Ministro Medina diz estar preocupado só com seu irmão

O ministro Paulo Medina, do Superior Tribunal de Justiça, afirmou, neste sábado (14/4), que está apenas preocupado com o seu irmão, o advogado Virgílio de Oliveira Medina, preso durante a Operação Hurricane sob a suspeita de envolvimento com esquema de jogo do bicho e máquinas caça-níqueis no Rio de Janeiro. Também investigado pela Polícia Federal, o ministro disse estar com a consciência limpa. “Posso assegurar que os meus olhos se voltam para o alto com a certeza do meu encontro permanente com Deus.”

Um dia após a deflagração da operação da Polícia Federal, Medina disse à revista Consultor Jurídico que estará à disposição da Polícia, nos próximos dias, para explicar as suspeitas que recaem sobre suas decisões judiciais. O ministro garantiu que ficará em Brasília.

Medina afirmou, também, que não espera “que a imprensa faça o juízo mais justo ou injusto, mas que tenha a responsabilidade, sem precipitação de esclarecer a verdade”. No segundo semestre de 2006, o ministro Paulo Medina concedeu liminar liberando 900 máquinas caça-níqueis que haviam sido apreendidas na Operação Vegas 2.

A liminar foi cassada por decisão da presidente do Supremo Tribunal Federal, Ellen Gracie. As suspeitas sobre a lisura da decisão do ministro deslocaram o processo para a alçada do STF, onde o caso está sob os cuidados do ministro Cezar Peluso.

O ministro Paulo Medina passou a ser investigado porque, na véspera da concessão da liminar, um grampo feito pela PF captou uma conversa do advogado representante dos bingos, Sérgio Luzio Marques de Araújo, também detido durante a Operação Hurricane, com Virgílio Medina. Na gravação da PF, o irmão do ministro aparece negociando a concessão da liminar em troca de dinheiro.

O furacão

A Polícia Federal deflagrou na sexta-feira (13/4) a Operação Hurricane nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e no Distrito Federal para deter envolvidos em esquemas de exploração de jogo ilegal (caça-níqueis) após um ano de investigações, ordenadas em uma operação sigilosa pelo ministro Cezar Peluso, do STF.

Foram presos os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 2ª Região José Eduardo Carreira Alvim e José Ricardo Regueira, o juiz do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região Ernesto da Luz Pinto Dória e o procurador regional da República João Sérgio Leal Pereira. Também foram detidos Anísio Abraão David, ex-presidente da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis; Capitão Guimarães, presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro; Antônio Petrus Kalil, conhecido como Turcão, apontado pela Polícia como um dos mais influentes bicheiros do Rio; a corregedora da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Suzi Pinheiro Dias de Matos, entre outros.

No total, foram cumpridos 70 mandados de busca e apreensão e 25 mandados de prisão. Os presos serão transferidos para Brasília (DF), onde serão interrogados e permanecerão à disposição da Justiça. O material apreendido será analisado na Diretoria de Inteligência Policial com o objetivo de complementar os trabalhos de investigação.

A PF apreendeu 30 carros de luxo, uma moto e uma grande quantidade de dinheiro, sendo necessário um carro-forte para o transporte até uma agência da Caixa Econômica Federal. Ao todo, foram apreendidos R$ 10 milhões.

O trabalho que resultou na Operação Hurricane teve início com a identificação de uma organização criminosa especializada e estruturada para a prática de vários crimes, incluindo exploração de jogos ilegais, corrupção de agentes públicos, tráfico de influências e receptação.

Togas

Conforme publicou na quinta-feira (12/4) a Consultor Jurídico, um dos desembargadores presos pela PF, Carreira Alvim, foi vice-presidente do TRF-2 até um dia antes de sua prisão, quando tomou posse a nova direção do tribunal. Pela tradição, Carreira Alvim se tornaria presidente por ser o mais antigo da casa, mas foi preterido por entrar em atrito com seus colegas.

Na sessão administrativa que elegeu a nova direção do TRF-2, em 1º de março, Carreira Alvim havia afirmado ter sido vítima de escuta ambiental em seu gabinete e que seus familiares haviam sido grampeados (Clique aqui para ler a notícia). As acusações foram feitas depois que ele foi preterido pelos colegas na eleição para a presidência do TRF-2. O clima entre o desembargador e seus colegas era de estranhamento, causado justamente por liminares dadas por Carreira Alvim em casos de bingos e caça-níqueis.

