Estado laico não é o que abole as convicções religiosas

O voto do ministro Carlos Britto calca-se em que o embrião resultante da relação sexual não é o embrião resultante da fecundação in vitro. O primeiro é início da vida, mas a vida só acontece com o nascimento, registrado em cartório. O segundo vida não é.

Ora, o raciocínio equivoca-se, em muito, por definir o conteúdo, pelo continente. Com efeito, o fundamento, o conteúdo, é a fecundação. Se aconteceu, fruto de relação sexual, no quarto, na sala, ou no banheiro, ou se deu em laboratório, o lugar onde aconteceu a fecundação é, por óbvio, irrelevante. A fecundação é que gera a vida.

Aliás, e muito a propósito, disse o jornalista Élio Gaspari: “Achar que só há vida depois que ela é reconhecida em cartório ou autenticada pela OAB equivale a regredir ao período em que o cérebro do nosso macaco mal sabia comandar as pernas”.

O promotor Diaulas, fervoroso defensor das pesquisas com células tronco embrionárias, indispondo-se contra lei local que incentiva a doação de órgãos post-mortem — e a doação dos órgãos é atitude a se aplaudir sempre pelo que significa de gesto concreto e eficaz de solidariedade humana — é textual: “O desenvolvimento da ciência fez surgir a expectativa de um direito fundamental à imortalidade”.

Por certo, o promotor Diaulas encanta-se com o romance: “O retrato de Dorian Gray. Opções literárias não se discutem, havemos de respeitá-las…

Já que estamos, no dia seguinte, em frases de arroubo e encantamento, o ministro Britto brinda-nos com a proclamação: “Chega de Trevas”, emoldurada por gesto largo seu, mãos abertas, olhos ao céu a pedir luz. Ocorreu-me a passagem do Gênesis quando o próprio Deus, prescindindo da linguagem gestual, disse simplesmente: “Faça-se a luz”.

A terminar, reparo à monótona, de tão repetida, afirmação de que com a ação que ajuizei comprometida está a laicidade do Estado brasileiro.

Estado laico não é o que abole as convicções religiosas para consagrar o ateísmo, como opção única. Estado laico, porque democrático e plural, é o que garante a convivência pacífica e respeitosa dos que professam os mais variados credos, inclusive os que credo não tem.

Definitivo é Gomes Canotilho, constitucionalista emérito: “Para além dos momentos emocionais que o laicismo republicano transporta pode dizer-se que ele assenta principalmente em três princípios: secularização do poder político, neutralidade do Estado perante as Igrejas e liberdade de consciência, religião e culto”.

Claudio Fonteles

é professor de Direito Processual Penal do Instituto de Educação Superior de Brasília e subprocurador-geral da República.

A.G. Moreira disse:
17 de março de 2008 às 08:26

O Cristianismo não precisa de "permissão" do Estado e muito menos dos que o rejeitam ou combatem ! ! !

Todos eles, queiram ou não, terão de se
submeter às Leis do Cristianismo ou na vida ou na morte ! ! !

George Rumiatto disse:
17 de março de 2008 às 09:43

É certo que o laicismo se caracteriza pela neutralidade do Estado perante as Igrejas, como ensinou o prof. Canotilho.

Por isso mesmo, não se pode esquecer que o questionamento do art. 5º da Lei de Biossegurança partiu de um representante desse Estado laico, o então Procurador-Geral da República, articulista acima assinado, sob o fundamento de uma concepção eminentemente cristã.

A propósito, o advogado do Senado Federal, sr. Mundim, muito inteligentemente demonstrou que a fecundação não é parâmetro para marcar o início da vida (dando o exemplo da ovelha Dolly que, mesmo sem ser fecundada - nasceu de uma célula - viveu).

Tomara que o STF continue na orientação que vem se delineando sobre o assunto, para afastar a inconstitucionalidade do art. 5º da referida Lei.

E para que se aumente a expectativa de milhares de pessoas enfermas que dependem do desenvolvimento dos estudos com células-tronco embrionárias.

Por fim, ao caro AG Moreira: o Estado também não precisa de permissão do cristianismo, quer queiram, quer não.

Richard Smith disse:
17 de março de 2008 às 11:19

Caro Sr. Aristóteles:

Em primeiro lugar: a Família PRECEDE a Sociedade, que PRECEDE o Estado.

Depois, numa Sociedade democrática, o Estado, com efeito a representa SIM, posto que formado e eleito por aquela justamente para este fim.

Então, muito infeliz a sua citação de Gramsci, um comunista italiano que tem como teoria basilar o "aparelhamento" suave e gradativo do Estado, utilizando-se de suas próprias intituições (a chamada "democracia burguesa") para ao final destruí-las, como bem vem fazendo o partido e a quadrilha (nas palavras do Sr. Procurador Geral da República) ora no poder.

No mais, vivemos num País de raízes eminentemente católicas, crença professada (ao menos de nome!) pela maioria da população.

Quando, que o exercício da moral cristã ofende, vilipendia ou afeta os direitos dos não-crentes, ateus, pagãos ou outros segmentos da população.

E quando o exercício do direito, o mais amplo, à VIDA, não vem de encontro aos valores humanso daquelas pessoas?

Pura falácia anti-clerical. Apenas isso.

Passar bem.

Richard Smith disse:
17 de março de 2008 às 11:26

Ah, e apenas mais uma coisa:

O grande Aristóteles - também chamado o "estagirita, por ser originário da cidade de Estágira - é conhecido como "o pai dos que sabem", justamente porque, ainda que pagaão, intuiu com propriedade, todos os fundamentos da Criação, inserindo nos povos a noção da perfeição da obra de Deus.

