Orientar cliente é um dever, afirma advogado de Suzane

“É dever do advogado orientar seu cliente. Inclusive dizer quando e o que ele deve falar, se deve calar, se deve ou não levantar a cabeça, se deve olhar nos olhos do interlocutor, se tem de responder às perguntas e esclarecer os fatos ou se deve responder sem esclarecer nada.”

A afirmação é do advogado Mário de Oliveira Filho, que representa junto com seu irmão, Mário Sérgio de Oliveira, Suzane von Richthofen, a jovem de 22 anos acusada de planejar e participar do assassinato dos pais, Manfred e Marisa Richthofen, em 2002, junto com seu ex-namorado Daniel Cravinhos e o irmão dele Christian.

Neste domingo (9/4), o Fantástico, da Rede Globo, exibiu uma entrevista em que Suzane chora (ou finge que chora), diz que foi forçada pelo namorado a planejar a morte dos pais e que quer voltar a ter uma vida. Em seguida, exibiu trechos da gravação em que o advogado Mário Sérgio orienta Suzane a chorar e a interromper a entrevista, como foi feito seguidas vezes.

O espetáculo, considerado por muitos como uma farsa, levantou polêmica sobre o papel dos advogados da acusada que deve ir a Júri Popular no próximo dia 5 de junho, junto com seus cúmplices no crime. O que se pergunta é: que tipo de orientação a ética profissional permite que o advogado dê a seu cliente?

Em entrevista à revista Consultor Jurídico, Mário de Oliveira Filho afirmou que “ao advogado é proibido forjar provas, documentos, orientar testemunhas”, mas não orientar o comportamento do cliente. O advogado afirma que se mesmo em juízo é facultado ao réu o silêncio — já que ninguém é obrigado a se auto-incriminar ou a produzir prova contra si próprio — numa entrevista a um programa de televisão ele deve estar bem assistido.

Sobre o momento mais controvertido da entrevista — quando o advogado supostamente orienta a ré a chorar e a interromper a entrevista — Oliveira Filho afirma que a edição da reportagem não mostrou o momento em que Suzanne pergunta a seu irmão, Mário Sérgio, o que deveria fazer caso se sentisse agoniada. Ao responder a essa pergunta, teria partido a orientação : “Começa a chorar e fala: ‘Eu não quero mais’.”

Ética profissional

Em entrevista à repórter Laura Diniz, do jornal O Estado de S.Paulo, o promotor de Justiça Roberto Tardelli, que comanda a acusação contra Suzane, comemorou as imagens e afirmou que a reportagem do Fantástico “dá uma força grande para a acusação porque revela quem é ela e quem são as pessoas que a ampararam”.

Para o advogado criminalista Antônio Ruiz Filho, o profissional não pode orientar o cliente na prática do crime. Mas a orientação “para uma entrevista faz parte de um conjunto de providências que o advogado tem de tomar na condução da defesa”. Para Ruiz, não houve infração ética no caso.

Outro advogado criminalista, que prefere não se identificar, afirmou que defesa de Suzane se meteu numa grande trapalhada ao programar uma entrevista da ré, na principal rede de televisão do país, ás vésperas do Júri. “Faltou inteligência aos advogados”, diz ele.

Segundo o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, contudo, as cenas mostradas pelo Fantástico “afrontam preceitos éticos que norteiam a advocacia”.

O presidente nacional da Ordem, Roberto Busato, afirmou que “a advocacia é estribada em rígidas regras éticas e morais e não se pode admitir nenhum tipo de procedimento que não esteja em conformidade com aqueles dispostos na ética”. Busato disse que cabe à seccional paulista — onde os advogados estão inscritos — apurar a eventual falta profissional e aplicar a devida sanção.

A seccional de São Paulo irá apreciar o caso. Dirigentes da entidade se reunirão na tarde desta segunda-feira (10/4) para definir uma posição frente à polêmica e emitir uma nota oficial sobre o episódio. Mario de Oliveira Filho, um dos advogados de Suzane que está sendo questionado, é presidente da Comissão de Prerrogativas da seccional paulista da OAB.

