Editorial da Folha de S.Paulo publicado na edição deste sábado (26/3)
Apreço pelo confronto público de ideias e temperamento dado à polêmica são características, em princípio, indesejáveis num juiz. A combativa personalidade do ministro Gilmar Mendes, no entanto, se mostrou valiosa para enfrentar resistências e impor à Justiça brasileira uma gestão modernizadora nos dois anos em que esteve à frente do Supremo Tribunal Federal.
O estilo também é condizente com outras duas marcas de seu mandato: a defesa intransigente dos direitos individuais e a consolidação do STF como corte constitucional, cuja função é arbitrar omissões ou conflitos de princípios da Carta de 1988.
Ocasionais embates com os demais poderes da República surgiram desse movimento de afirmação do Judiciário, ainda que Mendes não tenha resistido, muitas vezes, a cometer excessos retóricos na defesa do que em inglês se chama "law and order".
Houve também conflitos internos. Sob seu comando, a imensa máquina do Judiciário foi objeto de um salutar choque gerencial. O Conselho Nacional de Justiça, dirigido pelo presidente do STF, ganhou a legitimidade e os recursos necessários para cumprir sua missão de aumentar a transparência administrativa dos tribunais e elevar a eficiência do trabalho dos juízes.
O órgão tem buscado estabelecer indicadores de desempenho e metas de produtividade. O objetivo de que todas as causas iniciadas antes de 2006 tivessem uma sentença até o fim de 2009, anunciado por Mendes, não foi alcançado. Mas contribuiu para reduzir a morosidade na análise de casos pela Justiça. Não é desprezível, diga-se, a marca de 60% dos processos pendentes resolvidos dentro do prazo previsto.
No Supremo, o momento mais dramático, estima o próprio Mendes, foi o episódio dos dois Habeas Corpus concedidos em sequência ao banqueiro Daniel Dantas. O recurso é uma garantia constitucional dos cidadãos contra abusos de autoridade e cabia a Mendes julgar o caso. O juiz de primeira instância havia decretado uma primeira ordem de detenção provisória contra o banqueiro, que o presidente do STF decidiu reverter.
O juiz decretou então nova prisão. Ainda que agisse dentro de suas prerrogativas, o gesto ganhou contornos de provocação. Não houve equívoco nem exagero do presidente do Supremo ao determinar que o banqueiro fosse novamente libertado.
É um erro considerar o episódio de forma isolada. Mendes defendeu o mesmo princípio quando comandou os chamados mutirões carcerários, em 20 Estados, que colocaram em liberdade cerca de 20 mil pessoas indevidamente encarceradas.
Num país marcado pela impunidade, pode soar impróprio, e é certamente impopular, defender suspeitos da sanha persecutória de setores do Estado. Mas é tarefa da Justiça fazê-lo, e Mendes cumpriu com desassombro sua função.
Mais comedimento na vocalização de opiniões, que em alguns casos geraram conflitos com outras áreas do poder e da sociedade, teria sido recomendável. O STF perde quando, ao se envolver em disputas, seu presidente é publicamente criticado, já que é inevitável alguma confusão entre a imagem do magistrado e a da instituição que comanda.

Essa matéria da Folha é mais uma das piadas que seus jornalistas nos tem oferecido.
Modernizar a justiça ou o instituto dos HCs, contra sumula do proprio supremo?
Decisões emocionais não engrandecem a justiça.O voto do ministro Marco Aurelio Mello foi incisivo e definitivo, no caso dos dois HCs. Infelismente, o Supremo tem um viés corporativista insuperavel, que ficou totalmente comprovado neste episódio.
E a Folha exerce o vinculo indelevel que tem com a defesa de Daniel Dantas nessa matéria.
Minhas condolências aos adeptos do estado policial - adeptos por malícia ou burrice -, pois o ministro Gilmar Mendes mandou seus ídolos para os quintos dos infernos. Resta-lhes apenas chorar, resmungar e rosnar de ódio.
Graças a Gilmar Mendes, a PF nao se transformou na SS do Lula. Aqui na minha terra, isso se chama "cabra macho".
O Ministro Gilmar Mendes mostrou ser um julgador destemido, comprometido apenas com sua consciência e com Constituição Federal. Por diversas vezes, como no caso do HC do Daniel Dantas, decidiu a luz da Constituição sem a preocupação de “jogar” para a platéia e/ou receber aplausos da imprensa. Dirigiu com sabedoria e austeridade o CNJ, lançando campanhas e metas para os membros do judiciário. Encarou abusos perpetrados por outras autoridades como excessos de grampos e de prisões temporárias, que na maioria das vezes eram decretadas apenas para enaltecer o Estado Policialesco e midiático, utilizando deste expediente para ouvir simples interrogatórios, expondo pessoas a um massacre moral. Foi criticado por alguns e até por um colega de estar na mídia, mas ao contrário, colocou o judiciário na mídia como presidente da Suprema Corte, expondo suas virtudes e também suas mazelas, procurando sempre um judiciário mais dinâmico. Logicamente, como homem público, recebeu em determinadas ocasiões criticas, algumas, em meu entendimento, procedentes. Porem deve se avaliar um homem público pelo conjunto de sua obra e não fatos isolados.
mais piada que este editorial so mesmo os comentários dos baba-ovos do Gilmar Mendes!!! rsrsr
Declarações como as do Sr Daniel Dantas sobre o Supremo deixou a opinião publica de cabelo em pé.
Você precisa estar logado para enviar um comentário.
Fazer login