Neste caso, amigo, muito pretensioso e pouco próprio o "nickname" adotado por você, que nem parece sábio e muito menos de acordo com a obra de Deus.

Passar bem.

Mauro disse:
17 de março de 2008 às 14:59

Manifesta-se sempre o dogmático gringo Richard e até mesmo quem nasce e morre bem antes do cristianismo, como o velho Aristóteles, é por ele chamado de pagão. Vá ser católico assim lá longe.

E sobre o artigo, ledo engano cometeu o Dr. Cláudio Fonteles, pois a questão do início da vida é eminentemente científica, e por conseguinte jurídica na medida em que torna-se uma atividade que requer disciplinamento de acordo com o ordenamento jurídico do Estado. Não se trata, portanto, de uma questão religiosa. O voto do ministro Carlos Brito não abole as convicções religiosas.
O início da vida só é uma questão religiosa se voltarmos a era do império egípcio no qual médicos e curandeiros espirituais eram a mesma coisa. Mas, a ciência, a religião, a filosofia e o Direito em muito evoluíram de lá pra cá. Médicos, cientístas, juristas, filósofos, líderes espirituais etc exercem papéis bem distintos na sociedade contemporânea à despeito de serem áreas umbilicalmente ligadas.

Richard Smith disse:
17 de março de 2008 às 16:07

Caro amigo Mauro autóctone:

Em primeiro lugar, você me chama de "dogmático" e posso lhe dizer que sou SIM! Se por "dogmático" possa se entender que sou Católico, Apostólico, Romano praticante e COERENTE com a minha Fé e com a Doutrina pregada pelos Apóstolos e conservada pela minha Igreja.

Depois, ora amigo, a questão do início da vida é de fato, do âmbito da Ciência, que estuda os fenômenos VISÍVEIS, oriundos do mundo natural, posto que a Fé, que não tem NENHUM antagonismo com a Ciência, cuida das coisas INVISÍVEIS, relativas ao mundo préternatural ou sobrenatural.

E, no primeiro âmbito, é inegável, natural e cientificamente falando, que a vida começa na CONCEPÇÃO, quando há o encontro do gameta masculino com o feminino e, se deixado em paz e salvo alguma outra intercorrência, haverá de evoluir até a formação completa de um ser humano.

Quanto ao isso o amigo tem alguma dúvida? Já se viu um embrião parar espontâneamente o seu crescimento para assim ficar, sem perecer ou para retomá-lo, sei lá, dali a uns anos?

Ou já se viu sair um golfinho ou qualquer coisa diferente de um ser humano do ventre de uma mulher.

Então, o que lá está é um SER HUMANO, em desenvolvimento (embora já portador de todas as características que irão diferenciá-lo de um macaco, digamos, e que o acompanharão por toda a sua vida) e que, levado a termo, resultará em um ser humano completo, como eu e como você.

A questão ora em debate, refere-se a embriões congelados, como poderia referir-se a uma mulher grávida que pudesse estar congelada também, em latência. Alguém proporia que ela fosse "sacrificada", para a doação de órgãos, por exemplo, simplesmente por estar congelada (se isto fosse possível, claro)?

O grande erro é a existência de tais embriões!

Richard Smith disse:
17 de março de 2008 às 16:10

Em tempo, caro amigo:

Tendo Jesus Cristo instituido o Sac ramento do Batismo para a remissão do Pecado Original e para a nossa filiação adotiva a Deus, sim, quem não é batizado é considerado pagão!

Até o nosso nobre e querido filósofo Aristóteles, "o pai dos que sabem".

Um abraço.

Antônio Macedo disse:
17 de março de 2008 às 16:12

O X da questão é saber se a manipulação com embriões HUMANOS agrada a DEUS. Quem acredita que não agrada, simplesmente deve ser contra.

Richard Smith disse:
17 de março de 2008 às 16:15

E volto a perguntar, aos grandes "humanistas" românticos, favoráveis à "utilização" de tais embriões - sem se darem conta (ou pior, se dando!) dos tremendos precedentes que com isso se darão:

Vocês sabem que a quantidade TOTAL de embriões hoje disponíveis nas clínicas de fertilização NÃO SÃO SUFICIENTES sequer para o começo da pesquisa de uma só doença, dessas tantas que SUPOSTAMENTE (e oníricamente) haverão de ser curadas (oh, mas que "fé" cega na Ciência, não?!)?

George Rumiatto disse:
17 de março de 2008 às 16:25

Isso é outra questão, colega Richard.

Agora, o que se está discutindo é o destino dos embriões INVIÁVEIS, ou que estão há mais de três anos congelados, antes da famigerada Lei de Biossegurança.

Se vão para a lata do lixo, ou se vão ser destinados às pesquisas científicas, o que é, no mínimo, um passo importante para descobertas no campo da cura de doenças.

Discutir origem da vida, Jardim do Éden e geração de mulher a partir de costela de homem, com todo respeito, é outra coisa. Aqui a discussão é diversa, os embriões já estão lá congelados e não serão fertilizados!

Ass: George, mais um pagão, apesar do forçado batismo imposto quando bebê, ainda sem pecados.

Richard Smith disse:
17 de março de 2008 às 16:30

Caro Aristóteles:

Em primeiro lugar, permita-me corrigi-lo, pois foi Pilatos - um relativista que preferiu conveniências "pragmáticas" e não o amor à Justiça, ao constatar a inocência do Cristo - que disse: "O que é a verdade?!"

Jesus, verdadeiro Homem e verdadeiro Deus, disse: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida", logo depois completando "Quem crê em Mim será salvo e quem em Mim não crê, já está condenado". Duras palavras, não? nada "pragmáticas" e nada "ecumênicas", o amigo não acha?

