A medida provisória é um instituto que só convive com o sistema parlamentarista de governo. Entrou no texto constitucional por existir à época da Constituinte em 1988, uma tendência para o país adotar o parlamentarismo. Quando os constituintes chegaram ao fim das discussões sobre a Carta e o plenário votou pelo regime presidencialista, o relator da Constituição, o então deputado Bernardo Cabral, pediu para que o instituto da Medida Provisória fosse retirado do texto.
“Disse ao senador Humberto Lucena: retire imediatamente as medidas provisórias, porque senão vão dar ao presidente poder que nenhum ditador civil ou militar teve neste país”, contou Cabral à revista Consultor Jurídico. As MPs foram mantidas. Para Bernardo Cabral, com isso, o presidente acaba usurpando poder do Congresso. “Isso está sendo feito a toda hora”, constata.
O ministro Flávio Bierrenbach, do Superior Tribunal Militar, concorda com Cabral. Bierrenbach sustenta que as medidas provisórias são instrumentos de índole fascista, pois surgiram com a Constituição italiana de Benito Mussolini e foi implantada no Brasil na época da ditadura de Getúlio Vargas, sob o nome de decreto-lei. “A medida provisória é ditatorial, abusiva e deixa o Poder Legislativo sem nenhuma expressão”, afirmou.
Professora de Direito Constitucional da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), a advogada Ana Paula de Barcellos também concorda que as MPs fazem sentido em um sistema parlamentarista, em que o chefe de governo depende da confiança do parlamento. “Em um presidencialismo como o brasileiro, elas conferem um poder excessivo ao chefe do Executivo”, afirma.
Bierrenbach lembra que o povo já foi chamado para se pronunciar sobre o sistema de governo. “Em duas oportunidades, o povo brasileiro se manifestou que não quer um país parlamentarista, não quer entregar o país a um Congresso que trabalha só uma vez por semana”, afirmou. Entretanto, explica o ministro a Assembléia Constituinte criou institutos que não são próprios do sistema presidencialista. “Ficou um sistema híbrido com várias inviabilidades”, completa.
Além das medidas provisórias, o ministro cita o fato de os ministros de Estado serem escolhidos dentro de outro poder, essência do sistema parlamentarista e não presidencialista. “O princípio de separação dos Poderes não é respeitado”, explica.
Para Ana Paula de Barcellos, para que o sistema parlamentar obtivesse sucesso no país seria necessária uma série de mudanças nos sistemas eleitoral e partidário e nas relações entre Executivo e Legislativo. “Para que um sistema parlamentar funcione de forma adequada, é preciso uma maioria parlamentar razoavelmente estável e uma minoria parlamentar que controle efetivamente o bloco formado pela maioria parlamentar e o governo. Nenhuma dessas duas coisas ocorre hoje no Brasil”, observa.
A advogada também chama a atenção para a tendência não só no Brasil como em outros países em atribuir mais poder ao Executivo. “A realidade contemporânea muitas vezes exige respostas rápidas para situações urgentes que não podem aguardar o ritmo próprio do Legislativo”, explica, exemplificando a recente crise econômica como uma das situações que demanda respostas rápidas.
“Não há dúvida de que a previsão das medidas provisórias foi institucionalmente ruim. Porém, bem pior tem sido o uso abusivo delas pelo Executivo e a omissão do Congresso na defesa de seu próprio espaço institucional”, completa.
O constitucionalista Celso Antônio Bandeira de Mello também sustenta que a Constituição de 1988 foi elaborada com a perspectiva de se ter o parlamentarismo. Mas, na última hora, foi aprovado o sistema presidencialista. “As Medidas Provisórias ficaram perdidas.”
O sistema parlamentarista já havia sido aprovado na Comissão de Sistematização. “Pela vaidade de alguns, pela impropriedade de outros e desconhecimento de muitos, o parlamentarismo foi derrubado no plenário”, observa Bernardo Cabral. Para ele, bastava olhar para países que, mesmo dizimados pela Segunda Guerra Mundial, adotaram o parlamentarismo e ascenderam, inclusive, economicamente.
Balanço do relator
Para Bernardo Cabral, apesar das críticas a Constituição permite ao pais percorrer pela via democrática. Liberdade de imprensa, funcionamento dos três Poderes, normalidade com o impeachment do ex-presidente Fernando Collor e com os oito anos de governo Fernando Henrique são, para Cabral, exemplos de que o Brasil avanço no resgate do Estado Democrático de Direito.
Cabral admite que a Constituição precisa melhorar e que os próprios constituintes originários não descartaram essa hipótese, já que previram a possibilidade de modificar o texto. Entretanto, o relator da Constituinte chama a atenção para as mais de 2,5 mil emendas que tramitam no Congresso, a que dá o nome de “canteiro de obras”. Para ele, com algumas exceções, as emendas aprovadas – foram 62 em 20 anos – não visaram melhorar a CF. “Não se pode querer toda hora mudar o texto constitucional a reboque de interesses meramente circunstanciais”, afirmou, constatando que várias emendas foram feitas para dar uma “satisfação” a setores políticos.
