Leis trabalhistas do Brasil protegem mais que dos EUA

A argumentação sobre a flexibilização das leis trabalhistas usa muitas vezes o exemplo dos Estados Unidos como ideal nas relações entre empregador e trabalhador. Não é para menos. Os Estados Unidos são o país onde os direitos trabalhistas são, digamos assim, mais neoliberais.

A constatação salta de uma pesquisa elaborada pelas universidades de Harvard (EUA) e McGill (Canadá) e publicada no começo de fevereiro, a partir de dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e de outras fontes. A OIT tem o maior banco de dados sobre o assunto, com a legislação de mais de 170 países.

O estudo mostra que lei americana é uma das mais duras com o trabalhador em relação a licença-maternidade, férias remuneradas, descanso semanal, auxílio-doença e adicional noturno.

Por outro lado, pela pesquisa, se percebe que a lei brasileira está em sintonia com a maioria dos países desenvolvidos. Apesar de não haver um ranking, a pesquisa aponta a Suíça, Finlândia e Suécia como os países em que os trabalhadores têm mais direitos.

“O panorama do direito trabalhista mundial nos mostra duas correntes distintas. O sistema de proteção do trabalho por meio de códigos e leis, caso do Brasil e da América Latina, e o sistema contratual, que sequer ratifica as convenções da OIT, seguido pelos EUA e Inglaterra”, explica o advogado Cássio Mesquita Barros, membro da Comissão de Peritos da OIT e professor de Direito do Trabalho da USP.

O professor completa: “a tendência mundial, já indicada pela própria OIT, é de um sistema de direitos trabalhistas mínimos, já que as empresas, com a concorrência global, não são mais capazes de pagar os altos custos trabalhistas. O caminho é o meio termo entre os dois sistemas vigentes, aumentando as garantias de um e cortando os excessos do outro”.

Licença-maternidade

Segundo o estudo, de 173 países pesquisados, apenas cinco não dão licença maternidade. São eles, Estados Unidos, Libéria, Suazilândia, Papua-Nova Guiné e Lesoto. Mais de 98 concedem pelo menos 14 semanas de descanso. No Brasil, a trabalhadora pode entrar de licença por 4 semanas antes do parto e retornar somente após 12 semanas, como em outros 40 países.

Ao menos 107 países protegem os direitos das mulheres de amamentarem os filhos durante a lactação, como no Brasil. Em 73 nações, as pausas são pagas. A pesquisa lembra que a amamentação nos primeiros meses de vida reduz a mortalidade infantil.

Para a advogada Sylvia Romano, especialista em direito do trabalho, a licença maternidade é um dos motivos pelos quais as mulheres recebem em média, salários menores do que os homens. “Quanto mais protegem, mais desobedecem. O direito a maternidade tem como resultado uma menor vontade do empresário em contratar mulheres. Pagam um salário menor para elas. Protecionismo sempre bloqueia”, argumenta Sylvia.

Máximo de semanas de licença maternidade paga

Número de Semanas Número de países

4-7

4

8-11

22

12-13

43

14-16

40

17-19

16

20-39

10

40-51

2

52-103

14

104-155

5

156 ou mais

10

Licença-paternidade

Quanto ao beneficio da licença-paternidade, o número cai drasticamente. Dos 173 países, apenas 65 garantem o direito em lei. Desses, 31 concedem ao menos 14 semanas. Como em outros 11 países, a Consolidação das Leis do Trabalho brasileira dá ao pai menos de uma semana de descanso. Os Estados Unidos não oferecem o direito.

É bom lembrar que um dos pontos positivos dos EUA nas relações do trabalho, segundo a pesquisa, é o fato de o país ser uma dos pioneiros no combate à discriminação e na promoção da igualdade salarial entre sexos, raças e portadores de deficiências físicas.

“A CLT é obsoleta e arcaica, tem 922 artigos. É muito. Acho que o direito do trabalho não deve ser nem como o americano, nem tanto como é o brasileiro atualmente. As necessidades do trabalhador variam de uma região para outra. É preciso levar em conta aspectos econômicos, filosóficos, sociais e até geográfico. O que é bom para um trabalhador no interior de Sergipe, não é necessariamente bom para o de São Paulo”, diz a advogado Taube Goldenberg, especialista em direito do trabalho.

