PF envolve ministro de Lula no ‘mensalão mineiro’

O Supremo Tribunal Federal pode decidir, em breve, o destino do ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia. Entre as acusações contra ele está a de movimentação de altas somas de dinheiro, sem origem declarada, em período eleitoral. Um alentado relatório de 172 páginas, recheado de documentos e provas, produzido pela Diretoria de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, foi encaminhado ao ministro Joaquim Barbosa, encarregado do inquérito no STF.

A acusação versa sobre a campanha eleitoral à reeleição, em 1998, do ex-governador de Minas Gerais, hoje senador, Eduardo Azeredo (PSDB), e descreve o esquema apelidado de “mensalão mineiro”. Obtido pela revista Consultor Jurídico, o documento, assinado pelo delegado federal Luiz Flávio Zampronha e que tem trechos divulgados pela revista IstoÉ deste fim de semana, aponta o ministro Walfrido dos Mares Guia como uma das partes atuantes de “uma complexa organização criminosa”. O delegado pede a quebra dos sigilos da empresa do ministro Walfrido, a Samos Participações Ltda.

Segundo a PF, o comitê da campanha montou uma estratégia “para legitimar (lavar) os recursos que seriam empregados durante a dispendiosa campanha, tendo por base a utilização das empresas de publicidade de Marcos Valério no desenvolvimento da sofisticada técnica conhecida por commingling (mescla)”. Ainda de acordo com o relato do delegado, a mescla consiste “na utilização de estruturas empresariais legítimas para a reunião de recursos obtidos licitamente, a partir de atividades comerciais normais, com outros obtidos ilicitamente”.

Zampronha afirma que, no caso da campanha de Azeredo, “tratavam-se de fundos públicos desviados das administrações direta e indireta do Estado de Minas Gerais e de valores repassados à coligação eleitoral por empresários, empreiteiros e banqueiros com interesses econômicos junto ao poder público daquela unidade da Federação”.

Pelas mãos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o relatório foi bater no Planalto, onde é guardado a sete chaves como uma das jóias da coroa. Mas o documento está nas mãos do ministro Joaquim Barbosa, relator do caso, e do procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza.

Datado de 4 de julho de 2007, o relatório traz documentos comprometedores para o ministro Walfrido: um deles tem o carimbo “Confidencial”, com a chancela lustrosa da Receita Federal. Datado de 15 de maio de 2006, o extrato da Receita indica que Walfrido teria feito movimentações financeiras “até 20 vezes maiores do que as declaradas ao Fisco”. Exemplo: em 2002 Walfrido declara que sua empresa teve a receita de R$ 1,1 milhão. Mas a movimentação dela, segundo o documento, teria sido R$ 22,2 milhões. No ano fiscal de 2004 a receita declarada da Samos era de R$ 648 mil. Mas as movimentações financeiras, ainda de acordo com o relatório, passaram de R$ 3,1 milhões. Não fica claro se o volume da movimentação foi a soma de entradas e saídas ou se este foi, ao final do ano, o saldo constante na conta.

O inquérito sobre o caso no Supremo nasceu das investigações do mensalão. Walfrido era coordenador político da campanha de Azeredo. Na época, o pai espiritual do mensalão, publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, montou o que seria a ante-sala do esquema denunciado sob o governo Lula. Azeredo não se reelegeu. Perdeu para Itamar Franco (PMDB).

De acordo com o relatório, as investigações partiram do depoimento do então candidato a vice de Eduardo Azeredo, Clésio Andrade, ex-sócio de Marcos Valério na empresa SMP&B. Sem meias palavras, Clésio atesta que o ministro Walfrido seria a peça-chave de um “núcleo de poder” do governo Azeredo e, por conseguinte, da campanha à reeleição.

A Polícia Federal, de fato, encontrou anotações manuscritas com estimativas de gastos da campanha, feitas por Walfrido. Em seu depoimento, o ministro revelou que pertencem a ele os rascunhos mal traçados com valores constantes lado a lado de inúmeras abreviaturas. Perguntado sobre qual o significado das iniciais “JM”, o ministro Walfrido afirmou se tratar da candidata ao Senado Júnia Marise, para quem seriam remetidos R$ 500 mil.

Na investigação, a PF rastreou a pista. Chegou até R$ 200 mil das empresas de Marcos Valério drenados para os assessores de Júnia Marise. Já a sigla HG, ladeada do numeral 280, disse Mares Guia, era uma referência ao candidato a senador Hélio Garcia. Mas Walfrido meteu os pés pelas mãos, num trecho, e não explicou o significado da sigla “TP”, beneficiada com R$ 1,8 milhão. Para o delegado Zampronha, no entanto, seria a soma direcionada ao PT mineiro, com sigla invertida.

Walfrido é apontado como o negociador do contrato da campanha publicitária de Azeredo feita por Duda Mendonça. De acordo com depoimento de Cláudio Mourão, o tesoureiro da campanha, os serviços da empresa de Duda custaram R$ 4,5 milhões: “R$ 700 mil entregue em espécie e o restante pago por fora, conforme acordo estabelecido com Walfrido dos Mares Guia”.

