Marco Aurélio protesta contra corte de verba do TSE

“A administração do Tribunal Superior Eleitoral cabe ao presidente da Corte” e o assessoramento do Conselho Nacional de Justiça nessa tarefa é completamente desnecessário. Este é um trecho do ofício enviado na terça-feira (5/12) à presidente do Conselho Nacional de Justiça, ministra Ellen Gracie, pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Marco Aurélio, protestando contra um corte de R$ 18 milhões no orçamento do tribunal que ele comanda.

Num ofício de três parágrafos, além de criticar a forma de comunicação do Conselho — o corte foi anunciado pelo secretário-geral do CNJ ao diretor-geral do TSE — Marco Aurélio sustenta que a medida “afronta cabalmente o texto do artigo 99 da Constituição Federal, que assegura autonomia administrativa e financeira ao Poder Judiciário”.

Marco Aurélio contesta também a Competência do CNJ, que segundo ele “restringe-se ao controle da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos juízes não abrangendo o desempenho da atividade administrativa em si mesmo”. O ministro conclui ressaltando que é “de todo desnecessário o assessoramento desse Conselho”.

O corte

A indignação no TSE com o corte não decorre apenas pela forma descortês e ao arrepio da lei como foi feita, mas principalmente pela convicção de que o tribunal está pagando pela imprevidência de outros órgãos do Judiciário federal.

No final de 2005, como resultado de negociações entre o Supremo Tribunal Federal, representando o Judiciário, e o Executivo, ficou estabelecido que a Justiça Eleitoral teria um orçamento de R$ 78 milhões para implantar seu plano de cargos e salários. Com a implementação das Leis 10.842 (que cria cargos nos cartórios eleitorais de todo o país) e 11.202 (que cria cargos nas secretarias dos tribunais regionais) houve um provimento adicional de 3.000 cargos na Justiça eleitoral, gerando despesas não previstas no orçamento de mais R$ 25 milhões.

No encerramento do orçamento do Judiciário no CNJ, contudo, constatou-se que as contas não fechavam. Constatou-se que tanto o Tribunal Superior do Trabalho como o Superior Tribunal de Justiça haviam usado recursos do orçamento para cobrir despesas de exercícios anteriores. Determinou-se então um novo corte no “crédito suplementar para atender a despesas com pessoal”. No caso do TSE, os R$ 78 milhões viraram R$ 60 milhões.

Ao comunicar o corte, o secretário-geral do CNJ, ainda faz uma advertência de que despesas não previstas no orçamento só podem ser feitas com autorização prévia do Conselho.

Leia o ofício do presidente do TSE para a presidente do CNJ, e o oficío que comunica o corte de despesas do TSE:

Ofício nº 8.021

A Sua Excelência a Senhora

Ministra Ellen Gracie

Presidente do Conselho Nacional de Justiça

Brasília – DF

Senhora Presidente,

Em atenção ao Ofício n° 769/SG, estranha e equivocadamente dirigido ao Diretor-Geral do Tribunal Superior Eleitoral, consigno que:

1- Os valores anteriormente acordados para atender a despesas com pessoal e encargos sociais da Justiça Eleitoral neste exercício foram alterados sem o prévio conhecimento desta Corte.

2- Tal procedimento afronta cabalmente o texto do artigo 99 da Constituição Federal, que assegura autonomia administrativa e financeira ao Poder Judiciário, carecendo o Conselho de competência para atuar em substituição aos Presidentes dos Tribunais Superiores.

3- Consoante dispõe o § 4° do inciso XII do artigo 103-B da Carta da República, a competência do Conselho Nacional de Justiça restringe-se ao “controle da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos juízes (…)”, não abrangendo o desempenho da atividade administrativa em si mesma. Ressalto que a administração do Tribunal Superior Eleitoral cabe ao Presidente da Corte, afigurando-se de todo desnecessário o assessoramento desse Conselho.

Atenciosamente,

Ministro Marco Aurélio

Presidente

Leia o ofício do CNJ para o TSE

Oficio nº 769/SG

A Sua Senhoria o Senhor

ATHAYDE FONTOURA FILHO

Diretor-Geral do Tribunal Superior Eleitoral

Brasília-DF

Senhor Diretor-Geral,

Reporto-me ao Ofício SOF/MP nº 177, de 4/12/2006, e tendo em vistas as negociações realizadas entre o Supremo Tribunal Federal, o Conselho Nacional de Justiça e o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão referentes ao crédito suplementar para atender a despesas com pessoal e encargos sociais do Poder Judiciário da União neste exercício, informo a Vossa Senhoria que coube a esse Órgão o valor de R$ 60.259.00,00, sendo:

Pessoal e Encargos SociaisValor (R$ 1,00)

Ativos/Aposentadorias/Pensões — 56.446.000

Patronal — 3.813.000

Total60.259.000

2- Esclareço que o respectivo montante destina-se ao atendimento das seguintes despesas:

a) Déficit da folha ordinária.

b) Implantação do Plano de Cargos e Salários — PCS.

c) Antecipação de férias (salário, abono e 13º salário).

3- As informações relativas aos créditos desse Órgão deverão ser encaminhadas à SOF/MP, impreterivelmente, até o próximo dia 6/12/2006, detalhadas por ação e unidade orçamentária.

4- Por oportuno, informo a Vossa Senhoria que para quitação de despesas não previstas na Lei Orçamentária e nos créditos adicionais faz-se necessária a manifestação prévia deste Conselho.

5- Quanto aos passivos decorrentes de decisões administrativas e judiciais o Supremo Tribunal Federal e o Conselho Nacional de Justiça promoverão negociações junto ao Poder Executivo para viabilizar o pagamento dos respectivos débitos.