Depois, ainda que o amigo não seja anti-clerical, de argumentos anti-clericais e falaciosos se utiliza. Portanto...

No mais, há que se compreender que o Dr. Fontelles, no uso das atribuições do seu cargo, defende a Vida e a dignidade humanas e isso independentemente do credo que professa, coisa a qual as pessoas que acham que a Igreja é "retrógrada", "anti-ciência" (procure saber das universidades fundadas pela Igreja) ou "opressora" (que engraçado, sempre defendendo os indefesos e os mais fracos!) não compreenderam até agora.

Para outros porém, a Fé deveria ficar restrita (engaiolada, na verdade) às sacristias e ao exercício privado (de joelhos junto à cama, de noite) sem jamais impregnar a vida da pessoa e influenciar os seu atos.

Nos tempos do BBB, da "parada gay" e de tantas outras manifestações por aí, só os cristãos é que não tem o direito a dizer nada!

Curioso, não é?

É como disse um pensador americano recentemente: "O verdadeiro 'negro' de hoje em dia é o branco, cristão e heterossexual!".

Não seria verdade?

Um abraço.

Richard Smith disse:
17 de março de 2008 às 16:43

Caro George:

"Inviáveis" por quê? Por causa de decisões humanas egoístas, inconseqüentes e muitas vezes fruto de pura ignorância?

Você por acaso não leu recente reportagem na "Folha" acerca de um casal que implantou um embrião, jacente numa clínica por CINCO anos, e que progrediu numa gravidez normal, gerando uma criança absolutamente sadia, hoje com um ano e meio?

E que sorte a sua que os seus pais foram cuidadosos impondo-lhe tamanho gravame (eu os processaria!), o de poder se tornar filho de Deus (sem o batismo não o seria, sabia?).

O amigo não vê que estamos enfrentando hoje conseqüências de coisas absolutamente erradas do passado? Você sabia que recente pesquisa demonstrou que quase 60% dos casais que optaram pela fertilização "in vitro" NÃO sabiam que seriam concebidos embriões "excedentes" e pior, que dos vários implantados, alguns seriam "ablatados" em consulta posterior na clinica, para que apenas um ou dois progredissem?

E que muitos daqueles casais se arrependem de ter deixado os "excedentes" largados, congelados, nas clínicas?

Isso é liberdade de escolha? É um adequado conhecimento do processo e das suas implicações?

É, amigo, o "buraco é mais embaixo", como diz o vulgo.

Só que ninguém, ou quase ninguém atenta para isso.

Um abraço.

Richard Smith disse:
17 de março de 2008 às 17:06

Caro Aristóteles:

Sim, a Fé não pode ser imposta, tem de ser aceita pelo fiel.

Agora, quando aceita, esse fiel tem de ser coerente com ela, não acha?

No mais, tratamos de VALORES. Uma Sociedade, organizada como tal, tem o direito de ver os seus valores reconhecidos. E nisso não vai nenhuma IMPOSIÇÃO, pois o contrário seria a nomia total, justamente pela falta de emborço para qualquer lei.

Ora, o nosso Código Penal reconhece que matar é crime, assim como se apossar de bens alheios, pela malícia ou pela violência. E nisso simplesmente acolhe disposições do Decálogo dado por Deus a Moisés.

Deveriamos nós, iconoclastas, libertários e anti-opressão do gênero humano nos libertar dessas imposições carolas judáico-cristãs?

E que tal liberamos o imenso amor pedofílico também? Incestuoso inclusive! Para que tanta caretice? Por que privar as crianças, inclusive da nossa família dos inenarráveis carinhos e prazeres do sexo sem culpa? Com camisinha, que mal há?

Olhe que, em liberado, haveriam inúmeros adultos prontos a acolher diversas meninas (e meninos!) de rua?

Não seria então "matar dois coelhos com uma só cajadada"?

Ou será que eu estou sendo "liberal" demais?

Um abraço.

Richard Smith disse:
17 de março de 2008 às 17:20

Depois, e respondendo-lhe, do ponto de vista estritamente religioso:

a) João Batista (então com seis meses de vida intra-uterina) foi santificado pela visita de Maria à sua mãe, Isabel (leia Lucas 1:39-56). Aliás que engraçado para quem "não sabe" quando começa a vida: Um fetinho de quatro ou cinco dias santificando um outro de seis meses, que pula na barriga da mãe e a faz profetizar!

b) Jesus Cristo, enquanto materialmente no Sepulcro, faz a chamada "visita aos espíritos em prisão" para o seu resgate e como estava prometido nas Escrituras que vriam o Messias Redentor. Então pulemos Davi, Salomão e outros. A passagem da Transfiguração no Monte Tabor mostra jesus conversando com Moisés e Elias, ambos já em corpo glorioso, portanto...

c) Sou, como Católico, ABSOLUTAMENTE A FAVOR DA PENA DE MORTE para certas classes de crimes especialmente hediondos e atrozes. E nisso não há incoerência alguma. O mandamento diz: "Não matarás". TÚ não matarás, como vingança pessoal ou para fazer justiça com as próprias mãos. Mas o Estado, personificando a Sociedade, tem esse poder, como mesmo reconhece Jesus ante Pilatos.

Agora, cá entre nós, que raciocínio forçado este seu, hein amigo? Como comparar a execução de um feroz criminoso, julgado CULPADO por suas ações, com o CRIMINOSO aborto de um ser humano, INOCENTE e indefeso, assaltado no ventre de sua mãe?!

Faça-me o favor...

Um abraço.

