Exame de Ordem no Distrito Federal reprova 67,97%

O último Exame de Ordem da seccional do Distrito Federal, da Ordem dos Advogados do Brasil, reprovou 67,97% dos bacharéis em Direito. Ao todo, 1.708 candidatos prestaram a prova, mas apenas 547 vão poder exercer a profissão.

A Universidade de Brasília foi a que teve o melhor aproveitamento: aprovou 28 dos 31 inscritos. O Centro Universitário de Brasília, UniCeub, aprovou 236 candidatos, mas concorreu com 529 bacharéis. Em terceiro lugar está o Centro Universitário do Distrito Federal, que aprovou 54 dos 155 inscritos.

O próximo Exame será nos dias 20 de agosto e 24 de setembro (primeira e segunda etapas).

Veja o percentual de aprovação, por instituição de ensino:

Universidade de Brasília (UnB): 90,32%

Centro de Ensino Universitário de Brasília (UniCeub): 44,61%

Centro Universitário do Distrito Federal (UNIDF): 34,84%

Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb): 34,51%

Universidade Católica de Brasília: 31,03%

Faculdades Integradas da UPIS: 24,49%

Centro Universitário Planalto do DF (Uniplan): 20%

Universidade Paulista: 18,18%

Centro Universitário Euro-Americana (Unieuro): 16,86%

denorie disse:
06 de julho de 2006 às 09:52

Segundo o dr. Luís Flávio D'Urso (Jornal Nacional de 05.07.06), a reprovação maciça se deve à precária formação básica dos candidatos, ou seja, não sabem língua portuguesa. Se for assim, na primeira fase, onde só se marca cruzinha, o índice de reprovação não deve ser tão alto. Contudo, se a situação se repetir, também nesta fase, de duas uma, ou as faculdades são péssimas ou vigora a reserva de mercado.
Esta situação é meio nebulosa, para mim, porque comparo todo o processo de exame da Ordem a um judicial, no qual o juiz da causa não deve ter interesse pessoal algum, sobretudo na sentença. Não faço juízo de valor, apenas reflito.
(Márcia de Noriê - de.norie@terra.com.br)

Felipe Boaventura disse:
06 de julho de 2006 às 15:56

Acredito que a seleção é necessária, a advocacia demanda profissionalismo, precisão e acima de tudo confiança. Não que eu que defenda a criação de óbices à militância causídica, não é isso, defendo com veemência é a proteção da sociedade contra os sérios riscos que incorre com o exercício impreciso da advocacia.

Em nossa profissão um deslize pode destruir vidas, desconstruir histórias, dilapidar patrimônios e até mesmo obstar o desenvolvimento do país, é necessária cautela da OAB, o Ordenamento Jurídico é um instrumento de autocontrole da sociedade, seus operadores têm de ser habilitados, têm de ser seus profundos conhecedores.

Eventualmente, o que poderia ser revisto seria o modo de exercer esta seleção, acredito que uma intervenção maior da Ordem no decurso da academia, provavelmente repercutiria melhor efeito, quem sabe seleções seriadas ao longo dos períodos, ou até mesmo controle do curso dividido entre o Ministério da Educação e a Ordem.

De qualquer jeito, ainda não fiz o exame, sou suspeito em qualquer posição.

Abraços”

Felipe Boaventura (f_boaventura@yahoo.com.br)

Helena Fausta disse:
06 de julho de 2006 às 23:47

Para mim que estudei tanto, e vi meu sonho ir por água a baixo, por dois pontinhos somente, me desestruturei, sacrificadamente( pois a faculadade que cursei ficava ha 1 hora e meia de minha cidade)trabalhei 3 anos como estagiária, 1 ano sem remuneração alguma, para mim que já não tenho os alvores da vida, cansei.

Mazei disse:
07 de julho de 2006 às 15:30

A MERCANTILIZAÇÃO DO ENSINO JURIDICO

Já não é de hoje que se fala a respeito do problema da moralização e da qualificação dos profissionais do Direito no Brasil, contudo, quando se trata de tal assunto, há que se deixar bem claro e evidente que a opinião de alguns não é, de forma alguma, aquela condizente com a realidade dos fatos.

