Juiz potiguar dá lição de como julgar com rapidez

Um processo que envolve 14 pessoas, entre elas seis italianos, acusadas de traficar brasileiras para se prostituírem na Europa, de lavagem de dinheiro, falsificação de documentos, entre outros delitos, teve a fase de instrução praticamente encerrada em pouco mais de dois meses. O feito, inimaginável para os padrões brasileiros, é do juiz federal Walter Nunes da Silva Junior, da 2ª Vara Criminal Federal de Natal.

Na última sexta-feira (27/1), quando terminou, no início da noite, a audiência de inquirição de duas testemunhas estrangeiras no processo 2005.84.010012-2, o juiz praticamente encerrou a fase de instrução, apesar de estarem envolvidos 14 réus e 20 testemunhas.

Na realidade, antes de receber as alegações finais das partes, ele ainda depende de uma precatória a ser cumprida em Goiânia, quando a última — e principal — testemunha do caso será ouvida. Mas isto deve ocorrer nos primeiros dez dias de fevereiro, durante suas férias acumuladas de dois meses, quando fará também sua campanha para a Presidência da Ajufe — Associação Nacional dos Juízes Federais. Assim, pelos seus cálculos, ao retornar à Vara em abril, o processo poderá receber sentença, sendo concluído na primeira instância em menos de seis meses.

Não chega a ser um recorde do juiz Walter Nunes, que aos 42 anos acumula a experiência de advogado (formado em 1986), promotor, procurador da República, juiz de direito e, há 14 anos, juiz federal. Nesta mesma Vara, ele tem outros casos de rapidez no andamento dos processos que contrastam com tudo o que se critica quanto à lerdeza do Judiciário Brasileiro.

Em 2002, por exemplo, entre o recebimento da denúncia (processo 2002.84.00008247-7) contra os réus Eduardo Antônio Palácio Montila e o menor C.M.C, pelo crime de tráfico internacional de drogas, e a sentença que condenou o primeiro a oito anos de cadeia e o segundo a seis anos, foram gastos exatos 38 dias. O processo foi autuado em 15 de outubro e a sentença é datada de 7 de novembro. Não foi uma exceção.

Há vários outros processos naquela Vara com tramitação incrivelmente rápida. Em outubro passado a Vara transformou-se em criminal. Hoje, ali tramitam 555 processos e outros 727 inquéritos. Mas ainda não foi feito um levantamento que permita dizer ao certo a média da demora destes feitos.

A rapidez nos trabalho é explicada pelo próprio juiz como resultado de uma preocupação básica: não deixar o processo muito tempo na secretaria da Vara. “Normalmente os autos ficam pouco tempo nas mãos do juiz e muito tempo na secretaria. O que fizemos foi racionalizar este tempo. É tudo uma questão de técnica gerencial”.

Esta racionalização o leva a, ao receber a denúncia, marcar as datas de todas as audiências de uma só vez, o que faz com que as intimações sejam feitas todas juntas, sem perda de tempo de citações e intimações. Assim, quando do interrogatório dos acusados, já se sabe quando serão os depoimentos das testemunhas, ainda que elas só venham a ser arroladas três dias depois, na entrega da defesa prévia.

Tecnologia na Justiça

Outra prática adotada por Walter Nunes é a de marcar um único dia para o depoimento de todas as testemunhas, mesmo nos casos volumosos, como do processo por tráfico de mulheres. Para poder fazer esta maratona de oitivas — 14 réus em um dia, 17 testemunhas em outro — o juiz aplica outra inovação na sua Vara: as gravações.

Através de um software adquirido a seu pedido pela Justiça Federal do Rio Grande do Norte, e com o auxílio de alguns microfones, todos os interrogatórios e depoimentos prestados em juízo são gravados no disco rígido do computador. A idéia da compra do software foi dele, mas a Justiça Federal disponibilizou-o para todas as Varas. Ainda assim, ele é o único a utilizá-lo. Sem as gravações, como admitem os próprios técnicos judiciários da 2ª Vara Federal, não seria possível realizar todos estes interrogatórios em um dia.

