Lula não pode acusar Alckmin de contratar sem licitação

O candidato tucano à presidência da República, Geraldo Alckmin, ganhou nesta terça-feira (24/10), dois minutos de direito de resposta no horário da propaganda eleitoral gratuita do adversário, o candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão, unânime, é do Tribunal Superior Eleitoral.

Os advogados de Alckmin contestavam propaganda veiculada em bloco no rádio, no dia 20 de outubro, no período da manhã e da tarde onde o locutor questionava a ética de Geraldo Alckmin. “Na hora de falar de ética, Geraldo Alckmin não deveria ser tão assim arrogante”, afirmava o locutor. A resposta será de um minuto no período da manhã e um minuto no período da tarde.

Na propaganda, o locutor citava a CPI da calha do Tietê — que deveria ter sido instalada para apurar os R$ 90 milhões que teriam sido aplicados pelo governo do estado em contratos sem licitação — como um dos 69 casos de pedidos de abertura de CPIs que investigariam a gestão de Geraldo Alckmin em São Paulo. “Convenhamos candidato, a atitude tucana de impedir a investigação dos fatos, de ética não tem nada”, finalizava o locutor da propaganda.

Para os ministros do TSE, o que pesou na propaganda não foi a citação das 69 CPIs barradas, o que, segundo eles, é fato meramente de oportunidade política. O que deixou a margem para o direito de resposta foi a afirmação de aplicações de dinheiro público em obras sem licitação.

“Não podemos ficar concedendo direito de resposta a torto e direito. Temos de segurar isso. Muita aspereza deve ser tolerada. Mas nesse caso a ofensa é muito direta. Penso que é preciso conceder”, afirmou o relator, ministro Marcelo Ribeiro.

O ministro Ricardo Lewandowski acompanhou seu voto. “Em relação ao engavetamento das CPIs é um fato político, uma questão de conveniência e oportunidade da maioria parlamentar e faz parte do debate político. Quando se entra na seara de se imputar uma irregularidade grave na contratação de serviços públicos que deve ser adequadamente respondida”, afirmou Lewandowski.

Visite o blog Consultor Jurídico nas Eleições 2006.

Maria Fernanda Erdelyi

é correspondente da Revista Consultor Jurídico em Brasília.

Luís da Velosa disse:
25 de outubro de 2006 às 09:07

A obrigação de licitar é uma exigência legal. As suas dispensas e inexigibilidades, estão prescritas em lei e podem ser exercitadas com justificativas escoimadas.

Armando do Prado disse:
25 de outubro de 2006 às 09:35

LULA 61%

alck 39%

acabou...

Celsopin disse:
25 de outubro de 2006 às 10:11

deveria ser condição pra a sustenção da candidatura (de qualquer candidato), sustentar e provar as afirmações feitas em campanha...

Lulla já disse que o país tem 54 milhões de famintos... que criaria 10 milhões de empregos... que acabou com a inflação (pensei que tinha sido o persio arida e o andre lara resende...), que a política externa do brasil aumentou as exportações...

Geraldo disse algumas barbaridades também...

oras bolas, onde estão esses 54 milhões de famintos, se o IBGE só achou 7 milhões????

Richard Smith disse:
25 de outubro de 2006 às 11:21

Calma, PeTralha mistificador:

Dia 29 está quase aí.

Armando do Prado disse:
25 de outubro de 2006 às 12:05

Mas, pode acusá-lo de encobrir e não deixar funcionar 69 CPI's, de ter destruido a educação no Estado de SP, de ter entregue o Estado ao crime, de institucionalizar os justiçamentos (Castelinho, por exemplo), de ter doado os ativos do Estado e estarmos hoje de pires na mão, etc, etc.

O filme que os tucanalhas querem impingir aos brasileiros de novo, já o conhecemos. Seria um governo tecnocrata, nos moldes dos da época dos militares.

Delenda Daslu!

Faltam só 4 dias para a vitória!

Richard Smith disse:
25 de outubro de 2006 às 17:25

Caro PeTralha mistificador:

No seu grande esforço em colar "pronunciamientos" do blog do minúsculo revolucionário de boteco, josé dirceu, não sobrou nenhum tempinho para você comentar o meu "post" acerca do apoio do Canalha Excomungado e do PT ao ABORTO, não?

Armando do Prado disse:
25 de outubro de 2006 às 17:52

DERROTA

Apesar de oficialmente não admitir a derrota de Alckmin, o senador Álvaro Dias sinalizou que está pessimista sobre a "virada" do candidato tucano até o próximo domingo. "Faltou estratégia e comunicação competente", disse.

Para o senador, os marqueteiros deveriam ter deixado Alckmin ter mais autonomia sobre a sua própria campanha. "Quem comandou a campanha foram os marqueteiros", criticou.

