Juíza autoriza réu a usar boné em audiência em Goiânia

A juíza Zilmene Gomide da Silva Manzoli, do 2º Tribunal do Júri de Goiânia, autorizou o réu Manoel Elson Francisco da Conceição a usar boné durante a sessão de julgamento, na segunda-feira (25/6). De acordo com a juíza, a autorização foi em protesto contra a postura do juiz trabalhista, Bento Luiz de Azambuja Moreira, do Paraná. O juiz suspendeu, na semana passada, uma audiência porque o autor da ação calçava chinelos.

O fato foi veiculado na mídia nacional e causou grande repercussão. Tudo porque o magistrado, além de não permitir o uso de chinelos, afirmou que o calçado era incompatível com a dignidade do Poder Judiciário.

Para a juíza, não se trata de desrespeito ao Judiciário a pessoa comparecer a audiências trajando vestimentas simples. “Não pode ser considerada como desrespeito a atitude de pessoas simples, humildes e até mesmo ignorantes, que comportam não com desrespeito ao Judiciário, mas de acordo com suas possibilidades”, afirmou.

A juíza determinou que fossem encaminhadas cópias da ata da sessão às Associações dos Magistrados Brasileiros, do Estado do Paraná e de Goiás, ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à OAB de Goiás. A intenção é que fique registrada sua indignação com a atitude do juiz.

No caso do julgamento no Tribunal do Júri, Manoel Elson Francisco da Conceição foi absolvido da acusação de homicídio.

Manente disse:
26 de junho de 2007 às 15:00

UFA, é o FIM do CORPORATIVISMO.

PARABÉNS A MAGISTRADA, A QUAL DEMONSTRA BOM SENSO.

Bertolão disse:
26 de junho de 2007 às 16:21

É parece que ela é diferente...mas não precisava ser tanto...
DAqui a pouco os "manos" também irão exigir usar seus bonés nos interrogatórios aqui na Barra Funda!

Fernanda disse:
26 de junho de 2007 às 16:57

Ainda existe pessoas que sabem respeitar os limites alheios, independente quais sejam eles.
A sensibilidade de juíza ta explicíta no terceiro parágrafo.
Mas será que a midia vai expor esse gesto de protesto para mostrar que nem todos pensam como o juiz do trabalho?

Torre de Vigia disse:
26 de junho de 2007 às 18:43

Uma bobagem sucede à outra. Vão trabalhar!

Ricardo T. disse:
26 de junho de 2007 às 20:15

Realmente, acho que o uso de boné em Audiência é um pouco exagerado.Advogados e juízes usando ternos e as partes, testemunhas, de boné, camiseta cavada, short, bermudão e tudo mais. A juíza equivocou-se. Usar boné em audiência nada tem haver!!!!!!!

Ricardo T. disse:
26 de junho de 2007 às 20:17

Esqueci: quem sabe mastigando um chicletinho e colocando o pé sobre a mesa.

allmirante disse:
27 de junho de 2007 às 01:37

Boné é vestimenta. Qual o inconveniente estar vestido?
Discutem-se abobrinhas porque saber jurídico, sociológico, econômico ou filosófico é sofrível nas hostess dos másgistrados.

Thomas disse:
27 de junho de 2007 às 06:53

o che..., o guevara não seria tão preconceituoso. Va atuar em defesa de um peao que trabalha na zona rural pra vc sentir que a atitude do juiz trabalhista foi de uma grande imbecilidade.

Almeidinha disse:
27 de junho de 2007 às 08:37

Ridículos são os comentários do suposto professor Freitas... não é a primeira oportunidade de ficar quieto que ele perde, somente hoje!!!

junior disse:
27 de junho de 2007 às 10:38

Fico profundamente entristecido quando leio noticias sobre o JUDICIARIO que nao agregam valores a sociedade: tenho um processo contra Banco HSBC que se arrasta na justiça desde 2004 e,pasme, os senhores,recursos/embargos e etc...se nao fosse meus familiares, estaria andando pelado e passando serias necessidades .Portanto, nossa justiça precisa e de agilidade, e evitar protelações...coisas que nao trazem beneficios ao povo que tanto suplicam por JUSTIÇA.