Para fazer a degravação dos depoimentos, que ainda não é possível eletronicamente, o juiz resolveu o problema com um comissionamento. Colocou um servidor para fazer a tarefa e deu-lhe um comissionamento na carreia. Há ocasiões, porém, em que recorre ao mutirão. Foi o que aconteceu no interrogatório dos 14 réus acusados do tráfico de mulheres. Ele contou com a ajuda de mais cinco servidores que lhes garantiram a total transcrição dos 14 depoimentos, em 150 laudas, em três dias de trabalho.

A audiência foi na quinta-feira, dia 1 de dezembro, e durou das 8h às 21h (a audiência das testemunhas foi mais rápida, acabou às 16h), mas já na segunda-feira, dia 5, o juiz tinha em mãos para revisar todas as 150 laudas. Mais ainda, dispunha do texto digitalizado o que lhe permite até repassá-lo a quem se interessar por meio eletrônico, sem a necessidade de cópias xerox.

A questão da degravação foi levada em conta na hora da compra do software. O próprio juiz fez uma pesquisa e encontrou uma outra opção que, segundo diz, é usada no Rio Grande do Sul: o processo de digitalização por estenotipia. Trata-se de um estenótipo (máquina dotada de teclas pára a transcrição estenográfica de palavras) acoplado ao computador, com um software que traduz a linguagem da estenotipia.

Walter Nunes, porém, concluiu que o equipamento era mais complicado, exigiria dos técnicos encarregados do serviço um curso de duração de seis meses e, ainda por cima, sujeitaria os servidores às mazelas da LER — Lesão por Esforço Repetitivo. “Não era recomendando até por questões de saúde”, explica. E acrescenta: “uma de nossas preocupações é humanizar o serviço”. Mas ele é daqueles que acreditam que em pouco tempo surgirá no mercado a solução para que a degravação seja feita pelo próprio computador. “É uma questão de tempo”, sentencia.

O juiz já tentou adotar nas suas audiências uma outra novidade tecnológica: a vídeo-conferência. Ele não esconde uma certa frustração por não ter conseguido utilizar mais esta engenhoca eletrônica moderna. Em ambos os casos, não foi por responsabilidade sua. A primeira tentativa se deu através de um pedido de cooperação internacional da Justiça holandesa para que fosse ouvido como testemunha Aiwan Mohamed Gavaar Gulzar, que se encontra preso em Natal cumprindo condenação por tráfico de drogas.

A própria juíza de Roterdã sugeriu a vídeo-conferência mas, apesar disto, a impossibilidade na realização foi provocada pela Justiça holandesa já que, para surpresa do juiz potiguar, o sistema de informática deles funciona com conexão de linhas discadas e não em banda larga, o que inviabilizaria a vídeo-conferência.

“Fiquei surpreso em ver que estamos muito mais adiantados que eles, inclusive no acompanhamento judicial, que lá não é feito como aqui”, confessa o juiz. Pensou-se em fazer a adaptação dos sistemas, mas acabou não sendo necessário por conta da recusa da testemunha em depor. Atendendo ao que preconiza a legislação holandesa, o juiz marcou duas audiências. Na primeira a testemunha é colocada a par do processo e questionada se quer testemunhar. Havendo a concordância, o depoimento é marcado para um novo dia. Neste caso específico o holandês se recusou a prestar o depoimento.

A segunda tentativa de uso da vídeo-conferência foi no processo dos italianos acusados do tráfico de mulheres. Como um dos réus arrolou duas testemunhas que estavam na Itália, o juiz no seu despacho em que determinou o pedido de cooperação internacional à Justiça italiana, previu a consulta sobre a possibilidade de se feita uma vídeo-conferência. No caso, o juiz italiano ouviria as testemunhas, em uma audiência transmitida ao vivo para o Brasil. Mas o interrogatório acabou sendo realizado sexta-feira, em Natal, onde as testemunhas estavam a passeio e concordaram em dar logo o testemunho.

