Desrespeitar diferentes formas de família não é cristão nem ético

A nostalgia das antigas utopias, da família ideal e patriarcal, as noções de esquerda e direita, gradativamente vêm sendo substituídas pelas noções de público e privado. Por isto a relação das pessoas com a pátria se inverteu: não são mais as pessoas que devem servi-la ou sacrificar-se por ela. É a pátria, a nação, que deve estar a serviço das pessoas. Por essa razão, a História e a Política hoje se escrevem e se inscrevem é a partir da vida privada , que começa e termina na família. E assim a principal razão política dos Estados democráticos contemporâneos está na vida privada e, portanto, na família.

Mas quando falamos de família devemos pensá-la em seu sentido maior e mais profundo: o núcleo formador e estruturador do sujeito. É ali, e a partir dali, que tudo se inicia. São os núcleos familiares que formam a nação. Pátria é a família amplificada. Mas não estamos mais no tempo da família singular. A família hoje é plural, aberta, fraterna, solidária, menos hierarquizada, menos patrimonializada, mais autêntica e mais verdadeira. Os políticos e legisladores que não entenderem isto, e ficarem paralisados em sua utopia saudosista já estão condenados a terminar a vida no “tal do bloco da saudade”, como diz a música do Martinho da Vila.

Há um descompasso entre a realidade das famílias e os textos legislativos brasileiros, que não traduzem e nem refletem a vida como ela é. Ainda há milhares de famílias à margem da legislação, como aquelas que se constituíram paralelamente à outra família, até então denominadas pelo Código Civil de 2002 pelo estigmatizante nome de concubinato. Essas e outras famílias continuam condenadas à invisibilidade jurídica e social, repetindo as injustiças históricas de ilegitimação, exclusão e expropriação de cidadanias, como se fez até pouco tempo com os filhos havidos fora do casamento, que recebiam a pecha de ilegítimos, espúrios, bastardos e outras designações discriminatórias. Foi neste sentido que o Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), após discutir com a comunidade jurídica, elaborou o Estatuto das famílias, apresentado ao Congresso Nacional pela Senadora Lídice da Mata (PSB-BA) e que tramita sob o número PLS 470/13. Ele vem no espírito de se construir micro sistemas para assegurar uma justiça mais ágil e próxima da realidade, a exemplo do Estatuto da Criança e do Adolescente, do Idoso etc. Assim, ele revoga todo o Livro de Família do CC/2002 e instala novas regras, mais modernas, e que realmente atendam a realidade e inclua e dê um lugar social a todos os núcleos familiares.

Copiando a ideia do nome “Estatuto das Famílias” foi apresentado na Câmara um Projeto Lei a que denominaram “Estatuto da Família”. Maliciosamente, e para tentar aprovar o tal projeto, têm feito circular nas redes sociais de computador pergunta que induz a resposta: família é formada por homem e mulher? A resposta é óbvia. Claro que sim. Mas não apenas por homem e mulher. E assim, a população induzida a erro tem respondido positivamente a este projeto, que na verdade deveria ser chamado de Estatuto contra a Família. Sim, porque ele pretende excluir milhares de famílias da ordem jurídica e social, “tapando o sol com a peneira”, como se essa realidade não existisse.

O Direito de Família contemporâneo está intrinsecamente ligado aos Direitos Humanos. Não é possível desconsiderar todas as conquistas sociais feitas a duras penas e às custas de muito sofrimento ao longo da história. É anticristão continuar marginalizando e excluindo pessoas e famílias em razão de suas escolhas diferentes dos padrões tradicionais. Os “fariseus” que dizem defender a “tradição, família e propriedade”, são os mesmos que condenam à morte milhares de mulheres pobres que fazem aborto. Ora, ninguém é a favor do aborto, mas tão somente ao direito de fazê-lo, ou não. O aborto é livre no Brasil, basta ter dinheiro para pagar por ele: “Deixemos de hipocrisia. Nossa legislação só não muda porque as mulheres de melhor poder aquisitivo abortam em condições relativamente seguras. As mais pobres é que correm o risco de morte e sentem na pele os rigores da lei” (Drauzio Varella, Folha de S.Paulo, 7/3/15, p. E8).

