Justiça devolve passaporte dos pilotos do Legacy

Os pilotos norte-americanos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino poderão voltar aos Estados Unidos. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região concedeu Habeas Corpus parcial e determinou a devolução de seus passaportes no prazo de 72 horas. Lepore e Paladino comandavam o jato Legacy que colidiu com o Boeing da Gol em 29 de setembro. As 154 pessoas que estavam no Boeing morreram.

Os juízes da 3ª Turma definiram o prazo de 72 horas para a devolução dos passaportes porque consideraram um tempo razoável para que a Polícia Federal, se quiser, tome o depoimento dos pilotos antes de eles voltarem aos Estados Unidos. O advogado Theo Dias, que representa os pilotos, afirmou que eles já prestaram três depoimentos e estão à disposição para serem ouvidos na esfera federal.

Em recente entrevista à Consultor Jurídico, o advogado Theo Dias disse que não há porque manter os pilotos no Brasil até o fim das investigações. O argumento é de que não há a menor possibilidade de eles deixarem de responder às questões da Justiça brasileira, mesmo quando voltarem aos Estados Unidos.

Isso porque um tratado de cooperação internacional firmado entre Brasil e EUA obriga qualquer cidadão americano na situação dos pilotos a prestar contas ao Judiciário brasileiro. “Não é uma questão de querer ou não colaborar. A cooperação é um imperativo legal.”

O artigo VIII do tratado (MLAT — Acordo de Assistência Judiciária em Matéria Penal) prevê expressamente que uma pessoa intimada a depor ou a apresentar prova será obrigada, quando necessário, a apresentar-se e testemunhar ou exibir documentos, registros e bens.

Pelo mesmo artigo, o Estado requerido (no caso os EUA) permitirá ainda a presença de pessoas indicadas na solicitação e permitirá que essas pessoas apresentem perguntas a serem feitas à pessoa que dará o testemunho ou apresentará prova.

Histórico

A colisão do avião Legacy, pilotado por Paladino e Lepore, com o Boeing da Gol, quando sobrevoavam região norte de Mato Grosso, ocorreu no dia 29 de setembro. O acidente provocou a queda do Boeing causando a morte de 154 pessoas. O Legacy conseguiu pousar numa pista militar na Serra do Cachimbo e seus sete ocupantes escaparam ilesos.

A apreensão dos passaportes dos pilotos do Legacy foi determinada pelo juiz de Peixoto de Azevedo (MT). Posteriormente, o juiz federal de Sinop confirmou a apreensão para impedir que Paladino e Lepore deixassem o Brasil durante as investigações do acidente. Agora, a decisão foi cassada.

Habeas Corpus 2006.01.00.043351-1/MT

Rodrigo Haidar

é chefe de redação da revista Consultor Jurídico.

Armando do Prado disse:
05 de dezembro de 2006 às 17:12

Acordos. Tratados. Tenho a impressão que se o caso tivesse ocorrido nos "states", os "nossos" pilotos uma hora dessa estariam em Guantánamo, acusados de terrorismo, vendo o que é bom para tosse.

Roland Freisler disse:
05 de dezembro de 2006 às 17:33

O professor, sempre tão radical quanto aos "states"...por que não fala das prisões cubanas, chinesas e tantas outras dos paraísos socialistas? que recalque, profesdsor...

Neli disse:
05 de dezembro de 2006 às 17:44

A mim me parece que foi precipitada a detenção dos pilotos;sem saber quem seria o culpado ou não.

Rossi Vieira disse:
05 de dezembro de 2006 às 18:35

Até que enfim uma decisão acetada.Está mais do que evidente que o acidente foi causado pela falta de atenção do governo brasileiro, que pagou milhões de dólares pela vigilância aérea, com super radares ( superfaturados) que ninguém sabe onde estão ( fora do papel) localizados. Imagina-se , nesses pontos cegos, quantos aviões entram e saem com cocaína, maconha e ectasy, apesar da publicidade desses radares. Não é de hoje que se fala em ponto cego. Com tudo isso, só falta o governo Lula autorizar o abate de um suposto avião traficante e acertar um avião da Tam, Gol, Pantanal ou outra qualquer. É aguardar para ver. Ah ! antes de se mencionar Guantánamo, convido o Armando Prado, ilustre professor, a visitar o presídio II de Pinheiros, em plena capital paulista. De lá, o professor poderá concluir que Guantánamo é mamão com açucar. Pelo menos lá, em plena ilha, se defeca numa latrina presa ao chão, na intimidade de quem precisa atingir os limites da privacidade. Já em Pinheirão os detentos defecam, um olhando para o outro, num buraco no chão...

