Duda Mendonça já pagou fiança de mil reais e é solto

O publicitário Duda Mendonça foi liberado por volta das 22h30 desta sexta-feira (22/10) depois de pagar fiança de R$ 1 mil estipulada pelo juiz Joel Pereira dos Santos, da 26ª Vara Criminal do Rio de Janeiro. A informação foi dada pelo advogado Luís Guilherme Vieira. O juiz entendeu que cabe fiança neste tipo de crime e, por isso, concedeu liberdade prosória.

“Em 25 anos de advocacia criminal, nunca vi um aparato policial igual. Não dá para entender porque apenas seis foram presos em flagrante, já que estavam 200 pessoas no local. Foram presos: o maior publicitário do Brasil, um vereador do PT e quatro diretores de uma entidade que funciona legalmente há 18 anos”, disse o advogado.

Há cerca de um mês que a Polícia Federal do Rio vinha fazendo as investigações em torno da rinha de briga do galo do Clube Privê Cinco Estrelas, no bairro de Jacarepaguá, zona Oeste do Rio, estourada na noite de quinta-feira (21/10), quando foram presos em flagrante Duda Mendonça e o vereador petista Jorge Hauat, mais conhecido como Jorge Babu, entre outros.

Quando foram dar o flagrante, os policiais pelo menos suspeitavam que poderiam encontrar Duda Mendonça, segundo admitiu o promotor estadual da Infância e Juventude do Rio, Marcio Mothé, que desde terça-feira sabia que a operação estava para acontecer. Eles teriam descoberto, durante as investigações que Duda Mendonça era sócio do clube e admitiam que o torneio nacional que deveria durar de quinta a sábado atrairia os sócios de outros estados. Mas, segundo o advogado, Duda Mendonça foi por acaso no clube já que estava apenas de passagem pelo Rio. Nsta sexta-feira, ele voltaria para São Paulo para a campanha de Marta Suplicy.

Mothé, ao ser informado pelo delegado Lorenzo Pompilho de que a operação seria quinta à noite, acionou os outros dois promotores que estiveram no clube das lutas de galo: Ana Lucia Mello, responsável pelos casos de investigação penal da Barra da Tijuca, e Ana Paula Petra, responsável pela área do Meio Ambiente.

O promotor foi acionado pela Polícia Federal porque, durante as investigações, soube-se que o local era freqüentado também por menores. Na hora do flagrante estavam lá quatro adolescentes, levados por seus pais, que foram presos em flagrante por crime de “corrupção de menores” — foram coniventes com a participação deles em um crime. Mas, segundo o promotor da Infância e Juventude, a polícia admitia também encontrar drogas e a prática de outros crimes, o que acabou não acontecendo.

O flagrante foi distribuído agora à tarde na Justiça Estadual tendo caído, por sorteio, na 26ª Vara Criminal. Oficialmente, a Polícia Federal explica sua participação nas investigações por ter recebido a denúncia de uma ONG ligada ao Meio Ambiente. Mas um delegado federal que ocupa um gabinete de destaque na sede do DPF em Brasília informou que a investigação vinha sendo feita há um mês, desde que a Delegacia de Meio Ambiente recebeu, por ofício do Ministério Público Estadual, a informação de que a briga de galo estava acontecendo naquele local, com a participação de pessoas de outros estados, como se não fosse algo ilegal.

Mothé ficou impressionado com o que viu. O ingresso no Clube Privê Cinco Estrelas custava R$ 500. As apostas feitas quinta chegavam a R$ 50 mil e o preço dos galos de briga — foram apreendidos 80 deles — não saía por menos de R$ 2 mil. Dois carros estavam reservados para os vencedores do concurso.

Todos os presos foram autuados por três crimes: artigo 287 (apologia de crime ou fato criminoso) — no local foram encontrados diversos cartazes anunciando as brigas de galo — e art. 288 (formação de quadrilha) do Código Penal, além do artigo 32 (maus tratos a animais) da Lei 9605/98 (Crimes ambientais). Além de Duda Mendonça e do vereador Jorge Babu, foram presos em flagrante José Daniel Tosi, de 80 anos, o advogado Eduardo José de Arruda Buregio; o engenheiro Alberto Juramar Lemos Andrade; e o fiscal de renda aposentado Alamino Lacalle.

Marcelo Auler

é repórter da sucursal do Rio de Janeiro de O Estado de S.Paulo.

Marcelo Mateus disse:
22 de outubro de 2004 às 19:55

Será que algum advogado tributarista poderia me ajudar?

Tenho um processo trabalhista que se encontra em uma situação muito esquisita. O juiz determinou que fossem liberados cerca de R$ 72.000,00 para mim e
R$ 28.000,00 de imposto de renda. Acontece que a empresa não se manifestou para recolher os
R$ 28.000,00 para a receita federal. Meu advogado ja fez petições para que o proprio juiz mande o Banco do Brasil, onde está a conta judicial, recolher o imposto. O juiz diz que não irá recolher sem a concordancia da empresa. Minha pergunta é: Se esse imposto não for recolhido ainda este ano como poderei fazer minha declaração de imposto de renda no ano que vem? De quem é a responsabilidade em fazer o recolhimento, do juiz ou da empresa?