Rodrigo Haidar

é chefe de redação da revista Consultor Jurídico.

olhovivo disse:
10 de abril de 2006 às 16:55

O erro do dr. Mário foi subestimar a malícia da imprensa. Quanto ao cerne da questão, é papel do advogado sim orientar o acusado de como deve falar, agir ou se portar, principalmente diante do grande inquisidor:a mídia. Quanto à manifestação do dr. Busato, ao invés de defender o papel do advogado, prefere tomar o partido da mídia, que é mais cômodo.

Cleber disse:
10 de abril de 2006 às 17:05

ATENÇÃO AOS NÃO OPERADORES DO DIREITO.
Não defendo o que Suzane fez e em minha opinião, deverá ser condenada com todos os rigores da lei, no entanto, verifico que de fato a intenção dos nobres colegas ao permitir uma entrevista a tão pouco tempo do julgamento, foi sem dúvida, o de demonstrar ao público, e certamente aos jurados que serão ainda escolhidos, e que provavelmente assistiram ao Fantástico ontem, que Suzane é uma "garotinha" frágil, manipulável, que só assentiu no assassinato de seus pais, pois como "princesa" que era, queria continuar a namorar com o "plebeu". A idéia até que não foi das piores, mas como bem disse o Promotor Tardelli em entrevista, a atuação de Suzane foi de 5ª categoria...Todos devem se lembrar da cena de Suzane deixando a cadeia, com seus cabelos surpreendentemente bem tratados, agora é vista de pantufas e camisa da Minie aparentando ter 12 anos de idade, balbuciando monossílabos, quando na verdade é extremamente articulada ao ponto de dominar 3 idiomas! Agora imagine efeito disso daqui a dois meses quando ocorrer o julgamento. Ela já está condenada. Quanto aos nossos dirigentes( OAB) que adoram holofotes, tenho a dizer que com toda a tranquilidade, o nobre defensor de Suzane agiu nos limites da ética. Afinal, não orientou testemunha, não manipulou provas ou forjou documentos,apenas e tão somente orientou a Ré como portar-se numa entrevista como muito bem retrata o artigo acima, e isto é muito comum, ou não senhores criminalistas? Advogados que se criticam e exigem punição aos defensores de Suzane, estão deixando-se levar pelo "clamor das ruas" e isso é inadmissível para operadores do direito que trabalham com "leis, fatos e argumentos".
Ademais, apenas sugiro aos nobres defensores, que caso as imagens da reportagem venham a ser solicitadas à Rede Globo, que o sejam SEM EDIÇÃO, para que certamente não sejam veiculadas mensagens tendenciosas (embora altamente esclarecedoras, mesmo que editadas) como a verificada na reportagem.

Lord Tupiniquim - http://lordtupiniquim.blogspot.com disse:
10 de abril de 2006 às 17:25

Manifesto aqui meu repúdio aos advogados que pensam que podem tudo em favor da defesa de seus clientes. È possível defender alguém sem chicanas, com sobranceria. Invertem tudo. Falam da ditadura da mídia. Ela existe em um caso ou outro. Mas ontem no Fantástico não houve nada disso. Inventaram uma versão estapafúrdia - de que a assassina seria uma pobre vítima inocente, levada ao mais bárbaro dos crimes por obra dos irmãos cravinhos. Precisavam de uma atriz e tentaram a tétrica peça teatral com Suzane Von Rich....bem feito...Espero que o episódio sirva de lição para menos malandragem ...não existe um fosso entre a ética e o direito...a indignação de todos com o circo montado pelos ineptos advogados de defesa, estrelando a mais incompetente atriz que já se viu é a indignação também de todos - bacharéis e não bacharéis - me nego a cavar um abismo entre a minha profissão e a ética

ARTHUR SOARES - Especialista em Direito Público disse:
10 de abril de 2006 às 17:31

O episódio veiculado pela Globo preocupa-me por duas razões: (1) a falta de limites à atividade jornalística, mais preocupada com seus picos de audiência, e, (2)o prejuízo para o processo, sim, porque não é crível que o Júri não terá sido influenciado pela reportagem.
Nesse sentido, a Globo prestou um desserviço à Justiça, quer à ré, quer ao próprio Juízo.
Se advogado fosse da ré, pediria ao Juízo o adiamento do julgamento a bem de se restabelecer, ao menos em parte, um senso comum não-viciado.
Ademais, se a sociedade erigiu o processo como meio idôneo na busca da verdade real e da Justiça, o que faz com que os dirigentes dos poderosos meios de mídia se arvorar no direito de pré-julgar?!
A função do advogado é de orientar o seu cliente, portanto, não faltou ética aos causídicos. Faltou, sim, aos jornalistas!
Lamentável episódio.

olhovivo disse:
10 de abril de 2006 às 17:33

Se até o dr. Márcio Tomaz Bastos esteve na casa de Palocci para orientá-lo e indicar um competente advogado, por que não poderia um advogado constituído orientar sua cliente?

