Entre o momento em que uma reportagem é planejada e a hora que seu texto vai ao ar, leva algum tempo. Nos dias que antecederam a eleição de domingo (1º/10), era impossível afirmar qual seria o desfecho do pleito. Na noite de sábado, dois institutos de pesquisa (Ibope e Datafolha) sinalizaram um empate entre Lula e Alckmin.
Frios, os números, aparentemente, não permitiam mais que palpites. O clima era o mesmo que antecede a maior parte dos grandes julgamentos: a possibilidade de vitória de cada parte era de 50%.
Este site, contudo, cometeu uma aparente irresponsabilidade. Em dois textos (Empate perdido: Lula ganha mas não leva no primeiro turno e Matemática eleitoral: segundo turno está nas mãos dos nordestinos), a revista eletrônica Consultor Jurídico mostrou algo que os números dos institutos não mostravam: a distância entre o que o pesquisador apura com a prancheta na mão e a prática do voto na urna eletrônica. O primeiro texto foi ao ar à tarde — antes da divulgação das pesquisas — o segundo à noite, depois de se saber dos números. Ambos com o mesmo teor.
O mérito do acerto na previsão é do cientista político Antônio Lavareda autor de obras importantes como A Democracia nas Urnas: o Processo Partidário Eleitoral Brasileiro, a fonte certa para o assunto. Mas não deixa de homenagear também quem acertou na escolha do Consultor.
É esse fator que diferencia um veículo de comunicação de outro: as opções que faz. Mas, principalmente, o respeito ao leitor. Um respeito que não se mostra com adjetivos, mas com lealdade, mesmo diante do desafio arriscado de veicular notícias delicadas. Vencer esse desafio é o ponto alto da missão de bem informar.
Ainda que soe estranho gabar-se por uma previsão que não se verifica exatamente no campo jurídico, cabe o registro de um exemplo do paradigma que perseguimos: antecipar tendências, entregar ao leitor que confia no seu veículo de comunicação o que ele procura — informação estratégica, confiável e segura.
A tal margem de erro (de 2% a 3%) para cima e para baixo, com índices em torno de 50% para cada lado não dizia muita coisa. Era cara ou coroa nas 24 horas que antecederam a eleição.
Ovo em pé
Com as lições de Lavareda, contudo, o site mergulhou na interpretação humana dos números. A fatia mais gorda do eleitorado lulista se encontrava no Norte e no Nordeste, encantada com os auxílios monetários que o governo providenciou ao longo da gestão. A chamada “taxa de alienação” (soma das abstenções, votos nulos e em branco), que vigora em todo o país, grita mais alto exatamente nesse universo.
Com essa leitura, mesmo considerando que 70% desses bolsões preferiam Lula — num conjunto em que se encontram 27% dos eleitores brasileiros — constatou-se que o fato de a média da alienação norte-nordestina ser dez pontos percentuais acima da média nacional, refletiria no débito de 2% da votação petista. Ou seja: se os institutos mostravam 50% das intenções de voto em Lula, a realidade o deixaria com 2% a menos na vida real.
O fator lamentável a apontar não tem a ver com a frustração da ausência de Lula no principal debate programado nem com a repercussão das transgressões petistas com o seu famigerado dinheiro “sem origem”. Mas com um dado da cruel da realidade: os brasileiros de baixa instrução e baixa renda simplesmente erram na hora de digitar seus votos — e era preciso acertar 21 números para expressar a vontade do eleitor, o que não é fácil para qualquer um.
Um fator desprezado na análise, contudo, acabou ameaçando essa leitura. A campanha do TSE (Vota Brasil), provavelmente (e vai aí uma dose de dedução pouco científica), atingiu seu objetivo. A soma de votos nulos (intencionais ou não), em branco e abstenções caiu bastante em relação ao parâmetro mais recente (as eleições de 2002). Mais um dado a ser considerado nas futuras eleições.
O presidente do TSE, ministro Marco Aurélio, personagem de proa do Judiciário nacional — apesar da fúria contra ele por parte dos mais desinformados — captou, logo ao assumir o cargo, que a frustração do eleitorado, somada à redução da propaganda política, poderia redundar num alto índice de votos inválidos e abstenções. E empreendeu uma sincera campanha contra essa onda. Se correta a análise, bem ao revés do que protestaram muitos petistas, Marco Aurélio terá livrado Lula de uma sova.