É inconcebível que em pleno século XXI, após o desenvolvimento e compreensão das noções de sujeito de direitos e desejos, da dignidade humana, e de Estado laico, alguém ainda queira excluir o próximo da ordem social e jurídica em razão de suas preferências sexuais e formas de constituir família. A religião que deveria ensinar o amor ao próximo, a tolerância, compreensão e solidariedade, tem sido invocada para interpretações constitucionais equivocadas. Será que esses defensores da moral e bons costumes realmente acreditam no que estão “pregando em nome de Deus”, ou fazem isto apenas por interesses de mercado ou razões eleitoreiras? Pode-se até não gostar, não querer que a família tenha mais liberdade e mais autonomia, mas ninguém tem o direito de excluir e não permitir que as pessoas possam escolher as formas de viver sua conjugalidade e parentalidade.

É preciso parar de legislar em causa própria e aprender a conviver com a alteridade, isto é, respeitar as diferentes formas de viver e não querer impor ao próximo o seu próprio ideal. Isto não é cristão e nem ético. Quer gostemos ou não, queiramos ou não, a família transcenderá sempre a sua historicidade, pois ela é da ordem da cultura, e não da natureza. Portanto novas estruturas parentais e conjugais estão em curso. E, por mais que variem, por mais diferentes que sejam ou venham a ser, ela terá sempre consigo aquilo que ninguém quer abrir mão, que ela seja o locus do amor do companheirismo, da privacidade. E o Estado deve respeitar e proteger todas as formas de constituição de famílias, parentais e conjugais. Esta é a verdadeira politica de um Estado laico e democrático.

Rodrigo da Cunha Pereira

é presidente nacional do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), doutor (UFPR) e mestre (UFMG) em Direito Civil, autor de vários artigos e livros em Direito de Família e Psicanálise e advogado em Belo Horizonte.

Felipe Lira de Souza Pessoa disse:
07 de junho de 2015 às 10:12

As discussões de temas importantes não podem se dar sob um viés subjetivo, com tom maniqueísta. No Brasil, em razão da paixão que as pessoas devotam às causas pelas quais lutam, tendem a transformar o outro em inimigo que merece ser destruído, quando, em realidade, trata-se apenas de uma divergência objetiva. O tom do texto revela essa ausência de consideração pela paixão do outro, pelo seu engajamento errado, equivocado ou não. A alteridade é a consideração pelo lugar do outro, pelas ideias do outro, pela atitude do outro e consiste na possibilidade de dar liberdade ao outro de pensar, fazer e ser, o que não significa concordar o outro. Respeitemos o outro "dentro da sua estrita margem de cognoscibilidade crítica", para não dizer outra coisa.

www.eyelegal.tk disse:
07 de junho de 2015 às 10:49

O conceito que o Instituto Brasileiro para Destruir a Família pretende introduzir por "diferentes formas de família" é um sofisma empregado para ocultar a verdadeira intenção de destruir a família natural.
O intento desse pessoal é a chamada "desconstrução da heteronormatividade", um bicho de letras que na prática significa derrubar todo o direito de família vigente no Brasil.
No seu modelo de sociedade, não há mais as figuras do pai e da mãe, o pai passa a ser o estado e as crianças passam a ser objeto de mera guarda por todos os modelos mais esquisitos de arranjos psicopatas.
Felizmente, até hoje não existe casamento homossexual em nenhuma lei do Brasil. O que há é o ativismo judicial impune do STF para contradizer texto expresso da Constituição que ordena peremptoriamente que a união estável é reconhecida apenas entre homem e mulher com o objetivo de constituir família, tal como se encontra previsto na Declaração Universal de Direitos Humanos.
Felizmente, também, até hoje não existe nenhum documento internacional obrigatório de direitos humanos de homossexuais.
As pessoas já estão absorvendo sem nem sentirem o pensamento esquerdista politicamente correto. Ser conservador não significa ser atrasado ou retrógrado, significa conservar as instituições. E a primeira delas é a família natural, base da sociedade e do Estado. A própria Rússia, berço do comunismo, proíbe o casamento entre pessoas do mesmo sexo - Código de Família da Federação Russa, art. 12 - e tem as leis mais severas do Ocidente contra propaganda homossexual. Até mesmo na China comunista é proibido o casamento gay - Código Civil chinês, art. 128.1. Instituir casamento gay automaticamente subverterá todo o direito de família vigente.
https://www.youtube.com/watch?v=gh0Ly7SOjQk

