José Dirceu considera injusta decisão do Supremo

O ex-ministro e deputado federal cassado José Dirceu divulgou nota em seu blog pessoal para dizer que considerou injusta a decisão do Supremo Tribunal Federal, de aceitar denúncia contra ele pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha.

“Venho sendo pré-julgado em praça pública, acusado, denunciado e agora sou réu por corrupção ativa e formação de quadrilha. Reitero o que sempre afirmei: tive o mandato cassado sem provas e agora sou réu também sem provas”, diz a nota assinada pelo deputado cassado do Partido dos Trabalhadores.

Dirceu pede ao tribunal que seja julgado o mais rápido possível, para que possa provar a sua inocência. Ele afirma não quer que os crimes prescrevam. “Sou inocente e vou provar isso no julgamento a que quero ser logo submetido”, afirma.

Em sintonia com a sua defesa, Dirceu entendeu que não foram apresentados nem provas ou indícios contra ele. Apenas declarações de terceiros e fatos não comprovados. Na avaliação do ex-ministro, todo o processo não passa de uma disputa política. O que está em jogo, em sua opinião, não é a sua vida política, mas o “projeto” que o PT e o presidente Lula representam.

Ele lembra que foi acusado e inocentado em outros casos como o de Valdomiro Diniz e de Santo André. E citou a absolvição que o Supremo lhe deu para o crime de peculato. A nota finaliza em tom de desafio: “Não temo o julgamento da Justiça”.

Leia a nota

Uma decisão injusta

A decisão do Supremo Tribunal Federal de aceitar parcialmente a denúncia contra mim formulada pelo procurador-geral da República é injusta, mas não me surpreende, diante das circunstâncias que cercaram esse julgamento.

Nos últimos dois anos, desde que deixei o Governo Lula, venho me defendendo das acusações contra mim feitas na Câmara dos Deputados e pelo procurador-geral da República. E tenho viajado pelo país, discutindo e debatendo o nosso Brasil, o governo Lula e o PT, como sempre fiz. Lancei um blog, hoje um site, e tenho publicado artigos semanais no Jornal do Brasil. Não abandonei por um só momento a luta política e social e não deixei de ser um militante do PT.

Venho sendo pré-julgado em praça pública, acusado, denunciado e agora sou réu por corrupção ativa e formação de quadrilha. Reitero o que sempre afirmei: tive o mandato cassado sem provas e agora sou réu também sem provas. Quero ser julgado o mais rapidamente possível para provar minha inocência. Não posso aceitar que a condição de réu seja eternizada e que venha uma prescrição por mim totalmente indesejada. Sou inocente e vou provar isso no julgamento a que quero ser logo submetido.

Espero que prevaleça o que afirmaram tanto o procurador-geral da República como vários ministros, entre eles o próprio relator, ministro Joaquim Barbosa: a aceitação da denúncia não significa culpabilidade e prevalece a presunção da inocência. Ainda mais, digo eu, porque não foram apresentadas provas ou indícios dos crimes dos quais sou agora réu. Foram apresentadas apenas declarações de terceiros e fatos não comprovados, episódios dos quais supostamente participei, supostas ordens que dei.

Confio na Justiça e aproveitarei o julgamento para provar minha inocência e desmascarar os que hoje me acusam.

Aguardo com serenidade e tranqüilidade o processo no Supremo Tribunal Federal e me defenderei perante a Justiça e a sociedade, sem deixar de continuar minha luta política e minhas legítimas atividades profissionais.

É importante compreender que todo esse processo, que começou com minha saída da Casa Civil, é uma disputa política. Para além das denúncias e das acusações de caixa dois e do chamado mensalão, o que está em jogo não é apenas minha vida política e minha história, mas o projeto político que o PT e o presidente Lula representam. Os que desconhecem essa elementar realidade não aprenderam com a recente história do nosso país e não percebem as tentativas da oposição conservadora e da elite de inviabilizar o Governo Lula a todo custo.

O conservadorismo brasileiro não absorveu e jamais aceitará que a agenda dos movimentos sociais traga para o Estado brasileiro a determinação política de corrigir assimetrias intoleráveis que o privilégio secular de uma minoria impõe à maioria dos homens, mulheres, jovens e crianças deste país.

Pois esse conservadorismo continua tendo em mim um adversário ferrenho e disposto a continuar a luta em meio a qualquer adversidade.