Richard Smith disse:
17 de março de 2008 às 17:41

E antes que o amigo me tome por reacionário furioso, abaixo a opinião da Igreja acerca da pena de morte:

Número 2266 do novo "Catecismo da Igreja Católica":

"Preservar o bem comum da sociedade EXIGE que o agressor se prive das possibilidades de prejudicar a outrem. A esse título, o ensinamento tradicional da Igreja SEMPRE reconheceu como fundamentado o direito e O DEVER da legítima autoridade pública de infligir penas proporcionadas à gravidade dos delitos, SEM EXCLUIR, em caso de extrema gravidade, a pena de morte. Por razões análogas, os detentores do poder tem o direito de repelir pelas armas os agressores da comunidade civil pela qual são responsáveis.

A pena, tem como primeiro efeito compensar a desordem introduzida pela falta. Quando o valor da pena é voluntariamente aceita pelo culpado, tem o valor de expiação. Além disso, a pena tem valor medicinal, devendo, na medida do POSSÍVEL, contribuir para a correção do culpado.

Se os meios não-sangrentos bastarem para defender as vidas humanas contra o agressor e para proteger a ordem pública e a segurança das pessoas, a autoridade se limitará a esses meios, poruqe correspondem melhor às condições concretas do bem como e estão mais conformes à dignidade da pessoa humana." (todos os grifos meus)

fernandojr disse:
17 de março de 2008 às 17:45

Finalmente um artigo decente sobre o tema. Parabéns, Dr. Fonteles! Parabéns por defender a vida humana acima de todos os compromissos utilitaristas e os interesses escusos da indústria farmacêutica.

Parabéns também ao Richard Smith pelos lúcidos comentários.

É cada vez mais difícil defender a vida humana em meio a uma multidão de herodianos fanáticos.

P.S.: onde estão as curas fantásticas prometidas pelos cientistas-demiurgos? Estamos esperando...

Richard Smith disse:
17 de março de 2008 às 17:47

Cabendo inclusive, algumas questões:

a) A "reabilitação" o a tão decantada "ressocialização do criminoso depende da SUA vontadade, como o foi com o ato de transgredir a lei e romper o equilíbrio e a paz sociais. Aonde então a razão dos propugnadores do "direito mínimo", da "cadeia não serve para nada"?

b) O estado tem o DEVER de reprimir, com o rigor necessário a conduta de seus agressores, tudo em favor da proteção da ordem pública e da segurança das pessoas. Isso vem ocorrendo nos dias de hoje?

c) Qual é o exemplo, patrocinado pelo Estado, nosso representante, para os criminosos? Visitas íntimas, progressões absurdas e desmesuradas, indultos, etc.?

Percebe-se por um "pequeno" ítem então, a imensa sabedoria da Igreja, não acha?

Um abraço.

Richard Smith disse:
17 de março de 2008 às 17:48

Obrigado pelo gentil comentário e um abraço a você FernandoJR.

Richard Smith disse:
17 de março de 2008 às 17:56

Caro Aristóteles:

Você faz uma pequena confusão.

A dever de perdão e misericórdia se dá em nível pessoal.

Todos nóes devemos nos santificar no quotidiano e uma das práticas que mais contribuem para isso é o perdão PESSOAL contra aqueles que nos ofende ou agridem e a caridade para com todos, sem preferir a estes ou aqueles.

Mas a autoridade tem o dever de proteger a coletividade que tem sob o seu poder. E no cumprimento deste dever precípuo está a necessidade de impor penas aos transgressores da lei. e penas PROPROCIONAIS à gravidade da transgressão (o que o amigo diria dos celerados que trancaram e puseram fogo, premeditadamente, na família, para não deixar testemunhas do seu roubo?).

Então caro amigo, não se esqueça que Deus é Misericordioso, sem dúvida alguma, mas usa da Justiça também para aqueles que NÃO QUEREM se submeter à Sua Misericórdia.

Um outro abraço.

Richard Smith disse:
17 de março de 2008 às 18:02

Bingo! Amigo Marcos:

"...tendo em consideração as possibilidades que uma sociedade moderna dispõe para reprimir eficazmente o crime, de forma que, enquanto torna inofensivo aquele que o cometeu, não lhe tira definitivamente a possibilidade de se redimir"

O amigo consideraria os remédios hoje disponíveis eficazes? Fernandinho beira-mar e marcola "inofensivos"?

Entre a visão "otimista" do Santo Padre João Paulo II e o ensinamento bi-milenar da Igreja, consubstanciado canônicamente no Catecismo, adivinhe com qual eu fico?

"A realidade se impõe como tal", já dizia o filósofo.

Um abraço.

Então tá! disse:
17 de março de 2008 às 18:14

Sempre a mesma ladainha católica. Aposto que se o Supremo declarar a inconstitucionalidade da lei, daqui uns 1000 anos a Igreja Católica irá pedir desculpas pelo erro cometido, igual vem fazendo com outras barbáries cometidas no passado.

Ramiro. disse:
17 de março de 2008 às 20:01

A TFP e outros devem estar se ufanando, pois o pedido de vistas parece que vai ser sumir com o procecesso das vistas, até a aposentadoria do Ministro, salvo prova em contrário, esta aposta anda sendo feita. Não é novidade, aconteceu com a questão dos Bancos e o CDC, menos pujante ao direito.

Mauro disse:
17 de março de 2008 às 20:06

Amigo dogmático Richard.

Eu não sabia que a ordenança, e não o sacramento, do Batismo tinha efeito retroativo a ponto de um católico "cheio de amor" como você considerar pagão alguém que viveu em cerca de 350 a.C.!!

