitado aquela tragédia.

O bom senso pode evitar a guerra!

WLStorer disse:
11 de janeiro de 2015 às 08:51

Vamos voltar a falar da PETROBRAS!

Ezac disse:
12 de janeiro de 2015 às 07:53

O mundo só será feliz o dia que entendermos e aceitarmos a opinião e vontade do outro.

Moreira Maschado disse:
12 de janeiro de 2015 às 10:28

"Crer Para Ver" - Santo Agostinho. Com todo respeito Excelência, seu texto é pretensamente erudito, muito prolixo e pouco esclarecedor, a começar pelo título. Sinto arrepios quando lembro Dilma sugerindo o diálogo com o estado islâmico, letras minúsculas conforme seu grau de significância, desproporcional ao seu grau de perversidade. Uma coisa é irrefutável, nada dói mais que a indiferença, e nós brasileiros sofremos isso na pele. Para terminar, se referir à Deus e à Jesus Cristo , como "algo"...É no mínimo assustador!

Adriano Las disse:
12 de janeiro de 2015 às 12:11

Permita-me filiar-me às suas objetivas observações e conclusões. De minha parte, particularmente, não concebo esse e alguns outros ataques como ato movido única e exclusivamente pela religião. Se assim fossem, essas ações poderiam, e certamente seriam, perpetradas em quaisquer lugares do mundo e contra quaisquer pessoas, de quaisquer nacionalidades, bastante que não muçulmanos, mas, sabemos bem, não é assim. Não trazer para a reflexão os aspectos econômicos e políticos (petróleo, intervenção militar forasteira, deposição externa de governos eleitos, sim, democraticamente (Egito), Palestina-Israel etc.), confinando a compreensão no purismo religioso, somente atende a interesses escusos, impiedosos, sanguinários e brutais, não do povo ocidental, obviamente, mas de grupos econômico-políticos notórios, cujas milhares e milhares de vítimas, civis, principalmente, mulheres, crianças, idosos enfim, não são nem superficialmente retratadas na nossa mídia ocidental, tão seletivamente apegada à liberdade de expressão. Há até quem aproveite essa tragédia para imputá-la, vejam só, ao PT, à "esquerda" e quejandos, prevendo que o Brasil está na alça de mira do islã, propugnando que mandemos soldados brasileiros para o "front" a fim de trucidar os muçulmanos, os não-cristãos, não-capitalistas, não-direitistas, não-liberais!! Não se pode, em nome da liberdade de expressão, fazer tudo, nem aqui no ocidente é assim. Não que as charges ou chargistas, por si sós, devessem ser mortos: óbvio ululante que não! Porém, não perceber que não passam da derradeira ponta do iceberg de um caudal que deita e esparrama raízes muito, mas muito mais profundas, é, das duas, uma: um erro ou uma estratégia.

Samuel Cremasco Pavan de Oliveira disse:
12 de janeiro de 2015 às 14:37

É isso que esse texto é: um lixo ideológico, fantasiado de intelectualidade e erudição.
Um texto que tem como tema o último (Será? Talvez ocorra outro enquanto escrevo este comentário.) brutal atentado terrorista praticado por muçulmanos extremistas e inicia e vai praticamente até o final com ataques diretos e indiretos ao cristianismo, além de mal disfarçar a tentativa de justificação à barbárie fanática e imputação de culpa às vítimas, não passa de um horrendo e repugnante lixo.
Rezando pela cartilha esquerdista, o autor não consegue deixar de apontar o "homem branco ocidental capitalista cristão" como o pior ser que habita este planeta, responsável por todos os seus males.
Que bom, ou melhor, graças a Deus!, que o senhor vive numa sociedade ocidental predominantemente capitalista e cristã, Dr. Alexandre, pois assim tem total liberdade para escrever e publicar as mais vis críticas aos seus fundamentos, sem nenhum risco de vir a ser metralhado (ou apedrejado) por isso.
E viva a liberdade de expressão, que só faz sentido quando toleramos aquilo que discordamos ou, pior, repudiamos. Como esse artigo.

Rodolfo Macena disse:
13 de janeiro de 2015 às 19:28

O melhor do texto foi o efeito causado aqui nos comentários, coisa que acredito já era esperada pelo articulista.
Quando um texto diferenciado como este, em vez de utilizar as mesmas palavras de sempre como: temos que conviver com as diferenças, coisa mais que aceita e falada, mas lança uma luz sobre a questão da entrada em cena do fundamentalismo e sua incompatibilidade com a indiferença resultante de um modelo pluralista, não é mais surpresa ver comentários como os abaixo expressos.

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