Ricardo Sayeg: Calandra é modelo para mundo capitalista humanista

Henrique Nelson Calandra que se aposenta no próximo mês, como desembargador em São Paulo, depois de 35 anos de brilhante carreira na magistratura é referência de homem público. Sua influência na família forense sempre esteve presente, norteando e ensinando valiosos princípios, notadamente, o respeito a todos os que divergem entre si, porque nessa verdade se sustentam os valores da democracia, que tanto prezamos, enquanto operadores do Direito e cidadãos.

Na magistratura é liderança entusiasmada, exemplo de humanista convicto e de profissional preparado e dedicado, merecedor de todas as homenagens recebidas na carreira. Desenvolveu, enquanto presidente, um trabalho importantíssimo à frente de duas grandes entidades representativas da magistratura — a Associação Paulista dos Magistrados (Apamagis) e a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).

Influenciou a história recente do Poder Judiciário, a vida e a carreira de um número incontável de pessoas. Por todos é respeitado e, mais do que querido, literalmente, amado em todo o território brasileiro, porque, em toda a sua trajetória nacional, somente fez o bem sem olhar a quem.

Particularmente, nos momentos mais importantes de minha carreira, o desembargador Henrique Nelson Calandra esteve presente. Pude contar com sua presença inspiradora, amiga e conselheira. Para se ter a dimensão, basta narrar que o Dr. Calandra é o responsável por meu ingresso na advocacia.

Sempre quis colaborar com meu pai, o advogado Mario Jackson Sayeg, porque ele trabalhava muito para sustentar a família e aos 16 anos, eu já ajudava na função de boy em seu escritório de advocacia. No entanto, ainda não havia decidido seguir a profissão de meu pai.

Todavia, sempre que levava uma petição para despachar com o então juiz Nelson Calandra, ele me recebia com um sorriso e conversava comigo. Nestes encontros, como todo jovem que precisava de mentor, foi ele quem me mostrou e me convenceu sobre as possibilidades que o Direito tem de mudar o planeta; e, também do potencial que o advogado dispõe de ajudar o próximo, de construir a cidadania, de reparar danos de toda espécie, de mudar a vida das pessoas para melhor, de tornar o mundo mais justo. Era tudo o que, enquanto um jovem idealista precisava ouvir para decidir sobre o meu futuro profissional como advogado.

A afinidade que tenho com o desembargador Calandra também está presente na minha carreira acadêmica. Quando inaugurei o curso de pós-graduação na Unitoledo de Araçatuba, ele estava presente.

Também coube a ele prefaciar meu livro sobre a doutrina jurídica do Capitalismo Humanista, lhe emprestando o aval necessário para o seu caráter vanguardista e transformador. No prefácio do livro sobre o Capitalismo Humanista, redigido em coautoria com o professor Wagner Balera, Nelson Calandra legitima a proposta dessa doutrina que “parte de aparente antítese: de que o capitalismo pode ser humanista. Vale dizer: que o ato de produzir riquezas não se destina, tão somente à acumulação de recursos financeiros.”

Calandra emprestou apoio público e pessoal, quando no plenário da Câmara de Vereadores do Município de São Paulo, no último dia 25 de maio, recebi a Salva de Prata em nome do Instituto do Capitalismo Humanista.

E, ainda mais recentemente, no último dia 3 de junho, dividi com Calandra uma mesa científica na Universidade de Sorbonne de Paris sobre Direitos Humanos, onde foi abordado o Capitalismo Humanista.

Enfim, Henrique Nelson Calandra, encerra sua carreira na magistratura e, deixa para todos a certeza, especialmente para mim, que é um ser humano incrível e que efetivamente contribuiu para o bem geral.

Ricardo Sayeg

é titular do Conselho Superior da Capes, professor livre-docente em Direito Econômico da PUC-SP e diretor e professor titular do doutorado da UNINOVE.

Marcos Alves Pintar disse:
16 de junho de 2015 às 12:54

Olhei o artigo umas 3 ou 4 vezes, superficialmente, e custei acreditar que meu navegador estava realmente apontando para uma página da CONJUR.

Walmir Cruz disse:
16 de junho de 2015 às 23:43

Dr Calandra, parabéns por sua trajetória no TJSP. Contribuiu muito. Pena que sempre haverá aqueles que não reconhecem o seu valor, embora não possuam metade de seu conhecimento jurídico. São os coitados e frustrados de sempre. Não tem importância. V. Exa goza do respeito de seus pares e dos jurisdicionados. Faz parte da História do TJSP. Saudações.

Cesar Mormile disse:
17 de junho de 2015 às 08:54

O Calandra tinha uma sala comercial no prédio onde mantenho o meu escritório: Rua Tabatinguera, 140. Há 6 anos atrás, o TJ/SP pediu ao Governo de SP que desapropriasse o prédio inteiro (mto provavelmente, pelas garagens fantásticas que há nesse prédio, bem como, pela planta do próprio prédio e das salas comerciais - 35m2). De forma, digamos, "curiosa", "coincidente" e "surpreendente", o então Presidente da APAMAGIS (à época, o Calandra!!) vendeu a sua sala comercia em data, digamos, muito próxima à edição do Decreto Expropriatório (salvo engano) ou, senão, LOGOS APÓS a edição de tal Decreto. E sabe o que é pior e mais absurdo (para se dizer o mínimo)? a iniciativa absurda da APAMAGIS no sentido de que não desapropriasse a sua sede (que ocupa um andar inteiro na Rua Tabatinguera, 140, Centro) e que o Estado lhe concedesse o direito de uso por 99 anos, é mole? E aí, será que o Calandra poderia (ou teve??) ter tido alguma notícia "privilegiada" que fez com que ele vendesse "rapidamente" o seu conjunto comercial na Tabatinguera, 140, especialmente pelo fato de que os conjuntos comerciais, naquele prédio, são cobiçadíssimos? Não sei..Por isso e ao menos na minha humílima opinião, o Calandra se despede da Magistratura de forma extremamente tardia.

carpetro disse:
17 de junho de 2015 às 11:11

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