Consta do relatório que Marcos Valério entregou ao delegado Zampronha o “Projeto Governador e Senador/98 – Minas Gerais”. Ele vem assinado por Duda Mendonça. Foi devidamente encaminhado ao ministro Walfrido por Zilmar Fernandes, sócia de Duda. Consta do inquérito a cópia de missiva endereçada ao “Prezado doutor Walfrido”, com um orçamento entre R$ 500 e R$ 700 mil.

Num outro trecho do relatório, consta empréstimo tomado pela Samos, tendo como avalistas Azeredo e Walfrido, liquidado em 2002 no Banque Nationale de Paris Brasil. Aqui, uma contradição: a conta que liquida o valor tem como titular a própria Samos.

O delegado federal pede à Receita que aprofunde a devassa fiscal nas contas e na contabilidade da empresa do ministro nos últimos cinco anos. Por fim, recomenda o bloqueio dos bens de todas as pessoas envolvidas com o “mensalão mineiro”.

Leia o relatório da Polícia Federal.

Claudio Julio Tognolli

é repórter especial da revista Consultor Jurídico

A.G. Moreira disse:
15 de setembro de 2007 às 08:25

Para atingir o PSDB, é necessário "furar" alguém, "dos nossos" !!!

Levítico disse:
15 de setembro de 2007 às 13:12

O triste é ver o tal do A.G. Moreira aí achar, segundo o texto dele, que uns (PT) estão de um lado e outros (PSDB) estão de outro.
Eles estão de mãos dadas e você,tolinho, continua trabalhando 9 meses durante o ano pra sustentar essa máquina pública corrupta, falida e ineficiente.
Não sei quem é mais bobo, os petistas ou os que que estão em qualquer outro partido, aliás, existe partido do no brasil? Até onde eu sei existe mesmo é a "dança das cadeiras" que rola solta de acordo com o interesse particular de cada um, enquanto isso a gente fica nessa debate inútil, tentando justificar o sujo quando confrontado com o mal lavado.
É de uma inutilidade que beira a burrice.

A.G. Moreira disse:
15 de setembro de 2007 às 14:14

A "superioridade" intectual e analítica do "MORFEU" é tão elevada ( principalmente na falta de educação, de respeito, de ética, de urbanidade, de "semancol", etc..), que eu, fico "mui honrado" em ser chamado de "burro" , por tão "sublime sumidade" !!!!

hammer eduardo disse:
15 de setembro de 2007 às 15:02

Pelo visto o luzidio meliante marcos valerio ja atua a um bom tempo e apenas agora foi "temporariamente afastado" ate que a Populacao eternamente esquecida passe uma borracha em cima. Quanto ao ministro walfrido , trata-se de um surfista de cargos de primeira hora e pelo visto , verdadeiro "corsario" da politica pois se bandeia dos Tucanos para o lado dos petralhas sem maiores cerimonias ou escrupulos. Lembremos tambem que na prolongada agonia da Varig , o tal "ministro" sempre foi contra qualquer solucao para a salvacao da vetusta empresa gaucha , so "amaciou" a posteriori quando apareceu seu querido amiguinho tambem mineiro Nene Constantino , dono da GOL e de tudo o mais em que puder botar a mao , e arrematou a Varig numa segunda etapa num processo que segundo o Deputado Paulo Ramos do PDT Carioca tem alertado para sinais mais do que visiveis de bandalheira$ ainda a serem devidamente apuradas. Como se pode ver , a imundicie na vida publica ja esta enraizada , marcos valerio e walfrido apenas agem como aquelas "mocas prendadas" que fazem a vida na boate Bahamas em Sao Paulo, estao a servico de quem puder pagar pelos seus pre$timo$. Triste Brasil de ceguinhos por opcao ou por burrice coletiva.

Radar disse:
15 de setembro de 2007 às 15:50

Concordo contigo, Morfeu. Mas, tadinho do Argh Moreira, verdadeiro 26 caput do Código Penal. E não bastasse maltratar a língua portuguesa, desconhece a obviedade ululante: pt; psdb e todo o resto são farinha do mesmo saco. Vão se alternando no poder e batendo recordes de arrecadação. A diferença entre eles é que um está no poder e o outro está olhando para o poder, como um vira-latas assistindo ao frango assar, naquelas televisões de cachorro.

Armando do Prado disse:
15 de setembro de 2007 às 16:16

Pois é. E ao senador tucanalha nada?

A Veja dessa semana está mais canalha do que nunca. Foram derrotados e humilhados pelo Senado que não se deixou pautar pelos cretinos.

Quem será o próximo?

Richard Smith disse:
15 de setembro de 2007 às 17:22

Nooooossa!

Desta vez o "fesso" PeTralha, fujao, borra-cuecas, mistificador, anti-clerical, abortista, mentiroso, escroto e infaltil se superou!

Decididamente SEM VERGONHA nenhuma, - como recentemente determinou o seu amado lider sem-dedo - defende os renanzistas!