Máximo de semanas de licença paternidade paga

Número de Semanas Número de países
Menos de 1 11

1-6

19

7-11

1

12-13

1

14-16

2

17-19

0

20-39

6

40-51

3

52-103

9

104-155

10

156 ou mais

1

Férias pagas

Dos países pesquisados, 137 dão férias anuais pagas. Destes, 121 garantem mais de duas semanas de descanso. No Brasil, a lei concede quatro semanas. Os EUA não têm lei que regulamenta este direito.

“A maioria dos países estão promovendo proteções do trabalho que milhões de americanos apenas podem sonhar”, diz a autora do estudo, Jody Heymann, fundadora do projeto Global Working Families, em Harvard, e diretora do Instituto McGill’s Institute for Health and Social Policy.

Férias anuais pagas

Número de Semanas Número de países

1

2

Entre 1 e 2

18

Entre 2 e 3

43

Entre 3 e 4

33

Mais de 4

36

Horas de trabalho

Pelo menos 134 nações possuem leis que fixam o máximo de horas de trabalho permitidas por semana. No Brasil, o trabalhador deve receber hora extra se trabalhar mais de 44 horas por semana. Na França, o tempo é de 35 horas. Por lei, os EUA não fixam nenhum limite. No entanto, o país é um dos 117 que garantem o pagamento da hora-extra.

Apenas 28 países restringem ou proíbem o trabalho noturno, enquanto 50 oferecem um prêmio para quem trabalha durante a noite. O trabalhador que dá expediente à noite recebe 20% de adicional no salário no Brasil. Pelo menos 126 países garantem um descanso semanal pago de um dia.

Auxílio doença

Em 145 países, o trabalhador que fica doente recebe mesmo que não possa trabalhar. Em casos mais graves, 127 permitem uma semana ou mais de descanso anualmente. Mais de 79 nações permitem benefícios de pelo menos 26 semanas ou até a recuperação. Em 49 casos, o trabalhador pode faltar para ir a um funeral ou um casamento.

Duração do auxilio doença

Número de dias Número de países

1-6

3

7-10

1

11-30

28

31 ou mais

98

Porcentagem paga do salário enquanto o trabalhador está doente

Porcentagem Número de países

100%

31

75-99%

20

50-74%

74

25-49%

8

“Aqui no Brasil, ratificamos as convenções da OIT mas não as seguimos. O garantismo legal e a nossa legislação aparatosa têm se provado ineficientes para garantir as boas condições de trabalho em todo o território nacional”, argumenta Mesquita Barros.

“Chamo a legislação brasileira de dança dos dinossauros, porque é muito pesada. Quanto mais liberdade nas relações trabalhista melhor. A nossa economia não é tão dinâmica por causa disso”, explica Sylvia Romano. Na opinião da advogada, o artigo 618 da CLT permite que um acordo coletivo entre trabalhadores e empregadores flexibilize as regras. “Já consegui que emprega determinasse almoço de 20 minutos e férias de 15 dias”.

A advogada cita um caso de flexibilização que pode beneficiar os dois lados. “Já consegui ganhar em três casos a participação nos lucros mensais. Assim, um trabalhador pode receber, por exemplo, R$ 1 mil de salário e R$ 1 mil de participação. Ele ganha mais porque o patrão paga menos impostos”.

Os pesquisadores de Harvard e McGill não levaram em conta a aplicação da lei, já que trabalhadores ilegais não recebem o direito. Para as estatísticas brasileiras, com o altíssimo grau de informalidade das relações de trabalho, é uma grande vantagem.

Daniel Roncaglia

é repórter da revista Consultor Jurídico.

Band disse:
05 de março de 2007 às 08:40

Por isto que somos um país rico e podemos arcar com 40% da carga tributária (por enquanto) e ainda crescer com estes índices de fazer inveja para a China!