Leia a declaração dada pelo ministro Paulo Medina à ConJur, por telefone

Com meus 40 anos magistratura, vividos com dignidade, continuarei a cumprir com altivez de caráter os dias que me restam, realizando com independência, coragem e compreensão dos fatos todas as tarefas que me restam cumprir até o final da minha vida.

Ninguém jamais teve coragem de abordar minha vida judicante. Posso assegurar que os meus olhos se voltam para o alto com a certeza do meu encontro permanente com Deus. Em resumo, sou um homem rigorosamente de bem, da prática do bem que realizo em minha vida.

Espero, por acreditar na imprensa, que esta não precipite sua visão quanto aos fatos, mas respeite a quem dela nada tem a esconder, a fidelidade ao seu passado, a certeza na dignidade do presente e na retidão de seu futuro. Assim, não espero que a imprensa faça o juízo mais justo ou injusto, mas que tenha a responsabilidade, sem precipitação de esclarecer a verdade. Quanto a mim, estarei sempre a revelar por inteiro à sociedade quem eu sou como homem, hoje como juiz.

Daniel Roncaglia

é repórter da revista Consultor Jurídico.

HERMAN disse:
14 de abril de 2007 às 20:41

Quem sabe, agora, o STF possa verificar as práticas levadas a efeito pelo auto-denominado "serviço de inteligência" da Polícia Federal. Será detectado no procedimento despachos sem fundamentação deferindo grampos sem prática pós-delitual, grampos de prospecção, e, o inegável cerceamento de defesa em processos digitalizados. Será que vai ser transcritas as escutas? O Sr. Ministro escutou os grampos ou recebeu apenas aquilo que lhe enviaram? Vamos torcer para ver a justiça imperar.

Émerson Fernandes de Carvalho disse:
14 de abril de 2007 às 20:59

Ressalto a serenidade do ministro Medina, no tratamento ao caso, como podemos inferir da sua entrevista ao ConJur.
Ao contrários de outros, o ministro demonstra que vai enfrentar o problema como se deve: solicitando parcimônia da imprensa nos comentários, para evitar o julgamento precipitado; e responsabilização no caso de abusos.

Flávio Brasil Marzano disse:
14 de abril de 2007 às 21:11

É a quebra total da confiança no judiciário!!! Como podem servidores públicos do mais alto nível do poder judiciário se envolverem com bicheiros, bingueiros, ou sei lá o que!!!!!
O que dói é que os desembragadores, procuradores e demais servidores públicos são bem remunerados! Não têm realmente índole, ética e qualquer princípio moral, principalmente sabendo que ganham por volta de R$ 24000,00, quando o salário mínimo é de R$380,00!!!! O direito e as instituições não funcionarão enquanto houver juízes sem ética ou vocação que são capturados pelos interesses econômicos!!!

Luismar disse:
14 de abril de 2007 às 21:15

A imprensa tem que ficar de olho e cumprir seu papel.
Se não, já viu.
A máfia da jogatina não pára nunca e não se inibe por nada. Agora mesmo deve estar assediando consciências por aí.

Neli disse:
14 de abril de 2007 às 21:45

As penas aos Juízes deveria ser aquela aplicada por Cambises aos Juízes corruptos.
A Magistratura é um sacerdócio e os magistrados deveriam excercer a profissão com a maior santidade.

Justiça disse:
14 de abril de 2007 às 21:56

Mauro Fonseca
Os Juizes NIcolau, João Carlos, aquele do Ceara que de maneira covarde tirou a vida de simples segurança de Supermercado, todos, juravam inocencia!!!
Eu quero ver isso apurado até o fim, com rigor, cautela e zelo. POVO BRASILEIRO, VAMOS ACORDAR.

Valter disse:
14 de abril de 2007 às 22:38

NÃO FAÇA DA SUA CANETA UMA ARMA!

