Alexandre Freitas Câmara

é desembargador no TJ-RJ, doutor em Direito, professor da FGV-RJ e vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito Processual.

Sanção contra litigância abusiva precisa doer no bolso do advogado

Há já algum tempo que o Poder Judiciário brasileiro vem identificando casos de litigância abusiva, e o tema tem sido objeto de bastante reflexão. A matéria já é, inclusive, objeto de uma recomendação do Conselho Nacional de Justiça (Recomendação 159/2024), e tem chamado a atenção também da doutrina. O objetivo deste texto é apresentar duas […]

O novo § 5º do artigo 63 do CPC e suas incertezas

Recente alteração legislativa inseriu, no artigo 63 do CPC, um § 5º, segundo o qual “[o] ajuizamento de ação em juízo aleatório, entendido como aquele sem vinculação com o domicílio ou a residência das partes ou com o negócio jurídico discutido na demanda, constitui prática abusiva que justifica a declinação de competência de ofício”. O […]

Precisamos falar sobre teratologia

Desde que começamos a lidar com o direito, ouvimos falar em teratologia, palavra que não aparece no vocabulário comum das pessoas, mas que entrou, já há muito tempo, para o jargão jurídico. Uma rápida pesquisa na página de jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça com as palavras-chave teratologia ou teratológica nos apresenta dois enunciados de […]

Câmara e Bueno: ‘Revisão da vida toda’, quem pode votar?

Fato recente chamou a atenção da comunidade jurídica: o pedido de destaque, formulado pelo ministro Nunes Marques, do STF, no julgamento do RE 1.276.977, em que o Supremo Tribunal Federal vai definir, pelo regime da repercussão geral, a assim chamada "revisão da vida toda". Embora o tema de fundo tenha de ser analisado pelos estudiosos […]

Opinião: Impressões sobre a nova redação do artigo 247 do CPC

Recente alteração do Código de Processo Civil, trazida pela Lei 14.195/2021, produziu, entre outros pontos que aqui não serão abordados, relevantes modificações no sistema de citação. A partir dessa alteração, a citação — ato pelo qual se integra alguém a um processo — passou a ser feita preferencialmente por meio eletrônico. Ocorre que desde a entrada em […]

Alexandre Câmara: A documentação de atos de cooperação judiciária

No 10º encontro do Fórum Permanente de Processualistas Civis (FPPC), realizado em março em Brasília, foi aprovado um interessante enunciado que trata de tema ainda pouco explorado. Refiro-me ao Enunciado 687, verbis: 687. (art. 69, caput). A dispensa legal de forma específica para os atos de cooperação judiciária não afasta o dever de sua documentação […]

Alexandre Câmara: Complementação de julgamentos não unânimes

Tive minha atenção recentemente chamada para um curioso caso: no julgamento de uma apelação, proferido por uma Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (que não é por mim integrada), produziu-se um fenômeno conhecido como dispersão de votos: cada um dos três magistrados integrantes da turma julgadora proferiu voto completamente diferente dos […]

Alexandre Câmara: Sistema amplia mecanismos de proteção ao crédito

É conhecido o entendimento, classicamente encampado pela doutrina brasileira, segundo o qual carece de interesse de agir para demandar a formação de título executivo judicial aquele que já tem um título executivo extrajudicial. Assim, por exemplo, manifestou-se Nelson Nery Júnior: [1] “Se a parte possui, a seu favor, cheque com eficácia executiva, deverá promover sua […]

Alexandre Câmara: Relatório influencia na qualidade do julgamento

Tribunais, como todos sabem, são órgãos que funcionam em sistema colegiado. Para o adequado funcionamento desse sistema, impõe-se que, em cada processo, incidente ou recurso que se instaure perante um tribunal seja designado um dos integrantes do colegiado para exercer a função de relator. A este magistrado caberá estudar o processo, incidente ou recurso com […]

Alexandre Freitas Câmara: Novo CPC ampliou os poderes do juiz

Tenho algumas vezes ouvido e lido que o novo Código de Processo Civil seria o “código dos advogados”.[1] Devo dizer, desde logo, que não concordo com este epíteto. Afinal, seria estranho — para dizer o mínimo — que um código de advogados desse ao juiz tantos poderes. A leitura do artigo 139 do novo CPC mostra que são […]