E quando chamo-lhe dogmático não me refiro necessariamente a sua religião, mas ao seu modo de ver a realidade no sentido de acreditar ingenuamente que o homem é capaz de concebe-la tal qual é.
Você mistura, por exemplo, doutrinas da igreja com revelação divina, o que é um grande erro, pois um homem comum como o Papa não pode aumentar ou diminuir a lista de pecados capitais. Aliás em tempos da manifestação da Graça de Deus tal "coleira religiosa" jamais deveria existir. Em vez de ficarem procurando motivos para mandar as pessoas para o inferno, deveriam arrumar motivos para amá-las.

Em tempo, dogmático amigo, é incrível como você consegue debater com várias pessoas ao mesmo tempo aqui no Conjur. Acho que o pessoal não percebe o quanto você é "turrão" e acreditam poder fazer algo para tentar melhorá-lo, mas logo perdem a esperança.

Pessoal, sabem aquele ditado "água mole em pedra dura tanto bate até que fura"? Então, com o Richard não funciona.

Abraços.

Radar disse:
17 de março de 2008 às 21:16

Sr. Fontelles, tenha dó!

Existem dezenas de argumentos melhores e mais pragmáticos para a defesa da tese de inconstitucionalidade da lei de biossegurança.

Se é esta a síntese do vosso argumento junto ao STF, não impressiona a suspeita de que perderá por goleada, embora a sociedade brasileira vá ter que esperar a aposentadoria compulsória do Meneses Direito.

Por essas e outras (inclusive os comentários postados neste espaço), que eu sempre oro de manhã:

JESUS... PROTEJA-ME DESSES FUNDAMENTALISTAS AMBIDESTROS!

Richard Smith disse:
17 de março de 2008 às 23:34

Hum, "ordenança", hein? Agora compreendo alguma coisa a mais acerca das crenças do autóctone amigo.

Mas meu caro, se quem não é batizado é pagão, pagãos são todos aqueles que não se deixaram batizar, inclusive os antecedentes à vinda de Cristo.

Simples assim e sem nenhum contexto pejorativo. E isso porque o Batismo NÃO possui nenhum caráter RETROATIVO posto que exigente da permissão voluntária do batizando ou dos seus pais, permissão esta que somente pode-se exigir/exercer da pessoa VIVA.

Segundo, ninguém manda ninguém para o Inferno, senão a própria pessoa, que se desliga da Graça de Deus pelo Pecado. Quando a Igreja formalmente excomunga alguém (fato raríssimo hoje em dia) apenas reconhece que aquela pessoa pelo pecado pblico tal se desligou da comunhão da Igreja.

Terceiro, a história dos "novos" pecados capitais é ridícula, pois apenas se está formalizando VELHOS pecados já de há muito condenados pela Igreja (com o poder que ela TEM para isso). O risco dessa ação de "marketing" é incutir nas pessoas que que existem pecados que podem ser "acrescentados" hoje e talvez, "eliminados" amanhã, o que, evidentemente, NÃO É POSSÍVEL. Uma "pisada de bola", eu acho.

Por último, ser "cheio de amor" pelo próximo, significa, principalmente, quere para ele o melhor, o que para mim, é a Graça de Deus. Dessa forma, alertar para o pecado e para o erro, é obra temporal de misericórdia. Os que porventura acham que hão de me ver dizendo ou fazendo outra coisa...

Um abraço.

Richard Smith disse:
17 de março de 2008 às 23:36

Caro amigo Marcos:

"os casos de absoluta necessidade da pena de morte 'são agora muito raros, se não mesmo praticamente inexistentes'".

Você acha mesmo isso?

Um abraço.

Richard Smith disse:
17 de março de 2008 às 23:37

Reze mesmo caro Radar. Pois dos ambidestros você há de apanhar, sempre, nas duas orelhas!

Quá, quá, quá, quá, quá!

Richard Smith disse:
17 de março de 2008 às 23:39

Ô "então tá":

Então tá então, viu?

Mauro disse:
18 de março de 2008 às 09:21

Dogmático amigo Richard.

Vejo que és bombardeado de todos os lados aqui no Conjur. Acho que isso se deve ao fato de você defender ao mesmo tempo, com unhas e dentes, coisas que são gritantemente contraditórias.
Se o Batismo requer a decisão voluntária dos pais ou do batizando, como pode alguém ser considerado pagão por ter, obviamente, se recusado a batizar-se em uma época que não existia o Batismo cristão? Como pode alguém deixar de escolher o que não existe? Como Aristóteles negou-se a batizar-se se o Batismo não existia em sua época? É evidente que a instituição do Batismo não tem efeito retroativo e é por isso que é um grande preconceito chamar pagão quem viveu antes dele, ou só a negativa ao Batismo é retroativa? Sinceramente, eu não acredito que estou discutindo isso. Acho que se o Papa vir uma asneira dessas, você será um dos fatos raros da excomungação. Francamente, acho que você está precisando de umas férias para curtir um pouco de silêncio e colocar as idéias em ordem, e parar um pouco com essa sua atabalhoada articulação de idéias. Você simplesmente refuta tudo sem perceber que refuta a si mesmo.

Ainda sobre o Batismo, a decisão do pais é antibíblica, pois como pode alguém que não tomou decisão nenhuma ser batizado? O Batismo não é um sacramento e sim uma ordenança. Quem se Batiza, o faz com o intuíto de exteriorizar sua decisão pessoal ao lado de Jesus. Sendo assim, o Batismo de uma criança que não está suficientemente desenvolvida para fazer tal escolha pode até ter valor para a Igreja Católica, mas diante de Deus e da Bíblia não vale nada.