Abro o jornal e leio a manchete: “Desembargador Federal é preso em operação por possível envolvimento com o crime organizado”. Não sou nem pretendo ser advogado do ilustre magistrado em questão, que aprendi a respeitar mais pelo sobrenome que pela pessoa, porquanto na minha estante de trabalho e de estudos existem vários livros que veiculam essa verdadeira “marca” do ensino jurídico em cujo nível bem poucos conseguem chegar, e, com certeza, não por obra e graça do acaso. Mas não me poderia furtar de tecer alguns comentários a respeito, valendo-me do fato de encontrar-me aposentado e não mais sujeito à mordaça da Lei da Magistratura Nacional, que impede a emissão de juízos de valor sobre decisões proferidas por colegas no exercício de sua atividade jurisdicional. Aliás, fiz questão mesmo de nem saber o autor da referida decisão judicial, porquanto assim me considero mais livre para tratar do tema, destacando que o uso da palavra “possível”, para mim, faz toda a diferença.

Na minha modesta opinião, o Poder Judiciário está vivendo uma fase de autofagia, não sei se orquestrada ou não; se conduzida por interesses menos ortodoxos ou não. Mas os seus alicerces estão sendo postos à prova e isto coloca em risco o sistema democrático de direito. Não defendo a impunidade e, quem me conhece mais de perto, sabe que jamais transigi com certos conceitos e valores, havendo perdido amigos e ganho inimigos em virtude dessa minha conduta, pois sempre procurei optar pela presunção de inocência e pela irrestrita observância do princípio do contraditório antes de decidir sobre situações em que o erro é irremediável, é fatal, ou, como dizem os letrados “causa prejuízo irrecuperável”. Sempre fui adepto da absolvição – embora muitos eu haja considerado culpados e, por isso, adotado a postura prevista na lei. Mas a condenação sempre me pareceu ser a última das últimas opções. Por que, a meu sentir, melhor conviver com o fato de haver deixado cem culpados soltos do que me sentir responsável pela prisão de apenas um e somente um inocente. Por que este um, segundo penso, não pode nem deve ser considerado apenas um simples número em fria estatística; mas um ser humano, credor do que de melhor a sociedade possa oferecer em termos de civilização e de exemplo.

E aprendi, desde criança, que quanto mais alto for o posto ocupado por alguém na pirâmide social – e sem qualquer demérito a quem quer que seja – mais haverá de ser merecedor de respeito e de credibilidade, pois não se constrói uma sadia reputação do dia para a noite. Mas se a pode perder, ainda que injustamente, em um átimo de segundo. E que a culpa, quando o erro restar caracterizado, não seria jamais de quem pediu ou acusou de modo apressado e irresponsável; mas, a rigor e efetivamente, de quem decidiu. E quem decide sobre a vida e a honra alheias – é o que penso, com todo o respeito – não tem licença para errar. Pois tanto quanto para a morte não há retorno, também para a moral quebrada não há conserto. Tal qual papel picado jogado de cima de um prédio: não existe a menor possibilidade de serem juntados todos os pedacinhos e restabelecer-se a integridade original.

Por isso ouso pedir, suplicar e rogar, encarecidamente, a quem ainda pensa que tem poder de decisão e acha que os ventos hão de soprar sempre na mesma direção: juízo, meu juiz. A única arma de que dispõe o magistrado é a confiança que a sociedade nele deposita. Se é preciso afastar alguém da atividade judicante ou mandar um juiz para a cadeia, que isto aconteça quando e se absolutamente indispensável e necessário, pois sabemos todos que uma maçã podre tem condições de estragar uma produção inteira de maçãs boas, sendo praticamente impossível ocorrer o contrário. Mas que ninguém esqueça do “devido processo legal” ou se entusiasme com a odiosa referência de que “estaria cortando na própria carne”; ou com o apelo da mídia que se nutre de “sangue” e de “carniça”, qual vampiros e abutres. Mais não seja, por que certos órgãos são considerados “vitais” não é à toa, mas por que sem eles o organismo não continua vivo. E jamais representou uma boa solução curar-se a doença matando o doente. E o Judiciário, tanto quanto o Legislativo, são órgãos vitais para a sobrevivência de um Estado de Direito, que pretenda ser Democrático. E, quem corta muito fundo “na própria carne”, com a mais respeitosa licença, parece-me agir tal qual um suicida. Vejo, desde algum tempo, “parlamentar” sendo traduzido como sinônimo de “bandido”. E isto passou a ser considerado “normal”, embora saibamos todos que a imensa maioria dos membros do legislativo é constituída de pessoas idealistas, honestas e responsáveis, não podendo qualificar-se de certo ou errado quem pensa diferente. E, agora, já se começa a incluir “magistrado” no mesmo conceito, quando sabemos que o Mal ainda está em minoria sobre a Terra e sob a Toga, embora muito bem assessorado em termos de marketing e de propaganda.