Faltou mencionar as aposentadorias de quem nunca fez poupança, bolsas família, SUS universal, Estatais improdutivas, altos lucros da Petrobrás vendendo o nosso petróleo para nós mesmo e lucrando mais que todos os Bancos juntos, terras pouco produtivas para dar para a improdutividade dos assentamentos que passam a ser sustentado pelos cofres públicos, altos salários para nababos do funcionalismo, ascensoristas que ganham mais que o presidente!

É um rosário de benefícios trabalhistas e sociais que fazem do nosso país a potência que é hoje!

Foi o que faltou comparar, pois parece que os números se referem tudo a países de igual desenvolvimento! Jogou tudo na mesma vala!

strawberry disse:
05 de março de 2007 às 10:55

esta muito bom

Band disse:
05 de março de 2007 às 11:50

Paulo

Não existe almoço de graça e nem a França é capitalista.

Sem pessoas para gerar bens e pagar impostos, não pode existir pessoas mamando apenas. Comendo o que produziremos no dia de amanhã, amanhã não teremos o que comer! É simples assim!

Armando do Prado disse:
05 de março de 2007 às 12:39

Enquanto um professor e jurista do gabarito internacional de Souto Maior, explica o porquê precisamos da manutenção da CLT frente aos predadores de Pindorama, volta e meia aparecem advogados de empresas tentando emocionar com cantilenas do direito trabalhista mínimo, ou a tal da flexibilização. Parece que agradam seus patrões, mas não falam a língua necessária para as relações onde os hipossuficientes não conseguem nem os direitos básicos e comezinhos. O que querem na verdade, é a revogação da Lei Áurea. Aí daria no que pretendem.

Erick de Moura disse:
05 de março de 2007 às 12:50

Agora sem firula e conversinha mole, se a legislação trabalhista do Brasil protege bem mais que os EUA, porque será os empregos de lá estão sendo substituidos e "levados" pra os asiáticos, na grande maiores chineses e indianos que dominam o mercado da informática, simples assim, não precisa fazer tortura!!!

Jobson Mauro disse:
05 de março de 2007 às 12:50

É incrível como os mercadores do neoliberalismo insistem em vender a idéia de que ter direitos é ruim. Pior ainda é saber que tem trabalhador que acredita nisso num Brasil com custo de mão-de-obra baixíssimo. Basta comparar o custo de mão-de-obra de países desenvolvidos como na Alemanha ou França (para maiores detalhes ver o artigo de Maurício Godinho Delgado, publicado na Revista LTr). Experimentem comparar quanto custa um simples faxina de 1 hora nos EUA com o que custa no Brasil! É por esse motivo que os EUA e vários países desenvolvidos têm acusado o BRASIL, CHINA e outros países de baixos salários (leia-se: coletânea de direitos trabalhistas) de dumping social. Definitivamente, o problema do Brasil não é excesso de direito trabalhistas; o problema brasileiro é a falta de efetividade dos direitos trabalhistas.

Jobson Mauro disse:
05 de março de 2007 às 12:54

Só um complemento: quem tem direito trabalhista no Brasil é o casal Fátima Bernardes e William Bonner, que ganham juntos mais de 2 MILHÕES DE REAIS POR MÊS numa concessão pública. O resto é migalha.

Rubão o semeador de Justiça disse:
05 de março de 2007 às 13:18

Só faltou um certo intitulado "Professor Pastore" para o orgasmo da elite que quer acabar com conquistas dos trabalhadores e aumentar o ganho dos acionistas dessa escória o mundo civilizado. Jamais se viu tanta exploração do trabalho (aqui mesmo neste País que paga os piores salários do mundo) para favorecer a rentabilidade e produtividade das empresas. Certos artigos pagos deveriam ser trasnferidos para o setor de classificados dessa revista!

Luiz Augusto Mendes disse:
05 de março de 2007 às 15:00

A intangibilidade dos direitos trabalhistas leva claramente ao desemprego. Nenhum empregador consegue lucro na exporação da atividade econômica se tiver que arcar com os absurdos custos do trabalhador brasileiro. Em consequência disso, não há geração de riqueza, o que por sua vez impede outras contratações. Nossos colegas deveriam parar de ler porcarias ultrapassadas como Carl Marx e se dedicar ao estudo de Von Misses.

