Aluno de oito anos passa no vestibular para Direito

Uma criança de apenas oito anos foi aprovada no vestibular para o curso de Direito da Universidade Paulista (Unip), de Goiânia. João Victor Portelinha de Oliveira fez a inscrição, na quinta-feira (28/2), pela internet. No dia seguinte, apresentou-se na faculdade para fazer a prova e, na segunda-feira (3/3), recebeu o resultado: aprovado.

O site de notícias G1 informa que o sonho do menino é ser juiz federal. Para a mãe de João Victor, Maristela Portelinha, o filho não é superdotado, apenas interessado e motivado.

O garoto afirma que sempre foi um bom aluno na escola. Segundo João Victor, as perguntas do exame estavam “tranqüilas” e o tema da redação era sobre uma matéria de jornal que falava sobre pessoas que gastam dinheiro coisas inúteis. “Era para escrever carta sobre a matéria”, afirmou.

A faculdade reconheceu que João Victor fez uma boa prova. “O desempenho do estudante, levando em consideração sua idade e escolaridade, foi bom, especialmente na prova de redação, em que revelou boa capacidade de expressão e manejo eficiente da língua. A singeleza do conteúdo não destoava da linguagem simples, direta, coloquial, com poucos deslizes em relação à norma culta. Este fato o torna merecedor de um acompanhamento especial em seus estudos”, afirmou a faculdade em nota.

O garoto chegou a se matricular e pretende cursar a faculdade e, simultaneamente, concluir o colégio. Mas não poderá fazer isso. De acordo com o comunicado da Unip, ele “participou do processo seletivo na condição de ‘treineiro’, numa prática adotada por várias universidades públicas e privadas”. Assim, não poderá fazer o curso. A faculdade informou que vai devolver o dinheiro da matrícula.

A presidente do Conselho Estadual de Educação de Goiás, professora Maria do Rosário Cassemiro, afirmou que o estudante não pode ser matriculado, devido a um artigo da Lei de Diretrizes e Bases. Para cursar o ensino superior é preciso que a pessoa tenha concluído o ensino médio.

Até o momento, a família não pretende entrar na Justiça para garantir a vaga do filho, pois entende que ele já cumpriu todas as etapas necessárias.

Reação da Ordem

A OAB faz campanha há tempos contra faculdades particulares. Em Goiás, não é diferente. Para a OAB goiana, a aprovação de uma criança de oito anos no vestibular de Direito é preocupante. Segundo presidente da seccional, Miguel Cansado, o fato só comprova o que a OAB vem alertando acerca da baixa qualidade e da “mercantilização” do ensino jurídico. “O referido fato, por si só, caso seja comprovado, merece que a instituição de ensino sofra imediata intervenção do MEC para que se verifique se casos semelhantes ocorrem com freqüência e em que circunstância o episódio ocorreu”, afirmou.

De acordo com a seccional, é preciso ter maior rigor na fiscalização das instituições de ensino superior por parte do Ministério da Educação e que sejam punidas aquelas que tratam o curso de Direito com interesse meramente mercantil, “desrespeitando a relevância da boa formação do bacharel para a sociedade”.

SUSI disse:
06 de março de 2008 às 13:38

REALMENTE PREOCUPANTE SABER QUE ATÉ UMA CRIANÇA POSSA PRESTAR VESTIBULAR, EM INSTITUIÇÃO PRIVADA, E PASSAR COM TANTA "GLÁRIA".

MEC! ONDE TU ESTAIS QUE NÃO RESPONDE?

MEU DEUS! E SE ELE FIZER PRA MEDICINA?

O PIOR É SABER QUE TEM MAIOR CAPAZ
CURSANDO UNIVERSIDADES MERCANTILISTAS SEM A MÍNIMA CAPACIDADE ACADÊMICA.

André Cruz de Aguiar - Vironda e Giacon Advogados disse:
06 de março de 2008 às 14:25

Desde que noticiaram, cerca de dois anos atrás, que um gari analfabeto foi aprovado em um exame seletivo para cursar Direito em uma faculdade do Rio de Janeiro, nada mais me surpreende nessa área -- ainda mais quando envolve a instituição de ensino mencionada na notícia.