Juízes de hoje e de sempre, não se iludam com as manchetes; não se deixem seduzir ou impressionar pelos poderosos de ocasião e de todos os quilates; e, menos ainda com a mídia ávida de sangue e de carniça que silencia sobre Guantánamo e chama de terroristas os mais fracos e oprimidos, que perderam o rumo e o prumo. E lhes peço licença para parodiar antiga orientação dos departamentos de trânsito: Não faça da sua caneta uma arma. A vítima pode ser você!

Desembargador Valter Xavier,
Presidente do Instituto dos Magistrados do Distrito Federal.
13/04/2007.

Luismar disse:
14 de abril de 2007 às 23:20

Esse caso tem um desdobramento previsível.
Terminadas as diligências da PF, o Min. Peluso manda soltar todo mundo e, como nada será apurado contra o Min. Medina, mandará os autos ao STJ que prosseguirá no caso com o rigor que temos visto em outros casos.

toron disse:
15 de abril de 2007 às 00:17

O ministro Paulo Medina é pessoa da maior seriedade e respeitabilidade. Lamento ver nomes como o dele serem jogados ao vento (seria mais adequado dizer na sarjeta) em meio a um escândalo que ainda deve ser melhor apurado.
Também causa estranheza a divulgação de parte de uma conversa entre um Desembargador Federal que, a rigor, segundo a lei, deveria estar coberta pelo sigilo, já que foi fruto de interceptação telefônica. Curioso é que, uma vez mais, a imprensa tenha acesso a dados sigilosos, mas os advogados dos investigados presos não possam sequer examinar os autos do inquérito em nome da "eficácia das investigações". Retrocedemos a uma espécie de Santa Inquisição ou, pior, à época de um autoritarismo investigatório que violenta direitos e garantias individuais em nome do combate à impunidade. É assustador!
Por fim, quanto ao irmão do Ministro, Dr. Vírgilio, conheci-o unicamente no Conselho Federal durante o processo de seleção para a elaboração da lista sextúpla que foi enviada ao STJ e que culminou com a nomeação da Min. Maria Thereza de Assis Moura. Ele, embora tivesse ido muito na sabatina a que se submeteu e ostentasse um currículo substancioso, sequer chegou a entrar na lista. Sem embargo,ficou para mim, acima do candidato, a figura de um homem ameno no trato, leal com os colegas de certame e cordial. Sério nas respostas que deu durante a Sabatina no Conselho Federal, custo a acreditar no seu envolvimento. Penso que antes de se destruirem vidas construidas com sacrifício, com a colocação de nomes no jornais, seria necessário apurar mais a fundo casos que ainda estão no seu limiar.
Enfim, embora fosse mais cômodo permanecer calado, deixo publicamente expressa minha solidariedade ao Ministro Paulo Medina e seu irmão Virgílio.
Alberto Zacharias Toron, advogado, Diretor do Conselho Federal da OAB

Armando do Prado disse:
15 de abril de 2007 às 11:20

14/04/2007 11:05h
FICA, DR. PAULO, FICA!

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 304

. A fantástica “Operação Hurricane” da Polícia Federal, que prendeu dois desembargadores do Tribunal Regional Federal, um juiz do Trabalho, um procurador da República, além de três delegados da PF, empresários, advogados (um deles vendia decisões do Superior Tribunal de Justiça), e notórios bicheiros do Rio (clique aqui para ler no Último Segundo) essa é a primeira grande operação da PF contra o Judiciário – contra a “caixa preta” escondida na Justiça brasileira.

. A corrupção no Executivo e no Legislativo está na cara de todo mundo. Faltava a PF começar a abrir a porta do Judiciário com a competência com que desfechou a “Hurricane”.