O uso dos pedidos de cooperação internacional, com base na Convenção de Palermo da qual o Brasil é signatário, tem sido prática nas ações presididas pelo juiz Walter Nunes. Ele prefere esta cooperação às tradicionais Cartas Rogatórias, principalmente quando o caso envolve lavagem de dinheiro, crime sobre o qual se debruçou a Convenção de Palermo. Para ele, este tipo de cooperação tem tido mais agilidade nos trâmites judiciários internacionais.

O juiz potiguar também inovou no trato com os jornalistas. Nos casos de processos públicos ele não impede a presença de jornalistas, mesmo quando há necessidade de se manter segredo sobre quem depõe. Ao ouvir, por exemplo, testemunhas que a pedido do procurador não deveriam ter seus nomes divulgados, ele liberou a participação dos repórteres, impedindo apenas fotos e filmagens, mas recomendando que os nomes de tais testemunhas jamais fossem divulgados. Até hoje, as identidades destas testemunhas são mantidas em segredo.

Marcelo Auler

é repórter da sucursal do Rio de Janeiro de O Estado de S.Paulo.

olhovivo disse:
30 de janeiro de 2006 às 15:09

Sem dúvida é um exemplo a ser seguido no Judiciário brasileiro. Porém, outro problema grave a ser discutido e enfrentado, principalmente na Justiça Federal, é o medo de se conceder direitos ou reconhecer a inocência de acusados rotulados pela PF ("operação isso", "operação aquilo") e escrachados na mídia. Ao invés de aplicarem a lei e seus conhecimentos técnicos, muitos juízes se limitam a chancelar e lavar as mãos.

Mário de Oliveira Filho disse:
30 de janeiro de 2006 às 19:59

Depois de ler atentamente a matéria, lembrei-me de recente decisão do TJSP, por sua 5a. Câmra Criminal, denegando ordem de mandado de segurança onde se requeria permissão para o advogado gravar a audiência de istrução em um processo criminal.
Há recurso para o STJ, a cargo do competente e combativo Dr. David Teixeira de Azevedo, vice-presidente da Comissão de Direitos e Prerrogativas.
Enquanto alguns investem tempo e a capacidade própria em alternativas modernas, alguns membros da magistratura paulista ainda insistem em costurar autos.....

Dalben disse:
31 de janeiro de 2006 às 08:19

Talvez fosse bem interessante que os juizes do Foro REgional da Lapa-SP se espelhassem no exemplo acima, arregassassem as mangas e resolvessem voltar ao trabalho, fazendo movimentar os processos sob suas custódias. Enquanto alguns poucos bons profissionais fazem de tudo para elevar o bom nome que sempre teve o judiciário, me parece que a maioria dos servidores judiciários estão fazendo pouco caso com os problemas jurídicos dos jurisdicionados. Sr. Juizes do Foro da Lapa-SP: está ai um bom exemplo para ser seguido. Justifiquem seus ganhos mensais. Parem com a esfarrapada desculpa de que "falta funcionários" . É nas horas amargas que os bons profissionais se destacam. Caso contrário, nao fazem por merecer o cargo que ocupam. Especialmente os da magistratura, que exige maior dedicação que a que esta sendo demonstrada no momento. Espelhem-se no exemplo acima.

Saburo disse:
31 de janeiro de 2006 às 09:18

A questão não é arregaÇAR as mangas. Há os bons e os ruins em qualquer profissão. Os péssimos se revelam, cedo ou mais tarde. E pelos seus próprios fundamentos acabam se excluindo.

Saburo disse:
31 de janeiro de 2006 às 09:18

A questão não é arregaÇAR as mangas. Há os bons e os ruins em qualquer profissão. Os péssimos se revelam, cedo ou mais tarde. E pelos seus próprios fundamentos acabam se excluindo.

Saburo disse:
31 de janeiro de 2006 às 09:18

A questão não é arregaÇAR as mangas. Há os bons e os ruins em qualquer profissão. Os péssimos se revelam, cedo ou mais tarde. E pelos seus próprios fundamentos acabam se excluindo.

