Tribunal de Justiça de São Paulo dá salto de qualidade em 2011

Os mais sinceros aplausos e cumprimentos aos editores deste conhecido e prestigiado “Anuário da Justiça” pela iniciativa do lançamento de mais uma edição da revista para o ano de 2011. Fica o profundo agradecimento pelo esforço dos seus jornalistas, no desmedido empenho de, a par do resultado do ingente trabalho prestado pela Magistratura paulista, produzir a mais fiel radiografia de cada um dos integrantes do Tribunal de Justiça de São Paulo, tanto no aspecto humano, quanto no intelectual, assim revelados nos mais relevantes julgamentos proferidos. O que, sem dúvida, na linha de transparência que deve ter o Judiciário, servirá de bom repositório de dados úteis
ao conhecimento de toda a comunidade jurídica e até mesmo dos jurisdicionados, acerca das características pessoais daqueles que atuam no grave mister de julgar.

É oportunidade, também, para um breve balanço dos trabalhos do Poder Judiciário de São Paulo, em especial do Tribunal de Justiça, nesse ano de 2011, que se iniciou com a triste notícia do falecimento do ilustre Presidente Viana Santos, a exigir novas eleições para a continuidade do mandato em curso.

Em São Paulo, somos, entre Juízes e Desembargadores, 2.508, os quais, com a inestimável ajuda e colaboração dos cerca de 45.000 fiéis servidores, proferiram 4,3 milhões de sentenças, em primeiro grau, e, computados acórdãos e decisões monocráticas, 506 mil pronunciamentos, no segundo.

A partir de 2012, o Tribunal passará a julgar maior número de processos do que recebe para distribuição, avanço que se deve ao inédito fato de que, a partir de abril de 2011, sua produtividade aumentou em cerca de 25%, tudo a prognosticar que a morosidade que já beirou a casa dos seis anos agora tenderá, em média, para menos de três.

Mais de 20% dos recursos ingressados na Corte já são resolvidos em menos de quinze dias. Um número de 60% data dos anos de 2008, 2009 e 2010; e menos de 20% são de 2007.

A arrancada para esse progresso deveu-se a um conjunto de medidas adotadas pelo Tribunal, graças à iniciativa de seu Órgão Especial e, principalmente, pelo denodado esforço solidário de todos os seus desembargadores. O primeiro desafio foi o de dar cabo, em 120 dias, de cerca de 51.000 processos ingressados na Corte até 2006. Na metade do prazo, ou seja, final de agosto, já haviam sido julgados 87,5%, o que traz a quase certeza de que, em novembro, a tarefa será concluída, sobejando, tão-somente, casos da caderneta de poupança, cujos julgamentos, para fins de uniformização de jurisprudência, foram suspensos pelo Colendo Supremo Tribunal Federal.

Outro fato a comemorar foi a bem sucedida implantação da assinatura digital dos acórdãos, prática que já está sendo utilizada em 95% das Câmaras e que redundou na diminuição, para dez dias, de um procedimento que, para vencer uma série de controles e registros, chegava a demorar quatro meses. O trâmite do processo foi simplificado com enorme redução de custos e tempo.

Com o apoio firme e decidido do Órgão Especial, o Tribunal fez o maior investimento de sua história em tecnologia, informática, treinamento e racionalização de trabalho. Caminha-se, a passos largos, para a completa adoção do processo eletrônico, de molde a fazê-lo adaptado à evolução da modernidade. Adotar-se-á, em iniciativa pioneira e que contou com a prévia manifestação da nobre classe dos advogados, o chamado “julgamento virtual”, que em muito acelerará o resultado dos casos nas Câmaras julgadoras.

O Tribunal investiu firme em frentes de trabalho que afetam a vida da população, como, por exemplo, o setor de conciliação em segundo grau. A capacidade de atendimento passou a ser de 2.500 audiências por mês, com o alcance de cerca de 23% de acordos. Com a interveniência da informática, estima-se que esse percentual dobrará no ano de 2012.