. Agora, espera-se que a própria Justiça não passe a mão na cabeça dos presos, mande de volta pra casa, e todos façam como o desembargador Carreira Alvim, que já esteve afastado e voltou a exercer plenamente suas “funções” de magistrado.

. É muito salutar que a PF tenha entrado na ante-sala de um tribunal superior, como STJ. Quantas decisões do STJ deixaram a sociedade perplexa, à busca de explicações?

. A PF pode dar algumas dessas explicações...

. Tomara que a “Hurricane” seja o argumento decisivo para manter o Dr. Paulo Lacerda no comando da PF.

. Nunca a PF foi tão republicana e profissional.

. Bem que o Ministro Tarso Genro poderia conseguir da “área econômica” os recursos que o Dr. Paulo pede para continuar a modernização da PF e a atualização dos salários de seus profissionais.

. Fica, Dr. Paulo, fica!

. O Farol de Alexandria, aquele que lançava luzes sobre a Antiguidade, foi à Associação Comercial (sua base política) do Rio e disse que não vê novidade nenhuma no Governo Lula.

. Tem pelo menos uma, Presidente Fernando Henrique: no Governo Lula a Polícia Federal passou a prender rico e poderoso.

. No Governo do Farol de Alexandria, a PF se notabilizou por uma operação, a Lunus, para beneficiar a campanha presidencial de José Serra, contra Roseana Sarney.

. Foi uma operação tão “bem feita”, que se chegou a mandar um fax para o Palácio do Alvorada com o texto “missão cumprida”...

. A Polícia Federal mudou. Mudou com Paulo Lacerda, no Governo Lula, e o Dr. Paulo deveria ficar no cargo.

Cícero José da Silva disse:
15 de abril de 2007 às 11:44

Gostaria apenas que houvesse serenidade neste momento, e respeito ao devido processo legal, e a presunção de inocência dos acusados, pois não é justo lançarem suspeitas a respeito da conduta de toda a Magistratura nacional, e dos demais operadores do direito, notadamente sobre um dos expoentes do Poder Judiciário deste país, que é sem sombra de dúvidas o Ministro Paulo Medina.

Como advogado dativo defendendo pobres, sempre que bati as portas do Superior Tribunal de Justiça à legalidade foi restabelecida, especialmente na Colenda Sexta Turma que é justamente presidida atualmente pelo Ministro Paulo Medina.

O Ministro Paulo Medina além de ser um homem acima de qualquer suspeita, demonstra a todo instante respeito pelas partes e seus advogados, o que pode ser percebido por todo aquele que teve a honra de fazer uma sustentação oral perante o Tribunal da Cidadania.

Ao Ministro Paulo Medina a total solidariedade deste humilde advogado.

Luismar disse:
15 de abril de 2007 às 12:36

Juízes, desembargadores e ministros ultra-liberais, super-absolvedores, estão sempre sob risco de serem "vendidos" porque maus advogados conhecem essa ultra-liberalidade ao contrário dos clientes.
E é claro que alguns poucos aproveitam para pescar nessas águas turvas.
Estou falando em tese, genericamente, e não desse caso específico.

Armando do Prado disse:
15 de abril de 2007 às 14:10

Operação Hurricane

Depois da discreta (um ano de investigação) e devastadora Operação Hurricane (Furacão) conduzida pela Polícia Federal contra a verdadeira bandidagem do Rio de Janeiro - só atacadista de colarinho branco e capo dei tutti capi -, esses mesmos setores começam a ter brotoeja na pele aqui na província guasca.

Todos sabem que no Rio Grande do Sul não existe disso, nem policial corrupto, nem juiz balconista de sentença. Aqui os bingueiros são cidadãos probos e geradores de emprego e renda. O roubo de automóvel é quase prática esportiva, feito esporadicamente por rapazes que apenas querem se divertir dirigindo os carros provisoriamente emprestados. Os ferro-velhos são edificantes instituições de reciclagem do lixo automotivo. O contrabando de cigarro é apenas um comércio inocente de chibeirinhos famintos em busca da sobrevivência. Quem afirmar o contrário vai lhe crescer o nariz!