Persistente disse:
07 de junho de 2015 às 13:50

Parabenizo o autor pela excelência do texto, principalmente nesta época em que fundamentalistas e neofascistóides (existe diferença?) resolveram “sair do armário” com o seu medieval e agressivo discurso do ódio – isso mesmo: chamemos as coisas pelo seu nome correto, e não venhamos a ser condescendentes com as “ku-klux-klans” da vida e seus congêneres de pregação.

O avanço legislativo e jurisprudencial (lembremos uma posição que nada de revolucionária tem: a Constituição de um país é o que a sua Suprema Corte diz ser) no tocante ao direito dos negros (política de cotas), das mulheres (a Lei Maria da Penha, editada mesmo contra o ódio dos valentões que parecem gostar de provar a sua discutível masculinidade batendo em quem fisicamente não pode se defender) e das minorias sexuais já é uma realidade que não pode ser detida, a não ser através do terror do “Estado Islâmico” (e, quiçá, do “Estado Evangélico”, como querem alguns).

A cabeça da serpente já saiu da toca. Agressivos, como aquele covarde (com larga ficha policial) que apareceu num vídeo que circula pela rede ofendendo um frentista haitiano no RS com um discurso desprezível e asqueroso, pululam por todos os cantos e fazem estragos. Não os deixemos impunes. Devem ser refutados de forma dura e consistente.

www.eyelegal.tk disse:
07 de junho de 2015 às 14:54

Esses esquerdopatas são meia dúzia de gatos pingados.
Pesquisa do IBGE diz 99% dos brasileiros são "homofóbicos" por defenderem a família natural, mas a toda a população deve estar errada e quem está certo é o STF. Deve ser nisso que eles acreditam.
Não queremos saber disso aqui no Brasil, os senhores que se acham evoluídos e desencanados que professam suas doutrinas secretas com o aval de uma mídia comprada não nos interessam.
Quer dizer que só eles querem ter razão e quem discorda é porque estaria fazendo "discurso de ódio", um nariz de cera que não tem tipificação. Basta ter uma opinião diferente que já é ódio. Ora vá plantar batatas.
A Constituição de um país não é o que o Supremo diz ser. A Constituição é o que nela se contém. Foi aquilo ali que o povo decidiu e o combinado não sai caro.
Quando a Carta diz uma coisa e o Supremo decide exatamente o contrário do mandamento constitucional é porque alguma está errada. Não venham com essa história para enrolar trouxa. Lá está bem claro, entre o homem e a mulher.
O Supremo Tribunal Federal não é imune a críticas.
Não é o Supremo que manda no Brasil, é o Brasil que manda no STF.
Quem quiser entender diferente que pegue o seu boné e siga Joaquim Barbosa.

Igor M. disse:
07 de junho de 2015 às 15:26

“Pesquisa do IBGE diz 99% dos brasileiros são "homofóbicos" por defenderem a família natural"
.
Por favor, cite a fonte desta pesquisa (se possível oficial), porque me deixou curioso!

