O secretário da Administração Penitenciária do estado de São Paulo, Nagashi Furukawa, pediu demissão do cargo em audiência com o governador Cláudio Lembo na manhã desta sexta-feira (26/5). Ele ocupava o posto desde dezembro de 1999.
A saída de Furukawa ocorre uma semana após o termina da onda de rebeliões e ataques supostamente promovidos pela organização criminosa do PCC — Primeiro Comando da Capital em São Paulo. Divergências na condução do caso e na política da segurança pública no que diz respeito ao sistema carcerário teriam motivado o pedido de demissão.
O ex-secretário teve de enfrentar duas mega-rebeliões no estado. A primeira em fevereiro de 2001, em que 29 unidades prisionais no estado se rebelaram. No segundo movimento organizado de presos, foram 73 os presídios dominados pelos presidiários, sob o comando do PCC.
O secretário interino será Luiz Carlos Catirse, pedagogo, funcionário de carreira da Secretaria. Ex-diretor da Penitenciária de Casa Branca, atualmente Catirse é coordenador de unidades prisionais do Vale do Paraíba e litoral.
Leia o pedido de demissão
NAGASHI FURUKAWA, Secretário da Administração Penitenciária, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência para solicitar, em caráter irrevogável, exoneração do cargo que ocupa, por razões de natureza pessoal.
Salienta que foi uma honra servir ao Governo Paulista sob a direção de MÁRIO COVAS, GERALDO ALCKMIN e de Vossa Excelência.
Nestes Termos,
Pede deferimento.
São Paulo, 25 de maio de 2006.
Será que alguém sentira falta????
Já vai tarde....
Durante doze anos lecionei na Penitenciária do Estado de São Paulo e, estudante de Direito, entusiasmei-me com o estudo dos presídios e dos presidiários. Percorri, então, todos os presídios do Estado.
Durante 10 anos fui juiz criminal em São Paulo tendo a oportunidade de aplicar minha experiência e ampliar meus conhecimentos, agora sob outro ângulo, tão enriquecedor quanto o anterior.
Posso dizer que entendo do assunto, caminhando de dentro para fora dele, na teoria e na prática diária.
Acaba de ser crucificado um homem cuja visão está muito adiante do senso comum ignorante e das autoridades idem.
Nagashi Furukawa é a pessoa que mais entende de ressocialização neste país, pois, sempre estudou os problemas da área com a visão ampla das nossas peculiaridades, sem preocupação de imitar sistemas alienígenas, produto de realidades totalmente diferentes das nossas.
Os curiosos, que nunca puseram os pés num presídio, estão agitados, invocando sistemas estrangeiros para atacar o nosso. Dentre tais atrevimentos citam o Japão, a Suécia, os EUA, enfim, paises que não têm, sequer, um ponto em comum conosco em matéria de realidade social.
Querem matar o delinqüente, pouco importando a natureza do crime e as condições do agente.
Pena é castigo e ponto final.
Até que pessoa de sua família caia na rede.
Aí é o desespero e as críticas ao rigor do sistema.
Eles ajudaram a derrubar um homem que está muitos anos à frente da ignorância do senso comum, incluindo neste as autoridades.
Este tem vergonha na cara. Também de de origem da raça amarela. Se fosse brasileiro, quereria se perpetuar no cargo.
J.Carlos
Copacabana Rio de Janeiro
Dr. Ottoni,
Com o devido respeito e admiração, a visão deste homem permitiu ao PCC avolumar-se, chegando ao ponto em que se encontra.
Pena é pena. Se condenado, cumpra. Até porque, e nunca ví ninguém responder tal questão, como se ressocializa alguém que tenha cometido vários homicídios? Como se reintroduz à sociedade um homem que fez de sua profissão invadir residências alheias, matar e roubar? Um criminoso, acostumado com o lucro fácil das docras e do crime aceitará fazer parte da sociedade, recebendo um salário, digamos, de R$ 1.000,00?
O secretário que sai levou ao sistema sua visão particular do problema. E isso o tornou um fraco. Tenho que, se agirmos logo, talvez seja possível salvar a próxima geração. Com educação integral, e de qualidade. Mas essa, que já esta perdida, deve, na medida de seus crimes, continuar segregada.