Em relação às eleições de 2002, houve uma redução da taxa de alienação. No campo do voto nulo, a fatia caiu de 7,35% para 5,68%; os votos em branco baixaram de 3,03% para 2,73% e as abstenções que na eleição passada foram de 17,75% caíram para 16,75%. Ou seja, a alienação baixou de 28,13% para 25,16% na média nacional. Pode parecer pouco, mas esses 3% são quase 4 milhões de eleitores que, comparecendo e votando fazem grande diferença. Da mesma forma que, encerrada a votação, pode não parecer muita coisa ter dado a informação certa na hora certa. Mas é o tipo de referencial que credencia um veículo de comunicação perante seus leitores.
Resultado das urnas derruba a torcida de comentaristas
Em todos jornais podemos ler informações sobre a renovação na Câmara dos Deputados, que foi de 49%, e sobre a eleição de 83 deputados federais do PT, tudo ao contrário do que analisavam, avaliavam e opinavam, na TV, no rádio e na imprensa, os articulistas e cientistas políticos. Uma na Globonews e outro da UnB, na verdade, faziam propaganda contra o PT.
Nem aconteceu a renovação que pregavam, pois o resultado ficou dentro do índice histórico, nem o PT foi derrotado como eles queriam e pregavam – muito pelo contrário, pois o partido foi o mais votado em todo o Brasil. Quem saiu derrotado foi o PFL, que perdeu 19 deputados comparando com 2002 e 40 em relação a 1998, e o PSDB, que perdeu 5 em relação a 2002 e 34 na comparação com 1998. O resto é propaganda política travestida de notícia e análise. Que vergonha.
enviada por Zé Dirceu
E eu também!
Como prevejo que o Excomungdo não vai ganhar no segundo.
Quá, quá, quá para as pesquisas (principalemnte aquela da CNT/Sensus, com 58% para o Excomungado e 34% para o Alckmin, quá, quá, quá, de novo)
Beijos, hein?
Ô Patulléia, tenha dó:
Escolha para citação outro "gurú" que não o ex-delfim do regime "que aí está" e que está gonizando.
Um abraço e um sundae, hein?
Sorry, "agonizando" e não "gonizando".
Falando sério agora:
As pesquisas foram sumárias ou tendenciosas.
SUMÁRIAS: porque excluiram dos "votos válidos" as intenções de voto "indecisas", que numa eleição como esta, haveriam de ser grandes, ainda mais na sua etapa final. Não se utilizando de ferramentas adequadas, deixaram de inquirir o percentual de pessoas que aceitriam mudar de voto até o final da elição, aceitando a sua resposta como "seca".
Deixando de considerar, o que eu venho advertindo aqui faz tempo: muitos e mutos, principalmente das classes "C" e "D", formam a sua intenção, NA VÉSPERA, quando não no ÚLTIMO DIA, razão pela qual as pesquisas deveriam levar em conta essa característica.
Que também alguns ou vários dos "nulos", desiludidos com a politica e o goeverno "que aí estão", mas vendo que o candidato anti-Lulla teria chances, acabaram votando no Alckmin, ainda que de nariz tapado (tal fenômeno haverá de se repetir, em grande escala com os eleitores de Heloísa Helena, pode apostar nisso!).
Daí o porquê de eu, o tempo todo, classificar como "BABAQUICE" o ôba-ôba "já ganhou" dos PeTelhos e PeTralhas.
TENDENCIOSOS: Bom desses não é necessa´rio nem se falar muito, não?
A começar pelo CNT/Sensus baixo mencionado, dos 58/34% que na verade foram 48,5/41,5%.
Pesquisa? Aqui para vocês! (favor o leitor imaginar um punho fechado com o dedo médio totalmente estendido).
Falando sério agora:
As pesquisas foram sumárias ou tendenciosas.
SUMÁRIAS: porque excluiram dos "votos válidos" as intenções de voto "indecisas", que numa eleição como esta, haveriam de ser grandes, ainda mais na sua etapa final. Não se utilizando de ferramentas adequadas, deixaram de inquirir o percentual de pessoas que aceitriam mudar de voto até o final da elição, aceitando a sua resposta como "seca".
Deixando de considerar, o que eu venho advertindo aqui faz tempo: muitos e mutos, principalmente das classes "C" e "D", formam a sua intenção, NA VÉSPERA, quando não no ÚLTIMO DIA, razão pela qual as pesquisas deveriam levar em conta essa característica.
Que também alguns ou vários dos "nulos", desiludidos com a politica e o goeverno "que aí estão", mas vendo que o candidato anti-Lulla teria chances, acabaram votando no Alckmin, ainda que de nariz tapado (tal fenômeno haverá de se repetir, em grande escala com os eleitores de Heloísa Helena, pode apostar nisso!).