Agora o culpado são os marqueteiros!

Armando do Prado disse:
25 de outubro de 2006 às 18:02

Coluna do Frandlin Martins

A pesquisa do Datafolha fechada ontem, a cinco dias das eleições, aponta para uma folgada vitória de Lula sobre Alckmin no próximo domingo. No universo dos votos válidos, o presidente ampliou sua vantagem de 20 para 22 pontos, com o placar de 61% a 39%. A menos que nos próximos dias o Brasil sofra um terremoto eleitoral de intensidade superior a 9 pontos na escala Richter, daqueles que não deixam pedra sobre pedra e ninguém para contar a história, como o que se abateu sobre a lendária Atlântida, Lula será reeleito para governar o país por mais quatro anos.

Na primeira pesquisa do Datafolha deste segundo turno, Lula já vencia seu adversário. Mas a vantagem era, então, de apenas 7% dos votos válidos. Hoje, ela é de 22%. Ou seja, em menos de três semanas, foi multiplicada por três. De onde saiu essa avalanche de intenções de votos a favor do presidente, de uma hora para outra? Do Nordeste? Não. De outras regiões economicamente mais atrasadas do país? Tampouco. Pasmem, senhores, a virada no Sul Maravilha é a principal responsável pela disparada de Lula nas pesquisas.

Vamos aos números. Na primeira pesquisa do Datafolha no segundo turno, Lula tinha no Nordeste 70% dos votos válidos, contra 30% de Alckmin – uma diferença de 40 pontos. Hoje o placar é de 76% a 24%, com uma vantagem de 52 pontos, doze a mais do que antes. No Norte e no Centro-Oeste, o placar no início do mês era de 53% a 47% a favor de Lula (dianteira de 6%) e hoje é de 59% a 41% (18% de vantagem). O ganho do presidente, portanto, foi igual ao do Nordeste: 12 pontos.

Já no Sudeste, que muitos analistas supunham ser uma fortaleza de Alckmin – sabe-se lá por quê, pois Lula ganhou em Minas, no Rio e no Espírito Santo no primeiro turno, tendo Alckmin vencido apenas em São Paulo –, o deslocamento eleitoral a favor de Lula nas últimas três semanas foi bem maior. Na pesquisa do início de outubro, o presidente tinha 49% das intenções de voto, contra 51% de Alckmin. Ou seja, perdia por 2 pontos. Hoje, a situação é outra: Lula tem uma dianteira de 14 pontos sobre seu adversário (57% a 43%). O deslocamento eleitoral a seu favor, portanto, foi de 16 pontos no período, quatro a mais do que no Nordeste e no Norte/Centro-Oeste.

E no Sul? Embora nessa região Lula continue atrás de Alckmin, a virada aí foi ainda mais forte do que no resto do país. Na primeira semana de outubro, o candidato tucano tinha 26 pontos de vantagem sobre o petista (63% a 37%). Hoje, a diferença está reduzida a 6% (placar de 53% a 47% para Alckmin). Tudo somado e subtraído, o deslocamento eleitoral favorável a Lula no Sul teria sido de 20 pontos, quatro pontos percentuais acima do que se verificou no Sudeste e oito pontos acima do que se registrou no Nordeste e no Norte/Centro-Oeste.

Ou seja, se as urnas confirmarem os números do Datafolha, que, aliás, estão em linha com os de todos os outros institutos, Lula se reelegerá vencendo na maioria das regiões e dos estados brasileiros. Não teremos, assim, um país dividido entre vermelhos ao Norte e azuis ao Sul, como chegaram a sugerir alguns analistas mais rápidos no gatilho do que certeiros na pontaria.

Tudo bem, ele perderá em São Paulo. Mas e daí? Juscelino Kubitschek também perdeu – e perdeu feio: chegou em terceiro lugar – e nem por isso o mundo veio abaixo. Ao contrário, JK deu a volta por cima e São Paulo cresceu como nunca no período.

Richard Smith disse:
25 de outubro de 2006 às 20:50

Ôps, mais um PeTralha da primeira hora: Franklin Martins, que foi defenestrado da Globo por causa das denúncias do Diogo Mainardi.

Uau, quanto isenção!

Quá, quá, quá, quá!

FORA DELINQIENTE(S),

ALCKMIN PRESIDENTE!

Richard Smith disse:
25 de outubro de 2006 às 20:50

E quanto ao ABORTO mesmo?

Armando do Prado disse:
26 de outubro de 2006 às 09:29

61 X 39

faltam 3 dias!

Richard Smith disse:
26 de outubro de 2006 às 10:34

E quanto ao ABORTO, covarde PeTralha, ainda não conseguiu elaborar nenhuma defesa do Canalha Abortista Excomungado?