Otavio Augusto Rossi Vieira, 40
advogado criminal em São Paulo

Fftr disse:
05 de dezembro de 2006 às 19:30

Mais uma vez um jornalista americano tem razão!
Um dos ocupantes do Legacy era jornalista. Ao retornar aos EUA disse que nosso controle aéreo era um queijo suiço. Na época foi criticado até pelo Ministro da Defesa. No final das contas parece que ele tinha razão.
O outro caso foi o jornalista do Times que disse que o presidente Lula gostava de beber!
USA 2x0 Brasil

Sjluchi disse:
06 de dezembro de 2006 às 08:21

Há tempo venho criticando o fato da retenção dos passaportes desses pilotos e afirmando, com todas as letras, que a culpa pelo acidente do avião da Gol é de quem cuida do espaço aéreo deste País. Tudo é obsoleto, a começar pelo ministro da defesa que deveria estar cuidando dos netos. Há! Existem sim "pontos cegos" no espaço aéreo: o do Sr. Presidente, do Sr. Ministro da Defesa, do Sr. Ministro da Aeronáutica e dos demais "companheiros". Que vergonha!

Ruberval, de Apiacás, MT disse:
06 de dezembro de 2006 às 11:07

Com esta decisão, a Justiça brasileira já pode "engavetar" o processo, vez que somente um idiota para acreditar que os pilotos voltarão ao Brasil.

Rafael Leite disse:
06 de dezembro de 2006 às 11:25

Transpondo o caso para a realidade de quem só pilota automóvel:

O motorista dirige na contra-mão, com o farol desligado, atingindo um ônibus que cai de uma ribanceira matando todos os passageiros.

A conclusão, se seguida a mesma lógica do presente caso, é que a culpa do acidente é da Polícia Rodoviária por que não tinha um patrulheiro no posto na hora em que passou o automóvel.

A subserviência de certos brasileiros de 5ª categoria a tudo que é americano é triste, mas burrice é mais triste ainda.

Armando do Prado disse:
06 de dezembro de 2006 às 12:25

Pois é caro Rafael, v. tem razão, pois nossa elite pensante tem como mania ser submissa aos mais fortes, de preferência que se localize no hemisfério norte.

Sjluchi disse:
07 de dezembro de 2006 às 08:59

É verdade é a que não é pensante vota no "Lula".

jorgecarrero disse:
07 de dezembro de 2006 às 12:51

Excluindo a xenofobia reinante neste fantástico país... encontramos o culpado pelas mortes de 154 brasileiros: o governo! Incompetência, irresponsabilidade, descaso e omissão tem sido a mistura maléfica de governantes para o atual caos da aviação brasileira. Essa mula presidencial, pintado e escarrado à semelhança de um Messias, resigna-se, mais uma vez, a responsabilizar outros governos pelo fracasso e pela vergonha que estamos sendo obrigados a vivenciar. A aeronáutica, OMISSA há tempos, escorrega nesse limbo de irresponsabilidade. OUTRA VEZ, somos expostos à opinião pública mundial como um 'povinho' incompetente, 'terceiro- mundista-com-razão'. Tudo graças aos incompetentes que nos dirigem e às bestas mofadas e abduzidas que insistem em proteger essa onda de lama que cobre esse miserável país. Infelizmente, 154 pessoas pereceram ante ao estabilishment reinante. VERGONHA! Mais: Esses pilotos e a empresa ExcelAir ganharão muito dinheiro com toda essa chuva de - repetindo - INCOMPETÊNCIA. E, somos nós, OTÁRIOS, quem vai pagar MAIS uma conta.