Saburo disse:
31 de janeiro de 2006 às 09:18

A questão não é arregaÇAR as mangas. Há os bons e os ruins em qualquer profissão. Os péssimos se revelam, cedo ou mais tarde. E pelos seus próprios fundamentos acabam se excluindo.

Saburo disse:
31 de janeiro de 2006 às 09:18

A questão não é arregaÇAR as mangas. Há os bons e os ruins em qualquer profissão. Os péssimos se revelam, cedo ou mais tarde. E pelos seus próprios fundamentos acabam se excluindo.

Saburo disse:
31 de janeiro de 2006 às 09:18

A questão não é arregaÇAR as mangas. Há os bons e os ruins em qualquer profissão. Os péssimos se revelam, cedo ou mais tarde. E pelos seus próprios fundamentos acabam se excluindo.

Saburo disse:
31 de janeiro de 2006 às 09:18

A questão não é arregaÇAR as mangas. Há os bons e os ruins em qualquer profissão. Os péssimos se revelam, cedo ou mais tarde. E pelos seus próprios fundamentos acabam se excluindo.

Saburo disse:
31 de janeiro de 2006 às 09:18

A questão não é arregaÇAR as mangas. Há os bons e os ruins em qualquer profissão. Os péssimos se revelam, cedo ou mais tarde. E pelos seus próprios fundamentos acabam se excluindo.

VanderlanCarvalho disse:
31 de janeiro de 2006 às 09:21

QUE DIREI EU, APÓS LER A MATÉRIA QUE BEM PODERIA SER LIDA TAMBÉM - AO MENOS - PELOS EMÉRITOS DIRIGENTES DO JUDICIÁRIO PAULISTA E TAMBÉM TOMAR CONHECIMENTO DOS OPORTUNOS DE NOBRES COLEGAS, DENTRE ELES, O EMINENTE PRESIDENTE DA E. COMISSÃO DE DIREITOS E PRERROGATIVAS DA OAB, ATÉ MESMO NOTICIANDO CASO CONCRETO. EXPLICO O PORQUE DE MEU QUESTIONAMENTO: NÃO BASTASSEM "N" CASOS DE INADMISSÍVEL MOROSIDADE COM O QUE SE SEPULTA EM VIDA O DIREITO DO TUTELADO POSTO À APRECIAÇÃO AO JUDICIÁRIO ESTADUAL, VIVO E CONVIVO COM PECULIAR NEFASTA E SÓRDIDA SITUAÇÃO CRIADA PELO DESTEMPERADO, DESESTABILIZADO E DESCONTROLADO MAGISTRADO (AINDA) TITULAR DA VARA DISTRITAL DE ILHABELA, CUJO EPISÓDIO EM QUE ME AGREDIU COVARDE E GRAVEMENTE EM AUDIÊNCIA, ENSEJOU QUE O SENSÍVEL, ZELOSO E EMINENTE CONSELHEIRO DR. ALBERTO ZACHARIAS TORON, ENTENDESSE SEJA O INUSITADO CASO LEVADO AO CONHECIMENTO DO C. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA - FATO NOTICIADO PELO PRESTIMOSO CONJUR EM 28/10/05. POIS BEM, DECORRÊNCIA DAS OFENSAS E O DECRETO DA SUSPEIÇÃO DE JOSUÉ VILELA PIMENTEL, EXISTEM ALGUNS PROCESSOS POR MIM PATROCINADOS, EM TRÂMITES NAQUELA VARA DISTRITAL NA QUAL AINDA PERMANECE, QUE ATÉ ESTA APRTE ESTÃO PARALIZADOS, À MÍNGUA DE NOMEAÇÃO DE SUBSTITUTO. E A SITUAÇÃO SE AGRAVA, NA MEDIDA EM QUE, REITERADAMENTE, VENHO CLAMANDO PELA NOMEAÇÃO DE JUIZ QUE POSSA DAR CONTINUIDADE AO PROCESSAMENTO DE ALGUNS FEITOS E INÍCIO A OUTROS NOVOS (DISTRIBUI UMA POSSESSÓRIA COM PEDIDO DE LIMINAR EM OUTUBRO/05, QUE AINDA SEQUER RECEBEU AQUELE - ÀS VEZES ATÉ POR CARIMBO - "D., R. E A, CLS."). TAMBÉM 2 PEDIDOS DE EXPLICAÇÕES DISTRIBUÍDOS HÁ MESES, ESTÃO NA MESMÍSSIMA CONDIÇÃO. COINCIDÊNCIA OU NÃO, NESTA PRECISA DATA ESTOU REITERANDO OS CANSATIVOS PEDIDOS DE NOMEAÇÃO DE MAGISTRADO PARA OFICIAR EM DEZENAS DE IGUAIS FEITOS, COM CÓPIA PARA: CNJ, PRESIDÊNCIA DO CONSELHO FEDERAL DA OAB, PRESIDÊNCIA DA SECCIONAL PAULISTA DA OAB, PRESIDÊNCIA DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ADVOGADOS, PRESIDÊNCIA DA ASSOCIAÇÃO DOS ADVOGADOS DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS e DR. ALBERTO ZACHARIAS TORON, TENTANDO ASSIM, VER QUEBRADO O ELO DA PERVERSA CORRENTE QUE MANTÉM O ESTIGMA COM O QUE SE NEGA A TUTELA E SE RECUSA A JURISDIÇÃO, NOS FEITOS ESTAGNADOS POR TANTO TEMPO.
VALHA-NOS DEUS!

