As obras começaram em 1998. Na verdade, se contarmos o ano em que Oscar Niemeyer entregou o projeto, a nova sede do Tribunal Superior do Trabalho começou a se materializar em 1993. Mas, se há controvérsia quanto ao começo, não há quanto ao fim. O dia primeiro de fevereiro marca a entrega do novo prédio da mais alta Corte da Justiça trabalhista.
Para os advogados, a inauguração tem uma celebração a mais. O antigo prédio do TST, na praça dos tribunais em Brasília, ficava em um local onde as vagas para estacionar eram escassas, para não dizer disputadas a tapa. Com a nova estrutura, um dos pesadelos para que os que militam na área trabalhista poderá ter chegado ao fim.
“Antes, os advogados dispunham de pouco conforto. Agora, o TST vai oferecer cerca de mil vagas ao público no estacionamento externo”, diz o diretor-geral da coordenação judiciária, Valério Augusto Carmo.
O projeto do TST prevê, ainda, uma sala ampla para os advogados. No entanto, segundo Augusto Carmo, haverá outros benefícios. “O protocolo contará com um layout diferenciado, o que vai facilitar o trabalho de quem nos procurar”. O secretário-geral lembra que os espaços nos balcões de atendimento também foram ampliados, o que evitará os acotovelamentos na hora de ver os processos.
Para os advogados que precisam do TST, mas estão à distância, haverá a manutenção dos equipamentos de fax e de peticionamento eletrônico — este último inaugurado no segundo semestre de 2005.
Apesar de algumas polêmicas que envolveram a construção da nova sede do TST, pelo menos duas vantagens são incontestáveis: economia e celeridade. A área de 90 mil metros quadrados acaba com a necessidade de aluguel de três prédios — localizados no setor de abastecimento norte, para onde os autos eram levados — e barateia os custos com a infra-estrutura necessária para esse procedimento.
Na sistemática anterior, os autos eram submetidos ao seguinte trâmite (no caso dos recursos, cujo percentual em relação ao total de processos do TST é de 80%):
– Eram enviados dos tribunais regionais do trabalho para o TST;
– Ao chegar à sede da corte, eram enviados para um dos três prédios alugados, a cerca de 15 quilômetros de distância;
– Após a autuação eram distribuídos e enviados novamente à sede (mais 15 quilômetros);
– Como os gabinetes dos ministros não tinham espaço para armazenar todos os processos, eram enviados novamente ao setor de abastecimento, em espaços destinados a cada ministro (mais 15 quilômetros);
“Os custos com o deslocamento, segurança do prédio, locação e energia vão, seguramente, diminuir muito”, avalia Augusto Carmo.
Outro problema resolvido pela nova sede é o de espaço para os novos ministros que integrarão a corte. Isso porque a Emenda Constitucional 45 (reforma do Judiciário) ampliou de 17 para 27 o número de juízes no tribunal. No entanto, a escolha dos nomes foi protelada em razão da ausência de espaço físico para receber os escolhidos. Se confirmada a escolha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deverão assegurar seus gabinetes no TST os juízes Horácio Pires, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, Alberto Bresciani e Rosa Maria Weber.
A ampliação dos quadros do TST, e de seu espaço físico, justifica-se, entre outros, pelo descompasso entre a demanda a que vem sendo submetido o tribunal e a infra-estrutura que tem. “A estrutura que tínhamos era da década de 70”, conta Augusto Carmo.
Segundo dados apresentados à Consultor Jurídico, entre 1970 e 1975, em média, o TST recebia 10 mil processos ao ano. Entre 2001 e 2004, a média anual pulou para 120 mil ações. Com a inauguração da nova sede, os integrantes da Corte tentarão minimizar a atual disparidade.
A nova sede do TST, além de servir de estorvo a vista de paisagem do STJ, representa mais um palácio nababesco e perdulário da justiça. Interessante a contradição: os carroceiros catadores de lixo com seus cavalinhos decrépitos, passando à frente destes prédios como a dizer: "Estou aqui catando lixo porque o dinheiro que iria me resgatar foi aplicado ali, naquele palácio de vidro!".
Vai mal o Brasil, ao invés da extinção da justiça do trabalho como tribunal autônomo, tornando-se apenas uma vara especializada, o que se vê é a sua corporificação cada vez maior. Para dar coerência a justiça do trabalho poderiam criar o tribunal de família, com o TSF, a justiça tributária, etc. Quantos cargos de presidente, de corregedor, cargos de chefia, gratificações, etc não seriam criados?
Realmente o TST estava precisando de um espaço melhor. Já tive a oportunidade de estagiar lá dentro e ver como advogados e funcionários sofriam com a falta de estrutura.
No entanto, a justiça continua carente de melhorias que vão além das medidas estruturais de um edifício. A morosidade e ineficiencia da justiça para lidar com um volume monstruoso de processos.
Um Gabinete pode possuir mais de 8 mil processos em espera de julgamento. Isso representa no mínimo dois anos de espera.
Então... do que vale o belo se ele não da conta do serviço?
Parabêns aos servidores do TST que terão um ambiente mais sudável para trabalhar, pena que isso não faça milagre!!!
Fico muito feliz com a nova estrutura preparada para os servidores e profissionais da área no TST. Vocês e nós merecemos. Isso é fato.
Acho que não devemos ser nem 8 nem 80. É hipocrisia falar-se em contradição, em catadores de lixo, palácio de vidro, sendo que a mudança vem de dentro. De quem cata o lixo, mantendo-se num destino igual todo dia..., sem nenhuma mudança, achando que é outro que tem que mudar a sua vida, e não ele; do advogado que sempre recorre, mantendo o deu destino imutável, sem muitas vezes nem ter tentado um acordo e com isso atola o poder judicário de processos, pois recebe por peça. E isso se aplica a todos os tribunais, áreas profissionais, relacionamentos, tudo. De que vale a sua vida, se se chega a um determinado ponto e acha que não se tem mais escolhas? Ou pior, que a escolha deve ser feita por outro, pois ele que é o culpado dos seus problemas ou você é que sabe resolver todos os meus problemas!!! Será que realmente é assim???? Ou quem cuida da minha vida sou eu! Eu quem faço as minhas escolhas... e só assim deixo de me incomodar com coisas pequenas e aprecio o belo.
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