jorgecarrero disse:
07 de dezembro de 2006 às 13:38

O acidente com o vôo 1907 da Gol Linhas Aéreas e o festival de mentiras, presepadas, arrogância e irresponsabilidade das autoridades envolvidas no episódio são a prova cabal da falta de escrúpulos dos homens que hoje se encontram encastelados no poder "deste país".
A queda do avião, que matou 154 passageiros e tripulantes, ocorreu poucos dias antes do primeiro turno das eleições. A partir de então, foi posta em prática uma das mais abjetas campanhas de desinformação já vistas por essas bandas. O intuito era, única e exclusivamente, encobrir eventuais responsabilidades dos controladores de vôo no e, conseqüentemente, dos órgãos e agências estatais a que eles estão subordinados. Em síntese, nada que pudesse vincular a inépcia do governo à tragédia e prejudicar suas pretensões eleitorais poderia vazar para o público antes de decidido o pleito.
Desde o primeiro momento, todas as autoridades ouvidas pelos meios de comunicação foram unânimes em afirmar, não raro de forma peremptória, que o sistema de controle do tráfego aéreo brasileiro estava entre os mais modernos e avançados do mundo. A mensagem aos incautos era sempre a de que o espaço aéreo nacional é 100% seguro, os CINDACTAS funcionam perfeitamente, sem "sombras" ou "ruídos" - como se diz em linguagem aeronáutica - e os profissionais envolvidos são do mais alto gabarito.
Tendo a seu lado trunfos poderosos, como o indefectível nacionalismo tupiniquim e, principalmente, o indelével anti-americanismo que mora nos corações e mentes do povo de Pindorama, nossas autoridades, com o beneplácito e, muito freqüentemente, com a ajuda da mídia em geral, induziram - no início dissimuladamente, depois ostensivamente - a plebe ignara "deste país" a pensar que o grave acidente fora obra exclusiva dos pilotos do jato Legacy (os cruéis alienígenas da terra do malvado Bush).
A estratégia, pode-se agora dizer, foi um estrondoso sucesso. A justiça rapidamente "seqüestrou" os passaportes dos dois cidadãos norte-americanos. A polícia aventou a hipótese de tipificar o "crime" dos dois "depravados" como homicídio doloso pois, na cabeça dos nobres doutores, eles teriam desligado seus próprios equipamentos de segurança já sabendo que, mais adiante, bateriam de frente com um 737 - muito maior do que eles, diga-se de passagem - e sairiam ilesos, matando, premeditadamente, 154 brasileiros.
Enquanto isso, choviam cartas de leitores para as editorias dos grandes jornais. Todas, sem exceção, profundamente indignadas com a negligência, imprudência e imperícia dos pilotos sobreviventes. Experts em aviação civil e militar logo sugeriram que os dois "insanos" poderiam ter desligado os equipamentos de segurança e identificação do pequeno avião para, "quem sabe" fazer "testes" sem serem percebidos pelo radar, quando na verdade o Legacy voava no piloto automático desde São José dos Campos.
A patriotada brasileira chegou ao ponto de entupir a caixa postal de um jornal americano com mensagens indignadas porque o mesmo publicara artigo - do repórter que viajava a bordo do Legacy no momento da trombada - insinuando que o espaço aéreo tupiniquim não era assim tão seguro como diziam as nossas autoridades. Ora, vejam só: de onde aquele celerado poderia tirar semelhante bobagem?