Leonardo Almeida disse:
31 de janeiro de 2006 às 09:31

Identifico dois elementos fundamentais na atividade do referido Dr. Walter: CONSCIÊNCIA SOCIAL e AMOR À PROFISSÃO = COMPETÊNCIA.

Laercio Doalcei Henning disse:
31 de janeiro de 2006 às 09:51

O triste mesmo é saber que a regra virou exceção, onde a celeridade vira notícia!

Mauro Garcia disse:
31 de janeiro de 2006 às 10:04

A matéria tem um "quê" de promoção pessoal ( o MM Juiz é candidato a um cargo eletivo). Porém, nossas homenagens ao Magistrado por respeitar o art. 5º, LXXVIII da CF. Merece o reconhecimento dos operadores do direito de todo o Brasil.

Bacharelanda em Direito disse:
31 de janeiro de 2006 às 10:07

Parabéns ao Magistrado referido, sem olvidar de seus funcionários que, sem dúvida, o auxiliam para que obtenha tal êxito. Importante, ainda lembrar, sem qualquer desmérito ao trabalho do Magistrado, claro, que certamente Natal não é uma cidade do tamanho de São Paulo, geograficamente falando (temos bairros que distam 40, 50 km do centro da cidade), que não dispõe dos problemas de transportes e naturais (chuvas), bem como de trânsito emperrado que temos por aqui, o que facilita o comparecimento de partes e escolta de presos até o fórum, seja ele federal ou estadual. Sem olvidar, ainda, que o Governo Federal, como se depreende da matéria e de outras aqui já publicadas, investe na Justiça Federal (aquisição de softwares, comissionar funcionário, pensar em algo que humanize o trabalho)o que não acontece de forma tão intensa nos Estados. Acredito que é um modelo a ser seguido, adequando-se-o às realidades de cada Estado, de cada Capital ou cidade, porque não vivemos no país de Alice e sim no Brasil. Por fim, acredito que laborar na Justiça é uma missão de vida e, certamente, todos que o fazemos, independentemente do cargo, assim o fazemos por questão de amor ao próximo, ainda que não cônscios disto. É ato de abnegação.

joão disse:
31 de janeiro de 2006 às 10:47

Eis aí uma prova viva de que não é necessário reformarem-se leis processuais a torto e a direito.

Basta vontade de trabalhar. E trabalhar racionalizando o serviço.

Parabéns ao juiz potiguar. Pena que seja uma gota num copo d'água.

Franklin disse:
31 de janeiro de 2006 às 11:32

Parabéns ao Juiz pelo dinamismo, empenho e dedicação. É com este tipo de atitude de profissional abnegado que se melhora a justiça no Brasil.