Radar disse:
18 de março de 2008 às 12:54

Esses fundamentalistas, "profetas do apocalipse" continuam sua cruzada rumo às trevas, porque eles pensam que é luz. Esperneiem, sofram, reeditem a inquisição e a "jihad", explodam-se como talibãs no meio dessa "gente ímpia". A derrota vem!

Antevendo-a, e flagorosa, os gagás pedirão sucessivas vistas, e ad eternum. Seus seguidores anacrônicos continuarão se debatendo em desespero. O artigo do sr Fonteles é disso exemplar.

Vão perder mais essa. E tantas outras mais que envolvam a liberdade e a dignidade humana, há tempos ab-rogantes dos dogmas religiosos como princípios reitores do mundo.

Apesar do pernicioso fanatismo e fundamentalismo ambidestro, a terra continuará girando em torno do sol, e não o contrário, como os talibãs ocidentais teimam em querer convencer.

A.G. Moreira disse:
18 de março de 2008 às 13:02

O Cristianismo não precisa de "permissão" do Estado e muito menos dos que o rejeitam ou combatem ! ! !

Todos eles, queiram ou não, terão de se
submeter às Leis do Cristianismo ou na vida ou na morte ! ! !

Richard Smith disse:
18 de março de 2008 às 14:59

Caro amigo Mauro não-dogmático:

Confesso que não entendo o seu raciocínio. Considera-se pagão a todo aquele não-batizado. Se não se batizou por ser anterior ao advento do SACRAMENTO (insisto, porque assim o viu a Igreja Católica, por dois mil anos e ainda vê), se por falta de alguém que o fizesse ou por culpa própria (recusa) é questão de circunstância que não desnatura o fato objetivo.

O grande, grandessíssimo Aristóteles foi o maior dos filósofos e, pela Graça de Deus, intuiu toda a grandeza da Divindade. Mas, pertencia ao mundo pagão. Simples assim.

Quanto ao fato de eu poder ser EXCOMUNGADO pelo Santo Padre, só se for pela multidão de meus outros pecados, miserável pecador que sou, mas jamais por causa disto!

No mais, caro amigo, tenho o couro grosso e ligo muito pouco para as pancadas de gente que tem, hum, digamos, opiniões de ocasião ou que comungam com certas barbáries que ocorrem por aí.

Obrigado, no entanto, pela sua preocupação.

Um abraço.

Richard Smith disse:
18 de março de 2008 às 15:01

Calma, Radar, calma!

Não fique nervoso e gastando aí o seu vocabulário.

"Stress" mata, rapá!

Mauro disse:
18 de março de 2008 às 18:12

Caro amigo não-relativista Richard.

Eu é que confesso que não entendo o seu raciocínio:

"Se não se batizou por ser anterior ao advento do SACRAMENTO (insisto, porque assim o viu a Igreja Católica, por dois mil anos e ainda vê), se por falta de alguém que o fizesse ou por culpa própria (recusa) é questão de circunstância que não desnatura o fato objetivo."

A circunstância desnatura sim o fato objetivo (se é que podemos apreender objetivamente um fato). Se assim não for, então, Aristóteles poderia ter sido um padre três séculos antes da existência do cristianismo, o que é um absurdo. E como ficam os índios da América que até o descobrimento não tiveram contato nenhum com o cristianismo?? Como podem ser considerados pagãos se sequer sabiam o que deveriam fazer para deixarem de ser pagãos?? Se sequer sabiam que existiam pessoas que eram pagãs e outras que não eram??
Trata-se do processo histórico e não da aprovação de determinada lei que poderá ou não, conforme decisão de quem compete, valer para os litígios anteriores a ela.

Aliás, diga-se de passagem, fato objetivo é uma questão bastante subjetiva.

Mauro disse:
18 de março de 2008 às 18:15

COMPLEMENTANDO:

... litígios anteriores a ela que continuam tramitando na justiça.

Radar disse:
18 de março de 2008 às 18:59

Agradecido pela preocupação, sr. Smith.

Mas estou absolutamente calmo e saudável, para quem já conta 28 anos. Sem stress, com colesterol total bem inferior a 200 e P.A de 12 X 8. Se eu estivesse nervoso não falaria em profetas, mas em "bestas" do apocalipse.

Quanto ao meu vocabulário, não se preocupe, está em franca expansão. E ainda não se iniciou a famosa derrocada dos neurônios, presumo. Se bem que não é exatamente um sinal de higidez mental responder às suas provocações.

Preocupe-se consigo mesmo, pois, pela obstinação em censurar opiniões alheias, está claro que o senhor é bem mais que ocioso. Vá descobrir e tratar sua estranha psico-procto-patologia.

Agora, licença, tenho mais o que fazer.

Eduardo disse:
19 de março de 2008 às 11:27

Interessante, a parte o caso dos embriões, já que o Estado é laico, porque outras convicções são obrigadas a sofrer a agressão visual das imagens degratandes de um cristianismo repulsante nas instituições públicas. O adorno, cristão, não é dos melhores, se é que pode ser considerado adorno, então pergunto: Se o Estado é laico, porque as instituições ainda não o são, em especial o judiciário, muitas vezes ornamentado com arte de péssimo gosto. Opa! é tabu ainda. rs.

sennafred disse:
19 de março de 2008 às 12:42

Prezados,

Por que o cristianismo é, para muitos, considerado como um paradigma universal de ética? Não consigo compreender isso.

Enquanto fé, não é uma questão de adoção pessoal? É como dizer que Jesus realmente nasceu no em Dezembro, no dia 25, curiosamente mesma época em que nasceram inúmeros Deuses das antigas religiões (como Dionísio, Orfeu, Apollo, entre outros).