Observador.. disse:
07 de junho de 2015 às 15:26

Por que sempre escolhê-los para fundamentar alguma tese?
Se alguns tem em sua fé e crença valores diferentes do que o articulista prega, não passa de infantilidade querer usar o "amor ao próximo" e outros pilares da fé religiosa (de muitas religiões), para quem tem fé se sentir constrangido em seus valores.Toda religião tem dogmas.Não é uma questão de certezas.É uma questão de fé.Ninguém morreu e voltou para garantir o que há além da nossa fugaz existência.As religiões devem ser respeitadas.Seus dogmas não devem ser achincalhados.
Estão querendo fazer engenharia social, segundo teses puramente ideológicas e atacam - como sempre - os cristãos.
Afinal, é melhor "botar na roda" quem costuma ser agredido em sua fé mas mantendo as cabeças no lugar, por assim dizer.Por que, toda hora, usam os cristãos como exemplos de algo ruim?Por causa da passividade?Me lembra a Alemanha Nazista.Quando os Judeus acreditavam que as agressões não iriam sofrer uma escalada; que manter suas crenças era o que eles almejavam.Viverem suas vidas, sua fé e em paz. Mas não.Passaram a ser achincalhados e o resto se tornou história.
Se querem mudar algo, mudem através da política.Escutem o povo.
Estamos em uma democracia ou não?Por que alguns grupos querem impor sua agenda sem escutar a população?
Medieval é querer impor sua agenda pela força das armas, do grito ou no "tapetão".
Escutem o povo.Não só na hora que interessa para se manterem no poder.
Medieval é manter o povo de boca fechada e impor, sem escutá-lo, tudo aquilo que irá alterar sua cultura, seus valores ou suas crenças.
Ouçam mais as pessoas.Não apenas a minoria organizada.
Temos um povo; este não existe apenas para pagar impostos e manter as castas subsistindo do estado e impondo suas regras.

www.eyelegal.tk disse:
07 de junho de 2015 às 15:42

UM PAÍS QUE NÃO CONSEGUE DEFENDER A SUA FAMÍLIA NATURAL, OS SEUS FILHOS, NÃO VAI DEFENDER MAIS NADA.
Pesquisa mostra que 99% dos brasileiros têm preconceito contra homossexuais
http://extra.globo.com/noticias/brasil/pesquisa-mostra-que-99-dos-brasileiros-tem-preconceito-contra-homossexuais-233521.html
“A liberdade de expressão, completa e irrestrita é uma condição sine qua non para a existência das outras liberdades democráticas, ela é uma liberdade que engloba toda a sociedade e que precede todas as liberdades individuais. O primeiro dos direitos democráticos deve ser o de pensar, e naturalmente transmitir suas ideias sem medo de repressão, e para isso não pode estar entre os poderes do Estado decidir o que os cidadãos devem pensar e qual conteúdo pode ou não ser veiculado, não é atribuição do Estado decidir como podem ou não ser transmitidas essas ideias”, PCO - Partido da Causa Operária.
http://www.pco.org.br/nacional/multa-de-1-milhao-e-mais-um-duro-atentado-a-liberdade-de-expressao/apzy,y.html

Gonzalo M. Salcedo disse:
07 de junho de 2015 às 17:49

Parabéns ao autor. Excelente texto, em seu teor e forma.

Roberto W Nogueira disse:
07 de junho de 2015 às 18:05

Texto bem escrito, mas com um vício na origem do seu argumento central: inversão de polaridades!
Isto desconstrói toda a estrutura do artigo, cujo objetivo é seguramente dar suporte a certas teorias alternativistas sobre os costumes sociais como se estivéssemos a tratar da dignidade humana, senão da implosão dela mesma em favor de experimentalismos na questão dos desejos humanos.
Valores humanos substanciais não são objeto de contrato, mas de uma construção histórica que data de longa maturação e perpassa as gerações. Pode-se até pensar em reformatá-los, mas isso não será possível com o uso alternativo do Direito e nem com a inversão da lógica democrática que a humanidade consquistou até aqui.
Afinal, quem está impondo o quê a quem? Eis a questão que o artigo não resolve a contento e serve mais de plataforma planfetária do que discurso técnico.