Daí o porquê de eu, o tempo todo, classificar como "BABAQUICE" o ôba-ôba "já ganhou" dos PeTelhos e PeTralhas.
TENDENCIOSOS: Bom desses não é necessa´rio nem se falar muito, não?
A começar pelo CNT/Sensus baixo mencionado, dos 58/34% que na verade foram 48,5/41,5%.
Pesquisa? Aqui para vocês! (favor o leitor imaginar um punho fechado com o dedo médio totalmente estendido).
Segundo turno
Mino Carta
Errei sim, mas não manchei meu nome. Os jornalistas como os pecadores podem arrepender-se e redimir-se do pecado. Imaginei que Lula ganharia no primeiro turno, não contei com o desempenho paulista, como de hábito primoroso, como confirmam alguns dos primeiros governos da República e a Revolucão de 32. E que Revolução! Dá orgulho ser paulista, confere hombridade ao cidadão cioso do seu nascimento na terra de Piratininga, rincão dos Bandeirantes. Não deixo de anotar o extraordinário desempenho de um dos maiores heróis deste recanto abençoado, o formidável, brilhante (notabilíssimo pianista), atlético (saltador emérito), iluminado político (sobretudo de noite, se munido de lanterna) Paulo Salim Maluf. E não era Fernando Henrique Cardoso quem recomendava a presença na ribalta de um eletricista?
...os aloprados já foram punidos. agora cabe descobrir quem praticou o estelionato que induziu os trapalhões do pt de s. paulo. tenho o palpite que são da tucanalha.
calma, o 2º turno vai restabelecer a vontade da maioria. foi melhor não ganhar no 1º turno, pois com certeza iriam surgir os juristas a la 2º reich, justificando impedimetos por falta de maioria absoluta, etc.
digo, 3º reich...
...por enquanto, o bom foi ver jereissati, a.c.m (hamster) e bonrhausen derrotados, além claro dos garotinhos. ah, ah, ah...
Bom mesmo foi ver o "brilhante" desempenho dos petralhas nas eleições para os Governos estaduais. Tirando a Bahia, acho que a importância política e econômico-financeira dos demais Estados a serem (des)governados pelos petralhas não se equivale nem a da Baixada Santista.
A petralhada vai começar a perder o emprego, a começar pelo Rio Grande do Sul, onde o Bigodão será esmagado pelos opositores, que constituem mais de 2/3 do eleitorado.
Sendo assim, por uma questão humanitária, oriento aos discípulos DELLE que comecem a enviar currículos para a inciciativa privada, sob pena de desemprego, ehehe.
...não cante vitória antes de ter os ovos nas mãos. faltam-só 26 dias. passa rápido.
...aguarde os debates: o chuchu vai virar virado queimado...
fui...
Patulléia, você me desculpe, mas você junta Blog do Tão, Mino Carta e outros PeTralhas de renome e a junção dá um troço de fazer rir. Parecem aqueles manifestos do CPC´s do início da década de 60.
Pomba, cara, numa boa. Você não vê o rídiculo, o absurdo mesmo das palavras de um homem que já foi inovador e hoje é uma mera marionete do Gushikenismo na sua "Carta Capital". Dá pena ver o fundador das revistas Realidade e Senhor, num delírio "pós-muro" tão marreco deste.
Será que só você não vê, caro amigo?!
Consultor Jurídico é muito parcial em suas análises. Antipetista de carteirinha. Assumido. Vamos ser mais democráticos, gente!
Consultor Jurídico é muito parcial em suas análises. Antipetista de carteirinha. Assumido. Vamos ser mais democráticos, gente!
Acredito que todas as pessoas deviam ter suas próprias idéias, difundi-las, mas tudo dentro de um bojo democrático. Adjetivar pessoas, partidos, demonstra que a massa cinzenta dessas pessoas, na verdade, tem cor diferente, da mesma forma que as caixas pretas dos aviões, que são pintadas da cor laranja. Assim muitas pessoas tem massa cinzenta de outra cor. Outras, nem massa tem!
Já que o "Consultor Jurídico previu que haveria segundo turno", poderia me dizer qual será o Presidente a ser eleito no dia 29.10.2006???!!!
Retirando os eleitores "assistidos" com bolsa esmola, ganha Alckmin. Interessante isso.
Vamos aguardar o 29! Esperando que o povo compareça, e, maduramente externe, em segredo, seu voto!