Enfim, sou pagão (politeísmo étnico, e não por não ser batizado...pratico o paganismo, assim como os candomblecistas também são pagãos em razão de seu politeísmo étnico) e não concordo com a supremacia dos valores cristãos, assim como outras pessoas que também não adotaram o cristianismo.

Como fica o direito de minha esposa os minhas filhas, amigas e conhecidas(todas pagãs) de abortar, de escolher o que elas acharem melhor para as vidad delas? Se os cristãos não querem abortar, não abortem, mas não tentem decidir pelos outros o que é certo ou errado.

Se eu quisesse ser cristão, não abortaria, mas eu não quero ser cristão, como muitas pessoas não querem.

É difícil entender isso? É difícil entender que o mundo não é cristão?

Mauro disse:
19 de março de 2008 às 12:50

Prezado Sennafred, para o dogmático amigo Richard é muito difícil entender que o mundo não é cristão, ou melhor, católico.

Richard Smith disse:
19 de março de 2008 às 17:26

Caro Radar:

Licença dada.

Richard Smith disse:
19 de março de 2008 às 17:34

Caro amigo Mauro:

É impressionante! Mas vamos lá: o Batismo, enquanto Sacramento, só surgiu pelas mãos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele tem o condão de eliminar a culpa pelo Pecado Original (mas nãos os seus efeitos) e assim, reconciliar o batizando com Deus, numa filiação direta e "adotiva". Por causa disso, só é filho (adotivo, repita-se) de Deus quem é batizado. Os outros todos são criaturas de Deus (com alma e dignidade humana, sem dúvida) porém são pagãos. Todos eles, os nascidos antes de cristo e todos os outros não-batizados.

Quanto aos selvagens e outras pessoas atingidas pela chamada "ignorância invecível" (como por nunca terem sido evangelizados, por exemplo) a Igreja prega o chamado "Batismo de desejo", no qual e justamente pela ausência de culpa, estariam essas pessoas incluídas na Igreja Universal (a Católica, é claro, não a do "bispo" macedo).

Agora, se o amigo considera o Batismo, imemorialmente praticado na Igreja, como "ordenação", "lei de homens" (e portanto irretroativa), etc., fica muito difícil absorver o conceito, imagino.

Um abraço.

Richard Smith disse:
19 de março de 2008 às 17:45

Caro Sennafred:

Você é mais um daqueles que frui de todo um mundo impregnado por valores cristãos (misericórdia, proteção para os mais fracos, valorização da mulher, proteção à vida, etc.) e, "muy rebelde" se coloca contra ele.

Em suma, para mim um "mau passarinho", daqueles que "fazem no próprio ninho".

Você, muito "humanistica" e pagãmente deseja que sua esposa ou suas parentas abortem? Beleza! Encaminhe-as às "clinicas" que existem por aí e torça para que a polícia não apareça e que nenhum zeloso promotor, sabe? com essas caducas leis cristãs contidas no Código Penal não os enquadre, bem direitinho.

Quanto ao mundo não ser cristão...bem, é uma meia-verdade ( = a uma inteir mentira!), pois ainda são muitos os que professam a sua fé em Jesus Cristo, verdadeiro Homem e verdadeiro Deus que morreu na Cruz pelos nosso pecados e para a nossa Salvação. Isso em que pese a existência de uns tantos outros como você ou que simplesmente "não estão nem aí".

Mas que não me preocupa, porque o mesmo Jesus prometeu: "Pedro, tú és pedra e sobre essa pedra erigirei a MINHA Igreja e as portas do inferno não prevalescerão sobre ela". (dois mil anos lhe dizem alguma coisa?)

Mas, é como dizia minha santa avózinha: "uns gostam dos olhos, outros da ramela"!

Passar bem.

Mauro disse:
19 de março de 2008 às 21:53

Dogmático, amigo Richard, "a tua fé te salvou", ou seja, o que nos reconcilia a Deus é tão-somente a fé. O Batismo é uma profissão de fé daqueles que por livre e espontânea vontade confessaram o Senhorio de Jesus Cristo. É por isso que o batismo infantil não se sustenta biblicamente, mas apenas como um dogma católico. O Batismo bíblico, ao contrário do que você achou que considero, é uma ordenança de Cristo e por ser consequencia da fé não pode ser imemorial.

Há mais uma gritante contradição em suas definições sobre o que é e o que não é ser pagão. Por que o não-selvagem que viveu antes da instituição do Batismo não é considerado "ignorante invencível" enquanto que o selvagem posterior a instituição do Batismo o é? Se o problema é o não alcance da evangelização, a razão cronológica ou de isolamento geo-cultural não faz diferença, e assim, ambos deveriam ser "ignorantes invencíveis" e serem incluídos na Igreja Universal.

Considerar pagão alguém que não foi batizado porque viveu em uma época anterior à instituição do Batismo, além de ser gritantemente ilógico, não condiz com o caráter amoroso do Deus da Bíblia, que jamais deixará de considerar um filho seu alguém que foi, por uma questão cronológica, impedido de realizar o ato legitimador de tal prerrogativa.

Abraços.

Richard Smith disse:
20 de março de 2008 às 00:45

Ih, o velho problema protestante da "Sola Fide" criado pelo monge herético lutero.

Não vou discutí-lo com você aqui amigo Mauro, pois este espaço não é para discussões religiosas ou teológicas.

"A fé sem obras é morta" disse o Apóstolo Tiago em um livro componente da Bíblia Canônica e RETIRADO por lutero.

Acerca deste e de outros assuntos, procure maiores informações no rigoroso site de apologética católica MONFORT (www.monfort.org.br).

Aliás, muito interessante neste site é a crítica histórica ao recente filme "Lutero". Imperdível.