Wanderly Gomes disse:
07 de junho de 2015 às 18:59

Que texto pueril ! Cheio de idealismos e tendenciosidades subliminares, sem verificar a fundo a razão dos problemas ! O homossexualismo é condenado no texto bíblico ! Embora os evangélicos sejam oportunistas históricos, sempre "navegando conforme a maré", não há como negar que a homossexualidade é prática explicitamente condenada no texto bíblico, antigo e novo testamentos, tal como o adultério e outras condutas humanas pouco nobres. Logo, repudiar a prática homossexual é "cristão", sim !!! Coisa bem diferente é repudiar o cidadão homossexual, pois deveria se repudiar o adúltero, o fornicador, o avarento e por aí vai...
A família tem que ser "patriarcal" porque é prerrogativa natural do homem o exercício da disciplina familiar. Desde que a ideologia lesbo-feminista surgiu na década de 50, só se vê aumentar os divórcios e a delinquência juvenil na sociedade ocidental. Abraçar o lesbo-feminismo incondicionalmente é atitude de quem não observou seus efeitos perniciosos sobre a sociedade !

Persistente disse:
07 de junho de 2015 às 19:21

Inacreditável que se pretenda impor, pelo sofisma de uma interpretação literal de um parágrafo de um dispositivo que alude às uniões estáveis, a ideologia da discriminação. Referida regra, aliás, teve cunho ANTICONSERVADOR ao dar proteção às uniões ditas “concubinárias”, estigmatizadas como um perigo à sagrada família formada exclusivamente pelo “casamento religioso” – lembremos que o casamento civil, quando instituído, foi duramente atacado como um PERIGO À FAMÍLIA.
Desconhecedores do já reconhecido fenômeno da “mutação constitucional”, certas figuras aferram-se à letra isolada de uma regra para fundamentar o seu raciocínio furado, esquecendo inclusive aquela advertência bíblica: a letra mata mas o espírito vivifica.
Sobre o argumento de que “99% da sociedade” é preconceituosa, esse é mais um argumento em favor da posição do STF: a não ser que queiramos aquela mesma tirania da “maioria” e seus Torquemadas, que ao longo da História foi responsável por MASSACRES contra minorias étnicas e religiosas, como os famigerados “pogroms”, o reconhecimento de DIREITOS CIVIS é fundamental a esses grupos.
Por último, desde que o cristianismo se tornou religião oficial de Roma (ano 380), não acho que os cristãos sejam vítimas do quer que seja. Pelo menos não consigo ver como vítimas os cruzados cristãos que transformavam crianças turcas em espetinhos para depois devorá-las; ou os colonizadores cristãos que, sob o pretexto de catequisar, exterminaram os indígenas; ou ainda os responsáveis pela escravidão dos africanos, que, aliás, tinham a “justificativa” dada pela Igreja de que os negros não tinham alma....
Espero que o pensamento de alguns aqui realmente não seja o da maioria, porque, caso contrário, temo que a teoria de Darwin seja uma balela.

www.eyelegal.tk disse:
07 de junho de 2015 às 19:56

Ninguém está falando de religião aqui.
Não cabe ao Supremo Tribunal Federal reescrever a Constituição ao contrário. A matéria é de competência do Congresso Nacional que representa a vontade popular.
A democracia é o governo da maioria, não é um colegiado de 11 cidadãos que vai redefinir as famílias de 200 milhões. O nome disso é tirania.
Esse ponto precisa ficar bem claro, porque não é do interesse deste país ter uma Suprema Corte alinhada com os objetivos da Nova Ordem Mundial para escravizar o nosso povo.
A família homossexual não é da tradição do direito brasileiro, não está prevista nas nossas leis e nem na Constituição.
Trata-se de uma política internacional estandardizada e a lógica perversa desse sistema é usar o Judiciário para solapar o Poder Legislativo.
A decisão do STF é nula. Uma vez eu disse isso e alguém perguntou quem ia declarar nula essa decisão.
Somos 200 milhões contra 11 e estou arriscando o palpite de que, ou o STF conserta o que eles fizeram de errado, ou vamos ter uma Suprema Corte totalmente desmoralizada e cujas decisões passarão a ser inócuas.
Não existe casamento homossexual no Brasil. O Judiciário está forçando uma barra e o CNJ não pode editar normas para obrigar os cartórios a registrar uniões gays, porque este país vive sob o império da lei.
O que está em curso é uma política de substituir o Poder Legislativo por decretos administrativos validados pelo Judiciário, mas eles não passarão.
Não teremos no Brasil nenhuma corte bolivariana. Antes disso, haverá consequências.
Há quem diga que os militares não vão fazer nada, mas não é isso que pensa o PT, porque lá, internamente no partido, eles sabem que na hora que aumentarem a temperatura e a pressão na caserna as coisas podem ficar complicadas.