LUÍS disse:
22 de outubro de 2004 às 22:04

Nicanor, o seu advogado é certamente a única pessoa certa para te aconselhar, e vc deve conversar com ele. Em casos como estes, o que costuma prevalecer é o fato de que houve retenção, o que é suficiente para você declarar que recebeu tanto e tanto foi retido. Ou seja, se o juiz vai recolher ou não é problema da União com ele, já que o importante na declaração é a pessoa dizer quanto recebeu e quanto foi retido (e não necessariamente recolhido). Por exemplo: vc pode receber o salário da empresa e vir escrito no contra-cheque que foi retido na fonte. Vc não precisa saber se o patrão recolheu ou não, você tem de declarar que houve a retenção, e o problema é da União e do seu patrão... Mas, como disse, o seu advogado é a pessoa indicada para te aconselhar, porque é ele que conhece os autos e é o seu procurador regularmente constituído. Aproveite e peça para ele ver se, no seu caso, há jeito de questionar o valor da retenção. Há juízes do trabalho que entendem que verbas indenizatórias e juros não são sujeitos ao IR. E há os que entendem, ainda, que pelo fato do patrão não pagar mensalmente você foi prejudicado na alíquota, e transferem ao empregador o encargo. E há casos de ações na Justiça Federal questionando o imposto também bem sucedidos. Portanto, converse com seu advogado e boa sorte, quem sabe, no seu caso concreto, algo não pode ser feito? Ele certamente está estudando isto tudo.

LUÍS disse:
23 de outubro de 2004 às 01:47

O incrível da reportagem é que diz que o tal clube funciona a 18 anos. É mole!

Rubens Vieira disse:
23 de outubro de 2004 às 15:36

A Polícia Federal não tem competência, em princípio, para apurar esse tipo de delito.
Ademais, ainda que tivesse, utilizar 40 (quarenta) policiais fortemente armados para prender promotores de brigas de galo, fere os princípos da Administração Pública. Mais: Chega a ser ilógico!
Tudo leva a crer que a operação fora armada para "pegar"o senhor Duda Mendonça. Se o clube já existia há 18 (dezoito) anos, por que só agora a investigação? A imprensa não acompanharia a "puliça" se não tivesse garantias de que alguém famoso fosse flagrado.
É lamentável que o pouco aparato policial que temos seja desvidado de sua finalidade.

Alfredo Júnior disse:
23 de outubro de 2004 às 17:45

Loucura, Loucura, Loucura! Mais uma doidice de alguns ligados ao Governo. É o Pode Tudo...

Indignada disse:
25 de outubro de 2004 às 15:25

Tentem conseguir fiança para o crime de formação de quadrilha para qualquer um do povo e veja se consegue. Este é o único caso que já vi isso acontecer. Tirem as conclusões que quiserem.

Tiger Siberian disse:
29 de outubro de 2004 às 12:57

Tudo gente boa pq forasm presos?
E pq foram presos apenas 6 dos 200?
A que tudo indica que Druida Merdonça e seus amigos eram os sócios do clube por isso foram presos. hahaha!!!

Gilberto Oenning disse:
24 de dezembro de 2004 às 19:02

Tudo não passa de pura hipocresia....
Haaaaa. se neste País, a fossem levar as coisas mais a sério.
O poder público, meu caro promotor, esta podre , sem vergonha e hipocrita... e eles ainda fogem da reforma do Judiciário, e da Súmula Vingulante... V.Sa. tem muita razão, que o mesmo teria tomar vergonha.... A imprensa, a PF, gostam muito de aparecer..... Tinha muita razão, aqueles presidente francês que disse: O Brasil não é um país sério.
Ainda teve algum imbecil, que ficou indignado, com De Goll.
Não acham.... pensem reflitam....
Quando Vc. vê tbem aquele caso rescente das Loterias... da casa Civil/ do poderoso.....Cadeia é mesmo para pobre, p.,v. e negros..... Tudo é um caso de cultura, educação....e respeito.... Os agentes polítcos têm.?????
Se eu tivesse o poder economico daquele cidadão, compraria uma cobertura e faria uma rinha particular.... O Mundo é cão, desde o tempo de Aristóteles.... e ..Platão ..os demais..Hitle. Bushs, e da santa inquisição, que não tinha nada de santa ...
Muita hipocresia mesmo.....

FARIA disse:
04 de janeiro de 2009 às 13:11

Gostara de ver noticias do tipo: A PM ou PF prenderam 06 traficantes, ou ladrões, homicidas, etc, mais infelizmente eles ñ tem tempo, estão ocupados demais com rinhas de galo.

Você precisa estar logado para enviar um comentário.

Leia também