João Bosco Ferrara disse:
10 de abril de 2006 às 17:35

A matéria da Globo prestou um grande serviço para Suzane, e seus advogados saberão tirar proveito disso. A matéria que a desqualifica, lincha, enxovalhando-a publicamente, tem o condão de gerar suscetibilidades negativas da população em relação à Suzane, o que compromete o júri. Desse modo, os integrantes do júri que tenham assistido a matéria e acompanhado o caso pela imprensa, desde que esta já (pre)julgou e condenou Suzane, não podem participar do conselho de sentença. Isso dá aos defensores a munição que precisavam para rejeitar, um atrás do outro, os jurados que se apresentarem, sob o argumento de que para terem a isenção necessária ao julgamento do caso não podem ter tido qualquer contato com matérias sensacionalistas a respeito do caso, pois isso implica já estarem com o espírito e a opinião formada sobre o assunto, pelo menos uma enorme probabilidade de isso acontecer, o que compromete a isenção com que se deve pautar o jurado. A Globo, que se acha a maioral, pensando que estava fazendo um bem para a sociedade, no tão propalado direito de informar, mesmo à custa da quebra do sigilo profissional, imiscuindo-se como "insider" na relação do advogado com seu cliente, sem ter sido convidada a dela participar, acabou prestando um grande serviço à defesa de Suzane. Isto é, se os juízes forem corretos e éticos no aplicarem a lei e os princípios de direito, sem se intimidarem nem se afogarem no deslumbramento com os holofotes da mídia.

caiçara disse:
10 de abril de 2006 às 17:43

E a advocacia criminalista vai indo pro buraco....
Primeiro o "nobre colega" marca uma entrevista no Fantastico pra "armar um K.O. pro futuro juri". Vai lá e acha que "está tudo sob controle"! Que vai enganar o reporter ávido por um furo! Hahahaha! Foi brincadeira escutar o "nobre colega" orientando a sua cliente a "chorar e negar os fatos" e a "menina" dizendo pro "nobre colega" que "não dava, que não estava triste", etc!
Patético!
Depois outros "nobres colegas" vem aqui e falam: "não, tem que oprientar sim senhor, tal e qual o nobre colega!"
Oras, o processo penal busca a verdade real, se o cara tem que mandar a cliente mentir é porque ele "sabe" que ela matou. Se estamos todos na busca da verdade real quando atuamos no processo crime, então o "nobre colega" esta agindo contra legem! Contra a verdade e contra o objetivo do processo!
Brigar pela absolvição de inocentes, pela aplicação justa das leis, é uma coisa! Outra totalmente diferente é ser quadrilheiro! Porque o "nobre colega" que fomenta esse tipo de espetáculo que presenciamos no Fantástico atua contra a profissão do jurista!
Como justificar a atuação dos advogados perante a sociedade se tudo o quê os cidadãos veêm de "nossos pares" é a ganância, o logro, a defesa dos ímpios, a atuação em farsas e mentiras?
E não me venham com churumelas! A OAB/SP deve tomar as devidas providências contra quem montou a verdadeira "peça de quinta categoria" nas palavras do Promotor, corroboradas pelo Dr. Busato, ou então caminharemos cada vez mais ao fundo do poço, com nossas principais instituições confundindo a defesa de prerrogativas e direitos com a defesa de logros, mentiras e privilégios!

caiçara disse:
10 de abril de 2006 às 17:45

Ao João Bosco e ao Josias,
Se quem viu o Fantástico não poderá participar do juri, então, meus amigos, o Juri vai ser em Marte! ahahahahahaha!
E mesmo lá a guria dançou!ahahahahaha!

Washington disse:
10 de abril de 2006 às 17:47

Acredito que a advocacia enfrenta problemas bem maiores, que ensejariam posições mais contudentes do DD. Presidente da OAB Nacional, do que ele tentar se investir no papel de advogado da Rede Globo de TElevisão.