Marcos Hailton disse:
31 de janeiro de 2006 às 11:53

Aqui no Tribunal REgional Federal da 3.ª REgião já utilizamos o processo de colheita de depoimentos por estenotipia, lidos e acompanhados pelo relator, pelo MPF e pelos advogados das partes diretamente em monitores instalados nos respectivos lugares. É extremamente rápida a oitiva de testemunhas.

cchhrr disse:
31 de janeiro de 2006 às 12:22

É bom ver notícias boas sobre o Poder Judiciário...há muito só vemos coisas desagradáveis, como juízes participando de quadrilhas, ministros fazendo política dentro dos Tribunais, desvio de dinheiro, destinado a obras públicas, em proveito próprio deste ou daquele integrante etc.
Muito louvável a iniciativa do magistrado, otimizando os serviços daquela Vara em Natal. De parabéns ele, mesmo com um quê de marketing pessoal, como vi noutro comentário, em vista de estar se aproximando de uma época de eleições na AJUFE.
Conquanto tal pequena mancha, talvez não visível a muitos,é de elogiar os procedimentos por ele adotados.
Necessário se faz lembrar que, a bem da verdade, trabalhar com cerca de 1200 processos, e em uma Vara especializada em matéria criminal, é o sonho de muitos.
Há, na Justiça Federal mesmo, outras varas que se encontram emperradas, especialmente algumas do interior, e que não são especializadas, ou seja, julgam todo tipo de matéria, em vista de tramitarem nelas cerca de 10.000 processos, em média (Uberlândia e Juiz de Fora, em Minas, são exemplos).
Como se vê, mesmo dentro da própria Justiça Federal, há discrepâncias gritantes e, quando se fala em Varas interiorizadas no país, piora a situação mais ainda, em virtude de a "política" interna do Poder Judiciário priorizar os Tribunais e as Seções Judiciárias, localizadas nas capitais dos Estados, sobretudo quando se fala em autonomia administrativa e financeira, centralizadas nos "grandes" centros judiciários.
Voltando ao processo, repito, é sonho de muitos juízes trabalhar com cerca de 1000 ações em uma Vara ESPECIALIZADA.
Infelizmente, ainda, a JUSTIÇA não é igual para todos, mesmo dentro da própria "justiça".

Decio Esturba disse:
31 de janeiro de 2006 às 13:00

Como Presidente da Associação Nacional dos Mutuarios e Moradores ANMM/RN fico feliz que os Juizes da vara federal do Rio Grande do Norte, são destaques em dar lições de como julgar com rapidez, sou testemunho disso nos processos ajuizados contra o Sistema Financeiro de Habitação. Parabens Dr.Walter Nunes e todos os juizes federais do Rio Grande do Norte. Decio Esturba - Presidente ANMM

SILVA disse:
31 de janeiro de 2006 às 13:41

É notório que o serviço público prestado no Brasil é moroso e, por vezes ineficiente, sendo tais adjetivos atribuídos sempre ao mandatário maior, que deixa de fazer investimentos em tecnologia, contratação de servidores, etc.

Temos, porém, mais este belo exemplo de que quando há boa disposição o serviço público pode ser célere e eficiente.

Na condição de servidor público sempre verifiquei, nos órgãos onde trabalhei e nas repartições onde fui (com cidadão)que o serviço público pode e deve ser melhorado por cada servidor. Seja através da proposição de novas idéias, seja através do aprimoramento das técnicas em uso, é sempre possível fazer melhor.

Procuremos sempre pensar que estamos no mundo corporativo, onde somente os mais criativos e inteligentes emocianalmente ascendem na carreira. E assim, tenho certeza, em breve teremos acesso a serviços públicos de excelência.

Florencio disse:
31 de janeiro de 2006 às 19:54

É uma pena q ainda não tenhamos exemplos assim para citar no Rio de Janeiro. Aqui a Justiça estadual vai mais ou menos, troprça aki, levanta ali... mas a Justiça Federal, pelo amor de Deus. A simples distribuiçaõ de uma ação no Juizado Especial Federal pode demorar em torno de 90 (noventa) dias. Os processos não são encaminhados para o Juiz, permanecendo na Secretaria das Varas por um tempo interminável, o que não acontece no Rio Grande do Norte... Parabens aos juizes federais daquele Estado...