Lucas M. F. disse:
07 de junho de 2015 às 21:18

Gostaria de registrar aqui meu repúdio contra o uso desse espaço com propósitos militantes. É de se lamentar o uso ginasiano da falácia "diversas formas de família".

Lucas M. F. disse:
07 de junho de 2015 às 21:18

Gostaria de registrar aqui meu repúdio contra o uso desse espaço com propósitos militantes. É de se lamentar o uso ginasiano da falácia "diversas formas de família".

Persistente disse:
07 de junho de 2015 às 21:29

KKK. Como esperado, vê-se a verdadeira face do discurso pró-discriminação: não aceitando as regras do jogo, em que a Suprema Corte interpreta a Constituição, num sentido ou noutro, apelam às tentações golpistas.

E sim, estamos falando de religião e das tentativas de transformar o Brasil numa TIRANIA TEOCRÁTICA, com os dogmas religiosos se impondo à sociedade (numa versão tupiniquim da “sharia” das teocracias do Oriente Médio).

No Brasil, isso já foi tentando quando da implantação da República. Nada como recorrer ao passado para ver o que as figuras fundamentalistas de então falavam (é impressionante a similitude dos discursos). Vejam o que, por exemplo, no século XIX, dizia um certo deputado Olímpio de Souza Campos, citado em artigo de Gilson Ciarallo, a respeito da instituição do casamento civil:

“[...] O país não quer leis contra suas crenças e hábitos. O espírito moderno, conhecendo que sua propaganda anticristã não tem achado guarida no espírito retrógrado dos brasileiros, quer impô-la em nome da liberdade! Siga outro caminho o liberalismo. Afervore-se na propagação de suas idéias e se conseguir (...) que o casamento não religioso seja verdadeiramente tenaz e instantaneamente exigido pela opinião do país, então se apresente ao Parlamento e o rei, o CASAMENTO CIVIL NÃO TEM DIREITO DE CIDADE, É UMA INOVAÇÃO IMPRUDENTE, PERNICIOSA, ATENTATÓRIA DA LEI CONSTITUCIONAL, QUE MANTÉM UMA RELIGIÃO, E DAS CRENÇAS DOS CIDADÃOS.”

Depois de mais de um século, o discurso contra o casamento civil soa aberrantemente ridículo.

Como vocês acham que o discurso discriminatório soará daqui a alguns anos?

Observador.. disse:
07 de junho de 2015 às 21:34

E pela forma como há uma necessidade de desconstruir o outro, logo percebemos que a diversidade e a democracia de alguns só existe se for para segui-los.

De qualquer forma, boa sorte à democracia do Brasil.
Pois, no fundo (e na superfície também) é disto que se trata.Agendas se impondo sobre a população, sem escutá-la e sem respeitar os seus valores.
No meu caso, por exemplo, respeito qualquer tipo de relacionamento.A privacidade e as escolhas alheias nunca me interessaram.Só me interessam quando ferem o meu Direito.Pois o de um, acaba quando começa o do outro, não é assim?
No caso de nações, acredito, contudo, que o povo deve ser ouvido quando se altera trechos daquilo (C.F) que foi escrito segundo sua vontade.Ou podemos ter apenas a democracia dos sábios.Dos que sabem mais.O povo vira mero pagador de impostos.E tudo é feito às claras e dito desta forma.Aguentando as consequências daqueles que não acharem isto muito legal (em todos os sentidos), não é mesmo?