E assim, conseguiram vencer um mês inteiro, até o segundo turno, sem que ninguém sequer sugerisse qualquer hipótese diferente daquela que nos empurravam goela abaixo. Palmas para eles! A esperteza mais uma vez triunfara na terra de Macunaíma.
Vencidas as eleições, já não havia mais razão para segurar uma verdade que, mais cedo ou mais tarde, viria à tona. Começaram então a surgir evidências de que as coisas não se passaram exatamente do jeito que gostariam as nossas autoridades, a mídia e a população em geral.
Hoje, já sabemos que o acidente foi proveniente de inúmeras falhas, humanas e técnicas – algumas tão prosaicas quanto inimagináveis no universo da aviação civil, como a falta de clareza nas comunicações (diálogos) entre a torre e os pilotos -, cujo encadeamento acabou resultando na tragédia. No entanto, se há um responsável principal nesse imbróglio, pela mais absoluta incúria no trato de assuntos em que não se pode, jamais, negligenciar, pois envolve a segurança de vidas humanas, esse alguém é o governo brasileiro.
Independentemente de outras circunstâncias atenuantes, como o mau funcionamento do equipamento "transponder" e do sistema de comunicação entre a torre de Brasília e o Legacy, os controladores de vôo (não apenas os de São José dos Campos, que deram uma instrução errada aos pilotos americanos, para que voassem a 37.000 pés até Manaus, mas também os de Brasília, que nada fizeram para desviar dois aviões em possível rota de colisão), na qualidade de agentes encarregados de dar PROTEÇÃO às aeronaves, têm grande quota de responsabilidade pelo acidente, pois falharam naquela que é a sua principal função: dar proteção às aeronaves. (Não por acaso, um dos sindicatos que abriga profissionais dessa área chama-se: Sindicato nacional dos trabalhadores em PROTEÇÃO AO VÔO).
O mais espantoso neste caso, contudo, foi a facilidade com que algumas autoridades conseguiram iludir toda a imprensa "deste país". Poucos foram os jornalistas que, por um instante que fosse, duvidaram das versões estapafúrdias que lhes eram apresentadas. Ninguém ousou, nem de longe, questionar os "especialistas" do governo. Uma simples investigação, por mais superficial que fosse, certamente desvendaria uma miríade de problemas que não precisavam esperar pelo fim das eleições para vir à tona, como a existência de poucos e mal treinados profissionais; salários incompatíveis com a responsabilidade da função; cargas horárias muito acima do ideal; equipamentos obsoletos e manutenção precária; falta de investimentos e comando inadequado, para ficarmos apenas nos ululantes.
Muitos irão acusar-me de radical (para variar), mas se há uma lição a tirar desse trágico acidente e da crise dele decorrente é que precisamos, urgentemente, repensar alguns paradigmas e não apenas remediar os velhos problemas com paliativos. De minha parte, penso que uma atividade tão importante e estratégica, de cujo bom funcionamento dependem, diariamente, milhares de vidas humanas, não pode ficar nas mãos de governos, quase sempre incompetentes, improdutivos e irresponsáveis. Privatização já!