Henry Chinaski disse:
06 de março de 2008 às 14:48

É mais uma aprontada pelas UNIs da vida.

Daqui a pouco ele se filia ao MNDB e tome MS para advogar aos 13, sem exame de ordem...

MMello disse:
06 de março de 2008 às 19:00

Se ele tivesse sido aprovado em uma uiversidade pública e em primeiro lugar, eu até iria imaginar que o garoto é um gênio.
Mas gênio mesmo, só o dono da UNIP o DI GÊNIO, que anda faturando um monte. Sala com 160 alunos, por exemplo, é brincadeira, não?
Cadê o MPE e o MPF de SP que se calam diante disso?

Hwidger Lourenço disse:
06 de março de 2008 às 22:15

Optei em permanecer em uma faculdade privada, mesmo diante da oportunidade de migrar para uma instituição pública, por suas vantagens: Os mesmos professores da pública, mais motivados pelos melhores salários; sem as ridículas greves anuais; sem aprovações espúrias e gerais por falta de professores, eternamente em cursos no exterior; ausência de hordas de riquinhos esquerdóides com camisetas do Guevara... Aliás, é curioso, não? No geral, os ricos estão nas instituições públicas, e os pobres, nas instituições privadas...Talvez esse vestibular absurdo, que exige caros cursinhos, e cálculo de resistência elétrica para um futuro Bacharel em Direito, deva ser revisto, em nome até de um acesso mais justo.

Mas quando uma instituição privada permite situações como a descrita aqui, com certeza mostra distorções, que merecem apuração imediata. Mostra também uma incrível falta de cuidado para com seu próprio nome. Correta a pronta manifestação da OAB/GO.

Armando do Prado disse:
07 de março de 2008 às 01:19

Só mostra uma coisa: o nível da universidade que consegue uma proeza dessas...

MMello disse:
07 de março de 2008 às 01:37

O pior de tudo é te lido isto aqui há pouco nos jornais:
" O pai do menino contou também que o filho já recebeu uma proposta de emprego, um estágio na filial em Brasília (DF) de um escritório de advocacia em São Paulo (SP). O advogado se dispôs a custear os estudos da criança, o que não foi aceito pelos pais. O convite ainda está em análise. "Falei que ia ligar para ele na semana que vem".

João Victor foi convidado por um juiz de Goiânia a conhecer as instalações da Justiça Federal. O garoto foi até o órgão hoje à tarde e, segundo William, recebeu o convite do juiz para, caso consiga ingressar no curso, fazer um estágio com ele.

Apesar do ingresso precoce na faculdade e de ter iniciado o ensino fundamental aos cinco anos de idade - e não aos sete como as outras crianças -, o pai não acredita que o estudante seja superdotado. William diz que o convívio com pessoas mais velhas faz o filho se sair bem nos testes."

http://noticias.terra.com.br/educacao/interna/0,,OI2661007-EI8266,00.html

Régis C. Ares disse:
07 de março de 2008 às 05:36

Colegas,

De início, nada contra o garoto, que, a bem da verdade, até pode ser um mini-gênio e ter lá os seus méritos.

Tal fato é raro, porém não é impossível de acontecer.

Ocorre, no entanto, que os tais "vestibulares" para ingresso nas faculdades (especialmente nos cursos de Direito), não são mais como antigamente, quando o candidato precisava estudar muito para obter a vaga, geralmente bastante concorrida.

Hoje em dia, existem 180 vagas para determinado curso e a quantidade de candidatos não chega a 120...

Aí, da-lhe "vestibular de verão" e "vestibular de segunda-chance", também conhecidos como "vestibular pelo-amor-de-Deus venha estudar aqui", de forma a completar as vagas ainda existentes.

Entrar numa das incontáveis "Faculdades de Direito" que estão em funcionamento, não é tarefa das mais difíceis: basta ter dinheiro para pagar a taxa do vestibular e aparecer para o exame...

Apenas a título de exemplo, em determinada "Faculdade de Direito", um grande amigo meu fez o tal "vestibular", o qual consistia de apenas dez questões, no que, chutando todas as respostas em apenas uma coluna, foi aprovado... Pois é, ele deve ter "chutado" melhor do que o Pelé...