De qualquer forma, a anexação da Segurança Pública gaúcha à Polícia Federal - a pedido da encurralada governadora Yeda Crusius - é um fato que está deixando muita gente sem dormir, especialmente depois da Operação Furacão, com seu grau de precisão, densidade criminosa dos alvos, e alcance da ramificação criminosa para dentro do aparelho de Estado e da própria Polícia Federal (como diz o senso comum, "cortou-se na própria pele").

Fica provado mais uma vez que os tucanos não tem vocação administrativa de Estado republicano. A responsabilidade que lhes cabe de gerenciar, impor políticas públicas e reerguer algo combalido ou contaminado por interesses privados ou criminosos, eles rapidamente transferem a outrem. Descalçam as botinas da responsabilidade pública, vendem, terceirizam, alienam, desanexam, alugam, tratam logo de jogar à terceiros as suas obrigações político-administrativas de governo. Em suma: amarelam!

Informação final: Hurricane é uma das mais conhecidas composições do grande Bob Dylan. Gravou-a no disco lp Desire, lançado em 1976. A música homenageia o boxeador negro Rubin Hurricane Carter, preso e acusado de um triplo assassinato em New Jersey, nos anos sessenta. Anos depois foi inocentado.

Se acontecer o que imaginamos que possa acontecer no Rio Grande, Hurricane pode virar hino por aqui. É linda!

Roland Freisler disse:
15 de abril de 2007 às 16:54

Ticão, parabéns pelo seu comentário. Valeu!

Pinguim disse:
15 de abril de 2007 às 17:23

Devemos, sem dúvida, esperar o decorrer do processo, para que possamos avaliar quem realmente está envolvido nestes crimes, mas, é salutar ressaltar o trabalho da PF, que está sendo brilhantemente execuatado, investigando pessoas que, tempos atrás, estariam "acima de qualquer suspeita", Parabéns a PF, e obrigado por saber que uma pequena parcela do Funcionalismo Público procura fazer o seu trabalho com decência e profissionalismo...Como cidadão, acho que essa é uma das poucas notícias boas que tive ultimamente...

Sílvio Bezerra disse:
15 de abril de 2007 às 18:29

Parabéns a PF pelo trabalho, o que deveria ser normal, se torna excepcional quando vemos membros da elite serem investigados.Porém, devemos nunca nos esquecermos dos ditames legais, sob pena de destruirmos nossa frágil estrutura jurídica democrática.

Ruberval, de Apiacás, MT disse:
15 de abril de 2007 às 19:19

Parabéns à PF e ao MPF. Juntos, na mesma finalidade, conseguirão bons resultados. Também, ao STF, por ter permitido as investigações.

Ao min. Paulo Medina, quanto menos falar, melhor será.

veritas disse:
15 de abril de 2007 às 21:56

nos últimos 3 anos esse não é o segundo ministro do stj a estar sendo investigado ?

Mauro Garcia disse:
15 de abril de 2007 às 23:44

O Ministro, ao invés de vir com este falatório de 40 anos de vida ilibada, devia informar razões objtivas que o levaram a proferir a liminar (liberar 900 máquinas via medida precária é demais). Como fez o Min. Sepúlveda, que demonstrou que a decisao que causou polémica nada mais era que uma conduta rotineira no seu ofício.
Acho que em breve teremos mais uma saudável aposentadoria involuntária no STJ.

Dalben disse:
16 de abril de 2007 às 07:47

Não sei, não. Acho que a preocupação do "Ministro" (sic) deve residr no fato de que seu irmao pode acabar contando tudo o que sabe aí....Lá se vai mais um Ministro (sic) preso.

Bem, mas o certo é que ultimamente os Ministros do STF têm se dedicado mais a explicar que nao estao envolvidos em falcatrua do que, propriamente, em julgar. Ou defenderem a Constituiçao, como dizem. Aparecem mais em noticias policiais. Infelizmente, parece que a Democracia nao vingou neste pobre país. A escória tomou posse. Dividem a Federaçao em Capitanias Hereditárias. Nós, o povo, somos meros serviçais, á disposiçao de gente corrupta e sem qualquer escrúpulo. Acho que, ao invéz de refundar somente o PT, deveriamos refundar o Brasil. Quem sabe ainda renasça algo que preste. Acho difícil.

esls disse:
16 de abril de 2007 às 08:44

um judiciário nas páginas policiais...

isso é dido deste 1980 e jamais mudará... é sujeira para todo lado....