O triunfo da esperteza, por João Luiz Mauad em 20 de novembro de 2006
© 2006 MidiaSemMascara.org

Rafael Leite disse:
07 de dezembro de 2006 às 14:29

Ó, como não pensei nisso antes, Sr. Carrero! Quanta sapiência, claro, privatização! Isso, a panacéia! Olhe como o Brasil virou um país de primeiro mundo com elas na era FHC! Claro que a iniciativa privada está preocupada com o bem da nação! Acreditar que o seu interesse é apenas o lucro, ah! Isso é para tolos! Todos sabem que o seu maior interesse é garantir o bem da sociedade, o progresso das nações, a livre concorrência, bem, talvez não esta, nem a última...

Poupe-nos de seu coaxar, creditar toda a culpa pelo acidente ao poder público é tão absurdo quanto colocar a culpa na Polícia Rodoviária pelo acidente narrado abaixo.

Se taxas alguém de xenófobo, vais viver no país que enalteces para ter a primeira lição sobre essa enfermidade social, lá trabalhando como faxineiro vais ver o que é de fato xenofobia.

Richard Smith disse:
07 de dezembro de 2006 às 20:16

Ao Sr. Rafel Leite, o anti-privacionista furioso um pequeno trecho do blog do Reinaldo Azevedo:

"PRIVATIZAÇÕES: COMO O pt LUTOU BRAVAMENTE PARA MANTER O PAÍS MERGULAHDO NO ATRASO

É... E pensar que as privatizações foram o cavalo-de-batalha do PT contra o PSDB em 2002 e, mais ainda, por incrível que pareça, em 2006! Pior de tudo: pensar que não só os tucanos não souberam defender o seu passado como ainda tentaram renegá-lo. Contra os números. Por que escrevo isso? Leiam esta notícia da Folha On Line: “O mercado brasileiro de telefonia móvel deve superar a marca de 100 milhões de consumidores em 2006, de acordo com o estudo ‘Perfil do Consumidor Brasileiro de Telefonia Celular’. O estudo reúne dados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), estatísticas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e dos indicadores de mercado da operadora de telefonia móvel Vivo — empresa responsável pela apresentação dos dados à imprensa, nesta quarta-feira.”

E tem mais: “Em 1998, quase 100% do mercado de telefonia móvel [5 milhões de telefones] era concentrado nas classes A e B. Em 2006, 60% deste mercado está nas mãos das classes C, D e E. Mais ainda: “Cerca de 64% dos usuários de celular apresentam uma renda inferior a R$ 480, ante os 10% com renda superior a R$ 1200”. A privatização da Telebras foi um dos maiores programas sociais jamais criados no país. O outro foi a Lei dos Genéricos. Nos dois casos, são benefícios inegáveis que movimentam a economia, em vez de fazê-la estagnar da miséria.

Ainda hoje, os petistas enchem a boca e dizem que a Telebras foi vendida a preço de banana. Foram nada menos de R$ 22 bilhões. De 1998 até hoje, investiram-se na área outros R$ 135 bilhões. Imaginem o Estado brasileiro, que tem uma sobra para investimentos de apenas R$ 9 bilhões, tendo de arcar com esse montante. Estaríamos nos comunicando com sinais de fumaça. Entre telefonia fixa e móvel, em 1998, havia 24 milhões de acessos no país: hoje, são 135 milhões. A rede telefônica gerava impostos de R$ 5 bilhões ao ano em 1998; hoje, são R$ 35 bilhões.

Lula e os petistas foram contrários à privatização. Botaram nas ruas seus bate-paus; recorreram a quantas chicanas jurídicas foi possível; fizeram com que os brasileiros se sentissem roubados. Esses números não apareceram no horário eleitoral, não foram exibidos na campanha..."

Sacou, mané, ou quer que eu desenhe?

Rafael Leite disse:
08 de dezembro de 2006 às 19:29

Sr. Richard Smith,

Gostaria primeiramente de corrigir um equívoco, em outra oportunidade disse que você tinha sensibilidade excessiva, vejo que me equivoquei, você na verdade sofre de HIPOCRISIA aguda, pois naquela ocasião você me repreendeu por comentários detratores, mas agora vem com um contundente “mané” dirigido a mim, despido de qualquer tom jocoso e com o nítido intuito de me atingir, o que bem se distingue do que fiz. Assim, faço uso de suas palavras (que, espero, não sejam demonstração de toda sua capacidade intelectual):
“Ô Richard, qualé rapá?!!”

Para não ficar no discurso maniqueísta, que costuma atrair pessoas de mente pequena, digo logo que concordo que a privatização foi boa no setor de telecomunicações, mas se você tivesse estudado um pouco sequer veria que isso é consenso entre economistas, estando o seu sucesso muito mais ligado à natureza do setor do que ao ato de governo.
Quanto a entender que a privatização é a solução para todos os problemas, só sendo um completo parvo, aliás, acreditar na existência de panacéias só se admite em tenra infância.
Já que você aparenta se julgar muito sapiente, favor me explicar o porque de o Brasil ter realizado o maior volume de privatizações na América latina (http://rru.worldbank.org/Privatization/Region.aspx?regionid=435) e não ter visto um milagre se operar na economia? Por favor, não me venha com respostas fáceis como o problema é da carga tributária, a quantidade de corrupção, a falta de vontade política, a educação, pois o volume de privatizações foi tão grande que com certeza compensou qualquer desses fatores.
Dando fim a esse desinteressante e inoportuno colóquio, afirmo que não sou contrário a privatizações, nem sou a favor, sou sim contra idéias fixas, adoção de modelos não condizentes com a realidade, não acredito em bodes expiatórios que livram todos de seus pecados, não acredito em soluções mágicas.
Já você...