Luís da Velosa disse:
27 de junho de 2007 às 11:02

Muito bem se houve Sua Excia. a Dra. Juíza ZILMENE GOMIDE DA SILVA MANZANI. Justiça não se faz pela aparência. Em Pindorama, quando se faz justiça nos sentimos humanos. É um bálsamo, um específico ressuscitador.

Eri Coelho - Jornalista disse:
27 de junho de 2007 às 11:14

Um erro não justifica o outro.

Não é com picuinhas que faremos um Brasil melhor.

Se o juiz errou ao não permitir o acesso do empregado de chinelos, a juíza também errou ao permitir a entrada do sujeito ostentando um chapéu.

Dhiego disse:
27 de junho de 2007 às 11:23

Acredito que a atitude da minha conterrânea foi de extrema sensibilidade e esta sim aprendeu em sua vida o que é Direito. O juiz do trabalho que proibiu o reclamante de ir à audiência agiu totalmente em desconformidade com os principios básicos do direito. Uma pessoa que, pela posição que exerce perante a sociedade,como o juiz, deveria dar exemplo, ao invéz de deixar o degrau mais alto da sala de audiências onde ele ocupa ser algo que o faça melhor do que um empregado de chinelos. Parabéns a Drª pela iniciativa. Coisas repudiantes como o juiz fez só afasta quem mais precisa da justiça.

lu disse:
27 de junho de 2007 às 12:18

Respeito a atitude da juíza, porém não concordo com esse tipo de protesto porque parece provocação. O perigo é virar bagunça.

João Bosco Ferrara disse:
27 de junho de 2007 às 16:03

Não sei qual dos dois magistrados é o mais ridículo. Tanto um quanto outra, apenas mostram que não têm vocação para ter em suas mãos o poder inerente à jurisdição. Ser julgador exige vocação, serenidade, e não se compatibiliza com atos de protesto marcados pela natureza política. Que exemplo poderá ser extraído da atitude dessa juíza? Estamos irremediavelmente perdidos, cercados por todos os lados de pessoas despreparadas, sem vocação para a atividade que exercem, e não há perspectiva de mudança no horizonte próximo. Que Deus, se existir, nos ajude!

Marcos de Moraes disse:
27 de junho de 2007 às 20:01

Nada como uma piadinha para quebrar o gelo: Põe o boné, hoje vamos de boné !

Vitor Guglinski disse:
04 de julho de 2007 às 14:45

Caros colega João Bosco,

Não se trata, com todo o meu respeito a seu comentário, registre-se, de serem os magistrados ridículos. Assim como você mesmo protestou aqui em relação à atitude de ambos, a juíza em questão também quis protestar em relação à atitude de seu colega de magistratura. Penso que sejam válidas menifestações dos membros da classe, a fim de que seja demonstrada a afinação do magistrado com o contexto social em que vivemos. A elite brasileira é representada somente por cerca de 5% da parcela da população. Dessa forma, claro está que a grande maioria das lides julgadas pela Justiça brasileira comporta indivíduos de classes inferiores em seus pólos. Portanto, a magistratura nacional deve sim estar atenta à condição social de cada indivíduo, isto é, seu nível cultural, capacidade econômica etc., pois, como é sabido, o Direito foi criado para servir à sociedade, e não o contrário, na medida em que aquela o precede. Assim sendo, a dignidade humana, dentro dessa lógica, igualmente precede a dignidade da Justiça. Penso seja salutar qualquer tipo de debate, desde que não fira a dignidade de cada um de nós, mormente quando se trata de debates entre pessoas instruídas e, em tese, aptas a discutir civilizadamente.

Você precisa estar logado para enviar um comentário.