Decerto, a Globo quis repetir o sucesso da reportagem anterior da Record que mostrava a acusada na praia, e dar um tom mais sensasionalista para a entrevista.

Nas palavras do Dr. Busato, é um ato extremamente grave e odioso o advogado instruir o acusado a como se portar em uma entrevista televisiva.... merece a.. "PENA DE MORTE"

Valha-me Deus... É FANTÁSTICO!

ARTHUR SOARES - Especialista em Direito Público disse:
10 de abril de 2006 às 17:53

Caiçara
Você até pode ter razão quanto a dificuldade de se encontrar um Júri imparcial, mas não impossível.
Por outra lado, temos um fato: a Globo municiou a defesa e prejudicou o trâmite do processo.
A Globo - como qualquer outra mídia - deveria repensar a sua atuação.

caiçara disse:
10 de abril de 2006 às 17:56

Só terá municiado a defesa em face de uma eventual "bananês" do presidente do juri.
Se tudo rolar como a lei manda o juri ocorre, esse episódio será mais uma mácula à advocacia criminal, e a guria é condenada à pena máxima menos um mês, pra não ter risco de recurso protesto por novo juri...hahahaha!

Marcellus Glaucus Gerassi Parente disse:
10 de abril de 2006 às 18:21

Quando outro dia me pronunciei a despeito de uma notícia que dava conta do não cumprimento de um alvará de soltura por parte da carceragem da Cas de Detençaõ de Guarulhos, o nobre Dr. Mário de Oliveira - que inclusive ha muito aprendi a admirar sua coragem e altivez na defesa da advocacia, muito antes de se tornar dirigente da OAB/SP - o meso levou para o lado pessoal. Na realidade, e infelizmente, o Dr. Mário fora vítima do desacato à profissão, da crescente e desmensurada orquestração perpetrada por forças obscuras que operam no Judiciário para desmoralizar e desacatar as prerrogativas da profissão. Como muito bem colocado pelo Dr. Mário, não é só dever, como OBRIGAÇÃO do "munus" profissional a orientação ao seu constituinte. Hoje o digníssimo bastonier de plantão no Conselho Federal solta suas pérolas conforme o gosto da mídia, solapando o Estatuto que rege os profissionais que supostamente representa. Dr. Mário, sempre lhe conhecí e desde a muito lhe admiro - inclusive pelo que pude aprender consigo - acerca da defesa da advocacia, para que possamos continuar a vivermos em um Estado de Direito, e não em um Estado de Excessão regido por clamores afastados da aplicação do Direito de cada cidadão. Não se trata de defesa de assassinos, pois a própria Carta Política indica que todos somos inocentes até o trânsito em julgado de sentença condenatória - e que tal premissa é escantilhada pela mídia, ou por ignorância, ou por sensacionalismo -, mas sim defesa das prerrogativas que aprendemos a defendê-las com nomes de expressão, dentre estes Mário de Oliveira Filho e Mário Sérgio de Oliveira, e principalmente Dr. José Roberto Batochio, então presidente da OAB quando da redação e promulgação do Estatuto ora vigente. Basta de tratarem o Estatuto da OAB como simples leitura didática, o Estatuto da OAB é lei federal promulgada pelo Presidente da República e como tal temos o dever de acatá-lo e respeitá-lo, principalmente o presidente do Conselho Federal. Basta de abusos contra a profissão de advogados.

Neli disse:
10 de abril de 2006 às 18:34

Boa tarde!
Penso o seguinte,o advogado poderia ter orientado antes;mas um advogado geralmente orienta seus clientes e não vejo nada demais no caso.Penso mais: a mídia tem que parar de perseguir a moça. Se a indignação da mídia contra a moça fosse voltada contra os corruptos e larápios que pululam no País,o Brasil não seria o quase campeão daq corrupção no mundo.

