Juliana Souza

é advogada, ativista antirracista, pós graduada em Direitos Fundamentais e Processo Constitucional (IBCCRIM/Universidade de Coimbra); mestranda do Diversitas/USP e pesquisadora do NAPPLAC da FAU/USP; vice-presidente da Comissão Estadual da Jovem Advocacia da OAB/SP.

Impacto da Covid-19 sobre a população negra no Brasil

SpaccaCaminhos abertos, estamos a falar.* Registramos nas linhas a seguir acúmulos acadêmicos e saberes ancestrais, a fim de reivindicar condições dignas de vida e existência para a população negra no Brasil, inquietações expressas diretamente do subterrâneo da existência. Inaugurando a gira de oris, tratar dos impactos da pandemia de COVID-19 sobre as vidas negras no […]

Precisamos falar sobre casamento infantil no Brasil

SpaccaDesigualdade começa na infância. Não por acaso, os escritos de mulher nesta coluna já apontaram para a importância da construção da proteção jurídica a crianças e adolescentes a despeito do descompasso entre norma e realidade1, bem como para a infância interrompida em decorrência da violência sexual e posterior negativa ou obstacularização do direito ao aborto […]

A ponta do iceberg: levante antirracista deve partir das estruturas

"Por que o negro é isso que a lógica da dominação tenta (e consegue muitas vezes, nós o sabemos) domesticar? E o risco que assumimos aqui é o do ato de falar com todas as implicações." Lélia Gonzalez SpaccaNo último dia 19 de novembro, o caso ocorrido no supermercado Carrefour em Porto Alegre, onde João […]

Injúria racial e a institucionalização do racismo no sistema de Justiça

Spacca"O falar não se restringe ao ato de emitir palavras, mas de poder existir" Djamila Ribeiro O racismo é elemento estrutural e estruturante da sociedade brasileira e há séculos relega a população negra às piores posições nos indicadores socioeconômicos. Segundo o jurista Sílvio de Almeida1 "…o racismo é sempre estrutural, … ele é um elemento […]

Negros e Justiça, palavras rivais?

Antes que o leitor se debruce sobre este texto, quero fazer um escurecimento por questões de ética e justiça: somos mulheres, somos negras e também advogadas. Afirmamos isso porque essas condições, que nos fazem ser quem somos, certamente poderão impactar a maneira como vemos os fatos. SpaccaA realidade é que não queremos ser imparciais. Mês passado […]

Humanidades negociáveis? Um olhar para a infância e adolescência

SpaccaAs crianças ricas brincam nos jardins com seus brinquedos prediletos. E as crianças pobres acompanham as mães a pedirem esmolas pelas ruas. Que desigualdades trágicas e que brincadeira do destino. Carolina Maria de Jesus É tempo de compartilhar a dor e a ausência, ambas físicas, simbólicas e institucionais. É tempo de colher os frutos da […]

O direito à cidade no território das desigualdades

SpaccaEm um joguete secular de presença legislativa e ausência estatal se estrutura o Brasil. O direito à cidade, conceito cunhado em 1968 pelo do sociólogo Henri Lefebvre, não prescindiu a essa máxima. Em um país de realidades opostas em que, em grande medida, direito é sinônimo de privilégio, não é de se espantar que somente […]