Jobson Mauro disse:
05 de março de 2007 às 15:51

As classes dirigentes não precisariam nem se curvar à norma ética dos direitos humanos reconhecidos internacionamente como forma de garantir e efetivar os direitos dos trabalhadores. Poderiam se curvar a um argumento menos nobre e mais pragmático, como o americano, na visão de Paulo Nogueira Batista, in o Mercosul e os interesses do Brasil:
"Faltou também a visão da importância estratégica de uma melhor
distribuição da renda na consolidação do desenvolvimento nacional.
Falta grave, que penalizou a grande parcela da massa trabalhadora ainda
não incorporada à economia como efetivos consumidores. Não entenderam,
nossas classes dirigentes, que melhores salários não são incompatíveis
com aumento de produtividade e que isso é, em essência, o que
cria o mercado de consumo de massas. Ignoraram a boa lição de Henry
Ford que, no início do século, dobrou a remuneração de seus operários
para que pudessem se transformar em consumidores dos automóveis
que produziam".

Jobson Mauro disse:
05 de março de 2007 às 15:53

Só para complementar: com todo o respeito ao comentarista abaixo, mas dizer que a intangibilidade dos direitos trabalhistas leva ao desemprego é equivalente a dizer que a escravidão leva ao emprego.

Jose Antonio Schitini disse:
05 de março de 2007 às 19:26

Não se tem que mexer em nenhum direito trabalhista do trabalhador brasileiro.

Mesmo porque nenhum resultado positivo virá.

O salário é tão baixo, que mesmo com os acessórios proprorcionados pela CLT, como férias, 1/3, 13º que veio na gestão Goulart, FGTs na Revolução 64,e benefícios previdenciários, mesmo assim o montante obtido é mísero perto do que se paga e ganha nos EUA.

O problema é que o governo quer transferir obrigações sociais que lhe cabe ás empresas privadas.

O provimento social é do Estado, conforme elenco constitucional. O provimento de empregos e verbas trabalhistas é da Empresa.

O que não pode é essa contaminação.

Não têm inocentes empresários e, o risco é deles no referente aos componentes da produção e distribuição.

As incidências sobre os custos de produção fazem parte do compromisso produtivo. Matérias primas + Mão de Obra + Custos subsidiários de produção. Adicionados a Impostos incidentes sobre a produção+ Contribuições incidentes sobre a Mão de obra e finalmente mais os Custos comerciais de distribuição.

O contrato é claro, ninguém pode reclamar.

O que não pode é o governo lançar suas obrigações sociais macro, molecularizá-las e colocar no lombo das empresas.

Todos são cínicos mais o Governo é mais: basta uma medida de desoneração da folha de salários, lançando as contribuições sobre o faturamento. Com isso se consegue 90% de carteiras assinadas, e acaba com as mascáras do vínculo empregatício.

Se isso não é verdade, veja-se um fato do momento.

O déficit da previdência apresentava 40 bilhões de reais. O Lula falou que grande parte do passivo não era do Instituto da Previdência e sim do Tesouro Nacional.

Com uma química contábil, a imprensa já noticia que o déficit da Previdência hoje é 3 bilhões.

Nesse caso o governo confessou que lançou 37 bilhões de suas obrigações sociais no lombo do Instituto da Previdência.

A solução é macro e as empresas, mesmos as maiores são pequenas em receitas brutas, perto do produto interno bruto.

Não adianta circundar a questão ideologicamente. Precisa análise nua e crua que somente a realidade, sentida, apalpada, cheirada e sofrida pode fornecer.

Landel disse:
05 de março de 2007 às 20:12

Parabéns ao articulista por colocar na página do Conjur essa bem elaborada defesa dos direitos garantidos ao trabalhador brasileiro. Sem dúvida o Brasil tem uma das legislações mais avançadas do mundo no que tange aos direitos e à defesa do trabalhador.