Quero também lembrar que fui acusado e inocentado nos casos Valdomiro Diniz e de Santo André. Não há nada contra mim nesses dois episódios tão explorados pelos meus adversários. Tive minha vida fiscal, patrimonial e bancária fiscalizada de 2000 a 2005 e nada foi encontrado que me comprometa com sonegação, enriquecimento ilícito ou evolução patrimonial não-justificada. No próprio Supremo Tribunal Federal fui inocentado da acusação de peculato.

Tenho 40 anos de vida pública e, com exceção dos processos abertos nos tempos da ditadura militar, nunca fui investigado ou processado. Fui empresário, servidor publico, parlamentar, dirigente do PT, ministro de Estado, trabalhei na iniciativa privada desde os 14 anos, hoje sou advogado e consultor, e me orgulho de ter uma vida honesta e totalmente dedicada à luta pela democracia e pela justiça social.

Essa é uma verdade que não podem apagar. Recebo com serenidade a decisão da Suprema Corte de meu país e a respeito, mas não concordo com o veredicto que me tornou réu. Vou me defender na Justiça e vou continuar minha luta pelo Brasil.

Não temo o julgamento da Justiça.

Daniel Roncaglia

é repórter da revista Consultor Jurídico.

olhovivo disse:
28 de agosto de 2007 às 20:17

Concordo com o ex-ministro JD: todos são inocentes até decisão condenatória transitada em julgado. Ninguém pode ser julgado em praça pública. Porém, quando era pedra e não vidraça, o mesmo abusou de linchamentos públicos contra inocentes: Eduardo Jorge e Ibsen Pinheiro, só para citar poucos exemplos.

A.G. Moreira disse:
28 de agosto de 2007 às 21:29

"SIC TRANSIT GLORIA MUNDI"

Como diz Roberto Jefferson :

"Ficou faltando o ALI - BABÁ " !!!

Bob Esponja disse:
29 de agosto de 2007 às 10:13

Tá faltando notícia conjur? perdendo tempo com esta criatura. se continuar só continuara caindo o seu conceito

eduardo disse:
29 de agosto de 2007 às 10:39

Buá, buá, buá!!! Chore agora seu Zé "ninguém"!!! Arrogante, salafrário, que se achava acima do bem e do mal.
Espero que a condenação desse sejeitinho seja exemplar!

Richard Smith disse:
29 de agosto de 2007 às 12:33

Ô tadinho do revolucionário de boteco!

Sniff, sniff.

Zerlottini disse:
29 de agosto de 2007 às 12:37

Mas é um tremendo cara-de-pau, mesmo. Pior que ele, só o seu Renan.
Seu Zé, o sr. deveria ter apanhado é de cabo de vassoura. Não se "gasta" uma bengala, um instrumento nobre e caro, daqueles, pra bater numa figura como a sua. O seu direito, na nossa "democracia", seu Zé, é calar a boca e pedir desculpas aos seus eleitores.
E, de preferência, sumir da face da Terra, pra ninguém mais sentir o seu cheiro, seu Zé. Aliás, seu e de todos os "Petralhas" que abundam aí pelas imediações de Brasília, desde que o "cumpanhêru presidenti" assumiu um lugar que ele nunca mereceu.
Francisco Alexandre Zerlottini. BH / MG

Edna disse:
29 de agosto de 2007 às 13:58

Esse dirceu é um santo mesmo. Vai direto para o céu. "os fins justificam os meios" será o epítáfio de mais um pilantra travestido de político que parece nascer em maior número embaixo da linha do equador.

Murassawa disse:
29 de agosto de 2007 às 15:10

Esse cara nunca teve a minha simpatia e muito menos teve o meu voto e nunca as terá, assim como, espero que a justiça seja feita.

Luiz Fernando disse:
29 de agosto de 2007 às 15:28

Engraçado esse tal Zé Dirceu. Quando Deus resolver mandá-lo para o inferno ele vai colocar no seu blog que está sendo injustiçado. Ele quer ser juiz de si próprio. Pára com isso zé !

Ronaldo de Oliveira disse:
31 de agosto de 2007 às 14:06

Tadinho....dele!!
É um hipócrita. Afinal, o que esperar de um ladrão de banco de outrora!!

allmirante disse:
01 de setembro de 2007 às 10:53

Esse pretensioso e arrogante senhor, que chegou ao ponto de falar "em meu governo", ele que foi eleito para ser um simples deputado, não foi prejulgado em praça pública para se eleger? Reclama do que esse farsante?

Luís da Velosa disse:
05 de setembro de 2007 às 08:44

Ora, ora, quem esperava diferente?!

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