Atenciosamente,

Sérgio Renato Tejada Garcia

Juiz Auxiliar da Presidência

Secretária-Geral

Maurício Cardoso

é diretor de redação da revista Consultor Jurídico.

Zito disse:
06 de dezembro de 2006 às 17:45

ORA SENHOR PRESIDENTE.
SUA EXA. DIAS ANTES DAS ELEIÇÕES O SENHOR DISSE QUE OS CONTRIBUINTES É O PATRÃO DO GOVERNO: FEDERAL, ESTADUAL E MUNICIPAL, DEMAIS AUTARQUIAS.
PORQUE, DESSA BRIGA.
ESTOU DE OLHO EM TODOS.

Armando do Prado disse:
06 de dezembro de 2006 às 18:21

...hum, hum se as altas cortes não se entendem, desconfio que estamos no mato sem cachorro.

CNJ aguenta firme, pois tirando os excessos de querer legislar, vocês estão indo bem.

FREUD disse:
06 de dezembro de 2006 às 18:52

Sei não...

Tem muito cacique pra pouco índio no Poder Judiciário.

Parece-me uma terra sem lei, onde quem grita mais leva...

Essas "brigas" dos órgãos do judiciário rendem mais do que novelas mexicanas...

Vejam que estourou o orçamento.

O cobertor, que já é largo neste Poder, ficou curto.

Alguém deveria comprar os direitos autorais disto e vender pra TV a cabo.

A.G. Moreira disse:
06 de dezembro de 2006 às 21:52

É Lastimável que quem preside o "malfadado" CNJ seja a mesma pessoa que preside o STF .

Assim , vamos muito mal .

Creio mesmo que, por tanta "burrada" cometida , esse CNJ vai ficar tão vazio de poder e tão sem expressão , que nem o pipoqueiro da esquina quererá fazer parte dele !

aroldinho disse:
06 de dezembro de 2006 às 23:10

O CNJ que é um filho adotado pelo próprio judiciário quer agora se insurgir contra esse.Não se sabe até agora o que de fato esse CNJ fez de útil, mas do contrário, se sabe dos vexames e desentendimentos que está provocando.Adotaram um singela criancinha para por um clima de paz, e essa rapidamente se transformou em um monstrinho, teimoso e intransigente.

Michael Crichton disse:
07 de dezembro de 2006 às 00:04

A gestão Ellen Gracie não deixará saudades.

Daniel disse:
07 de dezembro de 2006 às 00:40

O CNJ não foi adotado, não. Trata-se de uma criação dos legisladores para tentar fritar o Judiciário. Lá tem de vendedor de livros metido a constitucionalista À esta senhora que todos vêem. De tudo um pouco!

Paulo Jorge Andrade Trinchão disse:
07 de dezembro de 2006 às 01:28

Creio que muitas das opiniões flagrantemente se distanciam do bom senso. Em verdade, o CNJ é um órgão legítimo, e tem sim, todo direito legal de interferir nas demais cortes de justiça deste país. Ora pois, tanto se falava na famigerada "caixa preta" do judiciário, e quando oportunamente surge um órgão efetivo(e legítimo!!!) a coibir históricas mazelas, estranhamente se "mete o pau"! Se oponiões de leigos tudo bem, mas de colegas, é simplesmente inaceitável...

allmirante disse:
07 de dezembro de 2006 às 08:18

São cortes de Justiça ou de Economistas?

dinarte bonetti disse:
07 de dezembro de 2006 às 08:55

Mais uma vez o ¨polemico¨ ministro Marco Aurelio se apresenta. Mexer com a caixa preta do judiciario, nem pensar, mormente ao se bulir com verbas. E o povo, o desenvolvimento, a necessaria ética nas proporções do bolo a ser distribuido, aonde ficam? Ou sera que o Judiciario esta isento dessas firulas?
QUEREMOS OU NAO UM NOVO PAIS? ou é conversa de botequim?

Carlos o Chacal disse:
07 de dezembro de 2006 às 09:02

Deviam começar cortando o salário desse presidente collorido do TSE.

Ferraz de Arruda disse:
07 de dezembro de 2006 às 10:00

O pior de todos os julgamentos é o ideológico, porque ele foge do debate racional, inteligente e equilibrado. Não raro julgamentos ideológicos são informados por pensamentos absolutamente lineares ou por estigmas autoritários. Marco Aurélio é um dos poucos ministros do STF que tem a exata dimensão do justo constitucional. Exemplos de sua independência: taxa Selic e ICMS na ebergia elétrica. Mas os tolos fazem o jogo exatamente daqueles que eles supõe atacar. A ideologia é o poder soberano. É ela que governa esse País.

Dr. Marcelo Galvão SJCampos/SP - www.marcelogalvao.com.br disse:
07 de dezembro de 2006 às 10:42

Cade o Acesso a Justiça como um todo? Cade a finalidade da norma criada pelas introduções trazidas pela EC/45?

gilberto prado disse:
07 de dezembro de 2006 às 14:46

O presidente do TSE tem o prazer de estar sempre pautado na midia.A justiça eleitoral que na realidade funciona a cada dois anos e mesmo assim de forma ineficiente, deseja contruir um prédio de luxo para abrigar seus inquilinos.Comparando-se a administração familiar, quando não tem orçamento, corta as despesas, é dessa forma que deveria agir o pomposo Ministro.Construir, fazer com dinheiro dos outros é muito facil.

FREUD disse:
07 de dezembro de 2006 às 19:54

O problema é que tem muita estrelinha querendo aparecer.

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