O Sr. referiu-se ao fato de alguém da família dos que são contrários ao seu ponto de vista necessitar ingressar no sistema para que se sinta o rigor. mas, com o devido respeito, pergunto-lhe: O Sr. já viu alguém, como vejo diariamente minha mãe, em pânico cada vez que anoitece? Já viu uma senhora de quase 70 anos não dormir adequadamente à mais de dois anos, em função da invasão, na madrugada, de sua pobre e humilde residência, por 6 marginais que a fizeram refém, juntamente com seu pai de 90 anos, e seu neto de 5, constantemente ameaçado do morte pelos marginais? E, além de tudo, levaram as poucas coisas conseguidas ao longo de anos de lutas? Talvez seja necessário uma experiência assim para que os que defendem tratamento brando a marginais mudem de opinião.
Pois eu lhe digo, com toda a sinceridade: Adoraria ter tido a oportunidade de ter esses monstros na mira de minha arma. E não perderia uma única noite de sono por isso. Claro, mas para isso, eu não poderia ser tratado como criminoso pelo governo, e ter acesso às armas que marginais tem e eu não....
Opiniões à parte, Dr., friso que a unica esperança que temos é exigirmos educação de qualidade, e atendimento integral a crianças e adolescentes. E, aos que já optaram pelas veredas do crime, bom, cadeia, longa e severa. Sem visitas intimas, sem TV....
Ops...
Perdão pelos erros gramaticais. Não revisei antes de enviar...
O sistema penitenciário em São Paulo merece muitas críticas. O Dr. Nagashi, contudo, é um homem sério e dedicado e tais mazelas não lhe podem ser atribuídas. Ao contrário, decorrem da falta de meios para realizar as tarefas necessárias. A Administração Pública perde um ilustre colaborador.
Assino embaixo as declarações do Dr. Ottoni e do meu colega Dr. Sady. Conheço bem as penitenciárias do Estado de São Paulo. Ora pela profissão escolhida, ora pelo cargo que ocupo na OAB/SP. O Dr. Nagashi colocou ordem nesse Estado. Implodiu o Carandiru. A verdade é uma só: falta dinheiro no Estado de São Paulo. Nosso amado Estado está falido. Os funcionários públicos são mal pagos, e não há dinheiro para construção de presídios . Não há dinheiro para papel ofício para as delegacias. Os diretores da cadeia fazem milagres, porque trabalham com pouquíssimos recursos. Os presídios norte- americanos são absolutamente inadequados; um terço da população dos presos ( são mais de 2 milhões) são sexualmente violentados naquelas prisões de máxima segurança. É tudo balela de jornalista da rede Globo mal informado querer crer numa mudança radical. Visitem-se os presídios do interior paulista; como exemplo o de Tremembé. Lá o preso tem dignidade e cumpre a pena em um local nunca visto pela Rede Globo. Já afirmei no programa da All TV do Paulo Cremonesi ( está gravado): se um dia, por infelicidade minha, eu for preso, numa pocilga lotada e podre, serei o primeiro a amotinar a fuga. Tudo em prol a minha dignidade. Mas em tremembé a pena flui, recomendo uma visita e até o cumprimento de pena. Deixo minha solidariedade ao magistrado Nagashi, que honrou a toga e em tempos outros honrou o distintivo de xerife. te honruo o cargo de Secretário de Estado por mais de seis anos. Merece total respeito porque é homem digno e acima de tudo é honesto. E nesse país estamos precisando de gente honesta, porque se falta dinheiro público é porque tem muita gente por aí levando vantagem em coisa que não deve. Tem muito ladrão safado assinando documentos com mont blanc. Boa sorte nas sua férias merecidas Dr. Nagashi. Conte comigo sempre.
Otávio Augusto Rossi Vieira, 39
advogado criminal em São Paulo
coordenador da Comissão de Política Criminal e Penitenciária da OAB/SP
Hwidger
Obrigado. Suas considerações finais supriram a falta de exemplo de exemplo que cometi.
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