------- disse:
10 de abril de 2006 às 18:41

LUIZ COSTA - Com razão o "romano" dr. Marcellus Glaucus Gerassi Parente. Muito bem lançado o seu comentário. Os caras que têm responsabilidade como dirigente de uma instituição como a OAB Nacional tem de parar de jogar para a platéia. O comentário do "Caiçara" não disse a que veio, inclusive sua risada imotivada. O Josias, com todo o respeito, quer a volta da censura. Meu Deus!!! A mídia tem o seu papel e deve exercitá-lo de forma competente e nada há que macule a reportagem da Globo. A mídia tem de divulgar, sim, tem de entrevistar, sim! O colega advogado não pode pensar em esconder isso ou aquilo. Que a moça e os outros vão ser condenados, não há dúvida. No meu entender a reportagem nem ajudou muito nem prejudicou muito a moça. Ficou na coluna do meio. (Não assisti à reportagem, porque sigo a opinião do ex-comentarista Salomão Esper (grande jornalista), do "Jornal da Bandeirantes -Gente", que era apresentado pelo José Paulo de Andrade, há muito tempo passado, quando disse que o Fantástico era "o jornalismo da inutilidade".

Neli disse:
10 de abril de 2006 às 18:49

Mais ainda: um abuso a Mídia massacrar ,não só essa moça,mas como tb todos os criminosos. A mídia se arvora na condição de magistrado;muitas vezes,quiçá à míngua de defesa ou de acusação,os advogados e promotores vão sustentar oralmente perante a TV/rádio,etc.Dias atrás,num crime de bagatela, a imprensa,talvez se esquecendo que o furto/roubo é crime a fez entrevista com uma senhora...Numa verdadeira apologia ao furto de bagatela. Um acinte,pois está se arvorando,ao arrepio da Constituição Federal,das funções de promotor e juiz. O inquérito policial é sigiloso ,mas hoje o que se vê? pessoas detidas e algemadas para "aparecer" na mídia,denúncia ofertada na mídia...
Será,meu Deus do Céu,que todos nos esquecemos da Escola de Base?

ARTHUR SOARES - Especialista em Direito Público disse:
10 de abril de 2006 às 19:29

Ao colega Luiz Costa
Apenas para esclarecer, não defenso a volta da censura à midia, apenas que se coloque no seu devido lugar. Quem acusa é o Ministério Público. Advogado defende o réu sob a liberdade da ampla defesa. E, por fim, ao corpo de jurados compete julgar e, estes, não deveria ser influenciado por reportagens sensacionalistas. Isso, caríssimos doutores, é o processo.
Ao pensar assim, defendo uma atuação fulcrada, verdadeiramente, no Estado Democrático de DIREITO!

Glayston disse:
10 de abril de 2006 às 19:37

Os colegas advogados entendem que não foi falta de ética a instrução passada pelos advogados para que a entrevistada chorasse ou fizesse de conta que estava triste.
Me faço a seguinte pergunta: e a Justiça? Como se fará a Justiça no caso, já que aos réus é permitido/obrigatório mentir, tangiversar a verdade com o auxílio de seus advogados. E a sociedade? Quem fará a defesa da sociedade.
A vida em sociedade só foi possível com a criação de leis para harmonizar a convivência dos indivíduos dentro dessa sociedade, a continuar assim vai ser a lei do dente por dente e do olho por olho, a Sociedade vai desacreditar da Justiça e será realmente a volta ou melhor o mergulho na barbárie.
Se ser bom advogado é ensinar o cliente a mentir, ainda bem que eu saí dessa profissão, pelo visto era mesmo um péssimo advogado.

Lord Tupiniquim - http://lordtupiniquim.blogspot.com disse:
10 de abril de 2006 às 20:08

Orientar cliente é um dever...mas desde quano coreografar cenas de uma peça burlesca, tentando ludibriar a opinião pública é dever do advogado? Não estaria mais para o papel de diretor de teatro de comédias ruins?