Cabral acredita que a grande chance de melhorar a carta de 1988 foi perdida na revisão de 1993. O texto original já previa que a Constituição deveria por uma revisão cinco anos depois de aprovada. “Perdeu-se a grande oportunidade de melhorar o texto constitucional com a revisão que não foi feita”, afirma o relator.

O senhor entende bem é de bolero e ministra pseudo-intelectual.
Os parlamentaristas não arredam o pé. Por duas vezes o povo já decidiu pelo presidencialismo, mas não deixam implantá-lo de fato. Em nossa democracia o povo é o que menos manda.
Ressuscitar o ilustre ministro dançarino, agora que sua ex volta ao Brasil, devidamente perdoada pelo esquecimento coletivo, é obra salutar. Pois talvez pensemos em ressuscitar a historia da época Collor.
Dizer que pediu para que tirassem (Lucena) a medida provisoria, no cantinho do senado, é surrealista.
FHC, Lula, Sarney, já confessaram ser impossivel governar sem as MPs. O sistema hibrido brasileiro é uma caca. Quando o congresso pode, engessa o governo e paralisa a nação.
O caso do orçamento próximo passado é emblemático. Para desgastar o governo Lula, o Congresso parou o país, que ficou sem verbas para governar.
Com um congresso como o nosso, aonde o tema predominante é como fugir à determinação legal do Supremo contra o nepotismo, imaginem a falta das MPs. The house goes down.
Aquele velho ditado ainda continua valendo: "Diz-me com quem andas, que te direi quem és". O molusco fica de "ti-ti-ti" com o Chávez e se acha o bom da boca. Não demora muito e alguém o manda calar a boca também. O que, aliás, já está demorando, pois calado, ele tá errado!
Francisco Alexandre Zerlottini. BH/MG.
Basta que algum dos 3 ou 4 oposicionista que mandam no congresso acorde mal-humorado e a 'CASA CAI', não 'passa nada' no senado e ainda se fingem de doídos e ficam 'tagarelando' dia e noite até "cansarem".
A ARTICULAÇÃO FICA VISÍVELMENTE DETECTADA PELA TV SENADO E CLARO COM ALGUNS DISCURSOS 'FOLCLÓRICOS', OU SEJA UMA MESCLA DE ENSAIO ARTICULADO COM OS 'REPENTES NORDESTINOS'..!rs
Só quero ver o que vai acontecer com o próximo governante, será que vai 'aguentar', assim como o atual, pois, o FHC não 'aguentava' certos desaforos ..bem, havia outro nível aparente. No entanto continuo não achando justo certos 'ataques' a instituição Presidência do nosso País e tenho certeza de que o proximo não cederá com a mesma tranquilidade a certos 'ataques maldosos articulados'.
"..se fingem de doídos .."
Leia-se:
'..se fingem de D.O.Í.D.O.S. ..'
Só agora concluiram que as MPs dão ao presidente poderes que nem mesmo os ditarores tiveram?
Depois de tanto tempo vamos discutir o que. o sexo dos anjos?
Mas, pensando bem, com parlamentares que votam às portas fechadas e se utilizam do anonimato para esconder responsabilidades, só com MP mesmo!
É o ponto do contraponto! Ah... ninguém entendeu? Pois é um nó mesmo!
Nós sabemos que o Parlamentarismo não passou no plebiscito porque o povo "não quer entregar o país a um Congresso que trabalha só uma vez por semana”. O eleitor não sabia sequer o que era Parlamentarismo, muito menos discernir sobre tese de trabalho parlamentar de uma só vez na semana. A massa que deixou de aprovar o novo sistema entendia sim, muito bem, de loteria e futebol. Essa maioria de desinformados é que levou o título de eleitor na mão até a urna para depositar ali sua insegurança cultural, mantendo a única expressão que conhecia: a do "toma lá dá cá". Como a barganha e o comércio do voto não foram alinhados para apresentá-la, a nova proposta se apresentou como algo estranho, do outro mundo. E foi relegada. Muito menos ainda foi porque a opinião do eleitor fosse reflexiva, meditando sobre estabilidade entre maioria e minoria parlamentares. Eleitor brasileiro não lê. Não tem como saber disso.
A realidade é outra. Com as devidsa exceções, os políticos daquela época, como são hoje, bebem na bica da corrupção. Mesmo que apenas goteje. Jamais irão falar bem ou corretamente a respeito do Parlamentarismo. Afinal, "voto de desconfiança" e dissolução do Congresso Nacional e novas eleições a menos de 4 em 4 anos é algo que nenhum corrupto quer enfrentar. Tirem a venda da ignorância dos olhos do populacho e o Brasil arranca para uma nova condição de país.
é preciso uma maioria parlamentar razoavelmente estável e uma minoria parlamentar que controle efetivamente o bloco formado pela maioria parlamentar e o governo. Nenhuma dessas duas coisas ocorre hoje no Brasil
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