Venho escrevendo sobre o ChatGPT (ler aqui e aqui). Hoje faço um acepipe da coluna que sai na quinta-feira.
É que as notícias abundam.
O portal Terra noticia que o ChatGPT, sistema de inteligência artificial (IA) da OpenAI, capaz de criar textos, já provou ser um bom aluno: a ferramenta "foi aprovada" no exame final do Master in Business Administration (MBA) da Universidade de Wharton, no Exame de Ordem (MBE) e também no Exame de Licenciamento Médico dos Estados Unidos (USMLE). O sistema já vinha preocupando professores pela sua habilidade na criação de textos, que pode ser usada para trapacear em testes.
Sobre o robô estelionatário falarei na coluna Senso Incomum.
A aprovação no MBA foi parte do estudo realizado pelo professor Christian Terwiesch, que usou a inteligência artificial GPT-3, da OpenAI e usada no ChatGPT. Ele concluiu que a IA seria aprovada com nota B a B– no exame de MBA — nos Estados Unidos, os critérios de avaliação são por letra, sendo A equivalente a 10.
Já o Estadão dá conta de que, em um experimento conduzido por Daniel Marques, filósofo, advogado e presidente da Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L), o sistema marcou 48 pontos dos 80 possíveis na prova de primeira fase da Ordem dos Advogados do Brasil aplicada em 2022 — para obter aprovação, são necessários 40 pontos.
Pronto. Eis aí a prova do paradoxal sucesso que, por ser paradoxal, é, ao mesmo tempo, a prova do fracasso. Porque o robô mostra o fracasso da humanidade.
Para ficar no nosso ramo, se o robô consegue passar no exame da OAB, não é talvez porque o robô seja bom; é porque o modelo de prova é um fracasso. Quiz show que denuncio há tantos anos.
É até inacreditável que isso precise ser dito. Alguém tem mesmo fé num modelo em que um robô é aprovado? Aguardamos o próximo passo: como se sairá o robô na prova da magistratura? Ou do MP? Ou da AGU?
O ponto: estamos formando profissionais de direito sem que se exija qualquer raciocínio prático — atenção: no sentido próprio do termo — desses profissionais? O processo cognitivo — não vou nem falar de outras dimensões, sobre as quais falarei na quinta-feira — que marca o direito está para além do que as máquinas têm a pretensão de responder em primeiro lugar. Se o robô tem êxito no teste, o fracasso é do teste.
O fracasso é nosso, pois.
Continuemos com isso. Vamos logo saber que o robô escreve melhor as notícias, faz melhores músicas e melhores pinturas. Deux ex machina mostrando o ponto do não retorno da estupidez humana.
A única coisa que o robô ainda não faz é responder a pegadinhas. Dia desses vi a prova. Perguntaram para o ChatGPT se ele conhecia o Mario. O robô perguntou "qual o Mário"? Bingo. O robô ainda precisa se aperfeiçoar. No ramo das anedotas.
No resto ele já, no seu começo, mostrou que é melhor que a maioria dos alunos que fazem a prova da OAB. Ou dos alunos dos EUA como mostra o portal Terra.
O robô está engatinhando. Logo, logo, é ele quem perguntará coisas sobre o Mário.
E todos nós atrás do armário com o ChatGPT.
Realmente, o doutor Lenio levanta uma questão que merece reflexão. Estamos voltando de onde viemos. Nada contra os extraordinários avanços tecnológicos, que são muito bem-vindas como ferramentas imprescindíveis de pesquisa. Mas daí abrir mão de nossa capacidade cognitiva (absorção de conhecimento) para ficar na dependência daquilo que diz um certo robô, é um passo longo e demasiadamente perigoso. Afinal, é o cachorro que abana o rabo, pois não?