Richard Smith disse:
09 de dezembro de 2006 às 16:30

Meu caro Rafael Leite:

Nossa, você ficou bravo, hein?

Desculpe-me pelo mané, não tive a expressa intenção de ofendê-lo.

No mais, "sensibilidade excessiva" foi, sem dúvida, um epíteto exagerado de sua parte. Não tenho nada de "histérico". simplesmente tenho opiniões, as quais, ao contrário de muitas pessoas por aí que somente tem "achismos", defendo com vigor e com virilidade.

"O estilo é o homem", já ouviu dizer? No meu caso, e sem pretender ofender a ninguém, uso e abuso da ironia, como forma de realce de argumento e de fustigação de idiotices, pois sou absolutamente intransigente com opiniões "de-orelha-de-livro" (livros esquerdistas principalmente. Já leu "Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo" de Lênin? Recomendo) e pautadas pela verdadeira ditadura do "politicamente correto" e da relativização de valores absolutos (a Verdade, principalmente).

Simples assim.

Quanto às privatizações, acho que você me entendeu mal, embora não seja a Margareth Tatcher (sou mais bonitinho...), também acho que o Estado deve ser livre, não ter as amarras representadas pelas empresas estatais, que não são sua obrigação, para investir no que realmente interessa ao público: Saúde, Segurança e Educação. O Emprego, a Industrialização, o Desenvolvimento, etc. advém naturalmente das condições criadas por aquelas três variáveis bem desenvolvidas pelos governo, principalmente (ou quase exclusivamente) a última.

No governo Médici, por exemplo, havia quase o chamado "pleno emprego", com a disputa para a cobertura das vagas de trabalho, feitas por kombis com alto-falantes nos bairros operários e, até, nas portas de fábrica, como bem admitiu e lembrou o próprio Lulla em entrevista a Ronaldo Costa Couto no seu livro "Memória Viva do Regime Militar" (Ed.Record, 1999).

No período de 1957 a 1972 houve a transformação do Brasil, de um país semi-industrializado para um totalmente industrializado, com crescimento da ordem de 11% em média, de 1966 a 1974, o maior já visto na História.

A estatização por sua vez foi um "fenômeno" implantado ou enormemente favorecido no governo Geisel, com a formação de diversas empresas. Tal prática, muito mais do que o endividamento externo, foi a matriz dos enormes e insanáveis deficits públicos correntes, sempre cobertos com emissão de moeda, vulgo "inflação".

Daí então que achar que Estado tem de fabricar ventiladores, produzir aço, ou fazer alpercatas, no sertão do Cariri (apenas porque o BNDS emprestou um bom tutú público ao prefeito e os seus sócios, que sumiram com a granolina e deixaram o mico), é uma falácia já de há muito desmentida.

Por mim, não haveriam bancos estatais (senão o Banco Central, independente), não haveria Petrobras com participação majoritária do Governo e "otras cositas mas".

Não havendo assim, jamais, a possibilidade de "aparelhamento" e "encabidação" de empregos por parte de um governo petista, petebista ou pefelista.

Quanto às maiores privatizações da America Latina, há que se ver bem isso, posto que afora o México, que fez as suas também, não existe grau de comparação das empresas de outros países com as brasileiras, pelo seu simples tamanho, resultante de quanto "din-din" nosso (de impostos), foi posto dentro delas.

Agora, se você não quer as explicações CORRETAS, para a nossa falta de crescimento (maiores juros do mundo, maior economia informal ídem, maiores encargos trabalhistas ídem, maior tempo e maior quantidade de documentos e certidões para a abertura de uma empresa ídem, ídem, falta de escolaridade, etc., etc. etc., certamente que não há muito mais o que te dizer.

No mais, PSDB e PT foram lados diferentes de uma mesma moeda.

Uma vez mais, simples assim. Certo?

