Todos já sabemos dos episódios ocorridos no estádio do Valencia Futebol Clube no domingo último. A malta entonou coro de "mono", "mono" contra Vinicius Jr.
Na confusão, a vítima foi expulsa. Incrível.
O inusitado foi a entrevista do técnico Ancelotti. A repórter perguntou sobre o jogo. Ele perguntou se ela queria falar mesmo disso. Ela disse que sim. Ele redarguiu: prefiro falar de outra coisa. Quero falar do que ocorreu aqui.
A repórter insistiu em falar de futebol. E ele: "— falar de futebol? Vamos falar de racismo. Vamos falar de La Liga. Vamos falar do que ocorreu".
Veja-se: um crime contra a dignidade humana acabara de ser cometido por milhares de réus nas arquibancadas.
E a repórter queria saber… do jogo. Da bola.
Ancelotti respondeu "por princípio". Arché. Falar de quê? De bola? Que bola?
Para a repórter, as lavas do Vesúvio desciam cobrindo a tudo e a todos…, mas ela preferia arrumar o quadro de Van Gogh na parede.
Assim caminha a humanidade. Chove nas cabeceiras do rio no alto da serra; as águas descem; chove há muitos dias.
E nós nos surpreendemos com… a enchente.
O combate ao racismo é algo que deve ser feito por princípio. Não tem "mas". A Espanha necessita "se olhar". Nós também.
La Liga de Futebol precisa de um divã. Quantas vezes esses episódios já ocorreram?
Carlo Ancelotti matou a pau. Ganhou muitos pontos. Até para ser nosso técnico de futebol.
Post scriptum: E o senador Magno Malta quer defesa dos macacos e reclama da imprensa por criticar racismo
E o dublê de pastor e político, Magno Malta, do Espírito Santo (vejam a importância da vírgula), cleptou a cena no plenário do Parlamento.
Enquanto o mundo criticava o episódio do racismo ocorrido contra Vinicius Jr, ele criticava a imprensa. Afinal, a imprensa critica porque vende anúncios ou algo assim, disse.
Depois do vídeo de Dallagnol fazendo uma fake news contra o projeto das fake news, o senador Malta fez o pronunciamento da década. Ao que deu para entender, para ele os macacos restaram prejudicados no episódio. Ele pergunta: "Cadê os defensores da causa animal que não defendem o macaco?"
Pois é, senador. Onde foi que erramos? E por que insistimos em não estocar comida? Oh, céus!
E por que não fugimos para as montanhas? Por que não seguimos o conselho do filósofo contemporâneo I. Maiden, em seu best seller "Run to the Hills", cujo subtítulo é "Why will God send the second flood to catch the foolish?"
Quem ler direitinho a coluna ganhará um exemplar! Autografado pelo filósofo.
Outro livro recomendado: "How sarcasmos can save you" (Como o sarcasmo pode te salvar). Ou um em português: "Fora do sarcasmo não há saída".
Há ainda um clássico: "Por que devemos pentear macacos", 35ª. tiragem. Talvez mais um, escrito em resposta: "Por que macacos não gostam de ficar com os cabelos desalinhados". Em quadrinhos e capa dura.

White man came across the sea
He brought us pain and misery
He killed our tribes
He killed our creed
He took our game for his own need
We fought him hard
We fought him well
Out on the plains we gave him hell
But many came too much for cree
Oh, will we ever be set free?
Riding through dust clouds and barren wastes
Galloping hard on the plains
Chasing the redskins back to their holes
Fighting them at their own game
Murder for freedom, the stab in the back
Women and children are cowards attack
Run to the hills
Run for your lives
Soldier blue in the barren wastes
Hunting and killing their game
Raping the women and wasting the men
The only good indians are tame
Selling them whiskey and taking their gold
Enslaving the young and destroying the old
Streck, assista o documentário: O império dos macacos.
Acho que vai gostar.
Professor, excelente coluna! Apenas um simples apontamento, pois, o filósofo responsável por "Run To The Hills" é Steve Harris, integrante do conjunto de filósofos contemporâneos chamado Iron Maiden ou, em tradução livre, as Donzelas de Ferro.
Está cada vez mais difícil conversar com certas pessoas, pois elas não se envergonham de falarem estultices, ainda mais sendo Senador da República ou mesmo jornalista.
BRILHANTE Professor....como sói acontecer.
"Excelente comentário" que traduz um emarado do qual nada se consegue entender e nem o que exatamente o comentarista quer se referir.
Muito bom comentar sobre o que não se entendeu e, melhor ainda, entender o que se está comentando.
Realmente a coluna não é para o entendimento de todos.
Sigo feliz por entender que dei conta de entender a coluna
Dá-lhe Vesúvio!
Apoiado, é verdade.
Possivelmente, diante de seu pensamento, rigorosamente, organista e pragmático, como todo advogado, não conseguiu entender a extensão "subjetiva" do comentário.
Mas, não é nenhum desdouro!
Você precisa estar logado para enviar um comentário.
Fazer login