Vai continuar fazendo "cara de paisagem" e postando cópias do blog do revolucionário de boteco?!

Richard Smith disse:
26 de outubro de 2006 às 12:17

Caros amigos e leitores:

Como o "aparelhamento" deste espaço virou norma entre os PeTralhas, tomo a liberdade de reproduzir abaixo, comentários do Blog "pitacos políticos", para conhecimento e apreciação:

O alto comando da campanha tucana trabalha com dois trackings diários, um do Instituto IPSON, outro do IBOPE. Um deles está dando 7% de vantagem pró-Lula e outro, 12%. Os tucanos, para efeitos externos, trabalham com a média de 9 pontos percentuais de diferença.

Um “general tucano de 3 estrelas” segredou para Pitacos que hoje de tarde, um novo tracking estava dando empate técnico, ou seja, diferença já na margem de erro. Tibério pediu para passarmos o recado tal como ele recebeu. "O sujeito tem credibilidade, não iria me dar este dado à toa", respondeu Tibério quando perguntei mais de uma vez se ele tinha ouvido corretamente.

Este mesmo dirigente passou uma informação bombástica. O tracking petista fecha todo dia às 22h00. Lá pelas 19h00, estava dando uma vantagem pró-Lula abaixo de 10 pontos.

Estes dados confirmam o que nosso marqueteiro nos vem informando. Existe a diferença, é grande, mas não é impossível revertê-la. Até ontem não se estavam detectando mudanças de vento. As informações de hoje começam a apresentar novidades, no sentido de tendências, que apontam discretamente para o crescimento de Geraldo Alckmin. Não há surpresas, pois a definição de votos de parcela decisiva do eleitorado costuma acontecer nos dois ou três dias que antecedem o pleito. César Maia hoje, em seu ex-blog, discute esta questão, indo até mais longe, falando das definições de sábado para domingo. O Prefeito do Rio roga para as classes médias do sul e sudeste não se ausentarem no domingo, pensando que seu voto não significa mais nada.

'Transmita aí um recado para os nossos leitores', gritou Tibério no celular, já rouco. 'A opinião geral dos generais de 3 e 4 estrelas com quem acabei de conversar é a de que nada está decidido'. A opinião unânime, mesmo entre os mais pessimistas, é que a virada ainda é possível."

Pronto, passei o recado tal qual recebi.

FORA DELINQÜENTE(S),

ALCKMIN PRESIDENTE!

Armando do Prado disse:
26 de outubro de 2006 às 12:42

26/10/2006 - 11h58

CNT/Sensus mostra Lula com 63,2% dos votos válidos

Por Áureo Germano

BRASÍLIA (Reuters) - A três dias do segundo turno, a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) parece praticamente garantida, mostrou nesta quinta-feira uma pesquisa do instituto Sensus, encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).

Lula tem 63,2% dos votos válidos, contra 36,8% de Geraldo Alckmin (PSDB). A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais.

"Acredito que essa é uma eleição definida. As diferenças estão se alargando", disse a jornalistas Ricardo Guedes, coordenador da pesquisa.

Richard Smith disse:
26 de outubro de 2006 às 13:36

Quá, quá, quá, quá!

"CNT/Sensus"! Não era aquele prostituto, digo, instituto que dava 56% para o Canalha Abortista Excomungado Lesa-Pátria e 32% para o Alckmin cinco dias antes do primeiro turno?

Ah, bom!

FORA DELINQÜENTE(S)

ALCKMIN PRESIDENTE!

Robespierre disse:
26 de outubro de 2006 às 14:09

...smith, já que v. insiste tanto em saber sobre ABORTO, lá vai: o único ABORTO que conheci aqui no conjur é você. richard v. é um ABORTO da natureza.

...todos os tucanos, exceto o aborto richard, são respeitáveis e passíveis de diálogo. o único incauto - lembra-se? - é o aborto richard: mau educado, desbocado, ignorante e que não entende patavinas - lembra-se? - de nada. cada verborragia dele é um voto a menos do geraldinho.

...minhas escusas aos demais tucanos, todos discordantes mas, suficientemente civilizados, para uma discussão sobre assuntos políticos.

...depois do que o aborto richard escreveu e escreve aqui que "parte" o cotrataria para uma perícia e/ou cosultoria? só se quiser perder "de plano"...

richard, o aborto, vou fazer com v. o que as crianças fazem com os chatos de galocha: v. está invisível. gente, o richard, o aborto, está invisível.

...lá vem latidos, grasnidos, ranger de dentes, palavrões de corar seguidores da opus dei, mas ele está invisível...

Richard Smith disse:
26 de outubro de 2006 às 15:46

Ok. PeTralha caloteiro, sua opinião sobre mim eu já sei, mas e sobre o Canalha Abortista Excomungado e Lesa-Pátria, o seu partido e a seu projeto de lei instalando o ABORTO INTEIRAMENTE LIVRE NO PAÍS, hein?