Tenho comigo de que advogados, juizes, promotores, desembargadores, enfim, todos os operadores jurídicos, são profissionais capazes, bem preparados, conhecedores dos "caminhos da Justiça", diligentes e dispostos a concretizar os ideais da sociedade, portando-se com ética.

Segundo os militantes do mundo jurídico existiam em 1960, 55 cursos de direito e hoje, segundo o Ministério da Educação, ultrapassa 750, com essa proliferação de faculdades que alguns entendem que visam tão somente a exploração econômica, que é o grande responsável pelo alto índice de reprovação nos exames da Ordem, nos quais esta estampada em diversos jornais, revistas, televisão etc.

Segundo o secretário de educação superior do Ministério da Educação, Nélson Maculan, comissões e especialistas são consultados no processo de autorização de novos cursos, como determina a lei.(Rede Globo de Televisão-Jornal Nacional-edição de 08/07/04). Bom, se há consulta, porque esse alarde todo?

Para se fazer os últimos exames da ordem os de nºs 123 ao 129, aproximadamente, 158.811 inscritos, desembolsaram para a OAB/SP, (baseando-se no ultimo exame) a irrisória quantia de R$ 136,50(Cento e trinta reais e cinqüenta centavos), cada um, totalizando R$ - 21.677.701,50 (Vinte e um milhões, seiscentos e setenta e sete mil, setecentos e um real e cinqüenta centavos). Ressalta-se, que o índice de reprovação foram bem elevados.

Como podemos observar houve um aumento significativo de cursos de direitos, como também cursos preparatórios para exame da OAB, logicamente com tantas vagas, juizes, promotores, advogados, delegados etc, passaram a ser docente, recebendo creio eu, bons salários.Também não podemos esquecer, o aumento significativo de bacharéis que passaram a prestar o exame da Ordem. Imaginemos então, que os 158.811 inscritos para o exame da OAB fizeram um cursinho preparatório de três meses ao custo aproximado de R$ 210,00 (Duzentos e dez reais), temos então R$- 33.350.310,00 (Trinta e três milhões trezentos e cinqüenta mil e trezentos e dez reais) mensais.

As vezes tenho a impressão que as criticas dirigidas ao ensino jurídico no Brasil não passa de um jogo de marketing. Não quero dizer, que esta tudo a mil maravilha, é obvio que o ensino superior esta deficiente e precisa melhorar, alias, não é só o ensino superior, e, sim, todo o sistema educacional, partindo do ensino fundamental, como se viu nos testes realizados pelo MEC com alunos de escolas públicas e particulares.

Com todo respeito a classe jurídica deste pais, com dez, quinze e vinte anos de pratica jurídica e alguns de reconhecida capacidade profissional, vocês não foram suficientemente capaz de mudar o judiciário Brasileiro até agora, será que o ensino que todos receberam foram tão eficientes assim? Qual seria o índice de aprovação se submetessem ao atual exame da ordem, se basearmos na atual situação do poder judiciário, poderemos ter muitas surpresas.

Como diz Asdrúbal Júnior em seu artigo denominado “O exame da Ordem” no site www.argumentum.com.br , na data de 09/07/2004 . “Não há como negar que a construção do conhecimento é ato contínuo, inexaurível, e deverá acompanhar cada profissional ao longo de toda a sua trajetória. No momento do exame da qualificação, que é o exame da ordem, não é razoável esperar e muito menos exigir elevadas edificações do saber, senão alicerces fortes e conhecimentos básicos para quem deseja iniciar uma carreira profissional”.

”A firmeza desse propósito não pode nem deve ser corrompida com objetivos distintos, como o da reserva de mercado ou mesmo de ser o principal indicador da qualidade do ensino jurídico, porque são verdadeiramente inconciliáveis tais objetivos”, (...).
“É necessário repensar o próprio exame de ordem, seu verdadeiro objetivo”, (...) “Não pairam dúvidas de que o exame de ordem é fundamental e indispensável, mas é possível e relevante aperfeiçoá-lo!” (...). Como por exemplo: se o candidato passou na 1º fase e não conseguiu na 2ª, no próximo exame faz somente a fase que não obteve êxito, esse critério chama-se coerência.
Não há como tampar o sol com a peneira, a mercantilização do ensino jurídico é um fato, e cada um defende seus interesses de maneiras e formas que se acharem necessárias.

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