Na conformidade da Resolução 125 do CNJ, São Paulo foi o primeiro a instituir o Núcleo de Solução de Conflitos, que passou a cuidar da conciliação em primeiro grau em todo o território do Estado, com a subsequente criação, em acelerado curso, de vários Centros pelas Comarcas do interior.

No caminho da especialização, a exemplo da precedente e inovadora criação de Câmara de Meio Ambiente e de Câmara de Falência e Recuperação, o Tribunal passou a contar, neste ano de 2011, com uma Câmara Reservada de Direito Empresarial, vocacionada a dirimir processos e recursos que afetam a economia e o desenvolvimento. Estão em andamento estudos para a criação de Câmaras Reservadas a Planos e Seguros de Saúde.

Tudo, pois, a revelar que o histórico e conceituado Tribunal de Justiça de São Paulo, adaptando-se aos novos tempos e para dar contas das novas demandas da sociedade, mercê da inestimável dedicação e do solidário esforço de seus desembargadores, trabalha sempre em prol do interesse público e do bem comum.

O Estado de São Paulo pode ter a certeza de que efetivamente dispõe de uma Corte sempre muito aproximada das aspirações de seu nobre povo.

E disso muito se orgulham todos os seus integrantes.
 

José Roberto Bedrán

Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo

ricfonta disse:
22 de outubro de 2011 às 17:42

nao concordo com o artigo, porque, por exemplo, na 2ª vara cível do foro regional de Santo Amaro, tenho uma petição aguardando juntada desde 19 de agosto de 2011, ou seja, dois meses e meio para juntar uma petição. Obs. Até hoje não foi juntada, e trata-se de uma ação de despejo, cujo autor vem sofrendo enorme prejuízo porque o réu não paga o aluguel desde dezembro de 2010. Não posso, pois, concordar com o artigo que enaltece o TJSP.

ricfonta disse:
22 de outubro de 2011 às 17:43

sou o autor do comentário anterior, ricfonta, meu nome é PAULO CATINGUEIRO SILVA OAB/SP nº 240.739.

Marcos Alves Pintar disse:
22 de outubro de 2011 às 20:21

Se esse "salto" de fato existiu deve ter sido tão grande que caiu bem no meio do Oceano Atlântico, e por isso ninguém o viu. No mundo real o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo continua caindo aos pedaços, cada dia pior.

Carlos disse:
23 de outubro de 2011 às 16:06

Chama a atenção o fato de vez ou outra aparecerem por aqui, artigos que PARECEM terem sido "comprados".
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Será que apareceria aqui neste veículo de comunicação da comunidade jurídica, alguém que confirme esta mudança afirmada pelo senhor José Roberto Bedrán Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo?
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Curiosamente as tais mudanças não foram percebidas na prática.
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O que todos os operadores do direito em SP sabem é que o TJSP é um dos mais ineficientes Tribunais e que contém a maior quantidade de decisões com baixíssimo nível de qualidade jurídica do Brasil.
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Espero que um dia nós possamos dizer que, apesar de falhas, o TJSP é um bom Tribunal. Mas esse dia parece estar muito longe.
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Dentro em breve começarei a citar nomes de juízes e desembargadores que demoram além do razoável para decidirem. Antiético? Antiético é demorar a proferir decisão. Justiça tardia é justiça falha.
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Foi interposto agravo de instrumento (que a Lei determina prioridade...) em janeiro de 2011. Até o presente momento ainda não foi julgado. Isso é salto de qualidade?
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Basta fazer uma conta simples. Qual foi o percentual no acréscimo de juízes atuantes nos últimos 10 anos e o percentual do aumento de processos tramitando na justiça comum de SP. Logo, verão que está longe de termos salto de qualidade no TJSP

Ricardo T. disse:
24 de outubro de 2011 às 09:43

Já militei em diversos Estados e posso garantir que o Estado de São Paulo tem a melhor estrutura geral e não somente na Capital. Estive recentemente no Mato Grosso do Sul e como agradeci por advogar em SP.

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