A revolução científica iniciada no século passado interferiu e interfere na tecnologia. Ela continua em franca expansão, principalmente nos países desenvolvidos. clefindmkaj/https://brapci.inf.br/index. php/res/download/108479
Todos tornaram-se dependentes das tecnologias que facilitaram a vida urbana e rural
"O auge dos estudos relacionados à questão interação humano -computador ocorreu na década de 1990, no qual houve uma convergência de interesses entre os produtores de tecnologias de informação, cientistas sociais e usuários. Inicia-se uma maior preocupação com aquele que irá utilizar a tecnologia desenvolvida – o usuário final" chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcgl
A sinergia entre o homem e a máquina, na qual o primeiro coloca a segunda em seu benefício, ocasiona verdadeira simbiose, permitindo uma sólida associação, ao contrário de seus críticos, sem a prevalência de um ou de outro.
Os tribunais, podem usar? Seria uma trapaça? O que se faz com o princípio da identidade física do Juízo? Os nuances processuais, ficam adstritos à estatística? Já chega ver, não julgado, dois mil a três mil julgados por sessão.
Pelo contrário, tendo sido alimentado com informações jurídicas, o robô teria de ter fechado a prova, acertando a totalidade das questões. Fazendo somente 48 pontos demonstra a incoerência das questões formuladas para garantir reserva de mercado.
Não me canso de dizer : Sou "tiete " do Dr. Lenio Strech ( espero que tenha escrito da forma correta) desde a época em que Dra. Fátima Santoro organizava os belíssimos congressos no Rio de Janeiro : " Os Notáveis do Processo " . Lembro-me , quase que, uma a uma , as suas palavras sobre o garantismo penal. Mas, assim como Pelé falava do perigo do abandono das crianças , parece-me que as palavras sensatas , no Brasil e no mundo não são ouvidas. O alarde e a propaganda que se faz sobre vidas virtuais , a meu ver, tenderão a promover um novo conceito de Justiça , ou seja, a verdadeira: aquela da espada em punho e o que hoje chamam de Judiciário tenderá a ser uma alegoria que só será comparada a uma escola de samba( aproveitando a época), onde tudo é carnaval. O judiciário tenderá a ser tão fantasioso ao ponto que provará da sua própria inutilidade e futilidade . E , na condição de mediadora e , ainda, advogada , vejo que a espada que brandirá será a possibilidade de formar uma seleta sociedade de pessoas com pés no chão, longe do Judiciário, que olham , abismadas , outras que voam nas nuvens : ou seja, esse judiciário de Inteligência Artificial e algorítmos, pois não é possível conviver sem todas as experiências sobre a diversidade , entusiasmo e inteligência humana, pois somos seres controvertidos e complexos e não haverá mordaça tecnológica capaz de nos domar . Por isso, Dr. Lenio, conclamemos aos homens da Terra de Boa Vontade a continuar a luta contra os "homens " das nuvens que tentam nos encarcerar nesse mundo virtual , sem sentido , sem sentimento , sem prazer , sem nexo .
O colunista deveria se informar melhor sobre a evolução e o funcionamento da IA. Não existem culpados; as questões de todas as provas exigem um raciocínio logico e abstrato (até certa medida) para suas resoluções e a IA tem a capacidade de análise e de formular respostas minimamente coerentes com a questão, quer o ilustre goste ou não. A evolução tecnológica das IAs está aí. Não subestimem.
Logo, logo os seus clientes recorrerão ao "robô" e não mais a você. Afinal, a competição e o livre mercado serão reais. E quando até um "pet" é nomeado por uma seccional da OAB, não demorará para o "Dr. Gpt" ganhar a sua inscrição e pagar anuidade com bitcoin. Relaxe!
É a evolução tecnológica, DoutoraTherezinha Matos Henriques (Advogado Autônomo - Civil), que permitiu que S. Exa., distante ou fizesse o seu comentário na Conjur.
É a evolução tecnológica que permitiu a eliminação de doenças, antes endêmicas e epidêmicas.
É a evolução tecnológica que permite a S. Exa., que, de seu Estado de origem, defenda cliente em processo aberto em outro Estado da Federação Brasileira.
É a evolução tecnológica...
Correto o pensamento do Doutor Rinaldo Maciel. Questões da OAB realizadas sem a mínima coerência para garantir o mercado daqueles que, no futuro estarão soluçando.
O Doutor Eduardo, como sempre, perdido em suas meditações nada metafísicas, em sua trincheira profissional, procurando assegurar lugar em um mundo no qual a tecnologia o desprezará!
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