O assunto é mesmo assim complexo e ainda deixa pontos polêmicos, mas a segurança demonstrada pelo articulista ao longo do texto nos deixa tranqüilos quanto à sua capacidade de, em outro artigo a ser exposto brevemente, explicar certas coisas intrigantes da vida desse trabalhador tão bem defendido.

Pensamos que não deixa de ser interessante que trabalhadores brasileiros, em acontecimento fartamente noticiado na televisão, tenham morrido de sede atravessando o deserto entre o México e os Estados Unidos, onde pretendiam viver e trabalhar como imigrantes ilegais. Outros morreram baleados e outros morreram afogados tentando sozinhos a travessia do rio Bravo, que faz fronteira entre os dois países.

Mas que tipo de trabalhador é esse que prefere abandonar o manto protetor de uma legislação trabalhista tão boa e maternal, para viver como um clandestino em um país estrangeiro, sob leis implacáveis e tão tenebrosas como o articulista mesmo nos fala? Que tipo de trabalhador é esse que prefere lidar com empregadores exploradores de imigrantes que não podem se queixar de nada, ao invés de tratar com patrões brasileiros, que agem corretamente com seus empregados por estarem sob a vigilância dessa lei?

Trabalhadores que deixam de usufruir dos tão falados transportes públicos no Brasil, na ida e volta do trabalho, da assistência médica dos orgãos da previdência social, da aposentadoria garantida e mesmo com tudo isso preferem arriscar suas vidas para viverem como clandestinos em um país estrangeiro e com leis que em nada ajudam o trabalhador como os Estado Unidos? Isso sem falar na presença ameaçadora dos terríveis policiais norte-americanos, cuja violência esse imigrante ilegal prefere enfrentar, ao invés de contar com a bondade e a honestidade da polícia brasileira. Não é de intrigar esse comportamento? E o mais interessante é que alguns desses imigrantes, depois de certo tempo, conseguem o reconhecimento das autoridades da Imigração americana, fazem o juramento exigido e se tornam cidadãos americanos e não mais retornam aqui. Que ingratos com a pátria mãe, que sempre lhes acenou com toda a proteção possível.

Realmente parece que esse artigo nos leva a um mistério mais profundo ainda: o de que, com tão avançada legislação de proteção ao trabalhador à disposição dos desvalidos aqui no Brasil, não haja uma verdadeira horda de trabalhadores americanos, franceses, ingleses, alemães e de outros países, arriscando a vida e atravessando as fronteiras de seus países, para chegarem enfim, nos portos brasileiros, a salvo da selvageria capitalista de seus países.

Se bem que essa última observação não é de todo verdadeira.

Alguns trabalhadores estrangeiros especializados, realmente emigram para o Brasil para contarem com a proteção de sua legislação. Como Ronald Biggs, o arquiteto do famoso assalto ao trem pagador da Inglaterra, na década de 60, que emigrou para o Rio de Janeiro após fugir da prisão e viveu aqui em tranqüila liberdade por mais de 30 anos.
Só cometeu o erro, de doente e com mais de 70 anos, com saudades da sua Inglaterra natal, descer do avião no aeroporto em Londres, para terminar imediatamente preso e colocado atrás das grades, para terminar de cumprir sua pena.

Mas esse pequeno senão, a existência de uma lei e sua efetiva aplicação, o articulista poderá nos explicar em outro artigo aqui no Conjur.

Se já não tiver emigrado até lá, é claro.

Landel
( http://vellker.blog.terra.com.br )

allmirante disse:
05 de março de 2007 às 21:34

Os Eua jamais tiveram ditadura, ainda que arremedo, por Rossevelt. A ditadura necessita da demagogia populista para se manter e Getúlio, tanto quanto Mussolini assim enganavam os trabalhadores,com bonbonzinhos, a fim de obterem o apoio constante. Getúlio sabia que rea um grande mentiroso. Por iso, desmascarado, acabou se matando.