P.S. Quando escrevi sobre os cristãos, usei o exemplo do texto.Pois sempre pinçam os cristão para contextualizar algo que faz parte de várias religiões. E toda e qualquer religião merece respeito.Pois aqueles que bradam passam, mas certos escritos já estão por aí há milênios.Merecem respeito de todos
P.S. 2. Dois erros não perfazem um acerto. Se a religião cristã cometeu erros (individualizados por este ou por aquele representante) nada tem a ver com seus dogmas e sua forma de ser percebida pelas pessoas.Pois os homens são - quando sacerdotes - meros representantes do que - quando há crença - transcende.
P.S.3 Tem gente que fala de religião e usa Darwin e seus escritos como se algo sagrado e inquestionável fosse.Fico com a Filosofia e a alteridade, bem lembrada pelo Sr.Felipe Lira.

www.eyelegal.tk disse:
07 de junho de 2015 às 22:43

A regra do jogo é o Congresso Nacional emendar a Constituição, mas como a matéria não passa resolveram dar um jeitinho.
Ninguém está falando de religião, o que o articulista está confundindo com a religião é uma instituição que existe desde que o mundo é mundo; a família natural. É isso que está sendo atacado.
O discurso religioso é apenas para reduzir o debate ao "contra ou a favor" alegando sectarismo de setores da sociedade, mas não é disso que se trata. Ainda que fosse, trata-se de uma comunidade nada desprezível neste país. Cidadãos com plenos direitos de participar do processo político nacional e que foram surpreendidos ardilosamente por uma canetada insegura do STF.
Também não há nenhum tom agressivo, apenas a crônica da realidade porque cidadãos marcham pelas ruas aos milhões e se reúnem às portas das nossas organizações militares contra os projetos desse pessoal que está inquilino do poder, não cumpre suas obrigações e ainda assalta o estado pensando que a nossa sociedade vai ficar assistindo passivamente a tudo que quiserem fazer.
Não é preciso ser um gênio para concluir que, sim, haverá consequências, porque o Brasil não é a Venezuela.
Eu não estou inventando nada, é o próprio Lula quem fala abertamente em "exército" de Stédile. O que vocês pensam que isso significa? Acham que os comunistas vão tocar o terror no Brasil? Que vão destruir as nossas famílias e vai ficar por isso mesmo? Que ninguém vai fazer nada? E ainda querem defender toda essa confusão alegando solidariedade à causa homossexual?
Os homossexuais são apenas um grupo que está sendo usado, todas as formas de socialismo do passado exterminaram os homossexuais na União Soviética, na Alemanha Nazista, em Cuba.
Eles sabem que serão descartados quando não forem mais úteis.

SCP disse:
08 de junho de 2015 às 08:06

Há similitude entre a resistência a abolição a escravidão e a resistência ao casamento gay. Os argumentos jurídicos e religiosos são similares. E hoje se pede desculpas.

Direito de família é direito privado e o que não está proibido é permitido. O assunto já está juridicamente superado com a decisão do STF. A própria declaração universal dos DH é a declaração americana (que tomaram força jurídica com o pacto de direito civis de 1996 e Pacto San José em 1969) falaram do direito do homem e da mulher e não entre homem e mulher. E tal qual na norma sobre prisão de depositário fiel, a interpretação deve ser para ampliar direitos humanos, jamais para reduzi-los.

Roosevelt Abbad disse:
08 de junho de 2015 às 10:36

Milhões de pais e mães têm sofrido silenciosamente a perda da relação de afeto com seus filhos, como resultado de práticas judiciais equivocadas, que restringem sistematicamente o acesso das crianças com os entes queridos da outra metade da sua família e de um de seus genitores.

Um estudo de sete anos publicado pelo Instituto de Psiquiatria Timberlawn de Dallas EUA, descobriu que o fator mais importante para as crianças se tornarem adultos saudáveis e felizes, não foi a rotina em um endereço ou a construção de alvenaria como base de referência, como dizem os profissionais da área jurídica, mas a continuidade da relação com ambos os pais.

A convivência regular com ambos os pais se revelou mais importante do que o fator educacional, disciplina rígida, rotina em uma residência única ou qualquer outro argumento tradicionalmente utilizados por advogados para negar a custódia física conjunta.

O estudo Timberlawn, bem como outros estudos já demonstraram, descobriu que a má distribuição de tempo de convivência entre ambos os pais e os filhos, as crianças sofrem consequências a longo prazo, incluindo dificuldades emocionais, fracasso escolar ou baixo desempenho no trabalho, transtornos psicossociais e dificuldade em conseguir intimidade em seus próprios relacionamentos como adultos.