Raul Haidar disse:
10 de abril de 2006 às 20:28

Não me parece estar presente qualquer infração ética. Infrações devem estar claramente definidas na Lei. Não há, na lei 8906, qualquer tipificação para os fatos aqui tratados. Caso o Tribunal de Ética e Disciplina da OABSP venha a aplicar alguma penalidade aos advogados neste caso, o Judiciário, se acionado, deverá anular a punição, se ainda existir à época, o que se chama de "Estado Democrático de Direito". Digo "se existir", pois como anda o País é provável que isso deixe de existir em breve. A FENAJ - Federação Nacional dos Jornalistas adotou um "Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros" cujo artigo 9º diz que é dever do jornalista: "e) Opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos do Homem" e "g) respeitar o direito à privacidade do cidadão". Não creio que, neste caso, esses deveres foram observados pelos jornalistas. A matéria foi editada, como é praxe e pode ter omitido algo, de forma a levar a conclusão diferente da realidade. Além disso, é duvidosa a licitude da "prova" obtida com uma gravação que violou a prerrogativa do advogado em comunicar-se em sigilo com seu cliente. Nem sempre a imprensa está com a razão. Lembremoo-nos da frase de Gilberto Dimenstein: “Nós, jornalistas, temos o vício da arrogância. Adoramos criticar, mas quando somos alvo de críticas reagimos rispidamente. Acreditamos estar acima do bem e do mal.”
(Folha de S.Paulo, 7/2/96, pág.2-12).

Comentarista disse:
10 de abril de 2006 às 21:18

Caro Dr. Raul Haidar (Tributária),

Parabéns pelo seu comentário, o qual é merecedor do endosso de todos nós.

Comentarista disse:
10 de abril de 2006 às 21:19

A ADVOCACIA, A CRIMINALIDADE E A EVOLUÇÃO SOCIAL...

O respeito ao profissional da advocacia é proporcional ao desenvolvimento cultural de um povo.

Ou seja, quanto mais desenvolvido sócio-culturalmente um país, mais se respeita a figura do advogado; porém, quanto mais subdesenvolvido, mais esse profissional é atacado e incompreendido pelo povo.

Por outro lado, é bom lembrar que a questão da insegurança pública, da "barbárie" e da criminalidade que tomam as ruas do país não é de responsabilidade exatamente dos advogados...

Quem ganha para garantir a segurança pública é a polícia. Logo, se não há segurança e a criminalidade está desenfreada, quem deve se explicar, em primeiro lugar, é a própria polícia. Isso é simples e óbvio!

Por outro lado, é cediço entre os profissionais do direito que profissão do advogado tem muitas alegrias e algumas poucas tristezas...

Alegrias diárias por exercer uma das profissões mais dignas da humanidade, que é a de defender seu cliente por convicção de que qualquer ser humano tem direito à ampla defesa e à possibilidade de reabilitação.

Algumas poucas tristezas por ser, às vezes, mal compreendido por leigos que confundem a figura do advogado com seu cliente; sendo mais grave ainda quando, às vezes, tal "confusão" é cometida por outros "profissionais" do direito...

Finalmente, fica o consolo do exercício de uma profissão que, ao longo da história - embora tenha sido vária vezes atacada e vilipendiada (sempre por déspotas ou ditadores) - é exercida apenas por aqueles que compreendem o verdadeiro sentido da vida em sociedade, ou seja, o viver em harmonia e procurar - através das leis que regem o convívio social - sempre o engrandecimento humano e, quando necessário, a recuperação daquele que infringe as ditas regras e normas sociais.

Aqueles que cursam direito e não compreendem que todos os acusados têm direito à ampla defesa, a mentir e - principalmente - à possibilidade de reabilitação como ser humano, não devem advogar.

Podem, como consolo, prestar algum concurso público e seguir as ordens de seus superiores à risca, contentando-se em mamar nas "tetas" do governo até suas merecidas aposentadorias, sem - inclusive - terem de enfrentar o competitivo mercado de trabalho privado para sobreviverem (como fazem os advogados).

Quanto ao reconhecimento futuro, a história se encarregará de colocá-los em suas merecidas páginas...

Por fim, quanto ao julgamento de Suzane, vale a pena esperar para saber qual a opinião dos Jurados que irão julgá-la...

É que, há poucos dias atrás, o TJ/SP absolveu o Coronel Ubiratan por entender que o mesmo agiu em "estrito cumprimento do dever legal", reformando a sentença popular que o havia condenado a centenas de anos por ter liderado o famoso "Massacre do Carandiru".

Lembremos ainda que, entre o julgamento popular e o julgamento do recurso pelo TJ/SP, o Coronel aguardou "em liberdade", sendo que, logo após sua absolvição, deu "entrevista coletiva" para dizer que "sempre acreditou na justiça"...

Talvez pelo fato de os 111 mortos terem sido simples "presos", o "direito de matar" foi tão bem reconhecido e aceito por todos nós, brasileiros...

Por essas e outras é que, salvo melhor juízo, talvez seja mais prudente aguardar o julgamento - em última instância - dessa infeliz garota...