Florencio disse:
31 de janeiro de 2006 às 19:54

É uma pena q ainda não tenhamos exemplos assim para citar no Rio de Janeiro. Aqui a Justiça estadual vai mais ou menos, troprça aki, levanta ali... mas a Justiça Federal, pelo amor de Deus. A simples distribuiçaõ de uma ação no Juizado Especial Federal pode demorar em torno de 90 (noventa) dias. Os processos não são encaminhados para o Juiz, permanecendo na Secretaria das Varas por um tempo interminável, o que não acontece no Rio Grande do Norte... Parabens aos juizes federais daquele Estado...

Cereja disse:
31 de janeiro de 2006 às 21:32

Certo Mauro Garcia, embora concorrendo vaga eletiva, sendo ainda a regra virada excecao, aplausos ao Juiz e que bom que os leitores deste site não se limitam aos estudantes e operadores do direito...Vamos divulgar empenhos como este.

Fernando disse:
01 de fevereiro de 2006 às 09:58

Sem querer desmerecer o trabalho do juiz, que efetivamente deve ser excelente, mas devemos levar em conta o número quase que mínimo de feitos em andamento em sua vara... efetivamente, com este número de processos, a justiça andaria muito mais rápida. Mas isto é uma exceção das exceções, principalmente na justiça federal e no âmbito civel da mesma, onde muitas varas possuem 10.000 ou mais feitos em andamento.

Fernando disse:
01 de fevereiro de 2006 às 13:14

Sou estenotipista judiciário em SP há mais de quatro anos, usando o equipamento diariamente e, não possuo o menor resquício de LER. Pelo que sei, é muito maior a incidência em pessoas que digitam constantemente, como deve ser o caso do funcionário que degrava as fitas manualmente e, garanto, a estenotipia agilizaria o procedimento em mais de cinco vezes, no mínimo. Quanto à velocidade na instrução, como disse o Promotor de Justiça, numa Vara com 550 Processos, é muito fácil. Trabalho num cartório criminal do interior de SP, com 4.000 processos em andamento e cerca de 350 só com réus presos e, raras exceções as sentenças são dadas em menos de 90 dias.

Alexandre disse:
01 de fevereiro de 2006 às 14:00

De fato, notícias como estas não deveriam merecer espaço na imprensa, mesmo que na especializada, pois, conduta como deste Magistrado – com “M” maiúsculo – deveria ser a regra e não, lamentavelmente, a exceção, como de fato é.

Mesmo, assim, esse Magistrado de Natal é digno e merecedor de todo aplauso e atenção da sociedade, pois, sua performance deveria servir de inspiração para outras autoridades públicas (em minúsculo), para bem servir a sociedade.

Contudo, o que se observa é que surte efeito contrário, pois ataca a vaidade que, infelizmente, infla o espírito da grande maioria dos brasileiros, os quais têm seus egos feridos mortalmente quando vêem outro desempenhar bem o seu papel. Esses, logo, preocupam-se em encontram justificativas, as mais pífias, para de algum modo desvalorizar o empenho e suor daqueles que, de fato, são comprometidos com o seu deve e, mais, com o bem-estar da sociedade.

Bem por isto, o ilustre Magistrado, Walter Nunes da Silva Junior, é digno e, sem dúvida, merecedor de todos os aplausos e votos que sua conduta sirva de motivação para os demais, pois, este, sim, faz a sua parte sem esperar honrarias, confetes, mas, com a certeza que muitos tentaram desmerecê-lo, por que este sim é verdadeiramente um BRASILEIRO (todo em maiúsculo) e - mesmo diante de toda omissão, má de vontade, corrupção, etc, – não desiste nunca!

PARABÉNS, DR. WALTER NUNES DA SILVA JÚNIOR!!!!!!!!!!

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