PeTralha canalha e caloteiro (e boquirroto também).

p.s. Ficou "nervosa" com a notícia do "tracking", hein?

FORA DELINQÜENTE(S),

ALCKMIN PRESIDENTE

Richard Smith disse:
26 de outubro de 2006 às 15:50

Quá, quá, quá, quá!

Como você é infantil PeTralha Caloteiro!

Estou "invisível", é? Bem que você e outros por aqui e no Blog "Eleições 2006" gostariam, né?

Da próxima vez que tal você me chamar de "cara-de-mamão", hein?

E quanto ao ABORTO, PeTralha?

Neca? Nadinha? Nufas?

Quá, quá, quá, quá!

PeTralha canalha (rima ou pleonasmo?)

Richard Smith disse:
26 de outubro de 2006 às 16:42

Ah, e antes que eu me esqueça: é MAL-educado e não MAU-educado.

Você tomou aulas com o professor, PeTralha caloteiro?

No mais, obrigado por você fazer propaganda dos meus serviços profissionais, viu?

E sobre a ligação entre o PT/Canalha Excomungado e Aborto, hein?

Armando do Prado disse:
26 de outubro de 2006 às 17:07

Leia a íntegra da entrevista de Mino Carta:

Paulo Henrique Amorim: Mino, qual é o teu título na revista, é editor-chefe?

Mino Carta: Ah, não. Editor-chefe é uma coisa de americano. Aliás, me revolta. Ainda vou escrever um post sobre isso, sou diretor de Redação. Existem redatores-chefes, secretários de Redação, redatores, repórteres.

Paulo Henrique Amorim: Esse não é o nosso tema!

Mino Carta: Editor-chefe nos Estados Unidos é o mandão supremo. E vamos parar de falar editor-chefe quando queremos dizer redator-chefe. Porque senão confunde e me enche o saco.

Paulo Henrique Amorim: E você é diretor de redação.

Mino Carta: Isso. Em inglês chamam de management editor. Se quisermos chamar de management editor, já que o Brasil copia os Estados Unidos em tudo e por tudo como uma caricatura, então digamos management editor para o redator-chefe. Não é o meu caso. I am the editor. Ponto. Editor in chief é o manda-chuva supremo. Basta, com esse jornalismo de merda.

Paulo Henrique Amorim: Vamos gravar, Mino?

Mino Carta: Vamos.

Paulo Henrique Amorim: Eu vou conversar agora com o Mino Carta, que é diretor de redação da revista Carta Capital. Como vai Mino, tudo bem?

Mino Carta: Vai muito bem, muito bem.

Paulo Henrique Amorim: Mino, você lança amanhã, a partir das bancas de São Paulo, uma edição extra da revista Carta Capital. Não é isso?

Mino Carta: Sim, sim, exatamente.

Paulo Henrique Amorim: Uma edição, portanto, antes da eleição.

Mino Carta: Isso.

Paulo Henrique Amorim: E quais são as atrações dessa edição extra, se podemos antecipar desde hoje, agora.

Mino Carta: Primeiro, a última pesquisa, antes do pleito, da Vox Populi. Inclusive municiada por um brilhante artigo do Marcos Coimbra.

Paulo Henrique Amorim: Muito bem, e você pode nos dizer o que diz essa pesquisa em seus números gerais?

Mino Carta: Olha, em seus números gerais, acho, porque ainda não tive em meu poder os números definitivos, mas ao que tudo indica, 22 pontos acima para o Lula.

Paulo Henrique Amorim: Lula com 22 pontos de diferença.

Mino Carta: É, de diferença.

Paulo Henrique Amorim: E esse artigo do Marcos Coimbra é sobre que tema?

Mino Carta: É sobre toda, a análise dessa pesquisa evidentemente, desse avanço espantoso.

Paulo Henrique Amorim: Você já pode dizer como se explica esse avanço no segundo turno, do Lula?

Mino Carta: Eu posso dizer que... temos aí vários elementos. Eu não sou o Marcos Coimbra, eu quero deixar bem claro.

Paulo Henrique Amorim: Eu sei! Eu quero saber a sua opinião.

Mino Carta: A minha opinião é a seguinte: eu acho que, primeiro, os debates foram enfadonhos. O primeiro não, porque era o primeiro. Mas os demais se repetiram. Além de usar gravata amarela, o candidato Alckmin é muito mauricinho, né, muito lustroso. Não convence. O Lula, naturalmente, tem o apoio de quem se identifica nele. Acho que muita gente que no primeiro turno votou em Heloísa Helena, em Cristovam Buarque etc e tal optou por Lula praticamente porque achou que, afinal, era o melhor candidato entre os dois que se apresentam. Existem outras inúmeras razões. A tramóia da mídia, a tentativa desesperada da mídia de criar problemas...