Que País é Esse?
Legião Urbana
Composição: Renato Russo

Nas favelas, no senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
No amazonas, no araguaia iá, iá,
Na baixada fluminense
Mato grosso, minas gerais e no
Nordeste tudo em paz
Na morte o meu descanso, mas o
Sangue anda solto
Manchando os papéis e documentos fiéis
Ao descanso do patrão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Terceiro mundo, se for
Piada no exterior
Mas o brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?

Luismar disse:
16 de abril de 2007 às 10:16

Detalhe curioso: o ministro Medina já foi acusado de 'assédio sexual' pela filha do ministro Pádua Ribeiro, atualmente no CNJ e corregedor nacional de Justiça. A queixa-crime foi rejeitada pelo STF por 8x1.

Luke Kage disse:
16 de abril de 2007 às 14:08

A única convicção que tenho decorrente deste lamentável epísódio é que, de uma vez por todas, devemos deixar a hipocrisia e o moralismo de lado e se legalize (e regulamente) o jogo no Brasil, já que esta "indústria" trabalha a todo vapor e não se recolhe um único centavo ao Estado, além de ser manancial inesgotável de corrupção, da Polícia, da Administração Pública (quem não acredita que a Lei Estadual de São Paulo que proíbe caça-níqueis em bares e restaurantes vai ajudar os fiscais a ganhar um "extra" de caixinha para fazer vistas grossas?).
Não se muda a realidade com canetada. Nenhuma lei que busque coibir jogo, prostituição ou drogas (uso, não tráfico, frise-se) terá efeito.
Quanto às prisões, excessos à parte, em momento de quase crise institucional nos três poderes, é necessário sim algum estardalhaço na imprensa, para o próprio bens das instituições, pois é preciso sim incutir no povo o sentimento de que a impunidade não será eterna neste país.

Mariana disse:
16 de abril de 2007 às 16:05

Realmente lamentável ver magistrados envolvidos neste caso. Apesar do conteúdo, parabenizo o jornalista. Texto muito bem escrito.

Dr. Francisco Rodrigues disse:
17 de abril de 2007 às 05:49

Usando uma linguagem simples: ainda bem que existem no nosso País homens como o Ministro Cezar Peluso, homens como os Agentes da Políca Federal. Mostraram uma luz no fim do túnel e renovaram a esperança de um Brasil melhor.

VanderlanCarvalho disse:
17 de abril de 2007 às 10:35

E NÃO NOS ESQUEÇAMOS QUE POR PERTO DE TODO PEIXE GRANDE "TUBARÕES" EXISTEM OS PEQUENOS "LAMBARIS", QUE ALIMENTAM AQUELES. ENTÃO, QUE A FEDERAL FEDERALIZE AS INVESTIGAÇÕES, DESCENDO DEGRÁUS NESSE EMBRÓLIO QUE NEM ME ASSUSTA, EVITANDO QUE O "VAREJO" POR ORA ESQUECIDO NÃO SE TORNE NO "ATACADO" POR ELE ATACADO. MAS ALÉM DISSO, É MUITO VERGONHOSO, SE TUDO FOR VERDADE. ACREDITAR EM QUEM, DORAVANTE??? E O DIREITO, PATRIMÔNIO E LIBERDADE DO JURISDICIONADO QUE ENFRENTOU IGUAIS CANETAS??? LAMENTÁVEL, SE FOR VERDADE - REPETE-SE. E CHAMEMOS RUY BARBOSA, PARA QUE REPITA: "DE TANTO VER TRIUNFAR AS NULIDADES..." VANDERLAN

Dr.jpinto disse:
17 de abril de 2007 às 18:13

Posso dar meu testemunho em 26 anos de advocacia e sendo sócio do escritório Soares de Andrade Advogados, uns dos mais tradicionais do Rio de Janeiro, fundado em 1930, responsável pelos recursos nos Tribunais Superiores,da lesura e honrades do Min.Paulo Medina, como homem e magistrado integro, posso ainda garantir que alguém deve ter usado de bravata o nome do magistrado para alcançar algum objetivo.

http://promotordejustica.blogspot.com/ disse:
18 de abril de 2007 às 00:18

Só com o irmão?!

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