Então, são essas "Uni-Sei-Lá-O-Quês" da vida que "formam" muitos dos "Bacharéis" que são reprovados no exame da Ordem...

E ainda há quem seja contra o exame da Ordem, sob a absurda e deturpada alegação de que o mesmo é "inconstitucional"...

No entanto, não vemos ninguém, nenhum dos "Senhores Bacharéis", se insurgir contra a baixa qualidade dos "Cursos de Direito"...

Como é conveniente, não ?...

Abraços !

Régis C. Ares
Advogado

TONY disse:
07 de março de 2008 às 10:27

Sugiro este slogan para a Unip: "Nosso vestibular é tão facil, que até criança é aprovada. Aproveite"

Antonio Ribeiro - advogado.

Carlos o Chacal disse:
07 de março de 2008 às 10:50

O garoto é alfabetizado. É o que basta para passar em vestibular da Unip.

Armando do Prado disse:
07 de março de 2008 às 10:59

Nessa história, fica claro quem é o "gênio".

Aliás, nessa universidade tem professores sem títulos de mestrado (doutorado nem para remédio), bibliotecas desatualizadas, promotores e juízes dando aulas (por mais que sejam preparados, não o foram para serem professores), etc, etc.

MMello disse:
07 de março de 2008 às 11:37

Penso que deveriam deixar o menino estudar Direito, pra ver até onde isso iria.
O menino iria ficar tão stressado e irritado que nunca mais iria querer saber desse curso na sua frente. *rs

glauco disse:
07 de março de 2008 às 12:36

Se a LDB não permite matriculas na condição do "gênio" de Góias, alguém poderia me explicar como essa matricula se efetivou?

Será que o funcionário responsável desconhece a regra geral?

lu disse:
07 de março de 2008 às 13:42

Sou diplomada por duas universidades particulares de renome no estado de São Paulo, atuo nas minhas profissões, e decidi cursar Direito. Poderia ter novamente escolhido uma das referidas universidades de renome. Uma delas é tradicional no meio jurídico. Porém, como não tenho preconceitos contra nomes de faculdades, decidi acreditar na Unip. Estou no terceiro ano e, ao menos no campus onde estudo, não vejo essa falta de competência entre os professores, que os comentaristas insistem em afirmar!
Alunos bons e ruins existem em todos os cantos!
Conheço pessoas que estudam Direito (ou já estudaram) em outras universidades renomadas e, sinceramente, o que estou aprendendo é o mesmo conteúdo que eles estão ou já aprenderam.
Não sei por qual razão insistem em falar mal da Unip, dos seus professores e alunos! Só espero que essa campanha negativa não se reflita quando eu estiver formada!
Serei, sim, diplomada pela Unip!
Quanto ao exame da OAB não são só os estudantes da Unip que são reprovados. Os que estudam nas conceituadas também tropeçam!
E mais: quanto à matrícula do garoto ter sido efetuada, essa é outra história, não tem nada a ver com o corpo docente.

Ampueiro Potiguar disse:
07 de março de 2008 às 14:00

Um desperdício. O menino devia ter feito um concurso para Juiz. Para julgar o Cacciola. Ou Zé Dirceu; Delúbio; Marcos Valério; Genoino; Roberto Jefferson; a Turma do Banco Araucária e os 30 bilhões remetidos para o exterior...

seixas disse:
07 de março de 2008 às 14:16

(Estudante de Direito) - 07/03/2008

Bom a cada dia que passa, penso qual o problema do presidente da ordem, com as faculdades particulares, porque a gente sabe que processo seletivo Mesmo não existe, se estiver dentro das vagas é só fazer a matricula.Isso em tantas outras instituições até mesmo aquelas mais tradicionais, ora é lucro mesmo se fosse assim não existiam, ele quer comparar a qualiddae da UFGO com a unip....eu estudo na unip df, meu sonho era entrar na pública,mas mesmo assim, não sinto deficiencia no meu curso porque estudo e faço minha parte,agora para finalizar, segundo a mae do menino ele é um bom aluno e a instituição diz que ele teve um bom desempenho, o menino é especial, se ver isso também pelo interesse dele com essa idade em cursar e pelo seu sonho em ser juiz.