Paulo Henrique Amorim: No primeiro turno.

Mino Carta: No primeiro turno, acaba sendo desmascarada, né. Então, isso contribuiu, eu acho que contribuiu bastante. Eu acho que convinha uma reflexão mais séria à mídia nativa.

Paulo Henrique Amorim: Você acha que a oposição menosprezou a capacidade do Lula de se safar do debate na televisão.

Mino Carta: Não... Eu acho que talvez sim. Eles sempre acham que o Lula vai tropeçar na sintaxe, essas coisas. Mas eu acho que, no fundo, eles começaram a ficar apavorados depois do primeiro debate. Tentaram vender a idéia de que o Alckmin tinha ganhado o primeiro debate, e olha, fui um dos poucos que disse: “não, o Lula ganhou já o primeiro debate”. O Lula sabe rir. Ele ri, ele sorri. O outro não, é uma pedra. Me lembra muito Buster Keaton nas suas melhores interpretações. E ele fala, fala, repete as mesmas coisas, fala de uma forma empolada, né. Agora, nessa próxima edição tem também um debate do Raimundo, o que posso dizer sobre isso sobre o famoso procurador Avelar.

Paulo Henrique Amorim: Ah, é? O Raimundo Rodrigues Pereira fala numa reportagem sobre o Avelar?

Mino Carta: É, uma reportagem-debate.

Paulo Henrique Amorim: Como assim?

Mino Carta: Um debate, ele contra o Avelar. É muito interessante. Lembramos que o Avelar é o homem do caso Lunus, né?

Paulo Henrique Amorim: Sim. Caso Lunus e agora do caso Íbis.

Mino Carta: Sim, claro.

Paulo Henrique Amorim: E o que você poderia nos dizer para nos preparar sobre esta reportagem-debate do Raimundo?

Mino Carta: Vai ser “desopinante”, “desopinante” do fígado, como se dizia em outros tempos. Quando um dos caras agarrava um lóbulo do ouvido e dizia “é da pontinha”...

Paulo Henrique Amorim: Mino, e qual é o tema da sua carta do editor?

Mino Carta: Eu evoco as vezes em que estive com o Raimundo, a começar pela reportagem sobre a tortura, de 1969, na revista Veja, que se seguia à escolha feita nos altos escalões militares, seguida pela aprovação do Congresso. Aquela pantomima que chamavam eleição. Já estávamos nessa. Conto a história daquela memorável reportagem. Depois falo de um debate no teatro Ruth Escobar que foi proibido inicialmente e acabou indo ao ar, muito interessante, sobre mídia, em 76. Havia inclusive na platéia um jovem Luis Nassif, que interpelou asperamente Ruy Mesquita. E depois ele chegou aos dias de hoje.

Paulo Henrique Amorim: E de certa maneira ele enfrenta e ganha do assim chamado Ali Kamel, o chamado Ratzinger da Globo?

Mino Carta: Certamente.

Paulo Henrique Amorim: Ou ex-Ratzinger, não se sabe...

Mino Carta: Não se sabe como vai acabar, se vão lhe comer o crânio, como fez o conde Gulino na prisão de Pisa.

Paulo Henrique Amorim: Você se refere certamente à Divina Comédia.

Mino Carta: Eu soube que você escreve sobre a Ilíada.

Paulo Henrique Amorim: Não, mas este não é o assunto (risos). Então quer dizer que a edição chega amanhã às bancas?

Mino Carta: Isso.

Paulo Henrique Amorim: E você fará uma edição após a eleição?

Mino Carta: Faremos uma espécie de resumo das reportagens anteriores e estamos apresentando as reações da imprensa, inclusive dos que nos ofendem. Não sei por que nos ofendem, não precisa ofender. Diga que você tem outra opinião, tudo bem. Nós não queremos somente dar uma opinião, queremos informar corretamente, só isso. Nós partimos de um princípio: eu, você, Raimundo. Não estamos tomando partido de ninguém, de quem quer que seja. Jornalismo se pratica assim. E eles não sabem. O jornalismo nesse país é ridículo.

Paulo Henrique Amorim: Você fará outra edição da Carta Capital logo após a eleição ou não?

Mino Carta: Não, esse é um extra. O próximo sai na segunda-feira, porque não podemos sair na sexta, dizendo o quê?

Paulo Henrique Amorim: E você não tem ainda o título da capa?

Mino Carta: Ah, sim.

Paulo Henrique Amorim: Sim?

Mino Carta: Sim, não tenho.