Isso eh que eh coerencia!

Realmente os iguais se aproximam mesmo!

Qua, qua, qua, qua, qua,!

Richard Smith disse:
15 de setembro de 2007 às 17:25

Desculpem-me, INFANTIL e nao infaltil.

E desculpem-me tambem a falta de acentos, mas estou fora do Pais e sem um teclado ABNT.

A.G. Moreira disse:
15 de setembro de 2007 às 22:01

Alô "radar",

É fácil detectar, nesta tribuna, a categoria e competência dos comentadores, pelo conteúdo que escrevem !!!

Tem gente que dedicou a sua vida ao Direito e à Advocacia, sem jamais, ter parado de estudar e aprender !

Assim como tem gente que, por ter ACHADO um "diploma" no "lixo" , lá escreveu o seu nome e se exibe e se impõe, como "Douto" , "achando-se" o "supra-sumus" !!!

Augusto J. S. Feitoza disse:
16 de setembro de 2007 às 02:30

A partir do conhecimento deste "mensalão mineiro", não parece agora um tanto esdrúxula e desconexa a hipótese do PT enveredar por um esquema criminoso cujo modus operandi era inacreditavelmente idêntico ao adotado pelo PSDB de Minas em 1998?

Se contrataram Marcos Valério pela sua "experiência" em tais esquemas, como esse pessoal do PT pôde ser tão tolo a ponto de não se acercar de cuidados para não serem flagrados? Não era óbvio que os tucanos, amigos de Valério e seus inimigos figadais, cedo ou tarde iriam usar esse fato contra eles?

Se o esquema envolvia quantias milionárias, por que políticos renomados do PT se arriscariam a comprometer sua reputação e a do seu partido aceitando suborno em valores espantosamente ridículos como R$ 3.000,00 ou R$ 50.000,00 que mal comprariam bonés e camisetas para militantes de seus comitês eleitorais? Não seria uma completa estupidez sujar-se tanto por tão pouco?

Se Walfrido dos Mares Guia era um dos líderes da suposta quadrilha que agia em Minas, o que teria forçado o Presidente Lula a nomeá-lo Ministro de uma pasta teoricamente estratégica como a das Relações Institucionais e que antes era ocupada por um petista?

A pergunta-chave é: a cúpula do PT confiou nos "institutos" da impunidade e das negociatas no Congresso Nacional ou caiu como patinho na armadilha do PSDB - o mentor do mensalão?

Chagas disse:
16 de setembro de 2007 às 14:03

Tem alguma coisa errada. É Estranho que o relatório esteja datado de 11 de julho de 1998.

Chagas disse:
16 de setembro de 2007 às 14:08

PF envolve ministro de Lula no 'mensalão mineiro'. Com tantas personalidades envolvidas qual a razão do Consultor Jurídico dar como título principal o envolvimento de um minsitro do governo Lula. E porque não, "totalidade do PSDB mineiro e outros partidos envolvidos no mensalão?"

Richard Smith disse:
16 de setembro de 2007 às 14:29

DEVAGAR, cambada PeTralha!

Embora eu considere o PSDB e a sua corja de aburguesados de punhos de renda (quando deveriam ter luvas de boxe!) simplewsmente como a outra face da moeda do PT, não posso aceitar afirmações desonestas e mistificadoras como: "PSDB - o mentor do mensalão".

Primeiro, porque o episódio envolve Eduardo Azeredo e não todo o PSDB;

Segundo, por o MENSALÃO renvolveu o uso de verbas PÚBLICAS não para o custeamento de despesas de campanha, mas sim para a COMPRA de parlamentares, representantes legislativos do povo, para a aprovação de matérias de interesse do (des)governo "que aí está", as quais se fossem boas, de interesse público, não precisariam deste expediente, certo?

Ou seja, da COOPTAÇÃO, de membros de um outro Poder da República, mediante SUBORNO.

Algo semelhante a desviar dinheiro público para a compra de ministros dos Poder Judiciário para só apreciarem ações judiciais a favor do governo!

Fato ínédito e um CRIME GRAVÍSSIMO de lesa-pátria! Verdadeira TRAIÇÃO aos poderes republicanos!

Em terceiro, o responsável pelo MENSALÃO que ora apreciamos foi o PT, partido autoritário e centralizador. Fiscal da moral alheia e burgueses do capítal alheio!

Em resumo: vão se catar PeTralhas safados, mentirosos e mistificadores (triplo pleonasmo!)!

Radar disse:
17 de setembro de 2007 às 13:50

Profundos como prato rasos, o 26 caput e o petralha enrustido continuam a ladrar. Diazepan neles!!!

Radar disse:
17 de setembro de 2007 às 14:00

Em tempo, e a título de curiosidade, a secretária de uma das melhores Faculdades de Direito desse país, e que me entregou o diploma "achado no lixo", como disse o 26 caput, foi uma distinta senhora, infelizmente já falecida, que tinha por sobrenome Moreira. Mas regulava bem, sr. doentinho!

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