Lei anti-terror americana permite grampo sem autorização

Por 227 votos contra 183, a Câmara dos Deputados dos EUA aprovou uma lei de iniciativa do presidente George W. Bush, que autoriza agentes de inteligência do governo a interceptar, sem autorização judicial, comunicaçoes telefônicas e e-mails de estrangeiros, desde que sejam detectadas por equipamentos eletrônicos baseados nos EUA. As informações são do site Findlaw.

A lei, estabelece que as escutas devem ter a aprovação de agências de inteligência estrangeiras, envolvidas no combate ao terrorismo. “Quando nossos profissionais de inteligência dispõem de ferramentas legais para colher dados e informações sobre as intenções de nossos inimigos, a América está mais segura”, disse o presidente Bush nesse domingo. “E quando tais ferramentas legais servem também para proteger as liberdades civis dos americanos, podemos ter certeza da preservação da liberdade, enquanto tornamos a América mais segura”, completou.

A lei, que deve ser promulgada por Bush nesta segunda-feira (6/8), visa agilizar os trabalhos da Agência Nacional de Segurança. O novo pacote legal atinge as comunicações através de e-mails, além de telefones fixos e celulares, fazem parte do novo pacote legal. A nova lei tem um prazo de vigência previsto de seis meses, ao cabo dos quais poderá ser ratificada pelo Congresso. Mas Bush a quer perene e incorporada ao espírito do chamado Ato Patriótico, um pacote de leis que dá poderes especiais ao executivo e restringe os direitos individuais em nome do combate ao terrorismo.

Proposto pelo governo Bush, o Ato Patriótico foi aprovado pelo Congresso americano 45 dias após o 11 de setembro sem nenhuma consulta à população. O significado da expressão Patriotic — Provide Appropriate Tools Required to Intercept and Obstruct Terrorism — explica a intenção do governo Bush: gerar ferramentas necessárias para interceptar e obstruir atos de terrorismo.

A nova lei suscitou ira em alguns deputados. “Esta lei dará ao secretário de Justiça a capacidade de realizar escutas contra qualquer um, em qualquer lugar, a qualquer tempo, sem revisão judicial e sem medidas de controle”, disse a deputada democrata Zoe Lofgren durante o debate que precedeu a votação.

“Acredito que esta medida sem autorização e sem precedentes simplesmente acabaria com a 4ª Emenda (da Constituição, que proíbe buscas e apreensões sem mandado judicial)”, disse ela.

Claudio Julio Tognolli

é repórter especial da revista Consultor Jurídico

A.G. Moreira disse:
06 de agosto de 2007 às 17:22

QUE DEMOCRADURA !!!

E é este o país que o Brasil se espelha !!!

Fala Sério !!!

João Bosco Ferrara disse:
06 de agosto de 2007 às 17:32

A democracia implodiu. A exemplo da antiga URSS, que caiu com o próprio peso, a democracia recebeu, com esta lei, o mais duro golpe desde que foi idealizada e implantada. O pior disso tudo é que o atentado ocorre exatamente no berço da democracia formatada no ocidente, deixando de lado a memória atávica do quanto o povo americano e europeu tiveram de lutar e quanto sangue foi derramado para que se construísse a democracia tal qual ela foi posta em prática nos últimos 230 anos. Quando a maior nação democrática do planeta promove um retrocesso dessa natureza, o que esperar dos outros povos, menos desenvolvidos e menos comprometidos com a democracia, em que seus defensores costumavam utilizar como paradigma de suas aspirações democráticas o exemplo norte-americano? A história não se esquecerá jamais dessa ferida que é aberta no melhor sistema jamais inventado pelo homem. E nós, brasileiros, pobre de nós, com uma história de mandos e desmandos, um Estado formado por um povinho antidemocrático por natureza, tendente à ditadura, a nós, que sonhamos com uma democracia plena, só nos resta rezar...

Heloísa disse:
06 de agosto de 2007 às 17:52

Relembrando o George Orwell, daqui a pouco eles instalam umas teletelas...

Jaderbal disse:
07 de agosto de 2007 às 10:15

Um dos comentaristas deste espaço classificou os EUA como "a maior nação democrática do planeta" e nos descreveu como um "povinho antidemocrático por natureza, tendente à ditadura".

Senhor comentarista, gostaria de lembrar-lhe que tivemos um passado recente de ditadura – nós e toda a América Latina – estimulada pelo país que V. Sa. classifica como "maior nação democrática do planeta".

Nossos presidentes eleitos são eleitos pela maioria do povo e não via tapetão como aconteceu na nação tão admirada por V. Sa.

Como pode V. Sa. fomentar admiração por uma nação que se pauta pelo desprezo pelos outros povos, cuja principal indústria é a bélica; cujo nível de vida é sustentado por uma dívida pública gigantesca, à custa do meio-ambiente de boa parte do planeta e pela força das armas?

Quem mantém aqueles prisioneiros em Cuba sem acusação formal, quem edita o Patriotic Act e quem iniciou a Guerra contra o Iraque baseada em fatos inexistentes não podem causar surpresa, não para nós, estrangeiros.

A diferença talvez seja que o grampo sem autorização atinge diretamente a população americana. Ah! Será que foi isso que surpreendeu V. Sa.?

Jesiel Nascimento disse:
07 de agosto de 2007 às 10:48

Os EUA instalam o Estado policial para o resto do mundo e não aceitam para os seus.
É o tratamento do direito penal do inimigo.
Em pouquíssimo tempo saberemos e lamentaremos tais medidas.
Quem viver verá!

futuka disse:
09 de agosto de 2007 às 03:02

Já faz tempo que vem ocorrendo essas operações de "caça as bruxas"..o anunciado agora com uma nova face ou versão é tão sómente uma placa de sinalização na garage:WARNING "cuidado cão feroz"..esses americanos não são fáceis hein!..e os terroristas ó..pimba, não que eu seja a favor, muito pelo contrário, no dito popular aquilo que semeias..colherás! Há um verdadeiro "WARNING" usa.

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