Davi disse:
06 de março de 2007 às 00:29

Ótimo!
Como os nossos nobres comentaristas sugerem, a solução é copiar toda a legislação do EUA e aplicar no Brasil!
Puxa!
Tão simples!
Pq não pensamos nisso antes?

A realidade cultural e econômica é a mesma. Os nossos trabalhadores têm a mesma força sindical e associativa q os dos EUA. Com certeza não seremos explorados ou massacrados até a morte como os chineses! A indústria brasileira prosperará! O PIB crescerá e todos teremos uma vida melhor.
Porém, essa vida "melhor" será ao estilo ianque ou seria mais provável ao estilo chinês?
Realmente invejamos tanto assim a esses estilos que são responsáveis pela maior parte da destruição do nosso planeta?

O problema do Brasil realmente é só criar mais e mais leis?
Todo nosso ordenamento jurídico é um lixo e devemos então copiar o "exemplo" dos EUA?

Acho q um pouco de reflexão nos daria algumas respostas...

Rubão o semeador de Justiça disse:
06 de março de 2007 às 09:07

Ao colega advogado, se me permite, sou mais o Ludwig Von Bethoven, o austríaco sugerido eu tô trocando pelo Lord Keynes, que buscava alternativa para o tal do capitalismo em uma economia em que o Estado tomasse a frente das estratégias, indutor do desenvolvimento, não deixando na "mão invisível" do tal do mercado as riquezas da nação. Do jeito que o colega fala, tenho a impressão que o trabalhador digno e sujeito de direito foi feito para a economia, e não o contrário...

Paulo Roberto Vieira Camargo disse:
06 de março de 2007 às 10:07

Se o governo fixar o SM no mesmo valor do americano eu tenho certeza que todas as centrais sindicais concordarão em abrir mão dos demais direitos !!!

luis disse:
06 de março de 2007 às 19:32

Penso que a manchete difere com a intenção do articulista, pois nos induz a uma visão de que "quanto menos proteção trabalhista, poderemos um dia chegar a sermos como os EUA". Fica bem claro quando o articulista diz:
"O estudo mostra que lei americana é uma das mais duras com o trabalhador em relação a licença-maternidade, férias remuneradas, descanso semanal, auxílio-doença e adicional noturno.
Por outro lado, pela pesquisa, se percebe que a lei brasileira está em sintonia com a maioria dos países desenvolvidos. " Ou seja, o Brasil, em muitos os aspectos, é muito melhor que os EUA na questão da humanização do trabalho.

Band disse:
06 de março de 2007 às 21:41

Muito bem lembrado, caro Landzeimer, os nossos emigrantes para os EUA, Portugal e em outros países.

O que não entenderam é que toda esta maravilha não atende nem a metade dos trabalhadores. E que mesmo arrecadando quase a metade do PIB (38,8%), a maior parte da população está na linha da pobreza. Sabe quando elas vão ter direitos trabalhistas? As pessoas ainda não aprenderam que a árvore tem que crescer para dar fruto. Comendo antes da hora, fica apenas para alguns que se beneficiam dos 40%! Em geral os servidores públicos!

JBatista disse:
07 de março de 2007 às 09:04

FGTS, multa sobre FGTS, 13.salário, acordos sindicais, INSS do empregado, INSS do empregador em um país com boa parte da população vivendo na miséria resulta no desemprego, na informalidade, no sub-emprego, nos cooperativados, nas Pessoas Jurídicas (empresas de uma pessoa só). Acho um absurdo, ainda mais com uma legislação trabalhista que parece paternalista, que faz de empregados sem-caráter (e há muitos por toda parte) verdadeiros profissionais da arte-de-se-dar-bem, nao importando como.

Sérgio disse:
07 de março de 2007 às 11:12

Para que os estudos mencionados tivessem valor, haveria que se comparar também os benefícios que os trabalhadores de cada país recebem. Sabe-se que os trabalhadores brasileiros são um dos piores pagos. Toda visão parcial é uma visão comprometida e não pode ser levada a sério, a não ser como instrumento de manipulação.

Band disse:
07 de março de 2007 às 20:33

Veja só, Contabilista Sérgio

Com os quase quarenta por cento do PIB arrecadados com impostos, só dá mesmo para pagar funcionalismo!