Por outro lado, vale a pena refletir que, talvez, a "ética" da Rede Globo seja mais ética que a "ética" dos profissionais do direito que tanto atacam os advogados de réus famosos e pregam - em alguns casos - até mesmo a pena de morte sumária para alguns acusados...

Talvez seja mais perigoso passar uma noite preso com a Suzane que com aqueles que - no "estrito cumprimento do dever legal" - executaram 111 presos...

Talvez as vidas dos 111 presos valham menos que as vidas dos pobres pais de Suzane...

Talvez um dia tenhamos orgulho de sermos chamados de “brasileiros (as)”...

Esta é, data vênia, a minha opinião.

RBS disse:
11 de abril de 2006 às 00:30

Orientar sim, agora ensinar a Interpretar...(mandar chorar, fazer caras e bocas, etc...). Isso é para professor de Teatro. Advocacia tem que ser algo justo para a perfeita aplicação da pena (pois ela é ré confessa).

José Carlos Guimarães disse:
11 de abril de 2006 às 00:33

O espirito de corpo está presente em todas as profissões, mormente entre os profissionais de direito penal, que defendem bandidos - "profissionalmente", é verdade, mas muito imbuídos no seu trabalho.Queria vê-los fazer o mesmo pelo simples dever de defesa... gratuitamente.

De fato, sempre há alguém determinado a defender o lado sujo. Afinal, qual a justificativa dos mais de 30 advogados do cidadão Beira-mar?

Essa ética no direito, a meu ver, combina bem com o nosso legislativo.

J.Carlos - Jornalista

Rossi Vieira disse:
11 de abril de 2006 às 00:44

Minha solidariedade ao presidente da comissão de prerrogativas Dr. Mario de Oliveira. A moça da reportagem ( repórter ?) usou de pura sacanagem ( falta de caráter) e invadiu uma ceara que não é dela. Péssima imagem tem essa moça, que no andar da carruagem deve dar as mãos ao Cesar Trali. Por essas e outras nunca deixei cliente meu abrir a boca , especialmente para a Rede Globo.

Otavio Augusto Rossi Vieira, 39
advogado criminal em São Paulo.

Reginaldo disse:
11 de abril de 2006 às 09:46

Perclaro José Carlos Guimarães, vejo o mundo do nosso tempo num abismo ético e moral. Na minha concepção os advogados erraram e, erraram feio, mas a jornalista não fez bonito, pois ouvir conversa particular é feio. Agora, em se tratando de ética, tenho para comigo que nenhum escritório ou órgão ligado à advocacia elegeu e derrubou presidente, ou tão pouco faz propaganda deslavada a favor de determinado partido, ou recebeu a fundo perdido 50 milhões de dolares, para noticiar determinados interesses políticos. Ética não é o forte da mídia brasileira. Basta lembrar de um jornalista que tentou extorquir o Marcos Valério, fato pouco noticiado, não? Quanto a defender bandidos, isto fazemos sim, em prol de uma defesa justa. Já fomos acusados de defender os "badidos" da Escola de Base, já fomos acusados de defender os "bandidos" da imprensa na época da ditadura, apenas para ilustrar. Passe um dia no Fórum e depois relate na coluna a sua impressão. Saudações.

Rodrigo disse:
11 de abril de 2006 às 12:06

Realmente para darmos uma opinião mais segura em relação ao caso, há a necessidade de ver toda a reportagem sem as famigeradas edições.
O advogado deve sim orientar o seu cliente, não a mentir, talvez a omitir fatos que podem incriminá-lo, porém, no caso houve uma tentativa pueril de se tentar manipular a opiniõa pública (juri) em favor da acusada ré confessa.

glauco disse:
11 de abril de 2006 às 14:45

Apontar erros ou acertos da estratégia formulada pelos advogados passa muito longe da falta de ética. Pior é constatar que muitos integrantes do judiciário pressionados pela mídia televisiva se afastam dos pilares da isenção processual. O fundamento da novo decreto de prisão é mais absurdo que a postura da repórter da rede globo que em busca de notoriedade usou das "artimanhas" tecnológicas para realizar o "julgamento" antecipado da acusada Suzane. Minha solidariedade aos defensores.

