Em 1989, o jornalista Ricardo Boechat ganhou o Prêmio Esso denunciando, como ele próprio definiu, a “roubalheira na Petrobras”.
Dominado por políticos de direita, o governo José Sarney (1985 – 1990) foi palco de constantes arrochos salariais e, principalmente, de grandes surtos inflacionários. Com relação à denúncia estrondosa de Ricardo Boechat, manteve-se silente, sem tomar qualquer iniciativa contra a corrupção que grassava na Petrobras.
Em 1997, o jornalista Paulo Francis afirmou em Nova York, onde residia e trabalhava como correspondente da TV Globo, que havia corrupção na Petrobras. Era o terceiro ano do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso. O presidente, suponho que por simples descaso, não tomou qualquer providência para investigar a veracidade ou não da denúncia.
Apesar de Fernando Henrique Cardoso não mandar investigar a denúncia, os diretores da estatal, presidida na época por João Rennó, propuseram contra o jornalista, nos Estados Unidos, uma ação penal por danos morais. Paulo Francis, no programa “Manhattan Connection”, havia afirmado que “Os diretores da Petrobras põem dinheiro na Suíça”; “roubam em subfaturamento e superfaturamento”; “constituem a maior quadrilha que já atuou no Brasil”. Como os diretores queriam atingir o jornalista que não apresentava provas concretas, mas apenas a denúncia para ser apurada, decidiram, maldosamente, que a ação fosse proposta em Nova York, onde as indenizações morais são costumeiramente bilionárias. Daí resultou decisão judicial obrigando Paulo Francis a pagar o valor de US$ 100 milhões.
Sem qualquer possibilidade financeira de pagar soma tão elevada, Paulo Francis entrou em fortíssima depressão psicológica. Foi perdendo o dom da fala, que tanto impressionava seus telespectadores, e, aos poucos, foi enfraquecendo até morrer.
Agora, quase 20 anos depois da morte do jornalista, o ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco, em depoimento à operação “lava jato”, em delação premiada, afirmou que começou a cobrar propina das empresas que buscavam firmar contratos com a estatal desde o ano de 1997. Ele ocupava o cargo de gerente de Tecnologia de Instalações, e a empresa que ele compactuava na corrupção era a holandesa SBM.
Paulo Francis estava certo, mesmo não tendo provas concretas. E a seríssima denúncia deveria ter sido apurada, antes que o mal crescesse até onde chegou, mas tanto José Sarney quanto Fernando Henrique conviveram tranquilamente com a corrupção na Petrobras, possivelmente pelo mesmo motivo que os avestruzes do imaginário popular escondem a cabeça em certas circunstâncias. Nunca iniciaram qualquer investigação. Nas gestões de Fernando Collor e de Itamar Franco não há denúncias de corrupção na Petrobras.
É preciso conhecer como se iniciou a insana desonestidade em nossa grande estatal, para que esse conformismo do passado sirva de lição para o futuro: o mal deve, sempre, ser cortado, logo de início, pela raiz.

A conclusão a que se chega é que todos já sabem: os cidadãos comum devem ter ampla liberdade para apontar falhas no aparelho estatal e exigir investigações isentas.
É engraçado como as pessoas querem que a corrupção e a politicagem acabem, mas boa parte paradoxalmente quer cada vez mais Estado. Sendo que no Brasil, um pais extremamente patrimonialista, o Estado é altamente corrupto, pois utilizado por cada um apenas para satisfazer os interesses próprios ou corporativos.
Então, todos devemos tolerar os recentes males como compensação?
Tanto lá, como cá não houve investigação interna. HOJE, o controle externo está sendo eficaz. A res publica reclama o controle externo, porque o interno é improvável quando a sujeira é dentro de casa.
Por qual motivo a ação de Lula contra reportagem da Veja arrolou somente os jornalistas e não a própria editora, que tem cacife financeiro?
Aprendeu bem, não?
O Professor Tales Castelo Branco, como sempre, foi brilhante na abordagem.
Em momento algum, o nobre mestre sugeriu que se devesse tolerar os "recentes males como compensação".
Quando me dou o trabalho de ler os comentários postados, sempre concluo, tristemente, que a qualidade da educação brasileira vem caindo assustadoramente. Como resultado, o que era básico no passado, a simples interpretação do texto torna-se uma algo muito penoso para os mal "educados" (intruídos).
Independentemente do erro decorrente do despreparo para a interpretação, há, claro, em alguns casos, má-fé escandalosa.
Não raro, também, os comentários descambam para agressões entre os comentaristas ou, até mesmo, grosserias dirigidas ao autor de texto.
No caso presente, é preciso que se conheça a história importantíssima e os relevantes serviços prestados pelo Professor Tales Castelo Branco à Advocacia e à Doutrina.
Com todo o respeito, tenho dito!
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