Um abração.

Richard Smith disse:
20 de março de 2008 às 00:56

Ah, desculpe, esqueci um tópico: todos os não-batizados são pagãos, mesmo aqueles anteriores ao Sacramento. E o critério da "ignorância invencível", é claro, aplica-se somente aos existentes após o advento do Sacramento, pois os de antes NÃO PODERIAM tomar conhecimento de algo inexistente. É uma caracterização objetiva e exclusiva. Os anteriores foram remidos e libertados da mesma forma pelo Sacrifício e pela presença salvífica do Cristo, tudo de acordo com a suas obras materiais em acordo com a Lei Natural.

Em pobre analogia: como poderia ser considerado "combatente da segunda guerra mundial" e assim galardoado, alguém que tivesse vivido e morrido antes dela? E os potenciais combatentes que não tiveram a oportunidade de se alistar e seguir para a guerra porque acabou o conflito? E os que não tiveram conhecimento do alistamento mas, certamente teriam correspondido a ele, com bravura e despreendimento? E ao mesmo tempo: e os covardes e refratários, que dele tiveram conhecimento, mas se negaram a atendê-lo.

É mais ou menos assim.

Como disse, pobre analogia porque o conflito teve uma duração determinada e a adesão e pertença à Igreja, não.

Também sobre isso recomendo o referido site.

Outro abraço.

Eduardo disse:
20 de março de 2008 às 10:01

Caro Richard,

Nada pessoal, mas a falácia de seus argumentos encontra-se na sua reliogiosidade, nunca pensou em transcender, ascender, ou mesmo descer deste mundo ilusionista que costuma viver. Há coisas além de Deus, mas é preciso coragem ou vontade, até mesmo indeferença serve para ver. Fica a dica!

Mauro disse:
20 de março de 2008 às 10:30

Ok, ultra-dogmático amigo Richard. Desisto de tentar convencê-lo do óbvio. Aliás, esta é uma tarefa ingrata, pois como trata-se de algo óbvio os argumentos para demonstrá-lo normalmente não são convincentes.

Apenas a título de informação, Lutero não chegou a tirar Tiago do cânone. Ele tirou apenas os apócrifos do AT, pois estes apareceram do nada na época da diáspora judaica e não constam na Bíblia Hebraica.

Abraços e obrigado pela dica do site.

Richard Smith disse:
20 de março de 2008 às 12:06

Caro amigo ultra-não-dogmático Mauro:

Muito engraçado o seu sofisma. Assim como os fariseus e doutores da Lei, lutero eliminou diversos livros, mas que continham referências que não se afinavam com a sua nova "doutrina" (vide Macabeus, acerca do Purgatório).

Aqueles, pelo menos consideravam que Escrituras Sagradas não poderiam ser escritas fora da Terra Santa (A "Bíblia dos Setenta", ou Septuaginta, escrita em Alexandria pelos judeus da Diáspora), lutero por sua vez foi somente um manipulador oportunista mesmo, pois quem conferiu canonicidade aos livros da Bíblia foi a Igreja (daí o porque da afirmação: "Não é a Igreja que é filha da Bíblia, mas sim a Bíblia é que é filha da Igreja"), desde o seu início e até o século XIV, com a advento do "reformador".

Um abração a você.

Mauro disse:
20 de março de 2008 às 17:39

Caro amigo ultra-dogmático-teimoso Richard.

Lutero não eliminou diversos livros. Ele simplesmente, e com razão, determinou que o AT protestante é a Bíblia Hebraica, afinal, a Septuaginta, que é o AT católico, foi, como você mesmo disse, escrita em parte fora da terra santa. Entretanto, sua maior contribuição para o cristianismo foi a tradução das Sagradas Escrituras para o alemão em uma linguagem para o povo, e a criação da imprensa ajudou e muito a fazer chegá-la às mãos de qualquer que quisesse lê-la, pois, até então, a Igreja Católica a havia escondido do povo para que pudesse cobrar indulgências e praticar outras barbaridades sem cair em contradição com a revelação progressiva de um Deus de amor contida nas Sagradas Escrituras.

Mauro disse:
20 de março de 2008 às 17:45

E quanto ao site www.monfort.org.br acho que há algo errado neste endereço, pois não consegui acessá-lo.

Richard Smith disse:
24 de março de 2008 às 21:28

Caro amigo Mauro:

Nem poderia! pois pela habitual afoiteza ao digitar mandei-lhe o endereco (estou fora do Pais e sem um teladoo ABNT) errado.

E MONTFORT, com "T" (www.montfort.org.br).

no mais, pegunto ao amigo: com que AUTORIDADE lutero fez isso?

Sobre os demais temas ora abordados, principalmente as indulgencias (materia muito interessante e proveitosa para a nossa alma!) no site tambem tem

Um sincero abraco.

Mauro disse:
28 de março de 2008 às 19:42

Dogmático amigo Richard.

Transcrevo abaixo o versículo bíblico de II Timóteo 3.16 "Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para instrução na justiça".

Creio que quando o APÓSTOLO Paulo menciona "Escrituras" refere-se à Bíblia hebraica, pois ele era um doutor da lei e profundo conhecedor do judaísmo e principalmente da hermenêutica e da produção literária judaica. E um judeu ortodoxo, mesmo tendo ele se convertido ao cristianismo, normalmente preteria a Septuaginta em relação à Bíblia hebraica. Creio que este foi um dos argumentos usados por Lutero.

Se quiser comunicar-se comigo por e-mail é nogueira-mauro@uol.com.br.

Os PeTralhas de plantão aqui no Brasil devem estar com saudades de você.

Forte abraço.

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