Samantha disse:
11 de abril de 2006 às 15:05

"Orientar o cliente é um dever" diz o advogado de Suzane. Mas orientar dentro da verdade, e não ensinando-a a mentir! Onde estamos heim! Até onde irá a impunidade, graças aos tigres da trama que sempre acabam ludibriando tudo o que é justo e correto? Espero que a Justiça desta vez, coloque essa menininha safada na cadeia até morrer!
Chega de se ver pessoas danosas a sociedade, continuarem em liberdade a bel prazer, causando sofrimentos!
Alcina Maria Silva Azevedo-poeta e escritora de Campinas - SP.

Samantha disse:
11 de abril de 2006 às 15:10

Acho um absurdo ainda existirem nos comentários abaixo, pessoas defendendo a Suzane? E estarem a dizer que os jornalistas da globo erraram em ouvir conversa dos outros...FIZERAM MUITO BEM! NÃO TEM NADA DE FEIO NISSO! SEMPRE QUE POSSAMOS DESMASCARAR ALGUÉM NOCIVO A SOCIEDADE, DEVEMOS USAR DE TODAS AS FORMAS PARA FAZÊ-LO SIM! PARABÉNS A REDE GLOBO DESTA VEZ! QUEM TEM MEDO DE DEDAR É COVARDE!!!!!!!!
ALCINA MARIA SILVA AZEVEDO - ESCRITORA E POETA DE CAMPINAS - SP.

Rodrigo ROP disse:
11 de abril de 2006 às 15:52

Não quero nem comentar o fato em si, se é certo ou errado, até por não ser criminalista.
Pessoalmente, entendo que Suzane deveria ficar eternamente presa, mas entendo que não é assim que funciona o ordenamento jurídico, e sei que ela estava solta atrvés de decisões legalmente fundamentadas.
Mas tenho que discordar da visão preconceituosa do jornalista José Carlos Guimarães. Ele critica a profissão do advogado, aparentemente sem conhecer um minimo dessa maravilhosa profissão.
Ele se esquece que a função do advogado é estabelecida constitucionalmente como fundamental para a realização da justiça, e o que um advogado faz não é vender liberdade a seu cliente, mas sim dar a este o direito a um processo justo, com a aplicação da ampla defesa e do contraditório, sem os quais poderíamos voltar a tempos que é melhor nem recordarmos.
Eu gostaria de saber se o ilustrissímo sr. jornalista trabalha de graça, como ele sugere que os advogados façam? Aposto que não.
Gostaria de saber se ele acha ético, uma repórter se utilizar de meios escusos para obter informações? Espero que não.
Infeliz a comparação do sr. jornalista de advogados com os fatos que tem ocorrido em nosso legislativo federal.
O advogado só trabalha referendado nas leis, e até num processo, se uma prova é conseguida por meios ilegais ela não sera aceita. Mas, aparentemente, para o ético sr. jornalista, uma reportagem obtida de forma ilegal é motivo de muito orgulho.
Entendo que o jornalista faltou com o respeito ao chamar a essencial função de advogado criminalista de "defensores do lado sujo". Se ele quer tanto dar seus julgamentos, no minimo, escolheu a profissão errada.

disse:
11 de abril de 2006 às 19:50

E pensar que esse canalha de advogado era amigo da vítima. Com um amigo desse quem precisa de inimigo?. Essa vagabunda não tem defesa. Ela é ruim por natureza. Agora os seus advogados deveriam ser presos junto com ela. TENHO NOJO DESSE MUNDO!!!

RBS disse:
12 de abril de 2006 às 21:38

Apesar dos pesares, enfim, Suzane presa ! Justiça foi feita ! E terá que ser por muito tempo, pois não há justificativa para tal crime barbaro. Muitas pessoas sonham em ter seus pais vivos e lutam diariamente por esse ideal. Ela tinha pais, familia, dinheiro...tudo ! Tudo o que qualquer garota da Febem jamais saberá um dia o que ela poderia ter...E fez o que fez..Chega de pensarmos somente em clientes, ações, etc. Vamos pensar em nossas familias, filhos e sociedade também. Pena que não existe prisão perpetua...Alias, acho que o Estado também deveria cuidar dos bens dela, pegando um pouco para pagar a Estadia dela na prisão. Não acho justo nós, cidadões de bem, termos que pagar impostos para dar moradia e alimentar pessoas desta natureza

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