Nem "soluções para TODOS (apenas para MUITOS) problemas" e nem também "soluções mágicas".

Expliquei-me?

Saudações.

Richard Smith disse:
09 de dezembro de 2006 às 17:24

Ah, e também para que as estatais não financiem "obras" (ou seriam obras mesmo, daquelas que o vivente produz quando está "obrando?) como as mencionadas no trecho abaixo, da resvista Veja, citada no blog do "tio" REINALDO AZEVEDO:

"NOS EMIRADOS SÁDERES: O PERFEITO BESTEIROL 'LATINOAMERICANO'

Da Veja: 'Está lá, na página 533, entre os verbetes ‘Federação das Índias Ocidentais’ e ‘Feminista, Movimento’: Feijoada – Do português ‘feijão’. Prato da culinária do Brasil, feito com feijão-preto e distintos tipos de carne suína, cozido por várias horas. Costuma ser servido com arroz, couve refogada, farofa e pedaços de laranja, tradicionalmente, às quartas-feiras e aos sábados. A definição revolucionária e relevante faz parte da Latinoamericana (assim mesmo, sem o hífen obrigatório) – Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe. Trata-se de obra divertida para leitores de todos os continentes. Para seu deleite exige-se apenas QI ligeiramente superior ao dos chimpanzés – ou ao das lhamas, para ficar na referência regional. O cartapácio preenche mesmo um vácuo, já que a idiotice latino-americana (assim mesmo, com o hífen obrigatório) não cabia mais em um simples manual. Os organizadores são os companheiros entre si EMIR SADER, o mártir da sociologia brasileira, e Ivana Jinkings, cujo apodo no meio editorial é 'Ivana, a Terrível' – injustiça provavelmente saída da cabeça doentia de um dos direitistas que tomam conta do pedaço.

O núcleo duro do miolo mole também se divertiu bastante com a enciclopédia, mas não com o conteúdo impresso, e sim com o embolsado. O custo total da Latinoamericana foi de 2 milhões e 23 mil reais. Cada colaborador convidado recebeu o equivalente a 1.700 dólares POR VERBETE [o da feijoada também, pergunto eu, Richard Smith?]. Sim, dólares, porque em questões de dinheiro se deve sempre deixar o "latino" de lado. Quem pagou essa feijoada? VOCÊ, é claro. Sader e Ivana receberam o patrocínio da PETROBRAS, da ELETROBRÁS, do BNDES, da CAIXA ECONOMICA FEDERAL e do BANCO DO BRASIL, via leis de incentivo... vá lá, cultural. A piada não tem fim no petismo. Só dá para encarar com um porre de cachaça, preferencialmente."

(TODOS OS GRIFOS MEUS)

Volto a perguntar então: deu para entender ou quer que eu desenhe?!

Rafael Leite disse:
09 de dezembro de 2006 às 19:00

Por favor desenhe, acredito que você, assim como os homens da caverna, tem mais vocação para o desenho do que para as palavras.

Richard Smith disse:
09 de dezembro de 2006 às 20:05

Eita falta de argumentos, não?

Rafael Leite disse:
10 de dezembro de 2006 às 23:41

Argumentar contra duas citações de blogs...

É muito para minha cabeça.

Suas fontes constituem seus próprios contra-argumentos.

Richard Smith disse:
11 de dezembro de 2006 às 11:43

Sim, caro Rafael:

Para mim existem FATOS, independentemente de sairem da boca (ou da pena) de Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, mino carta ou josé dirceu.

E sendo FATOS, merecem desmentidos ou aceitação.

Porque ou são verdadeiros ou não o são.

Simples assim.

Quanto às "fontes", até o josé dirceu, por exemplo, é capaz de dizer alguma verdade de vez em quando, apesar de não ser bem o seu estilo.

Dessa forma e ao contrário do que você quer induzir, uma "fonte" de FATOS deve ser acolhida ou não pelo o que eles trazem de VERDADE e não pelo seu estilo.

Mas, você se for tendenciosao, preferirá evitar comentar o FATO, mediante a simples impugnação da fonte. Hum, um tanto estalinista, não?

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