Paulo Henrique Amorim: Porque você sabe que agora o Fernando Henrique introduziu essa questão, né? Quando ele fala “não” ele diz “sim”, porque depois do “não” vem a virgula.

Mino Carta: Sim, é como a Sibilla de Cuma, né? Quando ele dizia “ibis, redibis, non morieris (o peribis) in bello”. E aí o cara morria e ele dizia não, não, peraí, eu não disse “ibis, redibis, non morieris (o peribis) in bello”. Eu disse “ibis, redibis non, morieris (o peribis) in bello”.

Paulo Henrique Amorim: É isso, agora entendi o Fernando Henrique (risos).

Mino Carta: Viu, você não lê os meus “posts”. Aliás, você não sabe como me alegra escrever um “post”... essa palavra me deixa com arrepios na coluna...

Paulo Henrique Amorim: Tá bom, Mino.... (risos)

Armando do Prado disse:
26 de outubro de 2006 às 17:09

Leia a íntegra da entrevista de Mino Carta:

Paulo Henrique Amorim: Mino, qual é o teu título na revista, é editor-chefe?

Mino Carta: Ah, não. Editor-chefe é uma coisa de americano. Aliás, me revolta. Ainda vou escrever um post sobre isso, sou diretor de Redação. Existem redatores-chefes, secretários de Redação, redatores, repórteres.

Paulo Henrique Amorim: Esse não é o nosso tema!

Mino Carta: Editor-chefe nos Estados Unidos é o mandão supremo. E vamos parar de falar editor-chefe quando queremos dizer redator-chefe. Porque senão confunde e me enche o saco.

Paulo Henrique Amorim: E você é diretor de redação.

Mino Carta: Isso. Em inglês chamam de management editor. Se quisermos chamar de management editor, já que o Brasil copia os Estados Unidos em tudo e por tudo como uma caricatura, então digamos management editor para o redator-chefe. Não é o meu caso. I am the editor. Ponto. Editor in chief é o manda-chuva supremo. Basta, com esse jornalismo de merda.

Paulo Henrique Amorim: Vamos gravar, Mino?

Mino Carta: Vamos.

Paulo Henrique Amorim: Eu vou conversar agora com o Mino Carta, que é diretor de redação da revista Carta Capital. Como vai Mino, tudo bem?

Mino Carta: Vai muito bem, muito bem.

Paulo Henrique Amorim: Mino, você lança amanhã, a partir das bancas de São Paulo, uma edição extra da revista Carta Capital. Não é isso?

Mino Carta: Sim, sim, exatamente.

Paulo Henrique Amorim: Uma edição, portanto, antes da eleição.

Mino Carta: Isso.

Paulo Henrique Amorim: E quais são as atrações dessa edição extra, se podemos antecipar desde hoje, agora.

Mino Carta: Primeiro, a última pesquisa, antes do pleito, da Vox Populi. Inclusive municiada por um brilhante artigo do Marcos Coimbra.

Paulo Henrique Amorim: Muito bem, e você pode nos dizer o que diz essa pesquisa em seus números gerais?

Mino Carta: Olha, em seus números gerais, acho, porque ainda não tive em meu poder os números definitivos, mas ao que tudo indica, 22 pontos acima para o Lula.

Paulo Henrique Amorim: Lula com 22 pontos de diferença.

Mino Carta: É, de diferença.

Paulo Henrique Amorim: E esse artigo do Marcos Coimbra é sobre que tema?

Mino Carta: É sobre toda, a análise dessa pesquisa evidentemente, desse avanço espantoso.

Paulo Henrique Amorim: Você já pode dizer como se explica esse avanço no segundo turno, do Lula?

Mino Carta: Eu posso dizer que... temos aí vários elementos. Eu não sou o Marcos Coimbra, eu quero deixar bem claro.

Paulo Henrique Amorim: Eu sei! Eu quero saber a sua opinião.

Mino Carta: A minha opinião é a seguinte: eu acho que, primeiro, os debates foram enfadonhos. O primeiro não, porque era o primeiro. Mas os demais se repetiram. Além de usar gravata amarela, o candidato Alckmin é muito mauricinho, né, muito lustroso. Não convence. O Lula, naturalmente, tem o apoio de quem se identifica nele. Acho que muita gente que no primeiro turno votou em Heloísa Helena, em Cristovam Buarque etc e tal optou por Lula praticamente porque achou que, afinal, era o melhor candidato entre os dois que se apresentam. Existem outras inúmeras razões. A tramóia da mídia, a tentativa desesperada da mídia de criar problemas...

Paulo Henrique Amorim: No primeiro turno.

Mino Carta: No primeiro turno, acaba sendo desmascarada, né. Então, isso contribuiu, eu acho que contribuiu bastante. Eu acho que convinha uma reflexão mais séria à mídia nativa.