MMello disse:
07 de março de 2008 às 14:26

Li em um outro jornal, que o menno disse que "chutou" todas as questões e passou.
Isso prova aquilo que sempre disse, que prova de "X" não prova nada. Portanto, se esse menino tivesse feito prova do CESPE para o concurso de juiz federal da 5ª Região, com certeza lograria aprovação.
Já que minha teoria se confirma com a aprovação desse garoto.

ANS disse:
07 de março de 2008 às 18:40

Resp. ao que se diz Advogado Régis C.Ares
Só uma questão: quem dá aulas de Direito nessas escolas de última categoria não são advogados que passaram no teste da OAB?
Ou as escolas trazem professores que passaram no teste da OAB de Marte?
Será que a OAB também não tem culpa na formação desses péssimos operadores do Direito?
Uma boa questão para o Dr. responder

Sérgio Wilian Annibal disse:
07 de março de 2008 às 20:40

Esse caso demonstra o descaso com a formação profissional das escolas de direito. Ser aprovado no vestibular e entrar para a faculdade é fácil, devido ao grande número de cursos e vaga disponíveis no mercado, oferecidas por IES sem qualquer preocupação com qualidade do ensino ministrado. Já passou da hora de se tomar uma providência sobre essa questão da proliferação de cursos de direito sem qualquer compromisso com o bom ensino.

Régis C. Ares disse:
08 de março de 2008 às 22:34

Réplica ao que se diz “Bacharel Anselmo”...

Anselmo, quem dá aulas nessas “escolas” eu, realmente, não sei.

Mas sei que, HOJE EM DIA, qualquer “bacharel” em Direito com conhecimentos jurídicos básicos (o que não é a maioria dos “Bacharéis” em Direito...), tem condições de ser aprovado, com facilidade, no exame da Ordem.

Ocorre, Anselmo, que neste país, qualquer um é “dotô”,... mas “PROFESSOR” é uma outra história bem diferente.

E, DESDE QUANDO ser advogado é o suficiente para ser PROFESSOR ?

Já ouviu falar em MESTRADO ?...

Você sabia, Anselmo, que a maioria dos “professores” de muitas faculdades de Direito são, tão somente, “ESPECIALISTAS” (pós-graduados latu-sensu), com pouquíssimo ou nenhum conhecimento rudimentar de DIDÁTICA ? Ou seja, que NÃO APRENDERAM A ENSINAR ?

Há “Universidades” – isso não é segredo algum – que contratam “mestres” para apenas “fazer numero” no corpo docente, e vão para a sala de aula de vez em nunca.

A O.A.B. tem culpa ? Em quê ? O que você quer que ela faça ? Você acha que a O.A.B. tem autoridade pra sair por aí fechando cursos ?...

A culpa pela formação dos péssimos operadores de direito, pra começar, são dos próprios péssimos operadores de direito, que querem fazer um curso de graduação “meia-boca”, virarem “Bacharéis” sem saber coisa alguma, para depois tentarem a inscrição na O.A.B. na marra...

Passe bem !...

Régis C. Ares.
Advogado (COM MUITO ORGULHO !!!)

Júnior Brasil disse:
09 de março de 2008 às 16:17

Ao Dr. Régis.

Para completar o que o colega Régis Ares ensinou, a questão central é que não há seleção alguma para ingresso em algumas universidades. Admite-se quem quiser entrar. Não se avalia nada. Nada. Depois, como os acadêmicos não conseguem acompanhar um curso correto, abaixa-se o nível do ensino até a média dos alunos. Em alguns casos, chega-se ao nada. E, passados os cinco anos de curso (o único requisito respeitado, o lapso temporal), ei-los bacharéis em Direito. O resultado já sabemos.
Dr. Régis, se quiser me responder, será um prazer: amigo200@bol.com.br

lu disse:
11 de março de 2008 às 13:20

Pergunto a advogado Régis:
o senhor realmente acredita que o profissional que cursa um mestrado aprende didática? Tem certeza?

Você precisa estar logado para enviar um comentário.