No momento politico atual foi muito difícil separar o joio do trigo, sem sombra de dúvidas, mormente, sabendo-se que o trigo na maioria fora de péssima qualidade, ou melhor, de terceira. Paciência!
Agora o que me causa um certo desconforto é saber que muitos dos que foram eleitos não o foram pelo voto do povo. Pela vontade do povo. Pelo reconhecimento do povo; contudo, pela matemática das coligações dos partidos.
Aqui em Nova Iguaçu alguns foram eleitos mesmo que ressumbrando aos olhos a aversão do povo pelos mesmos. Será que não se sentem constrangidos de assumirem um cargo para o qual não foram devidamente escolhidos pelo próprio povo, e sim pelos partidos, através das inúmeras patranhas, bulas e ampolas. Seria muito exigir de um político tal postura. O excesso de cinismo que caracteriza a maioria não permite.
Por outro lado, fiquei feliz pelo novo Deputado Clodovil. A maioria tem plataforma, plano de governo, cuecas, gabinete, mesários, acochambrados, apaniguados, secretários, e regularmente nada fazem, é possível, que mesmo sem nada fazer, este, venha a dar um ar de menos incoerência, pois não se propõe a absolutamente nada. Então, resta somente lhe dar os parabéns!
Diferentemente da declaração de imposto de renda pessoa física - em que o uso do método informatizado é opcional -, na votação é obrigatório o uso das urnas eletrônicas, mesmo para aquelas pessoas que não têm qualquer intimidade com meios informatizados.
Basta passar alguns minutos em frente a terminais de auto-atendimento (caixas eletrônicos) de qualquer banco para constatar que boa parte dos usuários precisa de ajuda para obter um simples extrato de sua conta - e olhe que se trata de uma tarefa rotineira. Obrigar tais pessoas a votar, sozinhas, em uma máquina com a qual só têm contato de 2 em 2 anos, é uma temeridade.
De forma semelhante à extensão do direito de voto aos analfabetos, a introdução da urna eletrônica fez surgir uma nova categoria de eleitores: os "analfabits".
Sou presidente de seção numa capital nordestina, numa região da cidade que nem é das mais pobres, mas percebo claramente que pelo menos 5% dos eleitores (na maioria idosos, mas também pessoas de menor grau de instrução) saem do recinto sem ter a menor idéia de em quem votaram. Nós, mesários, temos que fazer malabarismos para tentar ensinar a estes eleitores a votar, decifrando os sons emitidos pela maquininha e informando a ordem correta de digitação dos números. Neste ano, devido ao grande número de cargos em disputa, alguns eleitores chegaram a demorar mais de cinco minutos votando.
Muitos eleitores na fila reclamaram, pedindo que os mesários encerrassem a votação desses eleitores, suprimindo-lhes o direito ao voto. Contudo, não é esta minha interpretação. Esses eleitores não devem ser discriminados, pois têm peso igual a qualquer outro e merecem concluir seu voto no tempo que for necessário para que possam exercer seu direito. Não podemos suprimir o direito de eleitores com dificuldades com a informática se o país não lhes deu o direito à educação e a Justiça Eleitoral não desenvolveu meios mais eficazes para que tais eleitores recebam um tratamento especial.
Ah, meu amigo Paulo Gustavo, desculpe ser "elitista" e discordar de sua afirmação.
Não podemos ser paternalistas. Acho um grave desvio de raciocínio.
Se o raio do cidadão acha tão importante assim a sua participação, o seu voto, porque não se preparou antes?
Seria a mesma coisa que considerarmos que cada cidadão tem direito a um automóvel, e, mais ainda, nos atribulados dias de hoje, com os prazos exíguos, com o tempo "curto" e com as enormes distâncias a percorrer nesse no Brasilzão que todo brasileiro tem o DIREITO de utilizar um automóvel, ainda que alugado ou emprestado.
Dessa forma, todo mundo teria o "DIREITO" de sair por aí, sem habilitação ou sem a prática necessária.
Isso seria correto.
Quem quer exercer algum direito, deve estar preparado para tanto.
Simples assim.
Desculpem-me. Por uma falha de digitação a frase "Isso seria correto?" interrogativa, saiu sem o ponto de interrogação, assumindo assim sentido afirmativo.
Ô Robinson, eu não sou do CONJUR, mas te afirmo: GERALDO ALCKMIN.
Quer apostar?
Um abraço
Ôps, esqueci:
Mino Carta, "fuck you", se você acha os paulistas assim tão idiotas e desprezíveis, vá vender a sua revistoca lá no Rio. Certamente a sua tiragem "explodiria".
Bastardo!
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