Paulo Henrique Amorim: Você acha que a oposição menosprezou a capacidade do Lula de se safar do debate na televisão.

Mino Carta: Não... Eu acho que talvez sim. Eles sempre acham que o Lula vai tropeçar na sintaxe, essas coisas. Mas eu acho que, no fundo, eles começaram a ficar apavorados depois do primeiro debate. Tentaram vender a idéia de que o Alckmin tinha ganhado o primeiro debate, e olha, fui um dos poucos que disse: “não, o Lula ganhou já o primeiro debate”. O Lula sabe rir. Ele ri, ele sorri. O outro não, é uma pedra. Me lembra muito Buster Keaton nas suas melhores interpretações. E ele fala, fala, repete as mesmas coisas, fala de uma forma empolada, né. Agora, nessa próxima edição tem também um debate do Raimundo, o que posso dizer sobre isso sobre o famoso procurador Avelar.

Paulo Henrique Amorim: Ah, é? O Raimundo Rodrigues Pereira fala numa reportagem sobre o Avelar?

Mino Carta: É, uma reportagem-debate.

Paulo Henrique Amorim: Como assim?

Mino Carta: Um debate, ele contra o Avelar. É muito interessante. Lembramos que o Avelar é o homem do caso Lunus, né?

Paulo Henrique Amorim: Sim. Caso Lunus e agora do caso Íbis.

Mino Carta: Sim, claro.

Paulo Henrique Amorim: E o que você poderia nos dizer para nos preparar sobre esta reportagem-debate do Raimundo?

Mino Carta: Vai ser “desopinante”, “desopinante” do fígado, como se dizia em outros tempos. Quando um dos caras agarrava um lóbulo do ouvido e dizia “é da pontinha”...

Paulo Henrique Amorim: Mino, e qual é o tema da sua carta do editor?

Mino Carta: Eu evoco as vezes em que estive com o Raimundo, a começar pela reportagem sobre a tortura, de 1969, na revista Veja, que se seguia à escolha feita nos altos escalões militares, seguida pela aprovação do Congresso. Aquela pantomima que chamavam eleição. Já estávamos nessa. Conto a história daquela memorável reportagem. Depois falo de um debate no teatro Ruth Escobar que foi proibido inicialmente e acabou indo ao ar, muito interessante, sobre mídia, em 76. Havia inclusive na platéia um jovem Luis Nassif, que interpelou asperamente Ruy Mesquita. E depois ele chegou aos dias de hoje.

Paulo Henrique Amorim: E de certa maneira ele enfrenta e ganha do assim chamado Ali Kamel, o chamado Ratzinger da Globo?

Mino Carta: Certamente.

Paulo Henrique Amorim: Ou ex-Ratzinger, não se sabe...

Mino Carta: Não se sabe como vai acabar, se vão lhe comer o crânio, como fez o conde Gulino na prisão de Pisa.

Paulo Henrique Amorim: Você se refere certamente à Divina Comédia.

Mino Carta: Eu soube que você escreve sobre a Ilíada.

Paulo Henrique Amorim: Não, mas este não é o assunto (risos). Então quer dizer que a edição chega amanhã às bancas?

Mino Carta: Isso.

Paulo Henrique Amorim: E você fará uma edição após a eleição?

Mino Carta: Faremos uma espécie de resumo das reportagens anteriores e estamos apresentando as reações da imprensa, inclusive dos que nos ofendem. Não sei por que nos ofendem, não precisa ofender. Diga que você tem outra opinião, tudo bem. Nós não queremos somente dar uma opinião, queremos informar corretamente, só isso. Nós partimos de um princípio: eu, você, Raimundo. Não estamos tomando partido de ninguém, de quem quer que seja. Jornalismo se pratica assim. E eles não sabem. O jornalismo nesse país é ridículo.

Paulo Henrique Amorim: Você fará outra edição da Carta Capital logo após a eleição ou não?

Mino Carta: Não, esse é um extra. O próximo sai na segunda-feira, porque não podemos sair na sexta, dizendo o quê?

Paulo Henrique Amorim: E você não tem ainda o título da capa?

Mino Carta: Ah, sim.

Paulo Henrique Amorim: Sim?

Mino Carta: Sim, não tenho.

Paulo Henrique Amorim: Porque você sabe que agora o Fernando Henrique introduziu essa questão, né? Quando ele fala “não” ele diz “sim”, porque depois do “não” vem a virgula.

Mino Carta: Sim, é como a Sibilla de Cuma, né? Quando ele dizia “ibis, redibis, non morieris (o peribis) in bello”. E aí o cara morria e ele dizia não, não, peraí, eu não disse “ibis, redibis, non morieris (o peribis) in bello”. Eu disse “ibis, redibis non, morieris (o peribis) in bello”.