Relata ainda o estudo que um terço das crianças experimentaram depressão moderada a grave, cinco anos após o divórcio. Quinze anos após o divórcio, muitas dessas crianças ainda estavam experimentando as consequências, quando começaram os relacionamentos amorosos e casamentos por conta própria. Todas as crianças pesquisadas nesse estudo, temiam a repetição de um fracasso na vida adulta, traição e rejeição, e todos ficaram muito vulneráveis.”

Alexandre Romualdo disse:
08 de junho de 2015 às 11:28

Fico cada dia mais surpreso e triste com a a grita de grupos fortemente engajados e que se auto intitulam como "minoritários" para forçar um discurso que não pertence a sociedade. Não se pode pautar como interesse público algo que não atende a toda a população e a crítica do articulista sobre tal discussão não ser cristã ou ética cai mais uma vez no fosso da hipocrisia, pois demonstra claramente que tais projetos de Lei procuram impor uma ditadura LGBT no país.
Todos tem direito a opiniões e escolhas, mas devem arcar com os custos das mesmas. Uma democracia se faz com diversidade de pensamento e respeito; e não com a imposição de um pensamento sobre os demais, com discursos do amigo ou inimigo, nós ou eles, certo ou errado. Sempre vamos encontrar opiniões em toda a gama do espectro, mas a beleza da democracia está em se respeitar a diversidade de pensamentos, e não em obrigar aos outros a pensarem da forma como você pensa.

www.eyelegal.tk disse:
08 de junho de 2015 às 12:00

A questão não é religiosa nem jurídica. É política. Esse assunto não está aberto a nenhum tipo de discussão nem composição, são valores irrenunciáveis.
A sociedade brasileira não permite engenharia social para que seja deturpado o conceito constitucional de família, não aceita aborto, ideologia de gênero, nem educação homossexual de menores.
Alguém duvida que a população inteira do país possa desautorizar essa fraude?
O governo já está impondo ideologia de gênero aos municípios, banheiros unissex e uma série de medidas atentatórias às famílias.
Querem reduzir tudo a uma questão jurídica para monopolizar o discurso e criminalizar "homofobia", um pretexto para tentar calar os discordantes.
Não há nenhuma questão jurídica para ser discutida, estamos em guerra, a destruição da família é um objetivo político.
Isso não tem nada a ver com direitos humanos. Olha o problema aí:
http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=1279906

Persistente disse:
08 de junho de 2015 às 14:13

É triste perceber que no Brasil da segunda década do século XXI FORÇAS OBSCURANTISTAS E MEDIEVAIS estão tentando impor a sua PAUTA FUNDAMENTALISTA no cenário político e social (numa agressividade hidrófoba que transforma aquele filme espanhol de terror REC numa ótima alegoria do momento atual).

Todos aqueles que NÃO DESEJEM viver numa DITADURA TEOCRÁTICA segregacionista devem estar alertas: hoje, aproveitando do preconceito milenar contra determinadas minorias presentes em extratos mais ignorantes da sociedade, impedem ou tentam impedir o reconhecimento de direitos civis - já reconhecidos a todos os demais cidadãos - a esses grupos; no momento seguinte, quem sabe, tentarão confinar as mulheres às cozinhas de suas casas, massacrar minorias religiosas de matriz africana (por exemplo) e quem, sabe, impor a até a escolha da cor da sua roupa íntima.

Não se enganem.

Marcos Vanissardo disse:
08 de junho de 2015 às 15:10

O autor do texto conclui que "esta é a essência de um Estado Laico e democrático". Então quer dizer que as pessoas não tem o direito de dizer que a família é composta de homem e mulher? O que faz de um Estado uma democracia é justamente o direito de se defender o que pensa.

Marcos Vanissardo disse:
08 de junho de 2015 às 15:16

O aborto defendido pelo Presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família, é apenas um assassinato de menor incapaz e inocente por motivo torpe, ocorre que para fins de eufemismo, dá-se o nome de "aborto", ao que é um perfeito homicídio de inocentes.

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