Não será esta falsa proteção que leva ao trabalhador ganhar tão pouco no final? Uma sociedade para pagar a máquina pública, e mesmo assim, não dá? Quando as pessoas descobrirem que as riquezas precisam se criadas antes de serem gasta, começarão a perceber o engodo!

marcelo/analista disse:
28 de outubro de 2008 às 19:06

Fico alarmado com alguns comentários de advogados que defendem a manutenção das leis trabalhistas brasileiras nos moldes em que se encontram atualmente. Será este o pensamento médio daqueles que, um dia,certamente precisarei lançar mão no caso de um eventual litígio? Sou Empresário do ramo de alimentação, tenho 22 funcionários (todos devidamente registrados) e não vejo a hora de abandonar tudo e voltar a ser feliz.
Existe uma regra básica da vida que preconiza a responsabilidade pelos nossos atos e suas consequências. Quando ignoramos esta premissa com nossos filhos, mimando-os ou protegendo-os de tudo que fazem, estamos criando adultos imaturos, incapazes de pensar no futuro ou de planejar a própria vida... e todos sabemos qual o resultado disso.
As leis trabalhistas Brasileiras funcionam exatamente como estes pais por demais zelosos; Um funcionário desinteressado não faz o menor esforço para melhorar porque se não o fizer nada lhe acontecerá.
-O único instrumento do empregador é a advertência por escrito, que se ele não quiser não assina.
-Caso não assine isso deve ser feito por dois outros funcionários, que em geral também se recusam assinar.
-Três advertências (sendo a terceira em forma de suspensão) deveriam acarretar em demissão por justa causa, Mas em geral a justa causa é sempre desfeita pelo juiz sempre que a questão vai a Juízo. já fui duas vezes e absolutamente tudo (tudo mesmo) que o advogado da outra parte pediu e disse que eu não fazia foi desmentido pelo calhamaço de documentos que tive que levar e ainda assim tive que pagar mais do em uma rescisão normal sem contar a humilhação de ouvir mentiras e mais mentiras sem poder me manifestar porque a lei permite que a outra parte me proíba de falar na audiência.

marcelo/analista disse:
28 de outubro de 2008 às 19:27

continuação.Marcelo

Tudo que a maior parte dos funcionários hoje em dia deseja é;
Ser registrado para então poder dar uma "relaxada", pois agora está relativamente estável e (se não estiver gostando do meu trabalho, pode me mandar embora); pois se isso acontecer terei direito a aproximadamente três vezes o valor do meu salário vigente, só em verbas rescisórias.
Depois disso, mais três salários desemprego numa boa, sem fazer nada (façam as contas)
Caso o patrão não queira ou não possa arcar com os custos, posso então inventar uma tendinite (difícil comprovação por exames)e me encostar pelo inss recebendo um salário ainda maior do que o meu pois vem sem descontos).
OU seja. hoje em dia a melhor coisa é ser demitido!!! por esta razão as pessoas culpam os estabelecimentos pelo mal atendimento. na verdade estão quase todos atendendo mal tentando ser demitidos!!
todo mês nós empregadores temos que bancar uma ou duas demissões e ficamos sem capital para viver ou para reinvestir em nossos estabelecimentos. não temos uma poupança para eventualidades e com isso nossas empresas morrem prematuramente.
Nossos equipamentos são quebrados e sequer temos o direito de descontar uma pequena parte de quem os quebra as vezes intencionalmente.
Mas os lucros devemos dividir.
O funcionário te xinga na frente dos clientes,faz ameaças de morte à você e à sua esposa e o juiz manda reverter a justa causa e o obriga sob coerção de multa diária a retirar a queixa na polícia. (mesmo com 3 testemunhas).
Na hora da audiência a reclamante foi lanchar e o juiz simplesmente remarca a audiência para outro dia!!! Isso não é uma justiça séria. Quem atualmente é hipossuficiente?? Getúlio Vargas e suas leis populistas já tiveram seu contexto hoje as coisas são diferentes

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