Paulo Henrique Amorim: É isso, agora entendi o Fernando Henrique (risos).

Mino Carta: Viu, você não lê os meus “posts”. Aliás, você não sabe como me alegra escrever um “post”... essa palavra me deixa com arrepios na coluna...

Paulo Henrique Amorim: Tá bom, Mino.... (risos)

Richard Smith disse:
26 de outubro de 2006 às 21:53

mino carta e Paulo Henrique Amorim!

Uau! Que dupla!

Estou arrepiado até agora de tanta e isenta sabedoria da qual fruí.

Vá se coçar PeTralha e pare de ficar postando "recortes" de sites alheios!

Você não tem nenhum tipo de opinião própria, PeTralha mistificador?

FORA DELINQÜENTE(S),

ALCKMIN PRESIDENTE!

Richard Smith disse:
26 de outubro de 2006 às 21:56

Ah, E quanto ao incentivo do Canalha Abortista Excomungado e do seu partido ao ABORTO, PeTralha "borra-cuecas", não conseguiu encontrar nenhuma justificativa até agora?

Não conseguiram te indicar nehum site de onde você pudesse recortar alguma desculpa bem furada?

Richard Smith disse:
30 de outubro de 2006 às 16:57

Para leitura e meditação:

"A MAIORIA SE TORNOU CÚMPLICE DE LULA

Está aí o resultado das urnas, confirmando as pesquisas de opinião. Há vários textos da mídia tratando da divisão do Brasil. Olhando secamente a porcentagem dos dois candidatos, pode-se indagar: mas que divisão? Trata-se de quase dois terços de Lula contra pouco mais de um terço de Alckmin. A maioria é muito convincente. É verdade. Mas, hoje, são grupos que se mostram inconciliáveis. A tarefa de Lula não será fácil. Especialmente porque a força que dividiu o Brasil tem uma feição inequívoca: VALORES ÉTICOS E VALORES MORAIS.

Sim, é verdade que a campanha do PT fez o Brasil regredir uma década no debate sobre as privatizações, por exemplo. Faça-se agora uma pesquisa, e se vai constatar que a maioria dos brasileiros não só é contrária à privatização da Petrobras — sem ter a menor noção do que isso significaria — como certamente se opõe à privatização já havida da Telebrás: e, pior nesse caso, porque tendo não a noção, mas a experiência do que ela significou: praticamente a universalização do telefone, celular ou fixo. Mesmo assim, a onda terrorista criada pelo PT pegou. Mas ela apenas serviu para referendar uma escolha que já estava clara no primeiro turno — e que, na verdade, marcou as pesquisas desde que Alckmin foi escolhido candidato: a maioria preferia Lula.

E sempre preferiu a despeito das evidências de corrupção em seu governo. Existe, sim, uma divisão no país, mas ela é menos de intenção e de propósitos do que propriamente de apreço por alguns valores. Quando brinquei no blog que queria uma 'democracia sem povo', alguns bobalhões me tomaram a sério. Queria chamar a atenção para o fato de que está dando 'Lula de novo com a culpa do povo'. O que isso significa?

Certamente compõem uma percentagem desprezível do eleitorado os que IGNORAM as evidências de corrupção contra o governo Lula. Não são acusações corriqueiras. Pergunta-se por aí muitas vezes: 'Qual a diferença entre o que acontece agora e o que acontecia antes, nos outros governos'? É enorme. Trata-se da distância entre a parteira e o obstetra, entre o batedor de carteira e o mafioso. Estamos falando de PROFISSIONALIZAÇÃO E MÉTODO no assalto ao Estado.

Mas não é só isso: essa expertise que foi sendo adquirida está a serviço, também, da construção de um projeto de poder — e, disso, com efeito, o tal 'povo' não tem a menor noção. Tal conhecimento é privativo das elites políticas. E, ainda assim, são poucos os que reconhecem que um partido está tentando mudar a natureza da democracia brasileira. Acate-se, para a grande votação que Lula teve, a justificativa que se quiser — e vou abordar em outro texto a questão econômica, o Bolsa Família, os erros da oposição —, uma coisa, no entanto, é certa: pobre, rico ou remediado, quem votou em Lula disse 'sim' ao padrão ético do seu governo.

Quando falo em 'culpa do povo', faço-o porque tenho o mau hábito (para os demagogos de plantão) de não tomar a maioria dos brasileiros por inimputáveis. Todos sabiam muito bem o que estavam fazendo. A MAIORIA DO ELEITORA SE TORNOU CUMPLICE DO GOVERNO, ESCOLHENDO O SEU DESTINO. Se eu considerasse esse povo inocente, movido pelo estômago, defenderia que fosse proibido de votar. Não! O povo é maior de idade."

do Blog de REINALDO AZEVEDO

(todos os grifos são meus)

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