Americanos querem experimentar urna eletrônica brasileira

O modelo brasileiro de eleições eletrônicas mereceu olas do jornalista norte-americano Michael Hickins, do site Internetnews. Para ele, o Brasil “deve se tornar o modelo para a reforma na votação eletrônica dos Estados Unidos”.

No artigo, o jornalista sustenta que máquinas de votação eletrônica estiveram sob ataque pesado nos dias que antecederam as eleições nos EUA, deixando aos votantes um desconfortável sentimento de que a vontade do povo não seria respeitada. Deforest Soaries, o ex-chefe da Comissão de Assistência às Eleições (CAE), disse que os eleitores deveriam ficar no mínimo cientes e preocupados com tal quadro.

De acordo com Soaries, as diretrizes da CAE, que ele jura ter visto, revelariam prognósticos de falha no sistema de segurança das máquinas de votação americanas. Para Soaries, o governo dos EUA errou em ter tomado para si a responsabilidade de fazer as máquinas de votação.

Ted Selker, um perito em tecnologia de votação e co-diretor do Projeto de Tecnologia de Votação do famoso centro CalTech, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), diz que o Brasil é um modelo porque “três entidades diferentes do governo são responsáveis pela implementação da votação naquele país”.

Selker afirma que, no Brasil, uma agência desenvolve as especificações, outra o software e a terceira faz os testes. E só aí companhias do setor privado concorrem pela oportunidade de produzir o equipamento para uso geral.

Para Selker, o fato de essa tecnologia ter se tornado confiável reside no emprego de três programas de software diferentes, correndo simultaneamente em cada máquina. Para ele, os três programas devem produzir o mesmo resultado e, caso não o façam, aí sim uma investigação pode ser iniciada. “A diversidade de códigos gera um sistema mais confiável”, avalia.

Selker sustenta que funcionários eleitorais jamais devem ser deixados sozinhos com as máquinas, e que pelo menos dois deles devem estar presentes quando os resultados são transmitidos ou transportados para as tabulações finais. Ainda segundo Selker, testes em paralelo, nessas máquinas, devem ser prática corrente.

Há pelo menos meia dúzia de fornecedores de máquinas de votar nos EUA, que lá são chamadas de “direct recording electronic voting machines (DREs)”. As três maiores produtoras de DREs são Diebold Election Systems, baseada em Allen, Texas, a Election Systems and Software (ES&S), de Omaha, Nebrasca, e Sequoia Voting Systems, de Oakland, Califórnia.

Mas para Deforest Soaries o sistema atual de votação nos EUA, não inspira confiança porque tais fabricantes pagam a agências independentes de testes, conhecidas como ITAs. O Congresso dos EUA, diz o especialista, não honrou o compromisso de dotar US$ 30 milhões para desenvolvimento de sistemas seguros de modelo de votação semelhante ao brasileiro.

Votação emperrada

A inexperiência no uso de máquinas de votação nas eleições parlamentares desta terça-feira forçou ao uso de votos manuais em um terço dos locais de votação. As informações são do site FindLaw.

Na cidade de Cleveland, houve demoras de até 10 minutos em se iniciar as votações, dada a incapacidade técnica de se lidar com o novo sistema.

O Partido Democrata do Colorado chegou a pedir a um juiz que estendesse por mais duas horas o horário de votação, dado os atrasos na operação das máquinas. Naquele estado o candidato democrata Bill Ritter esperou 40 minutos para votar.

No condado de Marion, em Indiana , 175 de 914 postos de votação optaram pelo voto manual, porque os funcionários eleitorais não sabiam operar as novas máquinas.

Na Carolina do Norte cerca de 100 pessoas tiveram de esperar por quase uma hora, à porta de uma Igreja, porque a pessoa que detinha a chave da sala das máquinas de votação sumiu.

Em Allentown, na Pensilvânia, um eleitor foi preso por ter “espancado” a máquina de votação com um peso de papel.

Claudio Julio Tognolli

é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Embira disse:
08 de novembro de 2006 às 17:35

A urna eletrônica brasileira tem recebido elogios e críticas. É natural que receba críticas, porque nenhuma criação humana é perfeita. Muitas dessas críticas são oriundas de setores interessados em fornecer hardware e software eleitoral, o que também é natural e compreensível. A urna eletrônica, porém, não é uma criação do gênio brasileiro – resulta de um longo processo evolutivo mundial que, em 1944, teve um salto de qualidade quando se definiu que os programas de processamento deviam ser instalados no interior das máquinas. Antes disso, no Brasil, em 1932, entrava em vigor o Código Eleitoral. Paradoxalmente, o regime criado por Getúlio Vargas, tido como ditatorial, tenta abolir as fraudes e garantir a lisura das eleições e cria a Justiça Eleitoral. O êxito do voto eletrônico no Brasil é, em grande parte, decorrência da moralização política e dessa justiça especializada, implantada com a revolução de 1930. O voto obrigatório é muito criticado, mas, se fosse facultativo, o governo teria de investir muito mais em campanhas para motivar o eleitor a votar. Foi isso que ocorreu na recém encerrada eleição parlamentar dos EUA.

Dr. Sobral disse:
08 de novembro de 2006 às 19:12

À parte qualquer resquício de ufanismo, como cidadão brasileiro sinto muito orgulho da eficiência do sistema de votação e totalização de votos que possuímos.
É algo que impressiona, quando se imagina que em uma eleição geral, ocorrida em âmbito nacional, em um país com dimensões continentais, em menos de três horas após o encerramento da votação já é possível proclamar-se o candidato eleito para Presidência da República. Isto aconteceu no último dia 29 de outubro.
Me impressiona mais o grau de segurança do sistema que, em dez anos de funcionamento nunca teve, comprovadamente, nem um caso de violação da sua segurança. É um sistema que exprime ao máximo a verdade eleitoral.

Rafael Leite disse:
09 de novembro de 2006 às 10:57

Um prof. do MIT afirma que o Brasil é um modelo, então um brasileiro de nome "Embira" afirma que, porém, a urna eletrônica não é uma criação do gênio brasileiro...

E não apresenta fundamentação nenhuma.

Com certeza deve ser criação de sua mãe, provavelmente uma polaca, que da Polônia mandou a Getúlio os planos para a urna.

E ainda justifica a incompetência americana com a não-obrigatoriedade do voto lá. É um legítimo filho de uma polaca, ou talvez americana, por que de brasileira é que não é.

Sinceramente, há certas horas em que penso que o problema do Brasil é o brasileiro, ou melhor, certos brasileiros.

Richard Smith disse:
10 de novembro de 2006 às 13:20

Ô Rafael, qualé rapá?!!

Colocar a mãe dos outros no meio de comentários? E ainda chamá-la de "polca", palavra que entre nós brasileiros, tem conotação altamente pejorativa?

Você não tem vergonha não? Ou está com dedinhos "ligeiros", para comentários detratores como este?

Peça desculpas já, rapaz!

Rafael Leite disse:
13 de novembro de 2006 às 12:24

Por evidente não houve intenção de efetivamente desrespeitar a genitora de ninguém como a mínima razoabilidade indica.

O alvo de crítica é a intenção de desvalorizar e diminuir tudo que é brasileiro, e o jogo de palavras se prestou bem a isso, com um exacerbado tom jocoso como de outra forma não poderia ser.

Caso o alvo das palavras realmente comungue de sua excessiva sensibilidade não exitarei em pedir-lhe desculpas.

Rafael Leite disse:
13 de novembro de 2006 às 15:36

onde está exitarei ler hesitarei, culpa dos dedinhos ligeiros...

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