José Eduardo de Resende Chaves Júnior

é desembargador no TRT-3 (MG), doutor em Direitos Fundamentais e professor adjunto da PUC Minas.

Desafio do Direito do Trabalho é limitar o poder do empregador-nuvem

O trabalho contemporâneo vem sofrendo uma transformação topológica, uma torção, não uma ruptura. Do trabalho "disciplinar", da fábrica (Foucault), deslizamos para o trabalho da "sociedade do controle"  (Deleuze). Ingressamos na era da chamada gig economy, na qual o trabalho se torna temporário, precário, um bico. É a intensa redução da porosidade do trabalho, pelo aproveitamento […]

Chaves Júnior: Programas ajudam a desafogar Judiciário em MG

Um dos caminhos mais promissores para que o Judiciário brasileiro possa enfrentar o tsunami de 100 milhões de processos acaba de ser apresentado na Faculdade de Direito da UFMG e defendido em dissertação de mestrado em Direito Público, sob a orientação da Professora Mariah Brochado, intitulada “Remoções Forçadas Decorrentes de Projetos de Desenvolvimento e o […]

Processos civil e do trabalho: o imprescindível diálogo das fontes

Os impactos do Código de Processo Civil de 2015 no processo do trabalho não foram ainda bem dimensionados. É preciso que se criem canais urgentes de consenso, para que se ofereça aos jurisdicionados um mínimo de estabilidade jurídica, sob pena de se afogar o processo do trabalho numa interminável batalha hermenêutica por anos ou décadas […]

Magistratura não se resume aos poucos do levante moralista da toga

Hoje já se sabe que os movimentos das mulheres em 64, que tiveram um grande impacto político na época, longe de significar um empoderamento feminino, foram simplesmente instrumentalizações dos arranjos conspiratórios do Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) e Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES). A família, a bíblia e as bravatas contra a corrupção e […]

José Chaves Jr.: Juiz brasileiro opta pela replicação e automatização

[Artigo originalmente publicado no jornal Valor Econômico desta sexta-feira (23/5)] O clássico conto do século XIX Bartleby, o escriturário – uma história de Wall Street, de Melville, o autor de Moby Dick, que para muitos é o precursor do existencialismo, induz uma triste analogia com o atual exercício da jurisdição no Brasil. Bartleby é um […]

José Chaves Jr: Processo eletrônico não pode ser pensado com cabeça de papel

A ficha ainda não caiu para a doutrina tradicional da teoria do processo. Não se deram conta ainda da dimensão do vácuo entre a prática do processo eletrônico e a sua teorização. O programa do processo eletrônico não é, evidentemente, o processo, mas o processo ‘por meio’ do programa acaba, na prática, transformando-se, condicionado e […]

Dispositivos móveis dão direito a horas de sobreaviso

Mal acabou de ser publicada a Lei 12.551, neste 16 de dezembro de 2011, e a polêmica se instaurou nas redes sociais, inclusive na lista nacional dos juízes do trabalho. Ela modifica a redação do artigo 6º da CLT, para equiparar os efeitos jurídicos da subordinação exercida por meios informatizados à exercida por meios pessoais […]

CNJ deve difundir cultura da cooperação no Judiciário, em vez de conflitos

O Conselho Nacional de Justiça acaba de publicar a Recomendação 38/2011 que institui a inovadora Rede Nacional de Cooperação Judiciária. O projeto, da administração do presidente Cezar Peluso, foi inicialmente presidido pelo conselheiro Nelson Tomaz Braga, sendo atualmente dirigido pelo conselheiro Ney Freitas. Essa Rede pressupõe uma alvissareira perspectiva para o Poder Judiciário, que ainda […]

Justiça de Portugal deve regulamentar sentença oral para casos menores

O Ministério da Justiça de Portugal anuncia uma importante reforma no processo penal de seu país, reforma que irá permitir a prolação de sentenças orais, sem redução a termo escrito, em causas de menor complexidade, nos autos do processo eletrônico. Existem inúmeros estudos comprovando que os mecanismos de racionalidade e argumentação da linguagem escrita são […]

Conceitos de cooperação judicial interna e externa precisam de upgrade

Além da cooperação internacional, no Brasil a cooperação interna deve ser mais explorada, a partir de mecanismos simples e sem qualquer custo, como a função de magistrado de enlace ou o atlas judiciário. A perspectiva da cooperação fundada em mecanismos informais entre juízes e tribunais, além de imprimir maior celeridade e eficácia aos atos que […]